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Bitcoin não é ouro digital e tese de investir até 5% em cripto não se sabe de onde vem, diz fundador do BTG

André Esteves, sócio-fundador do BTG, que tem produtos de criptos. Foto: Luiz Prado, Wikimedia Commons.

O bitcoin não é o ouro digital e a tese de que o ideal é ter de 1% a 5% dos investimentos em criptomoedas não se sabe de onde vem. Foi o que disse hoje (21) André Esteves, presidente do conselho de administração e sócio sênior do BTG Pactual, que tem uma plataforma de criptoativos e oferece fundos ligados à moedas digitais. O executivo fez as afirmações na abertura do Global Managers Conference Brasil 2022, evento do banco para gestores de recursos.

Segundo ele, ao longo dos “últimos festivos 15 anos”, construiu-se uma teoria de diversificação de portfolio, com alocação de 60% em ações e 40% em títulos. Essa é a divisão mais conhecida nos Estados Unidos (EUA) e União Europeia (UE), completou. Mais recentemente, essa teoria incluiu outras teses, como a dos criptoativos.

“Acreditavam que o bitcoin era um ouro digital. Quando se viu a Nasdaq (bolsa dos EUA com foco em tecnologia) fazer uma correção de 40%, o bitcoin caiu isso e mais um pouco. Na verdade, não tem nada de digital gold (ouro digital)”. E completou que se construiu também o discurso de que a diversificação de portfolio deveria incluir de 1% a 5% dos investimentos. “Não sei exatamente da onde apareceu isso (esses percentuais)”, completou Esteves

Acontece que agora, com a inflação generalizada e em níveis muito altos nos EUA e UE, para os padrões desses mercados, num cenário equivalente ao dos anos 70, está confrontando “um pouco a teoria de diversificação de portfolio” que os mercados construíram nos últimos anos. A tal divisão de 60% x 40% começou a mostrar perdas dos dois lados.

Esteves disse ainda que “a construção de um bom portfolio em qualquer ambiente de mercado, seja no positivo, negativo, deprimido ou no eufórico, sempre vai passar por uma análise de conjuntura, por uma visão de médio e longo prazo e, principalmente, por uma responsável diversificação”. E a essa diversificação se aplicam questões geográficas, de moeda, da natureza do ativo, dos horizontes de tempo de cada um dos ativos. “Essa combinação é que traz um portfolio saudável para um indivíduo ou uma instituição”, de acordo com ele. E é preciso também considerar, completou, os objetivos que cada investidor tem na composição do seu leque de investimentos.

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