“Brasil é atraente para Coinbase pelos números e desenvolvedores”

Nana Murugesan, VP de Desenvolvimento Internacional da Coinbase.

A Coinbase, a maior exchange com base nos Estados Unidos e a segunda maior do mundo em volume, anunciou oficialmente sua entrada no Brasil nesta terça-feira (21), ao mesmo tempo em que comunicou a integração do Pix ao seu serviço, um aplicativo em português e simplificação de cadastro de clientes. Com isso, deu o recado de que tenta facilitar o uso de seus serviços, que vão competir num mercado em boa parte dominado pela Binance, como já acontece em outras praças.

De acordo com Nana Murugesan, vice-presidente de Desenvolvimento Internacional e de Negócios da Coinbase, o interesse no Brasil vai além dos números. “Todos nós sabemos os números”, como o da população de cerca de 215 milhões de pessoas e o de sétimo lugar do país em usuários de criptos. “Mas o que também faz o Brasil ser um mercado animador são os desenvolvedores”. E citou como um dos exemplos a Play4Change, que usa soluções de Web3 como tokens não fungíveis (NFTs), inclusive em jogos, para ações de inclusão digital, financeira e educação em comunidades. “Há casos interesantes”, completou.

Num artigo no blog da Coinbase na semana passada, Murugesan disse que a empresa fará uma expansão internacional nas próximas oito semanas. Esse processo começou em Singapura.

Coinbase tem “dezenas” de funcionários no Brasil

A vinda da Coinbase para o país já é notícia desde 2021, quando começou a contratar profissionais para o que descreve como seu hub para desenvolver produtos para o Brasil e para outros mercados. Fabio Plein, que em abril de 2022 assumiu o cargo de diretor regional para Américas, não confirmou o número de funcionários aqui.

A Coinbase tem 3,7 mil colaboradores no mundo. Mas, Plein disse ao Blocknews que a não poderia abrir dados locais. O que posso dizer que temos algumas dezenas aqui, desde engenheiros a administradores, e, no momento, estamos focando mais na ampliação de cargos de gerência”.

No entanto, a empresa informa que na Índia, outro mercado em que está investindo, tem 300 funcionários em tempo integral e planeja contratar outros 1 mil neste ano. O modelo de contratação é o de trabalho remoto nos mercados em que atua.

89 milhões de usuários verificados

Com 89 milhões de usuários verificados no mundo, Plein diz que não pode abrir os dados regionais porque a Coinbase é uma empresa de capital aberto. “Nosso foco no momento é ampliar a base de investidores em criptomoedas no país”, completou. A meta da Coinbase é chegar a 1 bilhão globalmente. Nos EUA, a empresa fez acordos com a gestora de recursos BlackRock, por exemplo, para oferecer criptomoedas também aos investidores institucionais e outras iniciativas mostram interesse nesse segmento.

Plein tem no titulo do cargo cuidar de Américas. Por enquanto, afirma que o foco é em expandir a presença no país. “Ainda está cedo para falarmos de algo regional, mas não vamos negar que sempre estamos pensando também em ampliar a atuação na região”, completou. Segundo Murugesan, um dos fatores que atraem a Coinbase à América Latina é que em alguns países a inflação incentiva a adoção de criptomoedas. Nesse caso, a Argentina e a Venezuela são casos conhecidos.

Aliás, o fato de estar na bolsa e ter de seguir regras de transparência, como a divulgação de balanço, faz dela umas das mais transparentes do setor, no qual pouco se sabe da saúde financeira das exchanges.

Pix para 243 criptomoedas

No Brasil, a Coinbase vai oferecer 243 criptomoedas para transações com Pix, staking, o marketplace Coinbase NFT, sua carteira Coinbase Wallet de auto-custódia e a carteira BRL, para armazenagem de fundos em reais.

A regulamentação do setor também é um incentivo para a Coinbase vir ao país, dizem seus executivos, inclusive o CEO, Brian Armstrong. O avanço da regulação no Brasil foi apontado como positivo na carta aos acionistas na divulgação do balanço do quarto trimestre de 2022.

É um cenário bastante distinto daquele nos Estados Unidos (EUA). Lá, os reguladores adotam uma postura mais hostil ao setor, em especial após a falência da FTX. Com isso, estuda ter uma plataforma fora dos EUA, mas não confirma se isso seria aqui.

Antes de tentar se instalar no país com uma nova operação, a Coinbase tentou comprar o Mercado Bitcoin. No entanto, a negociação não avançou. De qualquer forma, aqui tem investidas como a também exchange Bitso e a brasileira Hashdex. A exchange afirma que a Coinbase Ventures, “é uma das empresas de capital de risco corporativo mais ativas em número de negócios”. Além isso, afirma que investiu em mais de 300 companhias desde seu lançamento em 2018.

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