Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

JBS lança programa que inclui blockchain para rastrear gado da Amazônia

Acusada em 2017 de vender carne de gado criado em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia, a JBS anunciou hoje o lançamento do ‘Juntos pela Amazônia’, um programa que usará blockchain para a verificação da origem da carne e com um fundo para incentivar a conservação e o desenvolvimento do bioma da Amazônia.

Por conta de produção na Amazônia, clientes em outros países deram o recado e seus governos afirmaram que não comprariam carne vinda ilegalmente da floresta. Investidores estão cada vez mais atentos a esses movimentos, que ao final podem ter impacto no balanço financeiro das empresas.

O uso de blockchain tem sido citado por ambientalistas como uma forma de garantir que produtos sejam rastreados para que não venham de áreas de desmatamento ilegal.

Blockchain é a parte crucial

O programa do frigorífico tem quatro pilares: desenvolvimento da cadeia de valor, conservação e reflorestamento da floresta, apoio às comunidades e desenvolvimento científico e tecnológico.

No primeiro pilar – o mais crucial em relação ao negócio da JBS – , será usada blockchain para registro e checagem de informações sobre o gado em etapas anteriores à dos fornecedores diretos. Será feita uma campanha para que os fornecedores entrem na sua Plataforma Verde.

A empresa diz que analisa mais de 50 mil propriedades de fornecedores de gado para sua produção na região amazônica, uma área maior do que a Alemanha.

Os outros três pilares serão operacionalizados com o Fundo JBS para a Amazônia. Serão investidos R$ 250 milhões nos próximos 5 anos e espera-se conseguir contrições de terceiros, elevando o valor para US$ 1 bilhão em 2030.

O fundo será dirigido por Joanita Maestri Karoleski, ex-CEO do também frigorífico Seara. O conselho consultivo terá profissionais como Carlos Nobre, cientista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Caio Magri, CEO do Instituto Ethos, Marcelo Britto, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e o presidente do Carrefour, Noël Prioux.

Indústria brasileira prevê mais de 3 anos para adotar tecnologias 4.0

Deve levar mais de 3 anos para que a indústria brasileira adote de forma disseminada tecnologias que a farão entrar no mundo 4.0. Mas no agronegócio, as tecnologias da informação e inteligência artificial já são uma realidade. Essas são duas das várias conclusões do estudo Radar Conecte-se ao Novo | 2020, que o CPQD acaba de lançar.

O centro de inovação conversou com executivos, acadêmicos e analistas de diversos setores e em diversas posições corporativas para fechar um diagnóstico sobre a maturidade, o potencial de impacto e a perspectiva de adoção de 28 tecnologias no país no pós-pandemia. As tecnologias são as consideradas relevantes hoje e no futuro.

De acordo com o relatório, o setor de telecomunicações prevê usar inteligência artificial (IA) em até dois anos, se estiverem maduras nesse prazo. E os governos indicaram que vão usar mais ferramentas tecnológicas, algo que já tem sido visto.

As tecnologias foram divididas conforme seus setores de atuação: rede e conectividade; Ia; confiança, privacidade e segurança – na qual está blockchain – , computação avançada; mobilidade e veículos autônomo; e IoT e dispositivos Inteligentes.

Prazo de adoção para a maioria é de até 5 anos. Fonte: Radar

Segundo os entrevistados, em confiança, privacidade e segurança: “há setores que não perceberam a necessidade da proteção de suas transações ou da possibilidade de ampliarem seus negócios com a adoção de tecnologias nesta área”, diz o estudo.

Essa tem sido uma percepção clara tanto de quem trabalha com blockchain, quanto de especialistas em segurança cibernética. As empresas – e seus funcionários – ainda não se deram conta da importância de proteção de dados em níveis elevados.

Em relação a blockchain, é vista por 33% como uma tecnologia nascente e por 29% como inicial. Além disso, 37% dos entrevistados avalia que é uma tecnologia de alto impacto, enquanto 21% a considera disruptiva e 28% avalia como médio impacto. Para 33%, o prazo de adoção no país está em até 2 anos e para 41% em de 3 a 5 anos.

