Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

81 das 100 maiores empresas em bolsa têm projetos em blockchain

Blockchain entrou na vida das 100 maiores empresas com ações em bolsa, sendo que 81 delas têm projetos ativos. Tirando as que estão na fase de pesquisa, são 65 desenvolvendo soluções e 27 com projetos já em operação. E o que mais usam é Hyperledger Fabric, segundo pesquisa da BlockData.

Os principais usos da tecnologia são em serviços de infraestrutura de blockchain (plataformas BAAS) e rastreamento de origem em cadeias de suprimentos, de acordo com o levantamento. Um outro uso que se destaca é o de compensação e liquidação de ativos financeiros.

A Blockdata afirma que como muitas informações são confidenciais, não é possível saber se quem estava em fase de testes continuou esse processo. Porém, há a informação de que das 100 empresas, 19 desativaram iniciativas, sobrando, então, 81. Os dados são deste mês de setembro.

O estudo aponta ainda que as empresas usam 30 soluções diferentes. Mas, 11 utilizam mais de uma solução de blockchain, que se distribuem em diferentes projetos. “Outras estão simplesmente fazendo testes para ver qual delas é melhor”. Das que testam diversas possibilidades, SAP (5), Microsoft (4) e Accenture (4) lideram a lista.

11 empresas, como SAP e Microsoft, usam mais de uma blockchain

Blockchain-adoption-stage

A plataforma permissionada Hyperledger Fabric está em 26% dos casos de uso. A solução tem foco em uso corporativo, assim, permite transações privadas e informações confidenciais. Além de ser adaptável para qualquer setor. Uma vez que o estudo aborda as maiores empresas em bolsa, inclui aquelas fora do segmento de criptoativos, o que também ajuda a explicar essa predominância.

Em seguida vem a Ethereum, com 18% dos casos de uso entre as empresas listadas em bolsa que usam blockchain. É uma plataforma descentralizada e construída para permitir o uso de contratos inteligentes. Embora esteja em segundo lugar, é uma participação bastante significativa.

Na sequência vem a Quorum, que o banco JP Morgan Chase criou em 2017 para uso no mercado financeiro. Depois, a Consensys, a comprou. Sua participação é de 11%. A plataforma permite às empresas desenvolver uma solução permissionada sobre a Ethereum, que é descentralizada. Nela é possível, portanto, fazer operações e contratos com privacidade. No entanto, a Consensys quer expandir sua abrangência para outros setores.

Hyperledger, Ethereum, Quorum e Corda lideram preferências

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Tecnologias que cada empresa testa; algumas usam várias soluções.

E com 8% de participação está a Corda. Construída pela R3, que inicialmente era um consórcio de instituições financeiras, também é permissionada e privada. A empresa aponta como uma característica importante da solução o fato de permitir transações de alto valor de forma privada e com segurança. Dessa forma, tem bastante uso em transações em finanças.

A Mediledger, projeto da Chronicled, está em 3% dos projetos. Seu uso tem foco em rastreabilidade na cadeia de suprimentos. E se destaca no setor farmacêutico, que tenta reduzir custos ao controlar, por exemplo, desvios e falsificações.

Logotipo do Blocknews é registrado em blockchain

Agora, a logomarca do Blocknews é mais uma que tem registro em blockchain. O registro aconteceu nesta segunda-feira (20) por meio da Inspire IP, plataforma com foco em direitos autorais na rede Ethereum. Dessa forma, será possível verificar com segurança que a logomarca pertence ao Blocknews caso, no futuro, alguém tente se apropriar indevidamente da mesma.

Já há diversos casos em que a Justiça reconheceu que registro em blockchain é válido como prova em processo. Assim, cria-se direito de propriedade de ativos como logomarcas, patentes, licenças e direitos autorais. “É uma precaução”, afirma Caroline Nunes, fundadora e CEO da Inspire IP.

Com isso, é possível possível verificar informações como data do registro, autenticidade, origem e propriedade. A transação da logomarca do Blocknews pode ser verificada pelo link https://etherscan.io/tx/0xb76df5340e825369358d56509eb85fabfc74ff7f33a418fd9ee878d5b513efd2 . Esse tipo de registro permite verificar informações como data, autenticidade e origem.

Registro em blockchain já tem reconhecimento da Justiça

A criação da logomarca para o Blocknews é da designer Márcia Aguiar.

O processo na plataforma da Inspire IP durou cerca de 5 minutos e o custo foi de R$ 50,00. O próprio Blocknews fez o registro.

Optamos pelo registro em blockchain porque se houver alguma mudança da logomarca no futuro, mesmo que isso não esteja previsto, será mais fácil realizar um novo registro, em comparação com o trâmite no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). Nesse instituto, já está em curso o registro da marca Blocknews.

De acordo com Caroline, muitas empresas fazem registros de ativos como patentes, marcas e direitos autorais em blockchain mesmo que já tenham começado o processo em órgãos oficiais. Isso porque esses processos podem durar meses – no caso de patentes, até anos. Dessa forma, empresas e autores asseguram o reconhecimento da propriedade por meio de uma informação confiável, segura e imutável.

Cibercrimes crescem com digitalização e acendem sinal de alerta nas fintechs

Os crimes financeiros estão incomodando de “bancões” a fintechs. A Febraban e o Ministério da Justiça iniciaram neste mês as tratativas para criar uma Estratégia Nacional de Combate ao Crime Cibernético, que pretende envolver uma força tarefa formada por Estado, Ministério da Justiça, Polícia Federal, Banco Central e outros órgãos. As fintechs também começam a olhar com muita atenção para a questão.

Especialistas na área de cibersegurança ouvidos pelo portal Fintechs Brasil, parceiro do Blocknews, atestam que cresceu nos últimos anos o número de consultas sobre o assunto por parte dos bancos que operam 100% online. De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2021 (ano-base 2020), os bancos investiram R$ 2,5 bilhões em segurança da informação no ano passado, valor que representa 10% dos gastos com tecnologia no período; totalizando R$ 25,7 bilhões, 8% superior ao registrado em 2019.

Outro levantamento feito em junho deste ano pelo F5 Labs, Principais Incidentes de Segurança 2018 – 2020, ressalta que o setor financeiro continua sendo o principal alvo das gangues digitais. O estudo mapeou os ataques contra bancos, seguradoras, fintechs, processadoras de pagamentos, corretoras de valores e fundos de investimentos de todo o mundo, apontando os riscos escondidos nos ecossistemas de Open Banking.

No caso das fintechs, empresas que já nasceram digitalizadas e na nuvem, os ataques tomam outra feição.”Enquanto a estrutura digital da processadora de pagamentos é tipicamente privada e com um número de endereços IP mais limitado, as fintechs são mais aderentes à nuvem e contam com uma miríade de endereços IP para serem atacados”, diz Ewerton Vieira, diretor de soluções de engenharia da F5 Latin America. Segundo Vieira, 38% são tentativas de roubos de credenciais, 25% são ataques volumétricos DOS, 13% são ataques contra aplicações Web e, finalmente, 25% são outros tipos de violações.

“O hacker, no final do dia, precisa buscar oportunidades. Não vai perder tempo com quem investe muito em tecnologia e segurança, mas nos que estão mais frágeis e vulneráveis”, diz Gustavo de Camargo, diretor comercial responsável pela expansão da VU no Brasil, empresa de cibersegurança global focada na proteção da identidade e na fraude, com forte presença no sistema financeiro e no varejo. Segundo ele, as fintechs são alvo de ataques, roubo, lavagem de dinheiro, e precisam agir antes de serem atacadas. A sua empresa oferece solução de onbording digital e consultoria na área.

Segundo Pedro Ivo, CEO da PhishX, plataforma SaaS B2B que atua na gamificação e conscientização em cibersegurança, a pergunta que o gestor de uma fintechs tem que se fazer hoje não é se existe o risco de ser atacada, mas quando. Isso porque, o aumento do cerco contra o cibercrime se dá na mesma medida em que cresce a incidência desses ataques. Em 2020, conforme a Febraban, o setor financeiro evitou prejuízos na ordem de R$ 4 bilhões; neste ano, até agora, esse volume já dobrou.

Cibersegurança envolve algo muito mais amplo do que a questão tecnológica, que é importantíssima, mas é mais uma das disciplinas dentro do espectro maior de governança, compliance, segurança e risco da informação. Envolve processos de negócios, ambientes físicos, institucional, continuidade de negócio, tratamento de incidentes, principalmente no caso de empresas do sistema financeiro, em especial as fintechs, que fazem 100% das suas transações e atendimentos por meio digital”, disse Ivo, no programa no Youtube Papo de Fintech, de João Bezerra Leite, investidor anjo e líder do Pool de fintechs na Bossa Nova Investimentos.

Se antes a questão da governança era um desafio para grandes empresas, agora chega ao universo das fintechs, especialmente as que não tem cacife para bancar sofisticadas soluções de segurança. “Pensar em segurança não custa, é um ato mental, não é um ato de investimento”, diz Ivo. Segundo ele, quando se cria uma fintech, pensa-se no cliente, no atendimento, na performance, na tecnologia, na fricção, na experiência do usuário, nos canais de distribuição, mas muitas vezes não se coloca a questão da segurança como prioridade. “A segurança deve ser pensada na concepção da empresa”, afirma Ivo.

Dica “caseira”

Há mais de 20 anos no mercado de segurança cibernética, Ivo diz que os clientes compram segurança em duas ocasiões: no amor, com o compliance e a necessidade de fazer algo que precisa ser atendido por alguma força de regulação, ou na dor, onde acontecem os ataques. “Temos que mudar esse cenário, sair do 8 ou 80, só vou quando sou obrigado ou atacado, quando o estrago já está feito, com a exposição na mídia, muitas vezes irreparável”, acrescenta.

Ele dá uma dica “caseira” para evitar os ataques dos criminosos. Segundo ele, sem gastar muito dinheiro, é possível fazer um processo de checagem dentro da empresa, realizando, por exemplo, a testagem do processo por uma pessoa que não a que desenvolveu o software. Ele compara a função como a de um editor de texto, que não é quem escreve. “Esse checador vai testar todo o caminho percorrido pelo cliente para ver se tem alguma vulnerabilidade. Ele pode ser um software gratuito encontrado na internet, capaz de fazer uma varredura e identificar vulnerabilidade, são os escaneadores de vulnerabilidade.”

Antes do fim do primeiro semestre de 2021, o serviço de autenticação por biometria facial da Unico, idtech de reconhecimento digital de identidade, já teria evitado R$ 16 bilhões em prejuízos. Boa parte desse montante, fica na conta de fintechs: dos R$ 5 bilhões bloqueados em maio deste deste ano, R$ 4 bi estavam relacionados a essas empresas. “Através das fintechs, as pessoas conseguem abrir uma conta bancária em menos de dois minutos. Porém, os criminosos também estão de olho nesse novo movimento, por isso o grande volume de tentativas de fraudes”, diz Marcelo Zanelatto, diretor de produtos da Unico, startup de autenticação por biometria facial.

LGPD acende o alerta

A questão da LGPD também é uma preocupação ligada à segurança e credibilidade do player. Foi um dos temas da terceira edição virtual do Congresso de Inovação em Serviços Financeiros (CISF), realizada nesta semana pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC).

Na ocasião, Marcelo Guedes, coordenador-geral de Tecnologia e Pesquisa da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), disse que a LGPD coloca alguns deveres relacionados ao titular dos dados e que podem culminar com a notificação à ANPD.

“Em primeiro lugar, o time de respostas de incidentes deve atuar e, depois, fazer uma avaliação desse incidente para ter informações como a natureza, a categoria, a quantidade de titulares afetados, ou seja, ter algum elemento que permita classificar o risco segundo a visão da própria organização que sofreu o ataque”, declarou Guedes. Segundo ele, em casos de vazamentos de dados, a primeira ação é tratar o evento, estancar a ação criminosa e restabelecer o sistema. Depois, ele tem algumas obrigações.”

Já Thiago Diogo, diretor de tecnologia da Unico, enfatizou no mesmo evento a questão sobre a importância de proteger a identidade digital. “Sempre recomendo que é importante conhecer o fluxo, saber onde as credenciais são usadas, onde a sua identidade digital e a do seu cliente, tanto interno e externo, estão sendo usadas, compreender os fluxos de autenticação, de senha e do dado cadastral, ter tudo mapeado, o que nos leva para o segundo passo que é a modelagem de ameaça, para entender o quão exposto o seu fluxo está”, diz Diogo.

Home Office, ponto frágil

Outro painelista do evento da ACCB foi Renato Dolci, CEO da Decode, empresa que desenvolve soluções de data analytics com foco em inteligência de negócios e maximização de receita, comentou durante o debate sobre o fato de a pandemia ter acelerado a informalidade dentro de algumas plataformas. “Por isso é importante investir em tecnologias para guardarem as nossas informações dentro dos ambientes, mas, na maioria das vezes, o que eu noto é que na troca da informação é onde a gente acaba tendo pouco cuidado”, diz Dolci.

Segundo Gustavo Duani, diretor de cibersegurança da Claranet, multinacional do Reino Unido especializada em cibersegurança, com foco em varejo e sistema financeiro, segurança da informação se faz pensando em processo, tecnologia e pessoas. Na questão do processo, explica, é preciso ter domínio para saber aplicá-los; a tecnologia vai servir para aplicar os controles migratórios em cima do processo e as pessoas serão os executores.

“As pessoas são o elo mais fraco, porque independente da empresa e do investimento que ela faça em segurança, se a ela não tiver funcionários alinhadas ao negócio e aos riscos de segurança pode-se tornar vulnerável e com grande impacto no negócio, como foi o caso da Renner, mesmo com todo o investimento em segurança da varejista”, diz Duani.

Gustavo Duani, diretor de cibersegurança da britânica Claranet.


A máquina que o usuário usa em casa, por exemplo, que era utilizada exclusivamente no trabalho, passou a ser usada para fins pessoais e com isso, os controles não estão aplicados, as atualizações não foram feitas. “O banco atacado perde credibilidade, por isso, vejo a segurança como uma questão de sobrevivência da empresa”, acrescenta Duani.

Para o executivo da Claranet no Brasil, com o advento do home office as empresas abriram mais um ponto de fragilidade na questão da segurança. Com isso, a Claranet notou um crescimento das consultas por parte das fintechs para saberem o seu grau de aderência à proteção e às obrigações que chegam com a entrada da Lei de Segurança de Dados (LGPD), que vai penalizar empresas responsáveis pelo vazamento de dados de seus clientes.
Open Banking e PIX aumenta vulnerabilidade

“O PIX é uma solução que entra dentro do aplicativo do banco mais ligado a fraude, que expõe o consumidor final. O open banking utiliza APIs, que são códigos que fazem integrações com sistemas para que se execute alguma ação no sistema financeiro. Essas API’s precisam passar por uma revisão de código de segurança para eliminar vulnerabilidades, para evitar o roubo de dados, fraude sistêmica”, diz.

O open banking abre várias possibilidades para ataques de cibersegurança como de fraudes. A Claranet é mais uma empresa que oferece soluções para prevenir esses crimes com soluções que vão desde a varredura dos dados até alertas proativos de ataques que estão ocorrendo.

Frigol já rastreia todo gado que chega dos fornecedores diretos e inicia processo com os de indiretos

O Frigol, um dos maiores frigoríficos do país, concluiu a primeira etapa de seu programa de controle de origem do gado com blockchain. Assim, todo o gado que vem dos fornecedores diretos, ou seja, de quem entrega os animais à empresa para abate, têm seus dados rastreados e registrados com a tecnologia. O projeto começou nas plantas da empresa em 2019 e vai se expandir para fornecedores indiretos.

A rastreabilidade com blockchain dos fornecedores indiretos, portanto, dos que fornecem gado para os diretos, “já está em fase de implantação. A conclusão está prevista para os próximos anos”, disse a empresa ao Blocknews.

O frigorífico abateu 492 mil cabeças de gado em 2020. O gado vem praticamente todo de terceiros, informou ao Blocknews Carlos Eduardo Simões Correa, diretor administrativo e CFO do Frigol. A empresa tem uma planta em Lençóis Paulistas (SP) e em São Félix do Xingu e Água Azul do Norte, ambas no Pará.

“Há uma pequena participação de gado próprio ou de parcerias nas propriedades administradas pela Frigol”, completou. A empresa não informou as proporções de gados próprios e dos que se originam nos fornecedores diretos e indiretos.

Frigol registra dados em blockchain e insere em QR Code de embalagem

Consumidores pressionam empresas por origem de animais. Foto: Helena Lopes, Unsplash.

Os dados que vão para uma rede Hyperledger são, por exemplo, os da Guia de Transporte Animal (GTA) e da nota fiscal. Os dois documentos passam pela avaliação do Serviço de Inspeção Federal (S.I.F).

Depois, na desossa gera-se o QR Code com essas informações para o rastreamento. Nesse QR Code estão ainda informações de lote, unidade de produção, localização e da propriedade que originou o produto. Além de informações socioambientais para mostrar que o produto não foi produzido em área de desmatamento ou de sobreposição com terras indígenas. E que não houve outros problemas como, por exemplo, trabalho escravo e embargos do Ibama.

Correa afirmou, ainda, que todas as propriedades habilitadas para venderem à Frigol são monitoradas pelo software SMgeo. Assim, há monitoramento socioambiental e análise de cartografias. Esses dados são compartilhados com a Ecotrace para registro em blockchain.

De acordo com o diretor, blockchain resolve um problema de segurança da informação, “pois os registros são a prova de violação. Por isso, oferecem transparência e confiabilidade em todo o processo”.

Ecotrace fornece solução para Frigol e usa solução da GoLedger

Flavio Redi, CEO da Ecotrace, usa Hyperledger para Frigol e empresas como Renner e JBS.

Os frigoríficos brasileiros passaram a adotar o rastreamento com a pressão de consumidores, importadores e do Ministério Público Federal (MPF). Em 2009, houve um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do órgão com as empresas para contenção do desmatamento da Amazônia, que identificou irregularidades mesmo depois do TAC. Por isso, os frigoríficos trabalham também no registro de dados em blockchain de fornecedores indiretos.

O Frigol foi o primeiro frigorífico a implantar blockchain. Segundo Correa, esse ineditismo foi um obstáculo a ser superado. “Todo o desenvolvimento do software e adequações técnicas foram bastante desafiadores.” No entanto, “houve uma ótima aderência da Ecotrace com a equipe interna de implantação da empresa”.

Na Hyperledger que a Ecotrace usa, a plataforma de orquestração é o GoFabric, da GoLedger. E a biblioteca de desenvolvimento de contratos inteligentes é o GoLedger CC-Tools. “Foi uma decisão assertiva usar Hyperledger. Estão entrando 100 gigas de dados ao dia na plataforma de todos os nossos clientes”. Isso inclui, além da Frigol, empresas como JBS, Minerva e Renner. Portanto, 40 plantas e 12 centros de distribuição.

