Coinbase terá programa para desenvolvedores do Brasil usarem blockchain Base

Dan Kim, da Coinbase.

Em sua primeira visita a São Paulo, Dan Kim, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Coinbase, teve como uma de suas missões encontrar desenvolvedores para a recém lançada blockchain da empresa, a Base. Em entrevista exclusiva ao Blocknews, disse que gostou do que encontrou aqui e que o país terá um programa para formar uma comunidade deles. “Já temos um time de engenheiros e estou contratando mais pessoas. É assim que começamos a formar comunidades. Quando a daqui tiver um certo tamanho, podemos ter meetups e seminários de educação para ajudar no desenvolvimento de projetos”, afirmou.

Kim já teve seu próprio negócio de iogurtes congelados, a Red Mango, pelo qual chegou a ser premiado. Também já passou por empresas como Airbnb e Tesla. Na Coinbase começou na área de listagem de criptomoedas. Aqui, disse que foi o primeiro mercado que esteve depois do anúncio da Base, em março passado, para falar da rede e buscar desenvolvedores.

Para ajudar a construir uma comunidade global, a empresa vai realizar uma série de iniciativas e uma delas é uma parceria com o Google. No Brasil, Kim e outros executivos da Coinbase se encontraram com desenvolvedores no Google for Startups Campus em São Paulo, na semana de 20 de março. Na cidade, também palestrou na edição deste ano na Bitconf. A seguir, as informações que Kim deu ao Blocknews durante a entrevista:

Conexão entre desenvolvedores

A Coinbase vai estabelecer formas para que os desenvolvedores usem a blockchain Base e se conectam com outros desenvolvedores da rede no mundo, Haverá um específico para o Brasil. Aqui há muita energia empreendedora, ideias, não há medo. Um exemplo é a Helô Passos (fundadora da Trexx), que encontrei e que me disse que criou um jogo. Ela me contou como fez isso. Eu disse a ela que quero ajudá-la a lançar o produto, eu simplesmente adorei a energia dela. Estamos procurando por quem está construindo a próxima geração da internet. Quero me conectar com comunidades aqui de desenvolvedores, engenheiros, faculdades, escolas. Com as “Helôs”.

Queremos encontrar as pessoas que querem se juntar a nós. Conversei com muitos brasileiros sobre cripto e eles entendem o que é, o que faz, que é uma tecnologia, não apenas uma moeda. Não vejo cripto como uma questão financeira. Isso é importante, mas o que mais me entusiasma é cripto como uma tecnologia. É maior do que finanças. É como sobre como você vive, se comunica, como atinge liberdade social e econômica.

Base para vários tipos de usos

No evento no Google for Startups Campus anunciei que vamos fazer uma parceria. Todo mundo que desenvolve aplicativos Android poderá implantá-los em Base, o que é algo enorme para quem está desenvolvendo no Google. Games são uma das formas mais rápidas de se introduzir na Web3, mas há outros usos como finanças descentralizadas, pagamentos e aplicações sociais. Há muitos projetos no mundo que fazem muito sentido no Brasil e nosso trabalho é conectar desenvolvedores aqui com a Coinbase e o resto do ecossistema que estamos construindo.

Comecei na Coinbase na equipe responsável pelas criptos a serem listadas na exchange. Vi inúmeros blockchains, protocolos, como conectar carteiras com redes e competição entre as redes. Chegamos a um ponto em que decidimos fazer tudo isso ter sentido. Não podemos ter um número infinito de blockchains e protocolos. Então, decidimos criar uma rede decentralizada, fácil , open source para harmonizar protocolos e padrões. Fizemos isso com a Optmism. Haverá mais blockchains no mundo, mas o que o mundo precisa é entender blockchain ao invés de desenvolver mais delas. Quando você torna fácil fazer desenvolvimento para um público maior, como os da Coinbase, começa a haver harmonização e as pessoas passam a entender que essa é uma forma de atingir mais usuários.

Criação do ecossistema Coinbase

A Coinbase sempre teve a visão de ser uma empresa onchain, ou seja, em blockchain. Acontece que começou como uma exchange, fazendo as pessoas entrarem no mundo cripto. Mas, como nossa visão é como ser onchain, essa é uma das razões pelas quais investimos na carteira digital (wallet), que permite fazer ao usuário tudo o que precisa num ambiente descentralizado e ter uma conexão com uma exchange centralizada. Também fizemos a stablecoin USDC (em parceria com a Circle) e um staking para liquidez (ele não comentou a disputa com a SEC). Começamos a fazer uma carteira MPC que permite se conectar com aplicativos descentralizados (DApps). Agora temos a rede Base.

O objetivo sempre foi ser mais do que uma exchange, mas tinha que começar por algum lugar e começou com a exchange. Chegamos num ponto em que temos todos essas partes que o mundo precisa para construir a Web3, que será o próximo ecossistema que vai ser o combustível para tudo o que fazemos. Vamos fazer tudo o que pudermos para trazer o mundo para o universo onchain.

Fornecedora de serviços

Os cortes de custos anunciados na última carta aos investidores da Coinbase não vai afetar as parceiras com os desenvolvedores. Estamos desenvolvendo mais do que no ano passado. Quando o mercado está em baixo, o que se faz é desenvolver, porque há menos distrações. Estamos indo bem e é o que estamos fazendo. E esse é um dos motivos pelos quais vim para cá.

Sucesso para mim é quando mais pessoas sabem como desenvolver Web3 e não estão com medos disso. Empresas como a Coinbase estão entre as que têm maiores condições de serem provedoras de serviços para empresas e instituições financeiras para entrarem no universo Web3. Um dos meus maiores objetivos é crescer o nosso ecossistema e trazer desenvolvedores para que os usuários possam explorar os benefícios da nova internet. Para isso tem de ter exchange, carteira, serviços, uma rede blockchain. Somos mais do que uma exchange.

Usuários institucionais

Todo mundo está interessado em criptomoedas, de crianças interessadas que olham para NFTs (tokens não-fungíveis) a traders que colocam dinheiro em moedas digitais. Há grandes fundos institucionais que também estão muito interessados porque entendem a força disso e os investidores que eles representam também entendem isso. Vemos esse fenômeno global e por isso anunciamos a parceria com a BlackRock (maior gestora de recursos do mundo) para oferecer o Coinbase Prime (serviço para investidores institucionais). Essa indústria vai mudar o mundo e se você olhar para o movimento dos institucionais, você começa a achar que estamos a caminho de algo, que não tem mais o interesse dos usuários só do varejo ou dos entusiastas.

Os cortes de custos anunciados na última carta aos investidores não vai afetar as parceiras com desenvolvedores. Estamos desenvolvendo mais do que no ano passado. Quando o mercado está em baixo, o que se faz é desenvolver, porque há menos distrações. Estamos indo bem e é o que estamos fazendo e esse é um dos motivos pelos quais vim para cá. Sucesso para mim é quando mais pessoas sabem como desenvolver Web3 e não estão com medos disso.

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