Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Capítulo Brasil do Women in Cybersecurity celebra 1 ano com programas para vários públicos

O Capítulo Brasil da WOMCY – LATAM Women in Cybersecurity completou, hoje (3), um ano. A organização é a primeira de mulheres em segurança cibernética com abrangência na América Latina e Estados Unidos para incentivar a maior participação de mulheres nesse setor em toda a região.

Womcy tem nove programas para públicos como empresas, escolas, universidades e outras associações. As atividades incluem palestras, mentorias, mapeamento de vagas, informações sobre carreira e trabalhos sobre riscos cibernéticos específicos para crianças e adolescentes.

A organização também fechou parceria com o Instituto Brasileiro de Segurança, Proteção e Privacidade de Dados (Ibraspd), com foco no aperfeiçoamento profissional e consolidação das melhores práticas de segurança e proteção de dados.

“Nascemos, nos estruturamos, recebemos muita gente brilhante, mulheres e homens, no He for She, nos organizamos, trabalhamos com nossas líderes e times na América Latina, atuamos em parceria com outras ONGs e além de nossos líderes, voluntários e membros que acreditaram muito em nosso trabalho, também vieram patrocinadores e apoiadores mais do que especiais”, disse Andréa Thomé, líder do capítulo Brasil.

Para comemorar este primeiro ano, a Womcy divulgou o vídeo abaixo.

Interessados em participar do Womcy podem fazer o cadastro pelo https://lnkd.in/deK3bDV .

Capitalização de empresas de tecnologia e stock options são tendências na América Latina

A capitalização das empresas de tecnologia no Brasil atingiu 2,5% do PIB no terceiro trimestre de 2020, o que mostra uma distância enorme do país na comparação com outras das maiores – e em desenvolvimento – economias do mundo, como Índia (13%) e China (27%). Nos Estados Unidos o percentual é de 39%.

O Brasil está pouca coisa melhor que a América Latina, onde o percentual estimado é de 2,2%. Porém, essa capitalização na região cresce em média 65% ano desde 2003. Na China, onde a tecnologia já é mais valorizada, o percentual é de 40%, e nos Estados Unidos, de 11%.

É esse movimento que tem feito as empresas de tecnologia da América Latina ultrapassarem negócios da economia não digital e se tornarem as mais valiosas da região.

Recentemente, o Mercado Livre ultrapassou a Vale como a mais valiosa da região. É ainda a única do ranking das 10 empresas mais valiosas em 2020 – a telecom América Móvil está na lista também. Em 2010, não havia nenhuma empresa de tecnologia no ranking latino-americano, ao contrário do norte-americano, por exemplo.

Os dados são do estudo “Transformação Digital na América Latina 2020”, do fundo de investimentos Atlântico e foram apresentados na abertura do Sillicon Valley Web Conference, ontem (1).

Funcionários de startups têm, cada vez mais, acesso a stock-option.

Com os altos índices de uso de internet no Brasil e na América Latina e as mudanças de hábitos causadas pelo distanciamento social com a pandemia do Covid-19, uma tendência prevista na região é o crescimento do marketing digital.

Apesar de as pessoas gastarem 69% do tempo em mídias digitais no Brasil, esses canais respondem por apenas 37% dos gastos de marketing. A TV tem 19% da atenção e 45% das verbas, o que se explica em boa parte pelo alto preço dessa mídia. Nos EUA, o digital 58% da atenção e 57% do orçamento de marketing.

Horizontalização e stock option

O estudo mostra ainda a tendência de horizontalização de muitas startups. Quando o ecossistema não oferece o que elas precisam, essas empresas montam um novo serviço ou negócio e se tornam fornecedoras de si mesmas e até do mercado. Ou compram empresas para preencher lacunas.

Uma dessas lacunas é a falta de mão de obra, caso da iFood e Gympass, que compraram empresas de inteligência artificial, e do Nubank, que adquiriu uma empresa de engenharia de software.

Essa horizontalização é algo típico de mercados em desenvolvimento. No Vale do Silício, essa necessidade não é grande, visto que mão de obra muito qualificada e diversidade de startups oferecendo todo tipo de produto e serviços é abundante.

