Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Soluções blockchain da GoLedger agora têm financiamento do BNDES

GoLedger é a única de blockchain cadastrada no programa do BNDES.

A GoLedger poderá vender suas soluções e serviços blockchain com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Neste mês, a empresa se tornou um dos 23 fornecedores credenciados do BNDES Crédito Serviços 4.0, lançado em setembro passado.

O foco do financiamento é em ativos intangíveis, ou seja, ativos como inteligência e digitalização. Portanto, em tecnologias como blockchain, inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT).

As soluções da GoLedger são as únicas de blockchain na lista de fornecedores. “Isso nos diferencia e nos consolida no segmento, além de estar em linha com nosso pioneirismo”, afirma Otávio Soares, COO da empresa.

Os produtos e serviços da GoLedger são todos baseados na tecnologia blockchain e na plataforma Hyperledger. Inclusive o primeiro portal do mundo de Consentimento e Indexação de Bases Pessoais para GDPR e LGPD, as leis de proteção de dados da Europa e do Brasil.

Além disso, a startup ganhou as primeiras licitações públicas de blockchain e está no marketplace da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice).

Soluções blockchain para identificação de pessoas

A plataforma principal da GoLedger é o GoFabric, que faz a criação, o gerenciamento e a governança da rede blockchain. Portanto, pode trabalhar com outras soluções da empresa.

Entre elas a GoBio, para identificação de pessoas, premiada no 3º Simpósio Internacional de Segurança Pública (SINTSP) e um dos vencedores do Primeiro Concurso de Tecnologias Policiais do Brasil (Startpol).

A startup tem ainda o GoProcess, para gestão de documentos e processos em blockchain, o GoTrace, para rastreabilidade de produtos, e o GoVote. Esse último foi um dos escolhidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para testes na eleição de 2020. Porém, foi a única com um aplicativo na internet para uso por pessoas em qualquer lugar do mundo.

A contratação do financiamento pelo comprador das soluções segue os processos do banco. O BNDES financia até 100% do valor, que pode chegar a R$ 5 milhões por operação. O prazo é de 10 anos, sendo até 2 de carência.

As taxas do financiamento podem ser a Taxa Fixa do BNDES (TFB), a Taxa de Longo Prazo (TLP), que está em IPCA + 2,33% ao ano para contratos assinados em abril, ou a Selic, hoje em 2,75%. A taxa do BNDES é de 0,95% ao ano e a da instituição financeira intermediadora depende de cada agente.

Financiamento para testar soluções

No caso da GoLedger, o usuário pode usar o financiamento para experimentar as soluções blockchain da startup no programa GoLab. Depois disso, pode usar para desenvolver o projeto, completa o COO.

“A possibilidade de um financiamento com carência de até 2 anos, 8 anos para pagamento e juros extremamente atrativos são um alento para as entidades governamentais e empresas que estão buscam a transformação digital.”

De fato, sem financiamento, dificilmente o país vai conseguir passar por uma transformação profunda. Essa necessidade de crédito ficou clara, por exemplo, quando a Finep lançou, em junho passado, um edital para desembolsar R$ 50 milhões para projetos de inovação com tecnologias 4.0. Houve 1.590 inscritos que somavam US$ 1,7 bilhão em pedidos de crédito.

No lançamento do Crédito Serviços 4.0, Bruno Laskowsky, diretor de participações, mercado de capitais e crédito indireto do BNDES, disse que “não dá para financiar pequena e média empresa se não se falar de capital humano e, portanto, de serviços”.

“Estamos financiando intangíveis, inteligência, capacidade de gerar contribuições para diversas áreas, como digitalização, temas relacionados a economia produtiva, capacidade de manuseio de dados, big data e IoT”, afirmou Laskowsky.

Ocorre que agora os ativos intangíveis estão ganhando muito valor em relação a ativos fixos. Itens financiáveis há 40, 50 anos, eram fixos. Hoje, na grande maioria, são intangíveis, lembrou o secretário especial de produtividade, emprego e competitividade do Ministério da Economia, Carlos Da Costa, no lançamento do programa. “No S&P 500, 75% dos valor das empresas são ativos intangíveis”, completou.

BNDES também testa blockchain

O próprio BNDES testa blockchain. Um dos testes é de um token digital para rastrear o uso de dinheiro que sai de financiamentos do banco. Um outro, desenvolvido com o banco de desenvolvimento alemão, focou em investimentos não reembolsáveis financiados pelo Fundo Amazônia, de sustentabilidade da floresta. Profissionais do banco também participam de grupos internacionais de discussão sobre blockchain.

O uso de tecnologia 4.0 para a chamada bioeconomia, com a preservação e uso sustentável da floresta, é uma defesa, por exemplo, do cientista Carlos Nobre. Em março, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou um fundo com esse foco. A expectativa é de que os recursos cheguem a US$ 1 bilhão.

O teste de blockchain em diferentes atividades nos governos é uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU). O tribunal ressaltou que a tecnologia pode ajudar a combater fraudes, burocracia e trazer mais transparência aos processos.

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