Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Merriam-Webster está leiloando NFT da definição de … NFT

A Merriam-Webster, que dentre outras coisas publica dicionários de inglês do mesmo nome, está leiloando um token não-fungível (NFT) de sua definição de NFT. Além de fazer o leilão, a empresa adicionou o conceito ao dicionário ontem (11).*

O leilão começou nesta terça-feira e vai até 0h59 minutos do sábado (15), horário no Brasil, na plataforma OpenSea, a a maior de colecionáveis criptogrados.

A Teach For All, que atua em 60 países, incluindo o Brasil, vai receber a receita líquida do leilão. Aqui, a parceira é a Ensina Brasil, que prepara jovens para serem professores na rede pública e futuras lideranças.

A definição de NFT do Merriam-Webster é de “um identificador digital único que não pode ser copiado, substituído ou subdividido, registrado em blockchain e usado para certificar a autenticidade e propriedade (como de um ativo digital específico e de direitos específicos relacionados a ele).

Definição de NFT é de identificador digital único em blockchain

The NFT of the definition of “NFT”
Definição de NFT do Merriam-Webster em leilão da OpenSea. Foto: Merrim-Webster.

“Estamos oferecendo às pessoas uma forma divertida de ter um pequeno pedaço do pensamento e significado do Merriam-Webster“, afirmou Peter Sokolowski, editor-chefe da publicação. De acordo com ele, apesar de o NFT não ser fungível, o conhecimento que a empresa criou é.

“Quando uma nova palavra encontra seu espaço no léxico do mundo, nossos ouvidos na se anima”, completou Sokolowski. Segundo ele, nos últimos meses, os NFts entraram na cultura popular, portanto, foi preciso fazer um definição desse ativo.

Esse leilão é uma forma de fazer as NFTs como um meio de valor duradouro através de seu registro no dicionário mais reconhecido do país, de acordo com Nate Chastain, responsável por produtos na OpenSeadisse .

A Merriam-Webster faz publicações relacionadas à língua inglesa há 180 anos. Seus dicionários, por exemplo, estão entre os mais conhecidos do mundo.

*Reportagem atualizada em 14.5.21 às 15h30 com horário e dia finais do leilão no fuso horário de Brasilia.

Havaianas vai leiloar NFTs como estratégia de marketing dos chinelos

A Havaianas entrou na onda dos tokens não-fungíveis (NFTs) e vai leiloar cinco artes digitais no próximo dia 12 de maio. Parte do lucro vai para o projeto “Favela Galeria”, uma galeria a céu aberto na cidade de São Paulo.

De acordo com Fernanda Romano, responsável pelo marketing da Alpargatas, os desenhos são de Adhemas Batista, que fez um dos principais traços que inspiram a marca até hoje. O artista diz que os desenhos contam momentos de sua vida e sua relação com a empresa.

A Havaianas vai leiloar NFTs como uma estratégia de marketing. Há outros NFTs com objetivos, por exemplo, de arrecadar recursos para causas sociais, como forma de artistas venderem seus trabalhos ou para ajudar a patrocinar projetos de checagem de informações.

O leilão vai durar 24 horas e acontecerá na plataforma Foundation.app. Foi Adhemas quem escolheu o Favela Galeria como beneficiária de parte das vendas. O projeto fica em São Mateus, na zona leste da capital, onde o artista nasceu e cresceu.

O projeto ficará com uma pequena parte da arrecadação líquida do leilão – 7%. Adhemas também disse que vai doar parte de seu cachê. Segundo Fernanda, os desenhos podem se tornar um produto físico.

Atlético Mineiro também lança NFT

O Atlético Mineiro também aderiu aos NFTs. Com isso, se tornou o primeiro clube de futebol a vender cartões oficiais digitais, algo que na Europa, por exemplo, é bem mais conhecido. A venda será na plataforma Sorare.

A mesma plataforma já vende cartões digitais de clubes como Real Madrird, PSG e Juventus. Só com a venda desses cartões, a plataforma registrou um movimento de US$ 28 milhões em 140 países em março passado.

Cada jogador do time terá quatro tipos de NFTs, assim, vai haver um cartão que é único, outro de 10 unidades, um com 100 unidades e outro ilimitado. A venda é por leilão apreços que começam entre US$ 5 e US$ 500, conforme a quantidade que cada tipo de cartão oferece.

É também uma estratégia de marketing do clube, que pretende se tornar mais conhecido no exterior.

