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Usina Granelli lança açúcar mascavo rastreado com sistema da Embrapa

Mariana Granelli, diretora jurídica da Usina Granelli, que investe em tecnologia.

A partir de julho, o açúcar mascavo rastreado com blockchain da Usina Granelli, que fica em Charqueada (SP), começa a chegar às prateleiras das lojas. A usina, que fica a 200 quilômetros da capital, aceitou participar do projeto apoiado pela Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana) e com um sistema desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária de Campinas (SP). Esse tipo de açúcar é um dos que podem sofrer com a venda de falsificações, além da falta de padronização. Por isso, a usina espera diferenciar seu produto no mercado, o que vai atender a clientes mais atentos e que pagam mais por um açúcar com qualidade controlada.

De acordo com a Embrapa, foram três anos trabalhando no Sistema Brasileiro de Agrorrastreabilidade (Sibraar). A tecnologia foi customizada para o açúcar mascavo e validada na planta agroindustrial da Usina Granelli. A empresa será a primeira licenciada a comercializar o produto rastreado, que terá o selo Tecnologia Embrapa. Como publicou o Blocknews no ano passado, a expectativa era de o açúcar chegar às prateleiras por volta do final de maio e início de junho de 2021. Atrasos no processo de oficialização do projeto levaram ao atraso.

A Embrapa afirma que “o Sibraar é o primeiro software para rastreabilidade registrado no mercado nacional, voltado para a agroindústria da cana-de-açúcar, desenvolvido com tecnologia blockchain e que oferece ao consumidor informações por lote de fabricação diretamente disponibilizadas em QR Code nas embalagens”. Apesar de concebido inicialmente para o setor sucroenergético, pode ser customizado para outras cadeias da agroindústria.

O açúcar da Usina Granelli terá um QR Code na embalagem com informações sobre a origem e o processo de fabricação, que têm registro em blockchain. O tipo mascavo é valorizado no segmento de produtos naturais e saudáveis, mas ainda sofre com casos de adulteração. Os dados incluem data de produção, variedade de cana utilizada e a identificação e geolocalização da propriedade rural que forneceu a matéria-prima. Além disso, trará a análise microbiológica e parâmetros físicos e químicos do produto, como teor de sacarose, umidade e cor.

O Sibraar foi introduzido no processo de produção neste mês de junho e Mariana estima uma produção de quatro toneladas de mascavo com rastreabilidade. Mas, a Usina estuda ampliar o uso da tecnologia para outros produtos, como o açúcar tipo demerara e destilados alcoólicos. “Há cinco anos, a Usina vem aprimorando o processo de fabricação, buscando parâmetros ideais para aceitação no mercado. O objetivo é atender um segmento de consumidores preocupado com a saudabilidade dos alimentos e disposto a remunerar um açúcar com maior valor agregado”, afirma a diretora.

Pelo contrato de licenciamento, uma porcentagem das vendas será revertida para a Embrapa na forma de royalties. Além de desenvolver o sistema de rastreabilidade, o armazenamento, o processamento dos dados e a disponibilização da informação final na internet ocorre nos servidores da empresa.

De acordo com Alexandre de Castro, líder do projeto, tem crescido a exigência de mercados consumidores internos e externos por alimentos mais seguros e sustentáveis. Por isso, a rastreabilidade é fundamental para garantir a competitividade do produto brasileiro. “A adoção de ferramentas com tecnologias do tipo blockchain embarcadas surge como alternativa importante para atender esse mercado, uma vez que possibilitam que cada lote fabricado receba uma assinatura digital única para criar uma trilha segura de auditabilidade dos dados”, destaca.

Segundo Mariana, um dos interesses da usina no projeto é a possibilidade de cobrar mais pelo açúcar por conta da maior confiança no processo, já que é rastreado. Em especial em mercados no exterior. A empresa já vende o açúcar mascavo, que levou quase quatro anos para ser desenvolvido.

Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) ajudou a criar um padrão para o produto. Isso inclui, por exemplo, sabor, cor, docilidade e como deve derreter na boca. Esse tipo de açúcar costuma ser feito de forma manual e não ter padrão. A Granelli é uma usina de pequeno porte. Processa em torno de 360 mil toneladas de cana ao ano, sendo metade produção própria. Também fabrica etanol, cachaça, açúcar vhp (tipo exportação), demerara, mascavo e xarope.

“O Sibraar é um exemplo de tecnologia pioneira na cadeia sucroenergética, resultado de uma iniciativa da Embrapa para inovação aberta com o setor produtivo”, ressalta o chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Oliveira. Essa modalidade de projeto é focada em uma conexão maior da pesquisa com as demandas da agropecuária, que conta com parceiros comprometidos com a adoção da solução gerada. “A partir dessa experiência, a Embrapa tem um arcabouço de conhecimento que vai reduzir o tempo para desenvolvimento e customização da tecnologia para outras aplicações e culturas”, enfatiza.

Há mais de três anos, a Coplacana vem buscando acelerar e dar mais foco à pauta de inovação, promovendo a aproximação do setor produtivo com startups e instituições de pesquisa, como a Embrapa. O desenvolvimento do sistema de rastreabilidade com blockchain, construído em parceria com a Usina Granelli, é considerado um caso de sucesso, de acordo com o diretor de negócios da cooperativa, Roberto Rossi. “Conseguimos trazer a Embrapa, com a sua expertise, e o nosso cooperado, que tem essa visão de acesso a novos nichos de mercado, e juntos estamos viabilizando um açúcar mascavo rastreado com blockchain que é inovador no Brasil”, afirma.

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