BTG Pactual será dealer da Circle no Brasil e vai atender clientes institucionais para USDC

Jeremy Allaire, CEO e cofundador da Circle.

A Circle, criadora do ecossistema das stablecoins USDC e EURC, lastreadas em dólar e euro, respectivamente, fechou um acordo com o BTG Pactual para que o banco seja seu dealer no Brasil. Com isso, será uma espécie de representante da Circle, fazendo a distribuição dessas criptos para que empresas e outros instituições que queiram criar – ou minerar, no jargão cripto -, comprar e vender essas stablecoins, disse Andre Portillo, sócio do banco e responsável pela Mynt, plataforma cripto do banco.

Jeremy Allaire, cofundador e CEO da Circle anunciou a parceria na manhã desta quarta-feira (29), em São Paulo, num evento que marcou a entrada oficial da empresa no Brasil. A empresa ainda não tem um time no Brasil, mas está com vaga aberta para um diretor regional baseado no país. Há ainda outras vagas abertas no LinkedIn ligadas a temas cruciais para o negócio decolar e funcionar, como a de vice-presidente de estratégia regulatória. As outras duas são para profissionais de marketing e de marketing com foco em comunidade.

O banco também relembrou a parceria com o Nubank, que desde novembro oferece a USDC na sua plataforma cripto. Allaire disse que o objetivo é fazer mais parcerias, inclusive com desenvolvedores. A plataforma da Circle é aberta e o objetivo é atrair quem desenvolva projetos nela, fortalecendo o ecossistema.

“Desenvolvedores e empresas podem construir na plataforma. Construímos uma infraestrutura, inclusive de liquidação e deixamos as APIs abertas para uso nos aplicativos. Isso tem um feito de rede e as parcerias aqui (no Brasil) são resultado desse efeito de rede”, completou.

A Circle chega oficialmente ao Brasil em meio à preparação da regulação das empresas provedoras de serviços ligados a criptoativos. E o Banco Central (BC), o regulador, já avisou que haverá um estudo especial sobre as stablecoins.

Para Allaire, 2025 vai ser o ano em que as stablecoins vão florecer como um dos principais dinheiros eletrônicos. Isso porque esse tipo de criptomoeda está em análise para regulação em todo o mundo. Criadas para facilitar as operações de finanças descentralizadas (DeFi), estão ganhando espaço em transferências internacionais e como reserva de valor, por exemplo, temas que quem cuida e controla são as autoridades monetárias dos países.

“Estamos no começo”, “estamos numa fase nascente” foram frases ditas por Allaire várias vezes durante o evento. O avanço da regulação é um dos motivos, além da agilidade que redes blockchain podem dar ao sistema financeiro, afirmou. Para ele, o sistema acabar, portanto, atraindo empresas, comércio e outras organizações, como bancos. E nisso entram as stablecoins também.

Atualmente, as stablecoins são uma parcela pequena, de cerca de US$ 170 bilhões, até mesmo do mercado cripto, que hoje é de US$ 2,5 trilhões. A Circle tem US$ 32,5 bilhões em circulação em USDC. Em EURC, são US$ 37 milhões

Esse efeito de rede é o que o Banco Central do Brasil está tentando criar com a plataforma Drex. Nela, o BC dá a infraestrutura e os operadores do mercado se conectam a providenciam produtos e serviços para os usuários finais, além de fazerem transações entre eles. E tudo isso será conectado com o uso da moeda digital Drex.

Por enquanto, a USDC e a EURC não têm a concorrência das moedas digitais oficiais dos Estados Unidos (EUA) e da União Europeia. No primeiro, há estudos, mas não é prioridade lançar essa versão do dólar. Já a UE está avançando nos estudos para o euro digital.

*Reportagem será atualizada ao longo do dia.

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