Mais sobre tecnologia na indústria em:

Falta de crédito e de sensibilidade das indústrias emperram uso de tecnologia 4.0

Agência de notícias AP usará blockchain no registro de dados das eleições nos EUA

A agência de notícias norte-americana Associated Press, que analisa as votações eleitorais nos Estados Unidos (EUA) para tentar antecipar os resultados, vai registrar essas informações na Everipedia, uma espécie de enciclopédia que registra dados em blockchain. Os dados serão de mais de 7 mil disputas no âmbito nacional e nos estados.

Com a antecipação de dados, será possível, por exemplo, permitir a criação de produtos financeiros em blockchain como previsões de mercado e derivativos, disse a Everipedia em comunicado.

Diferente do Brasil, nos EUA os resultados eleitorais ainda levam dias para serem confirmados. A AP, que é uma agência sem fins lucrativos, faz esse levantamento independente há quase 200 anos, desde a eleição presidencial em 1848.

Como funciona

A parceria inclui ainda a Chainlink, maior rede descentralizada de oráculos do mundo. A empresa vai oferecer a infraestrutura para o registro dos dados da eleição. Por ser um oráculo, a Chainlink conecta dados do mundo real (off-chain) à blockchain, permitindo o registro em diferentes blockchains.

Hoje, os dados são enviados por email. Com a parceria, O nó Everipedia Chainlink vai fornecer contratos inteligentes para acesso à base de dados das eleições. Esses dados terão uma prova criptografada usada para verificar se a informação vem mesmo de um API da AP ao qual a Everipedia tem acesso exclusivo e autenticado. Isso deve conferir mais segurança às informações.

Para declarar a vitória de um candidato, a AP tem um Decision Desk formado de analistas, pesquisadores e pessoas que entrevistam eleitores. Todos contam com seus conhecimentos de eleições, candidatos e eleitores das votações anteriores e a da atual e com os dados do dia para anunciarem uma vitória.

Blockchain na imprensa

Blockchain também está sendo usada em outros veículos importantes, como o The News York Times e a agência italiana de notícias Ansa. O objetivo é checar a veracidade de fatos e de imagens.

Mais sobre o levantamento da AP no site da agência.

Na corretora NovaDAX, o importante é querer aprender; mulheres são 40% do time

Estar aberto a aprender algo novo é uma das habilidades que quem quer trabalhar com blockchain precisa ter. Quem diz isso é Beibei Liu, CEO da corretora NovaDAX. Conhecer criptomoedas e blockchainn é apenas um diferencial, afirma ela na entrevista a seguir dada ao Blocknews.

Atributos para trabalhar numa corretora de criptos
O conhecimento prévio de criptos e blockchain não é mandatório para a maior parte de nossas vagas, sendo mais relevantes as competências, habilidades e comportamentos desenvolvidos ao longo da trajetória profissional do candidato e que posteriormente poderão ser adaptadas ao nosso cenário.

Assim, até mesmo para as funções técnicas, o conhecimento prévio em cripto e blockchain é apenas um diferencial.  O mindset expansivo, aberto à aprendizagem e desenvolvimento rápido e constante, senso crítico de realizar conexões de conhecimentos e disciplina para a execução, são os principais atributos buscados no mercado. A NovaDAX tem a missão de oferecer desde o processo seletivo uma imersão didática e eficiente, de forma que o futuro colaborador possa trazer insights desde os primeiros contatos.

Mulheres na NovaDAX
Temos cerca de 20 funcionários de Tecnologia e Produto, dos quais 40% são mulheres. A política de diversidade vem sendo aprimorada e adaptada da holding asiática ao Brasil principalmente em 2020, quando alcançamos dois anos de operação aqui. Essa adaptação se deve principalmente pelas particularidades da população de cada região e diferença no abismo de inclusão enfrentada.

Candidatas mulheres
Nosso time de Tecnologia e Produto tem um turn over muito baixo desde o início das nossas operações em 2018, porém, nas oportunidades que tivemos até então, a candidatura das mulheres é menos expressiva e girou em torno de 30%.

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Mais mulheres em blockchain passa por políticas corporativas e públicas, diz líder do WIB

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Mulheres em tecnologia ainda são minoria e quando se fala em blockchain, o quadro pode ser até pior. Um estudo feito há dois anos pela LongHash mostrou que apenas 14,5% dos profissionais em startups ligadas a blockchain eram mulheres, considerando todas as posições nas empresas. E 85% das startups de blolckchain fundadas entre 2012 e 2018 tinham apenas profissionais do sexo masculino, segundo a Quartz .

“A falta de um ambiente acolhedor do ponto de vista de diversidade desencoraja a aproximação das pessoas em qualquer ambiente, não só o de tecnologia, mas o problema é sistêmico e se boa parte  da população não está representada dentro das empresas, então temos que ter ações afirmativas para diminuir essas injustiças”, diz Liliane Tie, líder da comunidade Women in Blockchain (WIB) Brasil.

Apesar da diferença de números entre os gêneros nas empresas, as mulheres têm feito conquistas importantes em blockchain. E as características femininas podem contribuir para isso.

“Experiências profissionais anteriores somadas a algum processo de desenvolvimento pessoal impulsionam empreendedoras a querer  ‘mudar o mundo’ dentro de setores que elas já conhecem bem os problemas. Temos exemplos corajosos dessas mulheres no Brasil, que foram além do apelo revolucionário da tecnologia e criaram principalmente negócios de impacto social e ambiental. Também advogadas costumam se interessar bastante por blockchain e smart contracts (contratos inteligentes), além de outras profissionais de setores diversos.  Talvez pelo mesmo motivo: trabalhar com algo onde a gente se sinta parte de uma transformação maior em curso”, diz Liliane.

Meninas em STEM

Mas é preciso trabalhar a conscientização desde cedo, afirma. “A partir de uma certa idade, meninas não se interessam muito por matérias na escola que são base para atividades ligadas a tecnologia. E, assim como nos projetos open-source e comunidades gamers, meninas são minoria e costumam usar codinomes neutros ou masculinos. Essa é uma fase da vida importante e que pode determinar se jovens seguirão profissionalmente dentro de carreiras de tecnologia”, completou.

A líder do WIB Brasil lembra um levantamento independente (feito pelo jornalista Corin Faife) que indica que dos cerca de 1 milhão de commits de código dos 100 maiores projetos por market cap envolvendo criptoativos, apenas 4,64% foram realizados por desenvolvedoras com nomes identificáveis como femininos no GitHub.

“Identidade de gênero vai muito além do nome, mas essa pesquisa contribuiu para também resgatar um debate acerca da diversidade em projetos open-source, onde a presença masculina é esmagadora e, em blockchain, esses projetos são até mais frequentes do que em outras tecnologias. Para evitar assédio e outras situações inconvenientes como racismo e homofobia, as pessoas preferem usar codinomes neutros ou identificáveis como masculinos”, completou.

Problema sistêmico

O alerta que Liliane faz é que sendo esse um problema sistêmico e na velocidade com que as transformações estão ocorrendo, ações afirmativas de empresas sozinhas talvez não deem conta de resolver o atual cenário.

“Políticas públicas também são urgentes para trabalhar em cima dos desafios que pesquisas sobre diversidade em áreas STEM têm mostrado. E, diante de tantas crises que estamos vivendo atualmente, já não dá mais para ignorar que a falta de diversidade na tecnologia ameaça agravar as desigualdades no futuro se os mesmos vieses forem transferidos aos algoritmos”, completa.

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Para cobrir sua demanda de profissionais habilitados a trabalhar com blockchain, a IBM faz treinamentos internos, além de olhar para talentos fora da empresa, diz Carlos Rischioto, líder técnico da empresa e especialista na tecnologia. Nesta entrevista ao Blocknews, ele conta como a IBM trata o assunto e outros questões, como as oportunidades do mercado e a diversificação do time.

Treinamentos internos e busca externa de talentos.
Acreditamos nos dois caminhos: ajudar no desenvolvimento dos nossos próprios profissionais, e para isso a IBM tem um programa interno de educação focada em cada área tecnológica na qual atua, sendo uma delas blockchain, e também olhar para o mercado para descobrir novos talentos. Além disso também disponibilizamos treinamentos externos para ajudar no desenvolvimento dos profissionais no Brasil.

Tipos de treinamento
Os treinamentos são ajustados conforme o nível de experiência e conhecimento do profissional, além do seu papel na equipe. Por isso, a duração dos treinamentos pode variar muito. A gente tem um programa de badges, tanto para o treinamento interno como externo, no qual os profissionais e estudantes podem adquirir novas habilidades à medida do avanço que eles tenham. 

