Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Petrobras e parceiros têm 10% dos projetos de blockchain em óleo e gás no mundo

Consórcio do campo de Libra usa blockchain e vê benefícios em óleo e gás. Foto: Petrobras.

Um estudo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Petrobras identificou 41 casos globais de uso de blockchain no setor de óleo e gás, sendo 4 no Brasil.

O estudo conclui que “projetos de blockchain no setor de óleo e gás promovem uma reflexão profunda dos processos entre os participantes da cadeia. Isso porque em geral acontecem de maneiras separadas, enquanto a tecnologia permite integração. “isso transcende o benefício da tecnologia, ao permitir que competidores tenham confiança e trabalhem de forma cooperada. Portanto, a cultura do negócio sofre um impacto profundo”.

A diversidade de empresas, de casos de uso e de plataformas foi um dos achados que chamou a atenção dos pesquisadores. “Isso é muito positivo e demonstra que a indústria reconhece e está aberta a explorar o potencial de blockchain”, disse ao Blocknews Rafael Nassar, professor da PUC-Rio que participou do projeto.

Os 41 projetos estão classificados em quatro categorias: armazenamento de registros (8 casos), eficiência de processos de negócios sem mudança de modelo (19), mercado de ativos digitais (12) e disruptores (2).

Os Estados Unidos (EUA) lideram em número de casos, com 12 individuais e participação em três consórcios com países como Canadá, Alemanha, Suíça e Arábia Saudita. O Canadá é o segundo que mais usa blockchain, com 7 casos individuais, além do consórcio com os EUA. Na América Latina, há um outro caso no Chile. Dentre outros países há economias como Rússia (2), China (2) e Índia (1).

Banco do Brasil, Consórcio Libra e PUC-Rio trabalham com Petrobras

Os projetos do Brasil são da Petrobras com PUC-Rio e Banco do Brasil. Um deles, o WorkflowBR, está na categoria record keeper, subcategoria transparência. Nessa caso, se aplica à aquisição de processamento de dados geofísicas da petroleira. O estudo lembra que levantamento da Delloite mostrou que 72% dos entrevistados em óelo e gás acreditam que a tecnologia vai ter impacto significativo no setor.

Outros dois casos da Petrobras, na mesma categoria, são para assinatura digital. Um deles envolve a Petrobras e o Banco do Brasil. O uso de blockchain no chamado SBP é para a assinatura e compartilhamento de autorização para transferência ou cancelamento de poderes de gerenciamento de contas da empresa no banco. Nos dois casos se usa Hyperledger Fabric.

Um terceiro caso de assinatura digital é para aplicação de assinatura digital aberta, o AssinadorBR. Nesse, se usam as plataformas Ethereum e EOS e a Petrobras desenvolveu com a PUC-Rio.

O quarto projeto é o BallotBR. Ballot é a votação que os membros do Consórcio Libra, que explora o campo de Libra no pré-sal, fazem para questões que têm relação com o contrato. Isso inclui, por exemplo, a contratação de um produto ou serviço. A Petrobras é a operadora do consórcio, do qual participam também Shell, Total e as chineses CNODC e CNOOC. A PUC-Rio também participou do projeto.

Consórcios de operação podem incentivar blockchain em óleo e gás

De acordo com Nasser, um outro ponto importante que o estudo levantou foi o de que a criação de redes ou consórcios começa a se concretizar. Isso permite maior aceleração para o surgimento de novas iniciativas, afirmou.

“Outro achado muito relevante é que já observamos os primeiros casos conectando dados de campo obtidos por sensores com regras implementadas em contratos inteligentes. Inclusive sensibilizando o sistema integrado de gestão (ERP) até para disparar pagamentos em moeda fiduciária. Acredito que o ganho de confiança na tecnologia vai permitir mais casos de uso próximos à operação, o que pode entregar resultados expressivos”, completou.

O levantamento aconteceu entre setembro de 2019 a abril de 2020. Para Nasser, o Brasil contar com 10% dos casos em óleo e gás é um bom começo. Muitas empresas estrangeiras do setor que atuam no Brasil começaram a adoção de blockchain em suas sedes, completou. “Prevejo um crescimento acelerado, pois o estabelecimento das primeiras redes privadas tende a ser uma base sólida para o lançamento para outras iniciativas.”

Segundo o professor, que também é fundador e coordenador do Ecoa da PUC-Rio, projeto multidisciplinar de cursos, pesquisas e programas de inovação, os altos investimentos para exploração em águas profundas consolida a tendência de operação em consórcio. E isso “cria oportunidades para a tecnologia entregar eficiência e desburocratização para essa operação com múltiplas partes envolvidas”.

1 Comentários

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>