Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Revista MIT Sloan Review faz, nesta semana, evento online e blockchain está na programação

A revista MIT Sloan Review Brasil realiza, de hoje (7) a sábado (12), o Frontiers Unlocked #4, versão online e gratuita do evento Frontiers. O foco do evento é gestão e tecnologias da 4ª Revolução Industrial. Essa quarta edição online debaterá mudanças na economia global, integração global, especialização vertical, sourcing de baixo custo e a gestão lean aplicada às cadeias de fornecimento. Além disso, blockchain é um dos temas. As inscrições são feitas pelo link https://bit.ly/3glw7H5 e a programação está em https://mitfrontiers.com.br

Com licença para Fohat, R3 avança pela primeira vez, no Brasil, fora do setor financeiro

O licenciamento do software da Corda Enterprise, rede privada de registro distribuído (DLT), para a Fohat, especializada em soluções para o setor energético, marca o primeiro caso da R3 fora do setor financeiro no Brasil. Mas outros devem vir pela frente.

A Fohat vai usar o software para desenvolver soluções que conectam o mercado energético e o financeiro (ver matéria sobre o assunto).

A R3 começou como um consórcio de bancos testando DLT/blockchain. Depois disso, se transformou numa empresa com boa parte de seus casos no setor financeiro.

“Teremos outros casos de uso fora do setor puramente financeiro, estamos em outras negociações, disse o executivo de vendas da R3 no Brasil, Jeff Bergamo, em entrevista exclusiva ao Blocknews.

Mercado em crescimento

A R3 tem olhado para o setor de energia por questões como a expansão do mercado livre nos próximos anos, com a flexibilização dos consumidores que poderão comprar essa energia, disse Bergamo.

Hoje, apenas cerca de 30% da energia gerada é negociada no mercado livre. Essas negociações começaram há 20 anos com os clientes maiores. Hoje, shoppings, por exemplo, já podem comprar nesse segmento. No futuro, até residências terão esse direito.

Com essa perspectiva e a queda das taxas de juros, bancos de varejo, segmento que a R3 conhece bem, passaram a investir em comercialização de energia limpa. Dentre eles estão Itaú, Santander e BTG Pactual.

Case global

Segundo o executivo, o acordo com a Fohat também pode ser o primeiro do mundo que conecta o setor financeiro com energia. A empresa já tem casos em energia, mas com uso dentro desse mercado, como em óleo e gás.

Bergamo, que vem do segmento de comercialização de energia, afirmou que com a solução que a Fohat vai criar, instituições financeiras poderão gerenciar o fluxo financeiro das operações de compra e venda de energia na plataforma, como garantias e pagamentos.

Mais sobre o balcão, a R3 e a Fohat em:

Busca-se um banco para balcão de energia livre em blockchain

AES Tietê quer ser plataforma de produtos e serviços de energia

Startup brasileira Fohat inicia projeto em energia no Chile

B3 e IRB Brasil Resseguros lançarão plataforma blockchain em 2021

Fohat usa Corda, da R3, em plataforma para conectar setores de energia e financeiro; balcão de mercado livre usará solução

Reportagem atualizada às 16h48 de 4/12/20*

A Fohat, que desenvolve soluções em energia que incluem tecnologias como blockchain, fechou acordo com a R3 para o desenvolvimento de uma plataforma, baseada em Corda Enterprise (produto da R3), que conectará o setor de energia e o financeiro.

Com isso, a eFinchain, nome da plataforma, já tem como certo seu uso no balcão organizado de comercialização de energia livre. O balcão está previsto para entrar em produção no primeiro trimestre de 2021. A eFinchain ao longo do próximo ano.

Esse projeto é desenvolvido em conjunto pela Fohat e a AES Brasil, dentro do programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como já noticiou o Blocknews.

O licenciamento do software para a Fohat é o primeiro de Corda Enterprise no Brasil para uso fora do setor financeiro e deve ser o primeiro do mundo conectando o setor de energia e o financeiro segundo Jeff Bergamo, executivo de vendas da R3 (ver matéria sobre o assunto).

A R3 ficou conhecida por ser fundada e hoje atender muitas empresas do setor financeiro. A Fohat tem diversos projetos que usam blockhain, inclusive no exterior. A Fohat é da Energy Web Foundation (EWF), com quem a R3 acaba de fazer parceria para conectar os setores de energia e o financeiro.

Liquidação e Custódia

Serão desenvolvidas as aplicações Corda, que vão rodar sobre a infraestrutura blockchain da EWF, que é pública. A Corda Enterprise é privada. O desenvolvimento será feito pela Fohat.

A solução da Corda, segundo as empresas, fará a liquidação e custódia de contratos derivativos de energia, os Non Deliverable Forward (NDF). Com isso, a plataforma será a contraparte central da plataforma.

Ao explicar como funcionará o balcão de energia livre que desenvolve com a AES Brasil, Igor Ferreira, CEO da Fohat, disse, com exclusividade ao Blocknews que os registros dos smart contracts das negociações, que são bilaterais, ficam na rede EWF.

Porém, os detalhes das negociações ficam na Corda Entreprise. Dessa forma, atende-se à demanda de privacidade exigida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A comissão regula balcões organizados e é preciso garantir que a Fohat, por exemplo, não tenha acesso a dados privilegiados dos contratos.

Balcão organizado de energia

O projeto do balcão tem quatro módulos. Um deles, já contratado, é o de gestão de back office da comercializadora. O segundo é o módulo da AES que é o de balcão. O terceiro é o da contraparte central, que é esse acordo de licenciamento fechado com a R3. Tudo isso vai ser feito com blockchain. sendo que 3 estão contratos.

“O quarto é o da contraparte financeira, com os bancos. Já temos negociação com um deles”, disse Ferreira. Tudo os quatro serão feito usando blockchain.

O projeto do balcão, diz Ferreira, é global. Envolve um consórcio de geradoras hidrelétricas e térmicas, que pelo peso que têm na matriz de eletricidade, de 82%, podem dar liquidez às negociações.

Produção em 2021

O balcão já opera em alfa teste e deverá entrar em produção no primeiro trimestre de 2021 a pedido de um dos operadores, disse o CEO da Fohat, que não revela o nome. “Para entregarmos a primeira versão, estamos acelerando uma série de desenvolvimentos.”

A infraestrutura do balcão foi feita na blockchain da EWF, mas agora está sendo migrada. “Os bancos não usam EWF e seriam necessários vários mecanismos para rodar nela. Esperamos uma melhora (de processamento) significativa com a mudança”, disse Ferreira, que não revelou dados como transações por segundo (tps). “Estamos entendendo o potencial das duas plataformas”, afirmou.

*A Fohat informou que o balcão de comercialização de energia começará a funcionar no primeiro trimestre, mas a eFinchain, ao longo do próximo ano. E a então AES Tietê se chama, desde novembro passado, AES Brasil.

Mais sobre o balcão, a R3 e a Fohat em:

Busca-se um banco para balcão de energia livre em blockchain

AES Tietê quer ser plataforma de produtos e serviços de energia

Startup brasileira Fohat inicia projeto em energia no Chile

B3 e IRB Brasil Resseguros lançarão plataforma blockchain em 2021

Notarchain, rede blockchain dos cartórios, tem 22 mil registros de atos como divórcios e autenticações

A plataforma de blockchain lançada pelos cartórios de notas, a Notarchain, atingiu cerca de 22 mil atos registrados, como transferências de imóveis, divórcios, testamentos e, desde 16 de novembro passado, documentos autenticados. Tudo o que é assinado digitalmente no e-Notariado ganha também uma hash na Notarchain.

A plataforma blockchain é um módulo do e-Notariado, sistema exclusivo dos cartórios para serviços eletrônicos. Seu desenvolvimento começou há dois anos, mas só pode entrar em operação formal em todo o país com o provimento 100 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em maio passado.

“A nossa solução foi criada institucionalmente porque o cartório depende de leis e normas para tudo. É um segmento muito regulamentado e fiscalizado. Por isso, queríamos uma solução uniforme para todo o país e fiscalizado pelo CNJ”, disse ao Blocknews Giselle Oliveira de Barros, presidente do Colégio Notarial do Brasil.

A startup Growth Tech chegou a prestar serviços em blockchain para cartórios, mas com o provimento do CNJ, teve de pivotar seu negócio.

São Paulo já operava

De acordo com Giselle, as autenticações digitais já aconteciam no estado de São Paulo antes de serem nacionais, porque havia normativa para isso. Mas com a normativa do CNJ, passou a valer para todo o país.

A autenticação eletrônica do documento, segundo ela, valerá por 5 anos, embora o material possa ser verificado por prazo indeterminado por conta do blockchain.

“Isso traz uma blindagem enorme do documento e permite que em 100, 200 anos possa ser recuperada de forma segura sua integridade com a função hash”, disse ao Blocknews Renato Martini, assessor de TI do CNB no desenvolvimento do e-Notoriado. O executivo foi diretor-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) por 14 anos, de 2003 a 2017.

No Notarchain ficam registradas as hashes, assinaturas e datas dos documentos. O conteúdo não precisa estar registrado nessa plataforma, porque já está no espaço virtual de cada cartório, completou Martini.

Cada cartório é um nó identificável

Na rede blockchain, cada cartório de notas é um nó. Hoje são cerca de uma dúzia dos 8,6 mil. Além disso, cerca de 1,900 usam o e-Notariado.

Usar o e-Notariado é obrigatório para quem quer prestar serviços eletrônicos, algo que, espera-se, cresça ao longo dos anos, até por pressão dos usuários. Como nem todas as cidades têm essa demanda e muitas vezes nem internet para tal, o processo deve durar alguns anos.

O novo recurso permite tornar um documento digital em físico e autenticado, a materialização, e vice-versa, a desmaterialização de autenticações. Também acelera o envio de documentos certificados.

Para autenticar um serviço na plataforma digital, é preciso contatar um cartório de notas. O usuário deve pedir a autenticação digital e enviar o documento, se for digital, por email, whatsapp ou outro formato eletrônico. Se for físico, terá de levar o impresso ao cartório para digitalização e autenticação. O cliente recebe um documento pdf assinado digitalmente. Os cartórios não autenticam eletronicamente documentos em pdf.

Digitalização dos cartórios

Com uma percepção pelo público de que os cartórios estão atrasados na adoção de ferramentas digitais, Giselle afirma que o segmento têm se digitalizado. Segundo a presidente do CNB, os bancos de dados são digitais, a integração com registro de imóveis também é eletrônica e outros tipos de cartórios, como os de protestos, são totalmente digitais.

“Não temos medo de uma nova forma de praticar o ato (cartorial) e de passarmos para o digital. Faz parte. Mas isso deve ser feito com a mesma segurança jurídica que se espera no mundo físico”, completou.

Startup cria aplicativo para prontuário médico e agenda de visitas com blockchain

A startup Action Voice, focada no segmento médico, criou uma plataforma de registros de dados clínicos e de conexão entre médicos, pacientes e familiares, que utiliza blockchain para segurança das informações.

A WoHZ, como é chamada, está em prova de conceito (PoC). A solução é ativada por voz para criar um prontuário eletrônico e a ideia é de que seja a interface entre os pacientes e quem os atende numa instituição médica, e até mesmo seus familiares.

Isso permite, por exemplo, o acesso a boletins médicos e à organização de horários de conversas de familiares em áudio ou vídeo com os pacientes, de acordo com a situação clínica deles.

Plataforma Hyperledger

A empresa está usando a Hypeledger e afirma ter investido R$ 2,5 milhões no projeto em recursos próprios. Para o CEO da startup, Celso Gama, “a pandemia de Covid-19 agravou uma situação de conflito nas visitas e nos pedidos de informações, forçando os hospitais a adotarem soluções que implicam na gestão e no controle destas questões com mais rigor”.

O aplicativo foi testado em clínicas particulares e agora a empresa espera testá-lo em instituições de maior porte. A princípio, os testes serão em São Paulo e Pernambuco. O valor do uso do aplicativo varia conforme o número de profissionais do sistema, que é de cerca de R$ 30 por profissional, além do valor de setup do servidor da plataforma.

iCoLab busca professores e estudantes interessados em pesquisar sobre blockchain

O Instituto Colaborativo de Blockchain (iCoLab) está buscando professores e estudantes para fazerem parte de seu time de pesquisadores. Podem se candidatar profissionais e estudantes de diferentes áreas, como administração, direito, TI e saúde.

Sandra Heck, co-fundadora e presidente do iCoLab, disse ao Blocknews que o processo começou recentemente e há 3 pesquisadores com vínculo firmado, além de outros interessados.

Os profissionais e estudantes desenvolverão estudos acompanhados por pesquisadores e profissionais do mercado que já atuam com blockchain.

O iCoLab está baseado no Rio Grande do Sul e foi criado em 2019, a partir da iniciativa Blockchain CoLab, que por sua vez aconteceu depois da Grupo de Blockchain Research Group, criado pelo professor Jorge Verschoore Universidade do Vale do Rio dos Sinos.

Verschoore se interessou por blockchain após passar um ano fazendo pós-doutorado na Universidade da Califórnia, Berkeley, onde teve contato com o mundo do Vale do Silício.

Para se inscrever no programa de pesquisa do iCoLab é preciso enviar email para [email protected]. A partir daí, os candidatos receberão um formulário para preenchimento.

Fase 0 da Ethereum 2.0 é confirmada para 1 de dezembro; promessa é ser mais barata e rápida

O lançamento da Ethereum 2.0 (Eth2), que promete ser mais rápida, barata e sustentável do que a Ethereum 1.0, será mesmo no próximo dia 1 de dezembro. A rede, que permite a realização de contratos inteligentes, é muito usada por empresas para uma diversos tipos de processos, uma das características que a diferenciam da rede Bitcoin.

A confirmação aconteceu nesta terça-feira (24), depois de uma corrida nas última 24 horas para a realização de depósitos de validadores no contrato de participação, necessários para que o cronograma inicial fosse cumprido. Eram necessários 524.288 Ether e isso aconteceu com a contribuição de de 16.384 validadores.

Em menos de 24 horas, faltavam cerca e 40% dos depósitos. A Celsius, plataforma de criptomoedas, foi uma das que fez o depósito na última hora. Foram 25 mil ETH.

Buterin e o trilema

Vitalik Buterin, criador da Ethereum, sempre diz que o desafio é ter uma rede descentralizada que seja escalável e segura, tudo ao mesmo tempo – o trilema da escalabilidade. Ter as duas últimas sem mexer na descentralização é uma grande questão. Os valores de transação na Ethereum tem subido conforme o uso da rede cresce e a capacidade de processar os dados se mostra insuficiente. E isso tem gerado reclamações dos usuários.

As mudanças serão incorporadas de forma gradual. Segundo a organização Ethereum, elas estão sendo estudadas desde 2014 e levaram o nome inicial de “Serenity”.

Na primeira fase, a Beacon chain, uma rede separada, que roda paralelamente à atual, entrará em operação. Com ela, será introduzida a proof-of-stake (PoS) no ecossistema.

A Ethereum usa a proof-of-work (PoW). A Beacon vai coordenar a rede e isso não muda a forma como se usa a Ethereum hoje para os usuários. Muda para os validadores, muda. Eles precisam apostar pelo menos 32 ETH no contrato de depósito e no começo, devem ganhar uma recompensa de cerca de 20% sobre as ETHs investidas. Com a PoS, espera-se também economia de energia, um problema da rede.

Próximas fases

A etapa seguinte é prevista para 2021, com as Shard chains, que deverão aumentar a velocidade das transações para até 100 mil por segundo, o que, se confirmado, é um número enorme até para redes centralizadas. Essa mudança cria a possibilidade de realização de transações em blocos paralelos à da Ethereum, sem sobrecarregar a rede.

Em 2022, a atual mainnet deve se fundir com a Eth2 beacon e shard chains, o que acabará com o PoW da rede.

Brasil tem 181 startups com serviços em blockchain; maioria foca em finanças e B2B

O Brasil tem 181 startups focadas em serviços baseados em blockchain, que desde 2013 receberam apenas US$ 6,6 milhões (cerca de R$ 37,7 milhões) em investimentos. As informações fazem parte do Distrito Blockchain e Criptomoedas Report, divulgado hoje (24).

O relatório mostra ainda que 90 das 181 startups estão concentradas em serviços financeiros, em especial naqueles ligados a criptomoedas, o que difere do mercado internacional, onde finanças inclui mais segmentos de uso da tecnologia. Outras 42 startups se concentram em Blockchain-as-a-Service (BaaS). A categoria de menor representatividade é a de soluções para marketing e mídias.

E muito poucas, apenas 1,1% das starturps, estão ao mesmo tempo na categoria B2B e B2G. Enquanto as de B2B são a maioria, sendo 38% do total, o percentual das duas categorias combinadas mostra que muito poucas estão focadas em soluções para governos.

O estudo confirma uma percepção que se tem quando se transita pelo mundo blockchain: a de que estão concentradas na região Sudeste, que é a casa de 67,4% delas. Só no estado de São Paulo estão 47%. Em seguida vem o Sul, com 19,9%, em especial Santa Catarina e Paraná.

Maioria das startups está focada em finanças. Foto: Distrito Blockchain Report.

Quando o assunto são os investimentos e US$ 6,6 milhões, foram 34 rodadas, a maioria nas fases seed ou pré-seed. Os fundos de venture capital Bossanova e Gear Venture e as aceleradoras WOW e Darwin foram os que mais aplicaram esses recursos. O ano de 2016 foi destaque com a captação de US$ 1,94 milhão pela Intelipost, de logística, numa rodada série A. Bart Digital (US$ 700 mil) e Fohat (US$ 500 mil) também foram destaques no período.

Os números caíram nos anos seguintes e em 2020 se recuperaram em volume e negócios, com US$ 1,6 milhão, quase três vezes o do ano passado, de US$ 639 mil. Neste ano, quem se destacou na captação foram a bolsa de commodities Gavea (US$ 413 mil) e Growth Tech (US$ 350 mil), com captação em rodada pré-seed.

Na era dos ataques cibernéticos, startups focadas em segurança digital levaram 43% do total investido no setor e apresentam uma estimativa de valor maior do que as de serviços financeiros, que embora sejam a maioria, ficaram com 33% dos recursos.

Quando o assunto é mercado de trabalho, as startups demonstram um cenário ainda mais dominado por homens do que em outros segmentos do tecnologia. Apenas 12,2% dos sócios das empresas do relatório são mulheres, com as de segurança digital com o melhor percentual, de 17,8%. Em marketing e mídia não consta nenhuma sócia mulher.

Número de sócias mulheres é baixíssimo nessas startups. Fonte: Distrito Blockchain Report.

A perfil médio dos sócios das startups são homens de 38 anos, de São Paulo e que tem mais um sócio. É uma idade média inferior ao de outros segmentos de startups, como as insurtechs (45 anos) e healthtechs (40 anos).