Blockchain também faz parte de programas de treinamento dentro de atividades de Cidadania Corporativa, como P-TECH e Open P-TECH, e ainda em iniciativas que trabalhamos junto com universidades do país, como Skills Academy.

Hard e soft skills para trabalhar em blockchain
Os hard skills basicamente são os relacionados a desenvolvimento, ou seja, linguagens de programação que são mais utilizadas hoje. Para a plataforma de Blockchain da IBM, usamos Java Script e GO Lang. Isso, além das ferramentas de DevOps, como Git, Slack, Jira, Trello, entre outras.
 
Com relação aos soft skills, acredito que sejam os mesmos requeridos em qualquer outra tecnologia, por exemplo: boa comunicação, gestão do tempo e proatividade. Esses aspectos são importantes para operar de forma ágil e que demanda rapidez e adaptabilidade para avaliar e testar cenários buscando melhores soluções.

Carreira promissora como diz o LinkedIn
Acredito que sim, pois continuamos a ver no mercado uma alta demanda para profissionais com habilidades em blockchain. Os projetos estão em expansão e no Brasil, por exemplo anunciamos importantes projetos na indústria financeira com a Tecban e outras instituições (ver matéria sobre mercado de trabalho).

Mulheres nesse segmento         
Acredito que a dificuldade em ter mulheres nesse segmento é a mesma das demais tecnologias, mas a IBM tem trabalhado muito para reduzir essas lacunas e aumentar o percentual feminino em TI como um todo (ver matéria com Women in Blockchain)

Um dos exemplos que posso citar é a parceria regional entre a IBM e a Laboratória, startup que capacita mulheres para a era da economia digital, que começou no ano passado. Essa iniciativa teve como objetivo beneficiar mais de 550 graduadas no Brasil, Chile, México e Peru no período de um ano, desenvolvendo workshops e eventos sobre tecnologias como Blockchain, IA, IoT, entre outras. Essa parceria também inclui um planejamento estratégico para aumentar a competitividade na colocação no mercado de trabalho das graduadas da Laboratória.

Variedade de atividades

Como em todas as tecnologias, vemos diferentes perfis no mercado: temos as atividades associadas a vendas, como vendedor, profissional de pré-vendas, de demonstrações. E as atividades técnicas onde podemos destacar: infraestrutura (profissionais responsáveis pela criação e configurações das redes de Blockchain); desenvolvimento de SmartContracts (profissional para criação e manutenção dos contratos); desenvolvimento de aplicações (profissional que trabalha com aplicações que irão se conectar ao Blockchain); arquitetura (profissional responsável pelas definições técnicas do projeto e normalmente pela liderança técnica); e governança (profissional responsável por criar e operar o modelo de governança e gestão da rede).

Funcionários em blockchain na IBM do Brasil       
Não conseguimos divulgar números locais. 

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Quando e por onde iniciar a carreira em blockchain? A qualquer momento e por qualquer profissão

Qual é a melhor hora para iniciar uma carreira em blockchain? Ainda dá tempo de pivotar uma carreira sólida e entrar no mundo dos blocos, que já é uma área de crescimento de empregos e falta de mão-de-obra? Precisa ser alguém já formado em tecnologia para trabalhar com uma habilidade considerada pelo LinkedIn como a mais exigida em 2020?

“A partir dos 14, 15 anos, quando a pessoa passa a ter noção de como as coisas acontecem, já está preparada para ser introduzida nessa área”, diz Rosine Kadamani, fundadora da Blockchain Academy. Mas, ela completa, pode ser a qualquer momento a partir daí, com essa entrada se dando em graus distintos de profundidade e de segmentos – e não só em bitcoin, que foi onde tudo começou há 12 anos.

Pode ser na fase de profissionalização, ou mesmo num momento estável de carreira, como é caso de Rosine e de tantos outros dessa área, que passaram pelo portal do blockchain. No caso dela, deixou o direito e um emprego no Pinheiro Neto Advogados para se lançar em blockchain em 2014.

Mesmo sem números precisos sobre quantos empregos são gerados nessa área, as empresas afirmam que a demanda por profissionais é crescente. Depois do lançamento do bitcoin, aos poucos, surgiram oportunidades não apenas no mundo ligado a criptomoedas (ver matéria com a NovaDAX).