Uma das tendências apontadas pelo estudo é que quem consegue emprego nas startups da América Latina, cada vez mais tem a opção de entrar em programa de stock options, em que os funcionários ganham remunerações por opções de ações.

Esse também é um processo mais comum no Vale do Silício, mas que começa a chegar aqui e é usado muito para manter mão de obra qualificada numa startup e engajar os funcionários.

Falta de crédito e de sensibilidade das indústrias emperram uso de tecnologia 4.0

A sensibilização dos representantes das empresas e a geração de financiamentos para implementação de soluções tecnológicas 4.0 estão entre as principais medidas para aumentar a competitividade da indústria brasileira.

Estas são as conclusões de um estudo lançado ontem (29) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em paralelo ao anúncio, pelo BNDES, de uma nova linha de financiamento de serviços 4.0.

Durante o webinar de lançamento da linha de crédito do BNDES, o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou que “existe já um gap da nossa indústria, que por alguns anos teve taxa de investimento baixa. A melhoria da competitividade e produtividade da nossa economia passa por essas ferramentas (4.0).”

Segundo o estudo da CNI, 42,1% das empresas de grande porte entrevistadas não haviam iniciado a incorporação de tecnologias em seus processos.  Nas pequenas, o cenário é ainda pior.

Mesmo as multinacionais instaladas no Brasil estão atrasadas em relação a seus pares em outros países. O levantamento mostra que 40% das entrevistadas não implantaram projetos 4.0 e boa parte diz que não têm autonomia aqui para isso, o que mostra que elas praticamente acompanham o que as indústrias nacionais fazem.

Startup recebe aporte para projeto de remoção de CO2 da atmosfera

A Nori, startup de Seattle que desenvolveu uma plataforma para remoção de carbono da atmosfera e usa blockchain nesse processo, recebeu um aporte de US$ 4 milhões numa rodada da qual participaram investidores como a Placeholder – venture capital focado em blockchain -, North Island Ventures, Tenacious Ventures e uma gigante do agronegócio que não quis se identificar.

Blockchain é usada para dar transparência, auditabilidade e evitar o problema de “dupla contagem”, ou seja, a venda da mesma quantidade de CO2, o que ocorre no mercado de neutralização de carbono e ao invés de reduzir a quantidade na atmosfera, aumenta.

A startup faz essa remoção envolvendo, por exemplo, fazendeiros, “que podem manter bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) no solo usando práticas regenerativas, diz Paul Gambill, CEO da startup.

Incentivo financeiro

Uma remoção de carbono representa uma tonelada de CO2 retirada da atmosfera por no mínimo 10 anos, diz a startup. O fazendeiro registra a retirada no markeplace da Nori e pode vendê-lo para pessoas ou instituições que querem pagar pela retirada. Com isso, incentivam financeiramente o plantador adotar práticas que retirem dióxido de carbono do ar.

O primeiro método da Nori para retirar carbono da atmosfera é pelo sequestro de carbono de plantações, o que pode ser conseguido através da cobertura do solo, ou seja, plantações que cobrem a terra e não serão colhidas, e por meio da redução da lavoura.

Uma das finalidades da nova rodada de investimento é incluir mais removedores de carbono na plataforma, como os fazendeiros, e lançar um marketplace de carbono industrial. Empresas grandes como Microsoft e Amazon disseram que vão se tornar carbono neutro e precisarão desse marketplace, completou Gambill.

Mais sobre compensação de carbono em:

Associação do agronegócio usa blockchain para compensar combustível fóssil.

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Presunto cru espanhol será rastreado com blockchain do produtor ao consumidor

O presunto cru Ibérico Navidul, produzido na Espanha e o de mais alta qualidade da marca, será rastreado com blockchain. A solução é usada agora na primeira parte da cadeia de produção, entre o produtor e a secagem. A parte seguinte acontecerá quando as peças começarem a chegar até o consumidor, no verão europeu de 2021, entre junho e setembro.

A Sigma, dona da marca Navidul, usará a plataforma da Alastria, uma associação de empresas do ecossistema blockchain da Espanha e que desenvolveu sua própria rede. A Deloitte também participou do projeto. Com essa solução, a empresa substitui o rastreamento tradicional e expande isso até o consumidor. Mais informações estão no site espanhol Blockchain Economía, parceiro do Blocknews.