No total, as 181 startups contabilizam 2,5 mil funcionários, sendo que a maioria desses negócios, 46,2%, tem até 5 funcionários e 39,3% tem de 6 a 20 profissionais.

O Blocknews participou do relatório com um artigo sobre a necessidade de informações confiáveis sobre o ecossistema blockchain no Brasil.

Chainalysis, empresa de análise de dados de crimes com criptomoedas, se torna unicórnio

A Chainalysis, empresa de análise de dados, software e pesquisas relacionadas a blockchain, se tornou um unicórnio. Nesta segunda-feira (23), a empresa anunciou que receberá U$100 milhões (cerca de R$ 570 milhões) em investimentos série C do venture capital Addition, o que eleva seu valor para mais de US$ 1 bilhão (mais de R% 5,7 bilhões). Os investidores Accel, Benchmark e Ribbit também aumentaram seus investimento depois de já terem participado de outras rodadas.

A empresa atende o setor privado, inclusive no Brasil, e órgãos de governo, como o Federal Bureau of Investigation (FBI) e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (EUA), em transações e mercados relacionados a criptomoedas.

Agora, a Chainalysis diz que usará o novo aporte para sua expansão internacional. “Estabelecemos uma rede de agências de governos em mais de 30 países e em mais de 250 dos negócios mais importantes do mundo”, disse o co-fundador e CEO da empresa, Michael Gronager. 

Faturamento dobrou

Desde julho, quando estendeu sua série B para US$ 49 milhões, a empresa diz que teve um aumento de 65% de clientes, dobrou seu faturamento anual no terceiro trimestre de 2020 e aumentou em 30% seu time, com a contratação de quase 50 pessoas.

Também abriu escritórios em Cingapura e Tóquio e deu suporte em casos como o ataque cibernético ao Twitter e desmantelamento de duas campanhas de financiamento ao terrorismo nos EUA.

Chainalysis é uma plataforma de regulação financeira para o futuro dos ativos digitais”, disse em comunicado o fundador da Addition, Lee Fixel.

Mais sobre a Chainalysis em:

Brasil recebeu do exterior US$ 9 bi em criptos em 12 meses, maior volume da América Latina

Mineradora de estanho implanta blockchain para atender nova lei da União Europeia

A Minespider, que fornece blockchain para rastreamento de minerais, e a LuNa, produtora de estanho de Ruanda, vão implementar uma solução, neste mês, para atender as exigências que os importadores da União Europeia (UE) devem seguir por conta da nova Regulação de Conflito Mineral do bloco, que entra em vigor em janeiro de 2021.

O Google vai dar suporte para o setor, para garantir que a OreSource cumpra as normas europeias. A empresa e a Minespider implantaram um projeto de rastreamento também de estanho, da mina ao consumidor final, para empresas como a Volkswagen e a mineradora peruana Minsur.

A plataforma usada no projeto piloto é a OreSource e nela as empresas de fundição registram os dados da produção na blockchain e um código QR é adicionado ao embarque ou à fatura, para que as informações sejam checadas pelos importadores europeus.

A nova regulação europeia tenta evitar a importação de produtos que geram conflitos em países instáveis e estanho é um deles. A ideia é que importadores europeus – estimados entre 600 e 1 mil diretos – sigam normas já estabelecidas sobre o assunto pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Outros produtos que estão na lista de minerais que geram conflito são o ouro, o tungstênio e o tântalo.

“O setor ainda tem dúvidas sobre como seguir a regulação europeia. A OreSource é uma ferramenta que vai nos dar informações necessárias e ajudar os importadores a terem acesso aos dados”, disse Olena Wiaderna, diretora de sustentabilidade e de diligência da cadeia de suprimentos na LuNa Smelter.  Além disso, por agora providenciarem esses dados, o setor espera poder cobrar mais pelo seu produto.