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SpaceVis vai rastrear e tokenizar bovinos com blockchain Corda

Ao fazer uma palestra sobre as possibilidades do blockchain a serviço do agronegócio, o sócio e co-fundador da SpaceVis, Guilherme Canavese, foi questionado sobre a viabilidade da tecnologia para o rastreamento bovino. A resposta trouxe o insight que levou ao desenvolvimento de uma solução que uniu blockchain, Internet das Coisas (IoT), software e conectividade e deu vida à SpaceVis, plataforma de monitoramento, rastreabilidade e tokenização de gado que começa a operar a partir de agosto.

A demanda pelo serviço de rastreabilidade chega num cenário em que pecuaristas estão sob escrutínio público global em torno da sustentabilidade nos processos, em especial o uso do desmatamento para aumento de áreas de pastagem.

Segundo relatório de 2021 da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o Brasil conta com 187,55 milhões de bovinos, o maior rebanho comercial do mundo. Em 2020, o setor movimentou R$ 747,05 bilhões, o equivalente a 10% do PIB brasileiro. Os números dão a exata medida da importância da implementação de mecanismos efetivos de transparência e eficiência nessa cadeia produtiva.

Integração de tecnologias

A SpaceVis desenvolveu uma plataforma que integra quatro tecnologias para oferecer o serviço completo a pecuaristas. A primeira delas vem de Iot, que é um brinco GPS desenvolvido pela SpaceVis para monitoramento do boi em tempo real. “O brinco já é muito utilizado na pecuária. A diferença é que desenvolvemos o brinco GPS, uma grande inovação porque ainda não existe essa tecnologia em escala global, muito menos no Brasil”, explica Guilherme Canavese.

A conectividade, problema em áreas rurais do país, é melhorada com a instalação de torres nas propriedades. A terceira tecnologia é o software de monitoramento do rebanho em tempo real, que possibilita ainda a integração de outras soluções de mercado, como um software de gestão, por exemplo. “O controle de estoque é um enorme problema na pecuária em função de roubos e perdas de animais. Nossa solução traz mais segurança ao pecuarista no monitoramento do gado”, explica Canavese.

A tecnologia blockchain Corda, da R3, completa o pacote desenvolvido pela SpaceVis. Os dados do GPS coletados no brinco criam um timestamping, ou seja, um registro em blockchain da geolocalização do animal diariamente. “Como provar que o seu gado nunca pisou em área ilegal ou de desmatamento? O blockchain é fundamental para isso porque confere imutabilidade aos dados, o que gera mais transparência, governança e compliance em todo o processo”, diz o co-fundador da SpaceVis, ao explicar que o pioneirismo da solução está em juntar as possibilidades do GPS com as do blockchain.

O blockchain Corda, que teve origem em um consórcio de bancos, também vai possibilitar a tokenização de bois pela SpaceVis, iniciativa inédita no mundo dos tokens. A ideia é que a transformação do boi em ativo digital amplie as possibilidades de garantia de crédito ao segmento, que hoje aceita apenas ativos como propriedade e maquinários, mas não o boi vivo.

A equipe da SpaceVis conversa atualmente com bancos para se chegar a uma solução em termos de produto financeiro. “Escolhemos o Corda justamente porque já está muito avançado nesse sentido, está muito integrado a bancos, há iniciativas de CBDCs (Central Bank Digital Currencies, na sigla em inglês) utilizando o Corda”, pondera Guilherme Canavese.

O country manager da R3 no Brasil, Gustavo Paro, celebra a solução integrada de várias tecnologias desenvolvida pela SpaceVis para a melhora na gestão dos rebanhos e a tomada de decisões gerenciais mais assertivas nos negócios. “A SpaceVis é mais um desses projetos apaixonantes. Eles identificaram uma oportunidade de negócio que trará inúmeros benefícios aos bovinocultores. Tudo isso sendo registrado numa plataforma de blockchain em Corda, da R3, garantindo a imutabilidade destas informações, a rastreabilidade e a gestão do ciclo de vida de cada cabeça de gado de forma individual”.

Segundo Paro, casos de uso em Corda no agronegócio já são uma realidade em algumas regiões do mundo. No Brasil, ele cita a Gavea Marketplace, uma plataforma em Blockchain Corda para conectar os grandes compradores e exportadores de commodities do mundo com os provedores locais. “Toda a negociação de compra e venda acontece nesta plataforma, fazendo o registro de cada etapa do ciclo comercial no Corda, garantindo a imutabilidade e auditoria do processo. Os contratos são ‘tokenizados’ e podem ser utilizados como garantia em operações de crédito”, explica o country manager da R3.

Blockchain Corda, da R3

O country manager da R3 no Brasil explica que o Corda é considerado a terceira geração de Blockchain/DLT, a de plataformas permissionadas.  A primeira geração são as plataformas públicas, como BTC e ETH, e a segunda geração são plataformas privadas, como o Hyperledger Fabric e Quorum.

O Corda nasceu pela demanda de bancos que faziam parte do Consórcio R3 em 2016, por uma plataforma de Blockchain/DLT que tivesse 3 características principais: privacidade, para manter as transações restritas apenas entre as contrapartes que estiverem transacionando entre si; escalabilidade, para suportar quantas transações por segundo forem necessárias para atender a demanda do caso de uso; e Interoperabilidade – o conceito de rede permissionada do Corda permite que qualquer participante reconhecido pela rede consiga interoperar com qualquer outro participante da rede, mesmo que ambos estejam em redes de negócio distintos, e assim consigam trocar ativos transacionados em qualquer uma destas redes de negócio uns com os outros.

No início a R3 utilizava as tecnologias mais populares e disponíveis no mercado para realizar  testes de caso de uso em blockchain. “No final de 2016 a R3 lançou a primeira versão do Corda, utilizando código aberto. Em abril de 2018 foi lançada a primeira versão do Corda pronta para produção, ainda em código aberto. Em julho de 2018, a R3 lançou a versão Corporativa do Corda, que incorporou alguns requisitos não-funcionais de segurança. A partir deste momento a R3 deixou de ser um Consórcio para se tornar um provedor de software corporativo de Blockchain/DLT”, conta Gustavo Paro sobre a evolução do Corda.

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