EY e Polygon vão criar soluções em Ethereum para uso corporativo

A EY, uma das consultorias globais mais engajadas em blockchain, está usando o protocolo e o framework da Polygon para suas soluções na rede Ethereum. E vão desenvolver novas soluções corporativas que ambas prometem que reduzirão os custos e tempos das transações na comparação com os da rede criada por Vitalik Buterin.

Polygon é um protocolo e um framework com foco em desenvolver redes compatíveis com a Ethereum, que há algum tempo padece de problemas gerados por seu alto uso, por exemplo, tempo de transação. Dessa forma, cria um ecossistema multi-chain em torno da rede.

A EY vai oferecer seus produtos, como o EY OpsChain e EY Blockchain Analyzer, na Polygon. Parte dessa colaboração com a EY é o trabalho conjunto na Polygon Nightfall que a EY lançou em 2019 para transações privadas na Ethereum.

As soluções que vão desenvolver para uso por corporações, com base na Polygon, permitirão prever custos e tempos de liquidação, dizem. Será possível passar as transações para a mainnet da Ethereum com mais rapidez e menor custo, completam as empresas em comunicado.

De acordo com EY e Polygon, o objetivo é criar “cadeias permissionadas, de indústrias, alavancando modelos para lidar com a verificação de transações. Assim, isso aumentará a eficiência e reduzirá custos de transação conhecidos como rollups otimistas”. Os projetos vão focar em tecnologia de provas de conhecimento zero (ZPK, na sigla em inglês). Portanto, na prova de que uma parte sabe que algo é verdade, sem revelar um dado.

Para usar a Polygon, os clientes da EY precisam fazer uma mudança de configuração no site da empresa. Nele estão, também, os testes de rede e desenvolvimento da Polygon.

Nissan lançará edição especial de carro e comprador terá NFT de esboço do design

A Nissan anunciou hoje (14) que vai lançar uma edição limitada do Nissan Kicks, o Kicks XPlay, que além de características diferentes no veículo, terá também um token não-fungível (NFT). Isso porque quem comprar o carro ganha um token desenvolvido com base nos esboços do design dessa edição. Os desenhos são do artista digital brasileiro Fesq.

Assim, o que a Nissan está fazendo é conectar uma edição limitada, que no Brasil terá apenas 1 mil unidades, com tokens que têm como característica a exclusividade. Por serem não-fungíveis, significam que são únicos.

A estratégia da Nissan é, portanto, mais uma amostra de que NFTs estão entrando nas estratégias de marketing das empresas. Esses casos variam e podem ser, por exemplo, a venda de desenhos da marca, como fez a Havaianas, que fez ainda uma ligação com um projeto social.

No Brasil, a Nissan venderá mil unidades do Kicks XPlay. A produção do veículo é em Resende. Além de mil unidades para o mercado brasileiro, sairão da fábrica da marca em Resende (RJ) 350 unidades para Argentina e Paraguai. O preço sugerido no mercado é de R$ 122.990. 

MoedaPay vai armazenar NFT de impacto social e ambiental

Já a MoedaPay, carteira digital da Moeda Semente, vai armazenar NFTs que gerem benefícios ambientais ou sociais. Isso porque no último dia 5, Dia da Amazônia, entrou no ar a NFT Gallery, que permite aos usuários a hospedagem NFTs verdes e do MDAGREEN NFT. Há a possibilidade de compartilhamento da galeria em outras redes sociais para incentivar transações.

O MDAGREEN NFT é uma parceria da Moeda Semente com a 3Agro. As empresas criaram 300 tokens e cada um representa um hectare de plantação de açaí. Cada token custa US$ 100 (cerca de R$ 550). O NFT dá direito a remuneração a partir da venda do açaí.  