Investigação e crimes digitais contra a mulher são temas de webinar nesta semana

A segunda edição do Womcy Talks, evento do Latam Women in Cybersecurity, continua nesta semana com duas trilhas sobre o tema “Crimes digitais, investigação, tecnologia e privacidade”.

Nesta quarta-feira (23), Às 19h30, a promotora de Justiça Gabriela Mansur falará sobre “Violência virtual contra a mulher”.

Às 20h30, Adriano Vallim, professor e especialista em Computação Forense, fará uma apresentação sobre “Produção de provas digitais e apuração de autoria nos casos de violência contra a mulher”.

O evento é online e o valor do ingresso é uma doação livre via Paypal. O link para inscrição é https://bit.ly/2G290mS

A Latam Womcy é uma organização que promove a maior participação das mulheres no área de segurança cibernética, no qual ocupam apenas cerca de 23% das vagas no mundo, percentual ainda menor no Brasil.

Mulheres e homens fazem parte da instituição e promovem, de forma voluntária, cursos, mentoria e eventos.

Pedidos de patente de blockchain nos EUA disparam; Alibaba lidera

A gigante de comércio eletrônico Alibaba fez dez vezes mais pedidos de patentes relacionadas a blockhain nos Estados Unidos (EUA) do que a norte-americana IBM no primeiro semestre de 2020, quando o número total de patentes relacionadas à tecnologia ficou próximo ao de todo o ano de 2019.

Assim como as duas gigantes, os pedidos, em geral, não são de empresas focadas em blockchain, mas de incumbentes de diversos setores. Motivos: empresas focadas em blockchain são são novas e pouco preocupadas com propriedade intelectual.

Mas elas devem ficar atentas, porque as grandes empresas vão usar a tecnologia e fazer de tudo para proteger e monetizar suas inovações, diz o estudo The Current State of Blockchain Patents (O estado atual das patentes de blockchain) da consultoria holandesa em propriedade intelectual KISSPatent, focada em novas tecnologias.

De acordo com a metodologia utilizada pela consultoria, 2020 segue a tendência de aumento de pedidos de patentes vista no ano passado, quando o número foi três vezes maior do que em 2019.

Aplicações para criptomoedas e outros serviços financeiros dominam patentes.

 Segundo a consultoria, não há uma definição do que é patente de blockchain, mas os diferentes estudos costumam dar resultados similares. Apesar dessa falta de padrão, “podemos afirmar com segurança que blockchain está por todos os lados e crescendo rapidamente” disse D’vorah Graeser, fundadora da KISSPatent.

A maioria das aplicações de blockchain referem-se a fintechs (2.036), com metade do total, o que inclui uso, armazenamento e corretagem de criptmoedas e também suporte para outras transações financeiras usando a tecnologia. Em seguida vêm as aplicações de negócios descentralizados (560).

Pelo levantamento da consultoria, os EUA têm 2.112 patentes ligadas a blockchian, de longe o país com o maior número. Ilhas Cayman têm 350, mas isso se explica pelo fato de a subsidiária da Alibaba que tem a propriedade das patentes estar lá. Em seguida vêm Canadá (118), Japão (108), Coréia do Sul (87) e China (77).

CB Insights compra Blockdata pela demanda de informações sobre blockchain

A CB Insights, uma das principais empresas de estudos sobre tecnologia, comprou a Blockdata, que faz estudos sobre o ecossistema blockchain. Segundo a CB Insights, a demanda por informações sobre a tecnologia aumentou muito neste ano.

“Nos últimos oito meses temos visto um aumento significativo de atividades de nossos clientes com blockchain. Passou de algo que era considerado uma possiblidade ou probabilidade para algo que agora é praticado”, afirmou Anand Sanwal, CEO and co-fundador do

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De acordo com um comunicado da CB Insights, a conversa começou com um email sem nenhum contato prévio e tornou-se frequente e virtual em menos de três meses.

A Blockdata é holandesa e com a aquisição, a CB Insigths vai abrir um escritório a cidade. Em julho passado, a empresa comprou os ativos da Dow Jones VentureSource, de dados sobre empresas que receberam investimentos de capital de risco (venture capital) e de private equity. 

