Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Bitcoin vem perdendo preço, mas não perderá a majestade em 2022, dizem analistas

Preço do bitcoin começa ano "andando de lado". Foto: Miloslav Hamrik.

O preço do bitcoin não apenas não atingiu os US$ 100 mil (cerca de R$ 650 mil) que muitos esperavam até o final de 2021, como anda transitando numa faixa bem abaixo do recorde de US$ 69 mil. Analistas divergem sobre os próximos movimentos da moeda, com visões de todos os tipos.

De acordo com a Glassnode, empresa de dados sobre blockchain, a expectativa para este início de 2022 é de que o preço de bitcoin continue “andando de lado”. Portanto, sem fortes movimentos de alta ou baixa. Desde o final de novembro, os valores estão entre US$ 51.654 e US$ 46.197. Às, 18h03 desta terça-feira, estava em US$ 46.260.

“Há uma falta generalizada de atividade em várias métricas de transações na rede. Apesar de um tom de alta modesto na dinâmica de oferta”, afirmou a Glassnode. Segundo a empresa, as criptos continuam a ir para carteiras cada vez mais sem liquidez e adormecidas no cenário de queda de lucro e de baixa da cotação. Os preços vão andar de lado porque há tanto fatores que puxam para cima como outros que puxam pra baixo os valores.

Porém, há expectativas no mercado de que o combate à inflação ao redor do mundo, inclusive nos Estados Unidos (EUA), pode pressionar para baixo o preço do bitcoin. Assim, arrastaria cotações de outras moedas.

Outros analistas acreditam que fatores como a evolução de ações no metaverso, que podem incluir criptomoedas, têm potencial para puxar para cima o interesse e portanto, os preços de criptomoedas, inclusive do bitcoin. Assim como o avanço de estudos de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), que podem animar projetos de finanças descentralizadas e o interesse por criptos.

Cotação do BTC desde outubro, com destaque para valor desde novembro. Fonte: Glassnode.

Queda de preço ajudou bitcoin a cair para 39,5% do mercado

Bitcoin é e deve continuar sendo a principal criptomoeda pelo futuro que conseguimos prever. Só que com a queda de preço, passou a representar 39,5% do valor de todo o mercado. É o menor nível e quase três anos, como afirma a Arcane, empresa de investimentos em criptomoedas.

Segundo a Arcane, o vencimento dos contratos de opções em dezembro tiveram a terceira mais queda relativa a contratos em aberto (não liquidados) da história do bitcoin. Portanto, negociou-se o contrato, mas não se fechou o negócio. Um percentual de 47,8% dos contratos em aberto expiraram.

“Esse mercado ‘sem graça’ no último mês parece ter atraído investidores de volta à alavancagem”, completou. Houve um aumento de interesse em contratos de bitcoin sem data de vencimento, os chamados perpétuos para os níveis altos de novembro.

Entradas de investimentos nas empresas e por moedas.

Apesar dessa virada de ano fora do que muitos esperavam, 2021 foi um ano de muitas boas notícias até sobre o preço do bitcoin e o mercado em geral. O total de entrada de investimentos em produtos de ativos digitais somou US$ 9,3 bilhões, um aumento de 36% sobre 2020, segundo a Coinshares. Com isso, o total de ativos sob gestão (AuM) fechou em US$ 62,5 bilhões.

De 2019, quando fechou em US$ 2,8 bilhões, a 2020, o crescimento atingiu um estrondoso 806%. Mas, a plataforma de ativos digitais, “acredita que o percentual de 2021 para 2022 representa uma indústria madura”.

Além disso, o número de moedas em produtos de investimentos passou de 9 para 17. Houve ainda o lançamento de 37 produtos no ano passado, ante 24 em 2020. Agora, são 132, “um indicativo da demanda e popularidade dos ativos digitais”, completou a Coinshares.

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