Mercado Livre comprou bitcoins num valor de US$ 7,8 bi em estratégia de tesouraria similar à da Tesla

O Mercado Livre comprou bitcoins no primeiro trimestre de 2021, num valor equivalente a US$ 7,8 bilhões Foi uma estratégia de tesouraria, de acordo com seu balanço. Assim, a maior plataforma de e-commerce da América Latina se tornou também a primeira empresa da região, de que se tem conhecimento, a adotar essa estratégia.

A plataforma, que há tempos corteja as criptomoedas, não precisou a quantos bitcoins o valor se refere. No entanto, afirmou que colocou o valor das criptomoedas como ativos intangíveis de vida indefinida em seu balanço.

A empresa ainda opera no negativo. Conforme mostrou o balanço, no primeiro trimestre houve prejuízo de US$ 34 milhões. Antes dos impostos, o lucro foi de US$ 9,5 milhões.

Essa categoria de ativos intangíveis inclui, por exemplo, marcas, licenças, capital intelectual e direitos autorais. Portanto, a empresa quer dizer que não há previsão para esse ativo não palpável gerar fluxo de caixa líquido positivo.

O Mercado Livre está agora no grupo de empresas como MicroStrategy e Tesla, que também compraram bitcoins. E que, pela legislação dos Estados Unidos (EUA), poderão ter benefícios tributários com isso.

Mercado Livre comprou bitcoins como os argentinos têm feito

O Mercado Livre tem sede na Argentina e ao comprar bitcoin segue o que muitos argentinos estão fazendo devido à forte desvalorização do peso. Tanto que, segundo as estimativas, é um dos países da região que mais compra a moeda.

No seu cortejo das criptomoedas, em 2019 o Mercado Livre se juntou ao Facebook e outras empresas para lançar a moeda libra, hoje diem. Mas, com a pressão dos reguladores, em especial dos EUA, fez o mesmo que outros membros do grupo e deixou o projeto.

Já em abril passado, anunciou que passou a aceitar bitcoins na compra de imóveis na Argentina. Foi um acordo com sete das imobiliárias que estão na plataforma local do Mercado Livre.

Tudo isso pode vir do interesse de Marcos Galperín, fundador e ex-CEO da empresa. O executivo afirmou que tem bitcoin desde 2013. Outra afirmação sua é a de que bitcoin é uma reserva de valor melhor que o ouro, embora gaste muita energia, o que limita seu uso como meio de pagamento.

Receita da plataforma mais do que dobrou no trimestre

A receita líquida do Mercado Livre cresceu 114% em dólares no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior, para U$ 1,4 bilhão. Já as vendas do comércio saltaram 139,2% para US$ 910 milhões, enquanto as da fintech subiram 72,4% pra 467,8 milhões.

O aumento de usuários únicos ativos também subiu de forma significativa ao atingir 61,6%. Com isso, cresceu para 69,8 milhões.

Coinbase compra empresa; MicroStrategy tem US$ 5 bilhões em bitcoin

A Coinbase comprou a Skew, uma plataforma de análises de criptomoedas com foco em investidores institucionais. “Com isso, reforçamos nosso compromisso de atender o crescente mercado institucional”, disse Greg Tusar, vice-presidente de produtos institucionais num comunicado.

A maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA) e a única na bolsa de valores do país diz ter mais de 7 mil clientes institucionais. É um número minúsculo perto dos mais de 56 milhões de usuários verificados que a empresa diz ter.

A questão é que o valor médio aplicado por cada institucional tende a ser muito maior do que o de uma pessoa física. Por isso, tanto em criptomoedas, como no mercado tradicional, todos ficam de olho nesse público. Além do fato de que a entrada de institucionais no mercado é como uma chancela de confiável ao segmento.

A Skew fica em Londres e foi criada em 2018. Tem mais de cem clientes e sua equipe inclui executivos que já passaram por bancos tradicionais como J.P. Morgan e Goldman Sachs.

MicroStrategy compra bitcoins

A MicroStrategy, a primeiras empresa a colocar bitcoin em seu balanço, disse ontem (29) que até quarta-feira passada (28) possuía cerca de 91.579 bitcoins. E afirmou que vai continuar comprando a moeda.

A compra de bitcoin por empresas como MicroStrategy e Tesla vai além de apreço pela moeda. Por serem altamente voláteis, podem gerar perdas, que por sua vez afetam os resultados da empresas. E do ponto de vista da tributação, nos EUA, isso pode trazer benefício contábil às companhias, segundo Rodrigo Borges, advogado sócio da CB Advogados.

Considerando o valor de US$ 55.492 da moeda no seu principal mercado, disse a MicroStrategy, isso equivalia a US$ 5,082 bilhões. A empresa divulgou os números com a apresentação de seus resultados do primeiro trimestre.