“A aquisição pela CB Insights vai nos permitir crescer a equipe em Amsterdã e a desenvolver as próximas ferramentas para ajudar as pessoas a rastrearem o desenvolvimento dessa tecnologia”, disse Jonathan Knegtel, co-fundador da Blockdata. 

BBChain é a única da Am. Latina em lista da Gartner das melhores empresas de blockchain

A brasileira BBChain, especializada em soluções blockchain, é a única empresa da América Latina na lista de 2020 das melhores do setor em todo o mundo elaborada pela Gartner.

A BBChain nasceu no laboratório de inovação da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) e tem no currículo projetos como o de registro de duplicatas em blockchain pela B3 e outras três certificadoras.

Estar nessa lista é uma conquista não só para a BBChain, mas “para o cenário brasileiro de blockchain”, disse ao Blocknews o CEO da empresa, Felipe Chobanian. Nessa lista, completou, a Gartner coloca o que há de melhor no mundo, completou.

A BBChain tem 40 desenvolvedores, desenvolve soluções blockchain para diversos setores e fica em São Paulo. Em junho passado foi investida pela Pitang, uma das maiores empresas de tecnologia do Nordeste.

Mais sobre a BBChain em:

BBChain desenvolveu arquitetura que garante privacidade de empresas no registro de duplicatas

Pitang Agile IT adquire 30% da desenvolvedora de blockchain BBChain

Empresa que usa blockchain passa mais confiança a clientes, diz especialista em cybersegurança

Flávia Brito, fundadora e CEO da BIDWEB, empresa de soluções para segurança cibernética, conheceu blockchain e primeiro, achou que não passava de algo para criptomoedas. Foi mais a fundo e descobriu sua utilização para as empresas e sua relação com o mundo da segurança da informação. Na entrevista abaixo, a executiva fala dessa relação, ainda pouco explorada pelos profissionais da área de segurança cibernética e parte de sua fala de amanhã (5) no Cyber Inteligênia, evento do Womem in Cybersecurity (Womcy)

BN: Como você conheceu blockchain e qual sua avaliação sobre a tecnologia?  

FB: Conheci quando cursava Direito Digital no Insper. De início, eu achava que blockchain não aparentava ter muita utilidade que não fosse aplicado a moedas virtuais. Entretanto, com o tempo, através de inúmeras pesquisas e expansão da área, gostei bastante do assunto e comecei a pesquisar e estudar sobre Smart Contracts e vi que poderia utilizar blockchain para agilizar negócios, melhorar  entregas e democratizar o uso da tecnologia. Fui percebendo os vários benefícios que podem ser alcançados com o emprego de tecnologia blockchain,  onde esta, para nossos objetivos, envolve contextos relacionados a área de segurança, tais manutenção segura da integridade de dados e compartilhamento distribuído de ameaças de segurança detectados e ou informados por inúmeras fontes diferentes.

BN: Desde quando trabalha com você trabalhar com Segurança da Informação (SI)? 

FB: Há 20  anos comecei a me interessar por segurança e resolvi fundar a BIDWEB. Desde então respiro, durmo e sonho com cybersecurity  e agora  blockchain,

BN: Como blockchain pode ajudar as empresas em suas estratégias de segurança da informação? Blockchain não serve para tudo, mas como pode ser usada cybersecurity?

FB: Através do emprego da blockchain, empresas podem aperfeiçoar seus procedimentos adotados no tratamento das informações geradas tanto internamente, quanto externamente pela empresa. Sendo assim, diversos tipos de atuação podem ser empregados, como armazenamento de eventos gerados de forma distribuída entre todos os participantes envolvidos na blockchain e manutenção da integridade de backups realizados através do registro do identificador gerado sobre o backup (hash) na blockchain. Tais aperfeiçoamentos podem não só acarretar na redução de custos operacionais, como também na expansão da empresa, devido à agilidade adotada para procedimentos que antes eram considerados trabalhosos. Além disso, novas soluções podem passar a ser fornecidas e negociadas, como também pode existir um melhoramento na reputação da empresa. Com um propósito bem definido, explicado e divulgado abertamente para clientes, empresas que empregam blockchain para garantir assertividade em processos críticos podem passar sensações de conforto e segurança para seus clientes, tanto teoricamente quanto na prática.

BN: O que essa tecnologia muda em relação às tecnologias existentes em segurança cibernética?

FB: Diferentemente de muitas tecnologias empregadas hoje em dia, com o uso correto da blockchain, vários benefícios podem ser alcançados, como a rastreabilidade de todo o processo de produção, onde é possível saber a origem dos produtos, empresas participantes, produtores e inúmeras outras informações que, no geral, são inviáveis de serem centralizadas em um único sistema. Atualmente, existem diversas empresas, startups e aplicações que tem como base o uso de tecnologia blockchain como forma de solucionar problemas complexos. A CertCoin por exemplo, é um projeto que visa o uso de blockchain como forma de eliminar a necessidade de autoridades certificadoras para geração de certificados digitais. Um outro exemplo se dá com a startup Xage Security, que utiliza blockchain para proteger o acesso a dispositivos localizados em domínios tecnológicos de borda. E tem a OriginalMy, que provê diferentes tipos de soluções alcançadas através de diferentes tecnologias blockchain, como por exemplo, autenticação segura de documentos e assinaturas digitais.

BN: Em que estágio de conhecimento as empresas e governos estão sobre o potencial dessa tecnologia em estratégias de segurança?

FB: Ainda não existe um consenso geral das empresas e governos sobre o uso da blockchain como forma de garantir e assegurar uma segurança mais fortalecida. Isso se deve principalmente pelo fato da forte associação que é feita entre criptomoedas e blockchain. Muitas empresas veem o uso de blockchain voltado apenas para questões financeiras, enquanto que em outros casos, devido à falta de conhecimento, diferentes órgãos governamentais e empresas da área de segurança ainda encontram-se céticas sobre o real potencial que a blockchain pode vir a acarretar. Entretanto, é possível perceber que existe uma grande corrida tecnológica envolvendo o desenvolvimento de diferentes casos de uso relacionados a blockchain, bem como existem diversas provas concretas de casos bem sucedidos com a aplicação da tecnologia. Existem diversos meios de contornar todo este ceticismo, onde dentre eles podem-se destacar a divulgação em massa, em formato educacional, sobre os conceitos, tecnologias, aplicações reais e contextos de englobamento do uso da blockchain, bem como explicações sobre possíveis ataques e ou vulnerabilidades que também podem vir junto com a implantação da blockchain. Quanto mais conhecimento pessoas e organizações no geral tiverem, maior será o poder de adoção desta tecnologia.

BN: No caso de SI e Cyber, blockchain é em geral associada a quais tecnologias para potenciar os resultados?

FB: A depender dos objetivos, inúmeras tecnologias podem ser empregadas juntamente com blockchain para alcançar o resultado esperado. Em casos como integridade de documentos, deve existir uma criptografia fortemente empregada juntamente com procedimentos seguros e distribuídos para armazenamento de documentos, onde no geral, são utilizados tecnologias de grandes provedores em nuvem, como a AWS Elastic Block Store e a Google Cloud Storage, para tal finalidade. Outras tecnologias como biométricas e relacionadas a QR-Code também estão sendo utilizadas para geração de dados que posteriormente serão armazenados na blockchain. Eventos como acesso de funcionários autorizados a áreas restritas geram dados de suma importância, como data e identificadores, que devem ser armazenados de forma segura.

BN: Inserir blockchain numa estratégia de segurança da informação e Cyber exige muitas mudanças numa empresa?

