Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bitfy, carteira multiuso de criptomoedas, recebe aporte Série A de R$ 13,3 milhões

Lucas Schoch, fundador e CEO da Bitfy, que é uma "PicPay de criptos".

A Bitfy, primeira carteira multiuso para custódia própria de criptomoedas do Brasil, recebeu um aporte Série A de R$ 13,3 milhões. A rodada foi liderada pelo investidora americana com foco em blockchain Borderless Capital. E contou com outros investidores como a plataforma Algorand, a Dash Investment Foundation e investidores-anjos dos Estados Unidos. Assim, a Bitfy atingiu o valor de mercado avaliado em R$ 120 milhões.  

A criptotech vai usar esses recursos em novas tecnologias, contratação de profissionais – hoje são cerca de 30 – e campanhas para aumentar a base de usuários, hoje de mais de 80 mil. Essa é a função de Tony Marchese, que já passou pelo iFood no México e Uber. Recentemente, o executivo deixou de ser só investidor anjo na empresa para ser o Chief Marketing Office (CMO) em tempo integral. A Bitfy afirma que já transacionou R$ 70 milhões.

Lucas Schoch, fundador e CEO da Bitfy, disse ao Blocknews que sua empresa é uma espécie de PicPay das criptomoedas. E para crescer, umas das ações é, por exemplo, parcerias com empresas como Cielo, iFood, McDonald’s, Evino e Hering para pagamentos por meio da sua carteira.

Schoch disse que ao buscar os investimentos, houve foco em investidores estrangeiros, embora haja brasileiros que morem nos EUA no grupo. “Acreditamos que precisamos de players que estejam expostos às criptomoedas como sócios. Procuramos fundos e empresas para dar lastro para nosso produto”.

Além disso, completou, “no Brasil não havia fundos expostos a criptomoedas e não queríamos ser uma dúvida para eles. Queríamos que olhassem para nós e tivessem certeza do que estavam fazendo”.

Bitfy começou com CEO jogando com criptomoedas

Schoch é desenvolvedor e aprendeu a programar de curioso com 14 anos e na empresa do pai. “Jogava online e pagava em reais até aparecer bitcoin. Fiz um software para máquinas minerarem para mim de madrugada”. Hoje, tem consciência de que não é uma boa. Isso foi por volta de 2011, quando a cripto atingiu o preço de US$ 1 pela primeira vez (hoje, 16, está em US$ 49 mil).

Dois anos depois, em 2013, quando o Mercado Bitcoin começou a operar, um amigo o lembrou das criptos. “Achei que estivesse milionário”. Naquele ano, o preço da criptomoeda começou a subir mais e variou de US$ 13 em janeiro a cerca de US$ 800 no final do ano, chegando a superar US$ 1 mil no período. Foi verificar e descobriu que tinha 6. Mas já tinha gasto 1 mil jogando. “Cheguei a comprar um tigre por 400 bitcoins para andar ao meu lado num jogo”.

A questão toda é que a partir daí começou a querer entender mais sobre bitcoin. “Olhava para aquilo e entendia a ‘economics’ (ciência econômica) de uma criptomoeda, já que isso era fácil para quem era de jogo. Mas, não entendia a tecnologia.” Na sequência fez um pool de mineração, porque o dele foi desligado. Construiu um algoritmo e fez arbitragem até 2017. “Com o boom de preço daquele ano, resolvi construir um produto”.

Assim surgiu a Warp Exchange, para empresas receberem pagamentos em criptomoedas. “Mas, ninguém tinha criptomoeda. Quando tinha era em corretora ou pirâmide”. No primeiro ano, mesmo com 1,2 mil credenciados, houve quatro transações 3 deram problema. “Peguei a tecnologia para ver o que dava para fazer. Vi que as pessoas não tinham usar cripto no dia-a-dia e com segurança. Para isso, precisam de carteira e de um ecossistema em que estejam inseridas”.

Bitfy terá integração com BRZ

Tony Marchese, CMO da Bitfy, que vai focar no aumento da base de usuários. Foto: Bitfy.

E assim surgiu a Bitfy, que Shoch afirma que além de ser uma carteira não custodiante de criptomoedas, faz integrações para uso em pagamentos. “Serve como plataforma para investir e para pagamentos na máquina da Cielo, no ifood e no Rappi”, exemplifica. A chave da carteira não está na Bitfy. Portanto, se o usuário perdê-la, perde o dinheiro.

Ao mesmo tempo, isso significa que a criptotech não tem acesso ao dinheiro do usuário. “O grande problema de não ter custódia de criptomoedas na Bitfy, por conta da falta de regulação, ´e que deixam o dinheiro numa corretora. Dessa forma, se for hackeada, perdem o dinheiro”.

A Bitfy começou oferecendo bitcoin e há um ano passou a adicionar outras criptomoedas. Atualmente, lista as principais, como Ethereum (Ether), Celo Dólares (cUSD), XRP (Ripple), Cardano (ADA), Polkadot (DOT), Solana (SOL) e a Dash (DASH). Além disso, planeja integração com Brazilian Digital Token (BRZ) da Transfero.

“Bitfy está integrando BRZ, assim como vai integrar várias outras criptomoedas relativas a reais. Passamos a oferecer o uso de reais no nosso aplicativo. Então, o que temos em nosso aplicativo passa a ser disponível em moedas que as pessoas estão acostumadas, não há volatilidade”, afirmou Schoch.

As vendas com criptomoedas pelos parceiros credenciados da Bitfy permite não apenas usar as moedas digitais, mas há descontos com o uso de vouchers. Isso, portanto, reduz o preço da compra e ajuda a atrair e fidelizar usuários. Entretanto, a ideia é também ser um canal para se aprender a usar criptos. “Somos parceiros para pessoas entrarem nesse mundo”, afirma Marchese, o CMO.

Investidores já operam ou investem em criptomoedas

Das empresas investidoras, a Dash Investment Foundation é uma das maiores empresas globais de meios de pagamento e rede de blockchain. Tem também seu próprio token, da Dash. A Borderless levantou recentemente um segundo fundo de US$ 500 milhões para investir em empresas desenvolvidas no ecossistema Algorand. A Bitfy usará o Algorand, que possui o token o Algo e que é a infraestrutura de suporte do BRZ.

“Esse investimento chegou para impulsionarmos a democratização desse ecossistema, ainda tão obscuro para grande parte das pessoas. Nosso objetivo é levar conhecimento a todos para que adquiram confiança em lidar com as criptomoedas, oferecendo aos usuários total autonomia na sua carteira e transformando o mindset de que é preciso manter seu dinheiro em uma corretora. Queremos permanecer na liderança e nos tornar o gateway para o mundo das finanças descentralizadas (DeFi)”, relata o CEO. 

“Estamos entusiasmados em apoiar a Bitfy em sua visão de permitir o acesso de todos os usuários brasileiros a esta nova economia digital. Graças à integração com a Algorand, pagamentos e serviços financeiros com blockchain irão tornar-se um catalisador para a inovação no país”, disse David Garcia, CEO e sócio-gerente da Borderless Capital.

De acordo com Rodrigo Ambrissi, o Rodrix Digital, supervisor da Dash Investment Foundation, “a parceria da Dash Investment Foundation com a Bitfy cai como uma luva. Isso porque o Dash foca em pagamento devido à sua usabilidade de baixas taxas e velocidade. Uma plataforma como a Bitfy faz total sentido para o ecossistema do Dash por terem várias integrações e possibilidades de compra e venda usando cartão de crédito e pagamento em vários estabelecimentos através do processador de pagamento da Cielo”. 

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