Nesse período, a MicroStrategy comprou 20.857 bitcoins a um preço agregado de compra de U$1,086 bilhão, cerca de US$ 52.087 por unidade. Já o valor contábil era de U$ 1,947 bilhão, o que inclui, por exemplo, taxas e custos.

No segundo trimestre, até o dia 28, comprou cerca de 253 bitcoins a um valor total de U$ 15 milhões. Portanto, o preço médio foi de em torno U$ 59.339 por bitcoin.

MSC vai usar blockchain no transporte marítimo global de cargas

A MSC vai usar blockchain no transporte marítimo de cargas. A segunda maior transportadora de contêineres do documento anunciou que passará a adotar o conhecimento eletrônico de embarque (bill of landing). Com isso, vai acelerar processos e reduzir custos.

Esse é um dos principais documentos de comércio exterior e o uso será global. A plataforma de registro distribuído é da Wave BL, uma das primeiras para empresas e especializada em logística e finanças.

A transportadora já vinha testando a solução de registro distribuído e com os resultados positivos do chamado eBL, adotou a tecnologia. O conhecimento de embarque é o contrato que garante que o armador ou agente vai transportar a carga.

O processo de emissão é ainda muito em papel. Tem até papel levado de avião por um portador para outro país, para acelerar a entrega. Por isso, há vários testes e iniciativas de grupos de transporte e de exportadores para digitalizar o processo de comércio exterior com blockchain, como o da Covantis, no Brasil.

Com a pandemia, a necessidade de digitalizar o processo ficou ainda maior, disse André Simha, responsável global por digital e TI da MSC. O comércio exterior parou e saber onde estavam as cargas e em que condições foi uma enorme dor de cabeça para a cadeia global de logística.

Com o eBL, todos os que participam da emissão e do uso do eBL recebem e transmitem o documento com rapidez, portanto, sem interrupção comercial. Muitas vezes, o atraso o pode deixar um navio parado no porto para embarque ou desembarque, o que custa muito dinheiro.

MSC vai usar blockchain para ter rapidez e reduzir custos

Há ainda a possibilidade de operar o eBL em home office, o que foi inviável com os escritórios fechados no lockdown. E se os correios pararem de funcionar, isso também deixa de ser um problema.

O conhecimento de embarque é também usado em financiamento do comércio exterior. Isso significa que se a MSC conectar agentes financeiros na rede, o crédito também pode sair mais rápido. E dada a redução de riscos da operação marítima, pode até haver redução de juros do financiamento.

A MSC é membro e fundadora do Digital Container Shipping Association (DCSA), que tem nove líderes do transporte marítimo. Dentre eles estão, por exemplo, a Maersk, a Evergreen Line e a Hapag-Lloyd.

De acordo com a MSC, uma pesquisa da DCSA mostrou que se 50% do setor adotasse o eBL até 2030, a economia seria de US$ 4 milhões (cerca de R$ 24 milhões) ao ano.

Wave BL passou processo do papel para digital

“A MSC escolheu a WAVE BL porque é a única solução que reflete o processo tradicional com documentos em papel. O setor de transporte marítimo de carga está acostumado a isso”, disse Simha.

A Wave BL fez a primeira transação de comércio em blockchain do mundo em 2016, com o Barclays. Depois disso, assinou contratos com mais cinco transportadoras marítimas que representam quase 50% do comércio global por contêineres, diz a empresa.

A empresa começou com as transportadoras, depois incluiu os agentes e agora está buscando incluir as instituições financeiras em sua rede. “Desde o início, o nosso objetivo é o de mudar a forma como o mundo opera”, afirma Gadi Rushin, CEO e co-fundador da Wave BL.

Ao longo deste ano, exportadores, importadores e traders pagarão pela emissão dos documentos originais na plataforma da WAVE BL. Portanto, não precisarão investir em infraestrutura de TI.

A MSC afirma que testa outras plataforma de eBL e estima que, no futuro, o documento eletrônico será a nova norma. A empresa também participa, por exemplo, da TradeLens, que inclui IBM e Maersk.

Soluções blockchain da GoLedger agora têm financiamento do BNDES

A GoLedger poderá vender suas soluções e serviços blockchain com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Neste mês, a empresa se tornou um dos 23 fornecedores credenciados do BNDES Crédito Serviços 4.0, lançado em setembro passado.

O foco do financiamento é em ativos intangíveis, ou seja, ativos como inteligência e digitalização. Portanto, em tecnologias como blockchain, inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT).

