Brasileiros criam a Reset, gestora global de fundos em criptomoedas e lançam primeiro produto

Gustavo Cunha, um dos sócios da Reset, que terá fundos de criptomoedas. Foto: Gustavo Cunha.
Brasileiros criam a Reset, gestora global de fundos em criptomoedas e lançam primeiro produto que tem foco em DeFi e arbitragem.

Estreou hoje (15) o primeiro fundo de criptomoedas da Reset Asset Management, criado pelos especialistas do mercado Gustavo Cunha, Bernardo Quintão e André Montenegro. O Reset Defi Yiled Fund tem como foco “aproveitar as várias ineficiências do mercado em cripto, sem incorrer no risco da volatilidade das moedas digitais”, disse Cunha com exclusividade ao Blocknews.

Esse fundo está nas Ilhas Cayman e a estrutura da gestora nas Ilhas Virgens Britânicas. Os próximos fundos de criptomoedas da empresa também deverão estar nesses locais. Há um fundo feeder em Luxemburgo, ou seja, para captar recursos da Europa e Ásia, principalmente, e repassar para o principal que está em Cayman. Haverá também um feeder no Brasil em 2022.

A gestão do fundo é ativa, portanto, os gestores analisam o mercado e tomam decisões de alocação dos recursos. Assim, diferentes dos fundos que seguem um índice, por exemplo, como os ETFs. O investimento mínimo é de US$ 100 mil (cerca de R$ 600 mil). Uma vez que é um fundo de cripto, entra na categoria “alternativo”. Por isso o valor de entrada é nessa faixa, explica Cunha. As cotas são mensais e a retirada é de 60 a 90 dias.

O fundo foca em finanças descentralizadas (DeFi) e arbitragem, que é comprar e vender um ativo – no caso cripto – aproveitando diferenças de preços em mercados distintos. Por exemplo, vende uma cripto num local e compra a mesma num outro lugar onde é mais barata.

Segundo ele, aproveitar as várias ineficiências do mercado em cripto significa, por exemplo, a arbitragem entre exchanges e operações que envolvam compra à vista de criptoativo e venda no futuro. Situações como essa se devem ao fato de o mercado estar em formação e ser cada vez mais complexo, completou.

Fundos de criptomoedas da Reset serão todos regulados

Os três sócios estão há alguns anos no mercado de cripto. Pelo pouco tempo de vida do segmento, isso os torna “veteranos” na área. Cunha fez gestão de recursos por mais de 20 anos em instituições financeiras tradicionais, até chegar ao mundo de criptomoedas. Além disso, fundou a FinTrender. Quintão também tem experiência como investidor anjo e consultor em projetos de criptos. Montenegro é investidor em empresas, assim como é sócio da tokenizadora Liqi Digital Assets.

De acordo com Cunha, a ideia de montar fundos começou no ano passado. Se juntou a Quintão e depois chegou Montenegro. O grupo conversou com advogados em 16 jurisdições para definir onde ter o fundo. Motivo: “Sabíamos que nasceria global. E queremos fazer o estado da arte de fundos regulados”, afirmou.

Reset é a palavra em inglês para redefinir, ou seja, carrega a ideia de começar do novo. É um negócio para dar opções a quem quer entrar em criptos, diz o sócio.

Ilhas Virgens e Cayman atenderam a requisitos de operação e taxação

As Ilhas Virgens Britânicas e Cayman atenderam melhor dois pontos: operacional, o que inclui existência de regulação, e níveis de impostos que não dificultam os investimentos”. A busca começou por Suíça e Luxemburgo. No caso da Suíça, os impostos foram uma questão. Em Luxemburgo, é necessário ter custodiante autorizado de cripto, o que não existe ainda. “Vai ter e por isso temos pé la.”

A ideia é ter ainda outros fundos em criptomoedas. Os sócios trabalham num projeto que vai estar direcionado a moedas digitais com lançamento previsto no primeiro trimestre de 2022. “É para comprar a próxima Amazon, Apple do mundo descentralizado de cripto. Outros fundos podem ir de venture capital a até um fundo de meme, ” que é brincadeira, mas não é, porque é possível usar inteligência artificial para rastrear tendências e seguir isso para investimento”.

Os sócios ainda não definiram se haverá um teto para fechar o fundo. “Vamos discutir isso mais para frente. Cabe bastante dinheiro porque o mercado de criptomoedas é muito liquido”. A previsão é captar US$ 10 milhões (cerca de R$ 55 milhões) até abril. Parte disso vem do Brasil. Mas há já há também interessados europeus, afirma Cunha.

Compartilhe agora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *