Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Sudeste responde por 60% das novas empresas e startups de tecnologia

Em 2020, foram abertas 35.423 startups e empresas de tecnologia no país, 210% a mais do que em 2011. Na última década, foram registrados 176.482 novos negócios na área.

“É inegável que a pandemia impactou o setor. Todas as mudanças pelas quais passamos nesse período, pessoas físicas e empresas, intensificou a necessidade de criar soluções para atender às novas demandas do dia a dia. Tivemos uma aceleração na transformação digital e há muito espaço ainda para crescer”, afirma José Renato Raposo, COO da DataHub.

Na última década, surgiram 176.482 novos negócios em tecnologia. E isso aconteceu com mais investimentos na criação de polos tecnológico. O Sudeste, como demonstram outros estudos sobre tecnologia, responde pela maior parte das novas empresas, com 107,5 mil delas. Na sequência vêm o Sul (29.582), o Nordeste (19.626), o Centro-Oeste (13.152) e o Norte (5.856).

Só o estado de São Paulo concentrou 75,25% das aberturas no período, o que equivale a 176.482 empresas. E desses, 44.326 estão na capital. Portanto, para o DataHub, a cidade de São Paulo é o ponto inicial para o crescimento da indústria. E a coloca muito à frente das outras capitais que mais registraram aberturas de empresas.

No Rio de Janeiro foram 8.783, e, Curitiba, 6.879, em Belo Horizonte foram 5.705 e Brasília, 5.464. A concentração ajuda a acelerar ainda mais negócios em São Paulo, mas é um indicativo muito ruim da distribuição da inovação no país.

Com esses novos negócios, de de janeiro de 2011 a dezembro de 2020 houve a criação de mais de 520 mil novas posições com carteira assinada no país, de acordo com a DataHub. No Sudeste foram 292.966. Porém, o Norte foi o que menos gerou vagas: 24.661 vagas.

Para fazer o estudo, a DataHub usou dados da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAEs) ativas, e ligadas a tecnologia, como por exemplo o de Desenvolvimento de programas de computador sob encomenda (CNAE 6201500), Desenvolvimento e licenciamento de programas de computador customizáveis (CNAE 6202300), Desenvolvimento e licenciamento de programas de computador não customizáveis (CNAE 6203100), Consultoria em tecnologia da informação (CNAE 6204000) e Suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação (CNAE 62091000).

IBM entra no segmento de token de certificados de energia renovável

A IBM está desenvolvendo o enerT, um token de certificados de energia. Assim, a empresa investe em dois segmentos crescentes: o de emissão e compra de certificados de energia e de iniciativas que usam blockchain para isso.

O token de energia da IBM é em Hyperledger Fabric e Tokens-SDK. Portanto, ao usar blockchain, permite uma garantia maior de que os dados dos certificados são confiáveis. Além da garantia de que o mesmo documento não será vendido mais de uma vez. Os dados dos tokens podem incluir, por exemplo, de onde vem a energia que ele representa, porque a energia pode ter várias origens.

“A tokenização do certificado é equivalente ao que o contêiner na indústria de navegação”, disse a IBM. De acordo com a empresa, a solução permite ainda calcular a pegada de carbono e tem baixo consumo de energia, visto que não usa a prova de trabalho de redes públicas.

Cada REC representa 1MWh de eletricidade sem emissão de carbono. Mas, o mercado convencional de Certificados de Energia Renovável (RECs) não garante que a energia vem de onde o emissor diz que vem. Portanto, blockchain responde a uma demanda crescente de consumidores e investidores por políticas ESG, em especial as confiáveis.

Token de energia da IBM serve também a mercados desregulados

Nesse movimento, até mesmo o Itaú, com outros bancos internacionais, anunciaram que lançarão neste mês uma plataforma de certificados de energia em blockchain. O objetivo garantir com preços claros e consistentes. Isso significa resolver um sério problema do mercado, que é falta de transparência nas negociações.

Há ainda um outro ponto que animou a IBM: a desregulação dos mercados de energia em alguns países. Isso significa que produtores privados e menores de energia podem vender sua produção diretamente a consumidores, em transações peer-to-peer (P2P) ou por meio de intermediários. Além disso, podem emitir certificados, inclusive em esquemas alternativos, como por hora.