Rede privadas ajudam a puxar os empregos

Empresas de diferentes segmentos começaram a perceber que blockchain tem uso muito diversificado e pode trazer mais eficiência, transparência, segurança e confiança a seus negócios. Com isso, criaram suas redes, demandando serviços que geram empregos (ver matéria com a IBM). Governos fizeram o mesmo movimento. E foi aí que emergiram muitas e oportunidades de trabalho – a maioria delas ainda ocupadas por homens (ver matéria sobre mulheres em blockchain).

Com as oportunidades de trabalho, surgiram as de educação. Há hoje diversas opções no Brasil, como a Blockchain Academy, e fora do país. Os cursos vão do básico ao mais complexo, como o de especialização em universidade como o MIT ou mesmo pós-graduação só em blockchain e criptomoedas ou que combinam esses temas com outros, como finanças e direito.

No mês passado, o CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola – anunciou parceria com a Blockchain Academy, dadas as oportunidades que estão surgindo no setor. E fizeram o webinar “Onde estão as principais oportunidades para trabalhar com Blockchain?” .

“Serão cursos de diversos níveis, do inicial ao avançado, para quem quiser se integrar com o assunto e desenvolver competências valorizadas pelo mercado de trabalho”, afirmou Marcelo Gallo, superintendente do CIEE.

Blockchain para todos os gostos

O motivo pelo qual profissionais de diferentes áreas encontram lugar em blockchain se deve ao fato de que a tecnologia faz cada vez mais parte da vida das pessoas e das empresas de diferentes formas.

No caso dessa solução, pode ser uma alternativa para quem gosta do mundo financeiro, já que tudo começou com bitcoin e boa parte das operações são com moedas criptografadas. Mas passa também por tantos outros assuntos como contratos, relações econômicas, esquemas de fraudes – e como evitá-las -, controle de exposição de propagandas, de diplomas e por aí vai.

“A tecnologia era distante da nossa realidade de advogado e agora é possível viver com as duas. As soluções não são só mais uma boa intepretação jurídica Estamos saindo dos escritórios e buscando novas habilidades”, afirmou Tiago Neves Furtado, coordenador da equipe de Proteção de Dados do Opice Blum Advogados durante o webinar.

“A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) é uma grande oportunidade para quem quer trabalhar com blockchain. Quando falamos de direito, falamos de confiança, de um pacto social, as leis demandam que confiemos uns nos outros. Eu confio que você vai cumprir sua promessa de privacidade. Mas como garanto que vai acontecer o que está prometendo?”, diz o advogado.

E nisso blockchain pode ajudar, já que permite registro e armazenamento mais confiáveis de dados. Por essas características, blockchain também tem sido aplicada em segurança cibernética, lembrou Furtado.

Ethereum, Hyperledger ou os dois?

Fausto Vanin, sócio da OnePercent, desenvolvedora de soluções em blockchain no Brasil e no exterior, afirma que sua necessidade de contratação de funcionários é um indicativo do quanto “esse mercado cresce de forma consistente”. Vanin também deixou uma carreira no mercado financeiro quando conheceu blockchain.

Questionado no webinar do CIEE se o melhor é estudar a solução Hyperledger ou Ethereum, sua resposta foi: “dois pontos importantes: se familiarize com as arquiteturas e mergulhe para poder comparar. Mas se alguém quer algo mais objetivo, então se o interesse é mais para startup, correr mais riscos e algo que pode te abrir pontas internacionais, vá para Ethereum. Mas se quiser algo mais corporativo, grandes empresas, Hyperledger tem grande demanda.”

Ele também dá uma outra dica para quem se interessa em entrar em blockchain: “está muito bacana do lado de cá.”

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Evento usará ID em blockchain para participantes comprovarem treinamentos

A nova edição do eWorld Marketing Summit, evento global sobre marketing estratégico, criado por Philip Kotler, e que acontece de 5 a 7 de novembro, será o primeiro online do mundo que  usará blockchain para certificar a participação do público e os aprendizados durante o evento.

A Kotler Impact, realizadora do eWMS, vai criar para cada participante uma identidade digital baseada na tecnologia. na qual todas as atividades de aprendizagem serão reportadas e registradas.

Certificados falsos é uma das maiores preocupações de instituições de ensino e de empresas na hora de contratar funcionários.