FB: Existem diversos pontos a serem analisados neste caso, mas o principal está relacionado ao propósito e a viabilidade de implantação da tecnologia blockchain na empresa. Caso os estudos feitos sobre os benefícios do emprego da blockchain sejam de extrema relevância, as mudanças que podem vir a surgir, mesmo que sejam complexas de início, podem vir a trazer vantagens competitivas consideráveis no futuro. Por estas e outras, o estudo da viabilidade é extremamente importante, pois é nesta fase que são postos na balança todos os benefícios e malefícios, dificuldades e vantagens que venham a surgir com as melhorias a serem aplicadas. Entretanto, caso a implantação da blockchain seja basicamente irrelevante, ou então que não faça muito sentido para a empresa, no quesito solucionar problemas existentes que não são possíveis solucionar com as tecnologias tradicionais existentes, então a empresa deve repensar o uso de blockchain, pois inúmeras alterações poderão ser necessárias para que o real objetivo seja alcançado. Diversas adaptações e novas features podem ser necessárias para implementar blockchain em uma empresa. Dentre elas, desenvolvimento de diversas novas aplicações distribuídas para operar sobre a blockchain e necessidade de profissionais da área, que tenham conhecimento sobre todos os aspectos da tecnologia.

BN: O LinkedIn disse que neste ano, profissionais capacitados em blockchain estariam entre os mais procurados do mercado. No Brasil, é muito difícil achar profissionais capacitados em blockchain e profissionais que saibam usar blockchain em segurança da informação?

IN: Apesar da demanda por profissionais da área de blockchain estar crescendo cada vez mais, diversos atuantes na área não possuem a expertise requisitada por grande parte das empresas. Isto acontece devido à tecnologia ser relativamente nova, complexidade inicial de aprendizado, inúmeras tecnologias blockchain existentes no mercado e consequentemente a especialização torna-se um trabalho um bem centralizado, pois em grande parte é focado nas tecnologias mais abrangentes do mercado como a Ethereum. Existe também o fato de profissionais da área estarem trabalhando por conta própria, em startups, pois o escopo financeiro da blockchain ainda é algo muito forte e rentável atualmente, para quem deseja desenvolver a própria tecnologia, tais como criptomoedas. Como forma de contornar o problema, empresas interessadas em novos profissionais têm comparecido a conferências relacionadas a blockchain, como a blockchain EXPO, têm feito buscas em comunidades blockchain e também contratado profissionais freelancer. Além disso, algumas empresas também vêm desenvolvendo incentivos, tais como hacktoons e investimentos desde a base, de forma a ser um atrativo para que novos membros sintam-se interessados por esta área.

BN: Esse seria, portanto, outro segmento em que profissionais de Cyber, em especial as mulheres, que são menos de 25% da força de trabalho, deveriam olhar como potencial forma de se desenvolver na carreira?

FB: Apesar de blockchain ser uma tecnologia bem promissora, esta é mais uma das tecnologias que recentemente começaram a ser empregadas no contexto de Cyber, sendo que não existe somente blockchain para atuar, mas também diversas outras tecnologias, com diferentes propósitos e características que poderiam ser integradas para trabalhar em conjunto com blockchain, ou até mesmo se tornem mais interessantes e eficazes que a blockchain. Sendo assim, profissionais de SI/Cyber, devem prestar atenção não somente na tecnologia blockchain, mas em áreas que também as deixe encantadas, acredito que qualquer profissional precisa selecionar o caminho que mais se adequa a seu propósito e pensar como usar blockchain como ponte para viabilizar o projeto e assim por diante.

BN: Blockchain e LGDP são antagônicas ou uma apoia a outra?

FB: Essa é uma preocupação comum e levanta muitas dúvidas entre as pessoas. Devemos nos lembrar do princípio do Blockchain, uma vez efetuado o registro de uma informação no bloco, tal registro não só é transparente como se torna imutável. Todavia, imutabilidade não é obstáculo direto ao atendimento às exigências das leis de proteção de dados pessoais. Para tanto, é necessário ter em mente que a blockchain é alicerçada em criptografia como meio de assegurar a intangibilidade das informações. Em outras palavras: inserido determinado dado em um bloco, não só o dado é imutável como ele será criptografado. Por sua vez, o conteúdo dos dados inseridos na blockchain, em sua grande maioria, diz respeito a transações ou a como transações são representadas. Blockchain apresenta um ambiente relativamente seguro para o armazenamento de informações pessoais e, mais, permite o gerenciamento do dado por meio de seu titular. Nesse sentido os dados quando forem anonimizados mediante o uso de criptografia assimétrica, de sorte que a sua autenticidade pode ser aferida mediante o confrontamento de chaves públicas e privadas, indicadas de acordo com a conveniência do titular do dado.