Projeto Didi, de identidade digital auto-soberana, cria mais projetos na Argentina

O Projeto DIDI, uma iniciativa na Argentina para criação de identidade auto-soberana, vai implantar duas ações sobre blockchain: uma vinculada à gestão digital do governo da província de Missões e no município de General Pueyrredon (Mar del Plata), e outra de inclusão financeira com produtores rurais e comunidades da região do Gran Chaco. O Didi tem apoio de instituições como o laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID Lab), Accenture, Nec e da ONG Bitcoin Argentina,

O BID Lab vai financiar os dosi projetos na fase inicial, prevista para durar doze meses. “De acordo com o Didi, o projeto de Missões será em parceria com a govtech OS City. Já a com os produtores rurais será com a Associação Cultural para o Desenvolvimento Integral (ACDI). A identidade auto-soberana sobre blockchain permite um gerenciamento seguro e privado de dados pessoais. Assim como uma redução de custos de transação e verificação da informação, disse o director do Projeto DIDI, Javier Madariaga.

Na iniciativa com a OS City, em Missões, o objetivo é melhorar a gestão de certificados e credenciais. A província aprovou, há alguns dias, uma lei que permite o uso de blockchain na gestão pública. Com isso, se tornou a primeira a ter uma lei desse tipo. Segundo o ministro da Fazenda, Adolfo Sabrán, a ordem em missões é que todos os órgãos da província avancem na adoção de blockchain. O primeiro passo é esse proejto de identidade digital, que usa a rede LACChain, que é ethereum, e aplicativos criados pelo Didi e que também são de código aberto.

Já a ação com a ACDI será para implantar um sistema de reputação de crédito com base na tecnologia do aplicativo ai-di. Esse sistema permite inserir credenciais verificáveis de aplicação de práticas de resiliencia climatica. Portanto, p produto poderá apresentar seu risco climático a instituições fiannceiras e comércio, para ter melhores formatos de fianciamento.

No ano passado, o Didi apresentou seu aplicativo ai·di, uma espécie de carteira de documentos digital. Portanto, é psosível inserir nela dados econômicos, civis e sociais. E neste ano houve um projeto piloto de inclusão financeira para não bancarizados no bairro Padre Carlos Mugica, em Buenos Aires. O Didi construiu uma reputação de crédito como parte da identidade digital das pessoas. Mais de 450 empreendedores que receberon microcréditos do Programa Semillas utilizam o aplicativo.

De acordo com Madariaga, os resultados do piloto foram positivos. Por isso, “decidimos apostar no crescimento da tecnologia e apoiar organizações nacionais que queira implementar casos de uso de identidade digital em blockchain”, completou. Assim surgiram os projetos com a OS City e a ACDI.

É preciso resolver logo problema de escala de redes públicas de blockchain, diz estudo do inovabra

“A escalabilidade é um dos principais problemas relacionados à adoção do blockchain, principalmente o público. O sistema, na forma como foi desenhado originalmente, ainda não consegue acomodar usuários em
grande escala ao mesmo tempo. Isso impacta diretamente na velocidade, no custo das transações e na segurança.”

Essa é uma das conclusões do estudo “Admirável Mundo Blockchain” que o inovabra, ecossistema de inovação do Bradesco, lança na próxima terça-feira (3) e ao qual o Blocknews teve acesso. De acordo com o levantamento, “quando Satoshi Nakamoto publicou o paper (sobre o bitcoin), a internet tinha uma realidade. Hoje, tem outra.”

O estudo de 111 páginas do inovabra contou com a participação de 30 especialistas em blockchain. E no tópico desafios, afirma que o tamanho do bloco do bitcoin até hoje permanece em 1 MB. Isso porque “os mineradores oligarcas barraram o aumento do tamanho dos blocos, já que assim ganhariam
menos dinheiro”.

Portanto, se o banco de dados crescer rapidamente, os nós da rede não conseguirão acompanhar a expansão. E se os blocos forem extensos,
a transmissão através da rede se tornará lenta.

inovabra lança estudo sobre blockchain dia 3 de agosto

Além disso, “a propagação de dados pela internet poderia causar problemas de consenso”. Isso porque aumentaria o número de nós que passam por atualização compatíveis com nós anteriores, ou seja, o soft fork. E que geram a adição de uma nova regra que não entra em conflito com as regras anteriores. Assim, maior o uso das redes bitcoin e ethereum, maior o custo dessa utilização, por conta do gargalo que surge.

Portanto, para que blockchain cause a descentralização de poderes e democratização de riquezas de Nakamoto sugeriu, é imprescindível que se solucione a questão de escala com rapidez, continua o estudo.

De hoje a segunda-feira, o Blocknews publicará mais reportagens sobre o estudo “Admirável Mundo Blockchain”.

As inscrições para o evento de lançamento do estudo são feitas pelo Sympla.

Blocknotas: Inovabra lança estudo de blockchain; vagas em criptos na Indeed e Worldpay com OKCoin

O inovabra, ecossistema de inovação do Bradesco, lança na próxima terça-feira (3) o estudo “Admirável Mundo Blockchain”. O trabalho é um levantamento detalhado sobre a tecnologia, aplicações, criptomoedas e casos de uso. De acordo com o inovabra, o estudo é resultado de um trabalho com 30 profissionais de dentro e de fora do inovabra.

“O objetivo é fomentar a compreensão sobre blockchain e impactar gestores, empreendedores, investidores, mentores e consultores, afirma o inovabra. Vão participar do evento Roberto Karpinski, analista de inovação do Bradesco e Percival Lucena, cientista em blockchain na IBM. Além deles, participará José Vital, sócio da PwC Brasil. O evento é online e gratuito. As inscrições são feitas pelo link https://bit.ly/2WDu9w8

Crescem vagas e busca por emprego em criptomoedas

A postagem de vagas de trabalho em criptomoedas, portanto também em blockchain, aumentou 144% na plataforma Indeed de junho de 2020 e junho de 2021.  Isso em meio a um aumento do desemprego, que atingiu o recorde de 14,7% no trimestre terminado em abril, ou seja, com 14,8 milhões de brasileiros procurando trabalho. Além do aumento de vagas, as buscas de emprego cresceram 173%.

Mas, em junho passado a relação entre ofertas e buscas mostrou que havia 87 candidatos por vaga. De acordo com Felipe Calbucci, diretor de vendas do Indeed, os candidatos precisam se especializar e as empresas se fortalecerem como empregadoras para manter os colaboradores

Worldpay vai oferecer serviços para bolsa OKCoin

A Worldpay, de soluções de pagamentos, vai oferecer serviços de adquirência e payouts para a bolsa de criptomoedas OKCoin. Assim, vai processar pagamentos em cartões de crédito e débito na compra de moedas digitais. A Worldpay é da FIS, de soluções de tecnologia financeira, há dois anos.

A OKCoin opera com 27 tipos de moedas que rodam em blockchain, incluindo as criptomoedas bitcoin e ethereum, e com staking em protocolos de finanças descentralizadas (ou seja, manter criptos nos protocolos em troca de juros). Segundo Jason Pavona, diretor geral da Worldpay para a América do Norte, nos últimos oito anos a empresa tem trabalhado com corretoras de criptomoedas.

EY, governos e bancos testam blockchain em taxação internacional de dividendos

A EY anunciou hoje (28) que terminou com sucesso os testes do TaxGrid™ | EY – Global, que usa blockchain em operações tributárias internacionais. Os testes aconteceram com um grupo de governos, instituições financeiras e universidades. O objetivo é resolver ineficiências na taxação de distribuição de dividendo e permitir um compliance praticamente em tempo real.

Os testes incluíram os governos do Reino Unido, Holanda e Noruega. Assim como os bancos BNP Paribas, Citibank, JP Morgan; Northern, além da APG Asset Management, da PGGM Investments, de universidades da Áustria e do Reino Unido.

De acordo com a EY, a solução blockchain pode ajudar as autoridades a chegar a uma compliance em tempo real. Além de ajudar as instituições financeiras que intermediam as transações a trocarem informações de forma coordenada. Isso, numa cadeia longa de participantes das operações, é um grande desafio hoje. Assim, reduz também os riscos contratuais e regulatórios aos quais essas instituições estão expostas.

A solução permite o registro de todas as transações de dividendos, o que gera taxação correta na origem. Sem erros, o processo fica também mais simples e menos aberto a fraudes. O sistema usa, por exemplo, a prova de conhecimento zero (ZKP).

“Nossa intenção é continuar com as discussões com o grupo para engajar outros governos e instituições fiannceiras”, afirmou a vice-presidente global de tributos da EY, Kate Barton. “Queremos trabalhar em mudanças legais e regulatórias necessárias para obter uma aplicação maior da solução”, completou.

Substituir o uso tradicional de papel por uma solução digital podem trazer muitas eficiências, além de simplificar a experiência internacional de retenção de impostos no processo internacional de tributação, afirmou Phil Caldwell, líder global de custódia de produtos tributários do JP.

O relatório da EY completo sobre o projeto em blockchain está neste link.

GoLedger vence licitação da Celepar para uso de blockchain no Paraná

A GoLedger, que fornece soluções em blockchain Hyperledger, venceu licitação da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar). O edital da Celepar é genérico e faz parte do projeto Blockchain PR, de transformação digital do estado, segundo a empresa.*

Mas o estado tem também um projeto, o Harpia, que inclui uso de inteligência artificial (AI) e registro de dados em blockchain em licitações públicas. O objetivo é combater fraudes.

A empresa venceu um contrato de R$ 1,256 milhão no primeiro lote. O resultado saiu na última segunda-feira (26). Há ainda um segundo lote ainda em avaliação. Pela regra, há cinco dias para impugnação do resultado por outros concorrentes. Procurada, a GoLedger não quis comentar o resultado da licitação.

O governo do Paraná anunciou o Harpia em junho de 2020. Mas, na ocasião, afirmou que a Celepar já havia fechado parceria com a IBM para por R$ 25 milhões. Isso incluia IA, principalmente, e blockchain. No entanto, a falta de licitação e uso de um sistema proprietário levantaram questionamentos do ecossistema blockchain, como noticiou com exclusividade o Blocknews naquela ocasião.

O Blockchain Research Institute Brasil (BRB Brasil), por exemplo, enviou carta à a ocasião, ao governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD). Nela, questionou o custo de R$ 25 milhões e a afirmou que haveria limitação do uso da rede pelo setor privado. Assim, um projeto que o governo diz que combaterá 97% das fraudes em compras do estado, levantou dúvidas.

Celepar abriu licitação em abril passado

Em abril deste ano, a Celepar abriu então licitação para compra de serviços de blockchain. Assim, o edital fala em “contratação de empresa e/ou consórcio para serviços na tecnologia de registros distribuídos com anexação e validação de blocos de dados transacionais”. E uso de “redes permissionadas que garantam a integridade das transações de forma irreversível, permanente e a prova de violação, chamada de blockchain”. Não cita o Harpia.

A GoLedger nasceu com foco em projetos em blockchain para governos e recentemente começou a apostar também no mercado privado. A startup já ganhou diversas concorrência. Por exemplo, uma da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) e da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice).

Também criou o primeiro portal do mundo de Consentimento e Indexação de Bases Pessoais nas leis de proteção de dados da Europa e do Brasil. Além disso, participou do teste de novas tecnologias nas eleições de 2020.

*Reportagem corrrigida às 11h12 com a informação de que o edital é genérico e não específico sobre o Harpia.

Amazon posta vaga e sinaliza avanço em projeto de sua moeda digital

A Amazon dá mais um sinal de que está pondo em marcha seu plano de ter uma moeda digital. A empresa está procurando um profissional para trabalhar com criptomoedas, inclusive a sua, e blockchain. A empresa acaba de anunciar uma vaga para “Digital Currency and Blockchain Product Lead” em seu site nos Estados Unidos (EUA). O escolhido vai trabalhar com os sistemas de pagamentos e financeiros da empresa.

Em fevereiro passado, a Amazon já procurou uma pessoa para trabalhar num projeto que permitirá aos clientes converter dinheiro em moeda digital. O projeto, a princípio, seria lançado no México.

A empresa, que já pediu patenteamento de uso de blockchain, diz que a pessoa escolhida vai trabalhar com blockchain, registro distribuído, moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e criptomoedas. Com a Amazon AWS, o candidato vai desenvolver o caminho, “incluindo experiência do consumidor, estratégia técnica e capacidades, assim como a estratégia de lançamento”.

Dentre os requisitos, a Amazon pede mais de 10 anos de experiencia em gerenciamento de produtos ou projetos, marketing de produtos. Assim como profundo conhecimento do ecossistema de moedas criptografadas e tecnologias relacionadas a isso. Vai ter preferência quem tiver MBA ou uma experiência equivalente.

A vaga é em Seattle.

Agência de relações públicas Motim lança moeda para projetos sociais

A agência de relações públicas Motim lançou, nesta terça-feira (20), uma criptomoeda para reputação de empresas. A agência vai enviar unidades da RepCoin (RPTC) a seus 46 clientes e poderão ser revertidas em ações de comunicação para projetos sociais. Trata-se, portanto, de uma estratégia de marketing da agência combinada com ação social.

Depois de 12 meses de contrato com a Motim, os clientes poderão reverter a moeda, emitida em Ethereum, em serviços de assessoria de imprensa ou de conteúdo para organizações não-governamentais (ONGs) e projetos sociais. Esses projetos poderão, então, adquirir serviços da Motim com a cripto. Um exemplo dessa troca seria a de 1 mil RPTCs por uma assessoria de imprensa, por três meses.

Já há o uso de blockchain e tokens em diferentes áreas da comunicação. Um exemplo é, na publicidade, aplicação de blockchain para monitoramento de instalação de propaganda de rua. Isso garante que a publicidade foi alocada na quantidade e locais que a agência prometeu ao cliente.

Na imprensa, veículos como o The New York Times começaram a testar blockhain contra informações falsas. Por exemplo, para registro e checagem de veracidade de imagens.