Yulenka Ventriglia, diretora da Kotler Impact Latam Brazil, afirma que a ID em blockchain permitirá aos participantes do eWMS demonstrar, com dados confiáveis, o treinamento de marketing que seguiram e as habilidades que adquiriram com a participação no evento.

Identidade Digital em alta

Novos hábitos digitais, inclusive os acelerados pela pandemia do Covid-19, e a necessidade de maior segurança cibernética vão impulsionar o mercado de identidade do consumidor e gerenciamento de acessos, segundo a TMR (Transparency Market Research).

A empresa calcula que esse segmento vai de passar de US$ 10,9 bilhões em 2020 para US$ 32,9 bilhões em 2030, um aumento anual composto de 12%. Blockchain e inteligência artificial têm sido vistas como tecnologias que vão ganhar terreno nesse setor.

Biometria também crescendo

Na mesma linha e pelos mesmos motivos do estudo da TMR, a Grand View Research prevê que o mercado de biometria comportamental terá crescimento anual composto de 24,5%, passando a USD 4.62 billion em 2027.

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Exame realiza maior evento online da Am. Latina sobre futuro do dinheiro

A partir desta quinta-feira (15), a Exame realiza o Future of Money, maior evento online sobre o futuro do dinheiro da América Latina, que também marca o lançamento de editoria do mesmo nome na plataforma Exame.

Os painéis acontecerão semanalmente até 30 de novembro, com os temas fintechs, open banking, PIX e LGPD, criptoativos, blockchain, moedas privadas e CBDCs, sandbox regulatório CVM e BC e segurança cibernética.

O painel desta quinta-feira será às 19h e a abertura será feita por Gavin Littlejohn, presidente da Associação Britânica de Dados Financeiros (FDATA) e um dos responsáveis pela implantação do open banking no Reino Unido. Também participará o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco.

Claudia Mancini, fundadora e editora do Blocknews, será articulista sobre blockchain na nova editora.

Participação de blockchain no PIB global vai quadruplicar até 2030

O impacto de blockchain no PIB global pode dobrar entre 2021 e 2030, passando de US$ 66 bilhões em 2021, cerca de 0,45% da economia mundial (em preços correntes), para US$ 1,76 trilhão, o que seria 1,73% do PIB.

O serviço que vai puxar boa parte desse crescimento será o de rastreamento de produtos, que deve passar de um impacto de US$ 34 bilhões em 2021 para US$ 962 bilhões em 2030. Rastreamento é uma necessidade que a pandemia do Covid-19 deixou mais evidente para as empresas que precisam saber melhor onde estão seus produtos ou insumos e de onde vêm.

Os cálculos são da PwC foram divulgados hoje no estudo “Time for trust: How blockchain will transform business and the economy”. E a empresa afirma que o sucesso da tecnologia dependerá de ambientes favoráveis a sua aplicação, ecossistemas de empresas abertas a explorar novas oportunidades e indústrias diversificadas.

O ano de 2025 será o ano de inflexão de blockchain, com as soluções sendo adotadas em larga escala no mundo, diz a PwC.

Além de rastreamento, os outros quatro usos principais de blockchain com base na capacidade de gerar valor econômico serão pagamentos e instrumentos financeiros, identidade digital, contratos e resoluções de disputas (este passará de US$ 3 bilhões em 2021 para US$ 73 bilhões em 2030) e engajamento do cliente.

Os estudo tem dados individuais dos países que mais têm usado a tecnologia. E afirma que a China, com US$ 440 bilhões, deve ser um dos países mais beneficiados, em parte por conta de seu setor industrial e pela emissão de sua moeda digital de banco central.

Os Estados Unidos estão próximos da China, com US$ 407 bilhões, em boa parte por conta de sua vasta cadeia de suprimentos e das demandas de consumidores que querem saber de onde vêm os produtos que consomem.

Alemanha, Japão, Reino Unido, Índia e França deverão ter benefícios de US$ 50 bilhões cada um. O Brasil não é citado isoladamente no estudo.

Maiores beneficiários

A expectativa é de que rastreamento de origem de produtos deve beneficiar muito a China e a Alemanha, enquanto os EUA devem se beneficiar de aplicações financeiras e de identidade digital.

A tecnologia vai ser usada nos diversos setores, de saúde a manufatura e varejo. E os setores público, de educação e de saúde também devem ser os maiores beneficiários, com US$ 574 bilhões em 2030.