As soluções da GoLedger são as únicas de blockchain na lista de fornecedores. “Isso nos diferencia e nos consolida no segmento, além de estar em linha com nosso pioneirismo”, afirma Otávio Soares, COO da empresa.

Os produtos e serviços da GoLedger são todos baseados na tecnologia blockchain e na plataforma Hyperledger. Inclusive o primeiro portal do mundo de Consentimento e Indexação de Bases Pessoais para GDPR e LGPD, as leis de proteção de dados da Europa e do Brasil.

Além disso, a startup ganhou as primeiras licitações públicas de blockchain e está no marketplace da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice).

Soluções blockchain para identificação de pessoas

A plataforma principal da GoLedger é o GoFabric, que faz a criação, o gerenciamento e a governança da rede blockchain. Portanto, pode trabalhar com outras soluções da empresa.

Entre elas a GoBio, para identificação de pessoas, premiada no 3º Simpósio Internacional de Segurança Pública (SINTSP) e um dos vencedores do Primeiro Concurso de Tecnologias Policiais do Brasil (Startpol).

A startup tem ainda o GoProcess, para gestão de documentos e processos em blockchain, o GoTrace, para rastreabilidade de produtos, e o GoVote. Esse último foi um dos escolhidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para testes na eleição de 2020. Porém, foi a única com um aplicativo na internet para uso por pessoas em qualquer lugar do mundo.

A contratação do financiamento pelo comprador das soluções segue os processos do banco. O BNDES financia até 100% do valor, que pode chegar a R$ 5 milhões por operação. O prazo é de 10 anos, sendo até 2 de carência.

As taxas do financiamento podem ser a Taxa Fixa do BNDES (TFB), a Taxa de Longo Prazo (TLP), que está em IPCA + 2,33% ao ano para contratos assinados em abril, ou a Selic, hoje em 2,75%. A taxa do BNDES é de 0,95% ao ano e a da instituição financeira intermediadora depende de cada agente.

Financiamento para testar soluções

No caso da GoLedger, o usuário pode usar o financiamento para experimentar as soluções blockchain da startup no programa GoLab. Depois disso, pode usar para desenvolver o projeto, completa o COO.

“A possibilidade de um financiamento com carência de até 2 anos, 8 anos para pagamento e juros extremamente atrativos são um alento para as entidades governamentais e empresas que estão buscam a transformação digital.”

De fato, sem financiamento, dificilmente o país vai conseguir passar por uma transformação profunda. Essa necessidade de crédito ficou clara, por exemplo, quando a Finep lançou, em junho passado, um edital para desembolsar R$ 50 milhões para projetos de inovação com tecnologias 4.0. Houve 1.590 inscritos que somavam US$ 1,7 bilhão em pedidos de crédito.

No lançamento do Crédito Serviços 4.0, Bruno Laskowsky, diretor de participações, mercado de capitais e crédito indireto do BNDES, disse que “não dá para financiar pequena e média empresa se não se falar de capital humano e, portanto, de serviços”.

“Estamos financiando intangíveis, inteligência, capacidade de gerar contribuições para diversas áreas, como digitalização, temas relacionados a economia produtiva, capacidade de manuseio de dados, big data e IoT”, afirmou Laskowsky.

Ocorre que agora os ativos intangíveis estão ganhando muito valor em relação a ativos fixos. Itens financiáveis há 40, 50 anos, eram fixos. Hoje, na grande maioria, são intangíveis, lembrou o secretário especial de produtividade, emprego e competitividade do Ministério da Economia, Carlos Da Costa, no lançamento do programa. “No S&P 500, 75% dos valor das empresas são ativos intangíveis”, completou.

BNDES também testa blockchain

O próprio BNDES testa blockchain. Um dos testes é de um token digital para rastrear o uso de dinheiro que sai de financiamentos do banco. Um outro, desenvolvido com o banco de desenvolvimento alemão, focou em investimentos não reembolsáveis financiados pelo Fundo Amazônia, de sustentabilidade da floresta. Profissionais do banco também participam de grupos internacionais de discussão sobre blockchain.

O uso de tecnologia 4.0 para a chamada bioeconomia, com a preservação e uso sustentável da floresta, é uma defesa, por exemplo, do cientista Carlos Nobre. Em março, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou um fundo com esse foco. A expectativa é de que os recursos cheguem a US$ 1 bilhão.

O teste de blockchain em diferentes atividades nos governos é uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU). O tribunal ressaltou que a tecnologia pode ajudar a combater fraudes, burocracia e trazer mais transparência aos processos.