Mastercard compra CipherTrace, de segurança em criptoativos

A Mastercard anunciou nesta quinta-feira (9) a compra da CipherTrace, empresa de inteligência sobre transações com criptoativos. É mais um passo da empresa de pagamentos no mundo dos ativos digitais, assim como outras de seu segmento, incluindo Visa e PayPal. Essas empresas se preparam para atender a um mercado de criptoativos que tende a crescer e mudar o mundo do comércio.

A CipherTrace já recebeu recursos do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (EUA), o que levantou dúvidas no mercado sobre sua independência. A empresa afirma ter condições de monitorar 900 criptomoedas. Seu grupo de clientes inclui por exemplo, grandes bancos, bolsas em todo o mundo.

A Mastercard está atuando em diferentes frentes de criptoativos. Dentre elas, estão as parcerias com Uphold, Gemini e BitPay para criar cartões de criptomoedas. Tem, ainda, uma plataforma para testes de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), que colou à disposição dos governos.

Mastercard compra CipherTrace para garantir maior uso de cripto

Além disso, criou um cartão pré-pago para a CBDC de Bahamas. Fora isso, tem programas de inovação que envolvem o uso de blockchain em processos de pagamentos, tokens não-fungíveis e criptomoedas estáveis.

De acordo com a Mastercard, desta vez, a compra da CipherTrace tem relação com o aumento do uso de criptos e NFTs, portanto, com a garantia de segurança. “Confiança e segurança são críticos para permitir maior uso e escala (dos criptoativos)”, afirmou a empresa. Isso porque quanto mais se desenvolvem novas soluções tecnológicas, mais necessário é ter segurança.

“Os ativos digitais têm o potencial de ressignificar o comércio. Das atividades cotidianas de pagamentos à transformação da economia”, afirmou Ajay Bhalla, presidente de segurança cibernética e inteligência da Mastercard”.

GoLedger e BBChain entre selecionadas em programa para startups da Petrobras

A Petrobras divulgou as 30 selecionadas na primeira fase do terceiro edital do ‘Programa Petrobras Conexões para Inovação – módulo Startups’ e dentre elas estão GoLedger e BBChain, fornecedoras de soluções em blockchain. Estarão disponíveis R$ 22 milhões para startups e pequenas empresas. Segundo a petroleira, essa é a maior seleção do tipo no setor de petróleo, gás e energia.

A GoLedeger que fornece soluções em Hyperledger para governos e empresas e a. BBChain, que aparece com sua razão social Connecting Blocks, usa Corda da R3 participou de projetos como o do registro de duplicatas da B3.

“O programa surgiu da necessidade de a Petrobras estreitar o relacionamento com o ecossistema de inovação, em especial com startups e pequenas empresas de base tecnológica. O investimento visa atender demandas mapeadas internamente na companhia e soluções que possam ser desenvolvidas de modo ágil e com possibilidade de implantação na indústria de óleo e gás”, disse a Petrobras em comunicado.

Quem vencer, além de suporte financeiro para desenvolver os projetos, vai interagir com a equipe da Petrobras, receber capacitação empresarial para posicionamento de mercado e estruturação de planos de negócios. O Sebrae também participa do programa e dará apoio às startups. Com isso, a petroleira acredita que além de serem seus fornecedores, as startups poderão trabalhar com toda a cadeia de óleo e gás.

Petrobras é uma das petroleiras que mais investe em blockchain

Como mostrou estudo recente da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Petrobras, publicado pelo Blocknews na semana passada, a petroleira responde por 10% dos projetos em blockchain do setor de óleo e gás. Há quatro testes e usos, inclusive em parceira com o consórcio que explora o campo Libra, no pré-sal.

Na fase final do programa, quem se classificar disputará aportes de até R$ 500 mil ou de até R$ 1,5 milhão, dependendo da categoria em que estiver – deep tech ou soft tech. Os valores serão usados em projetos de eficiência energética, robótica, redução de carbono, modelagem geológica, tecnologia de inspeção e tecnologia digital.

A GoLedger e a BBChain estão na categoria de startupos de tecnologias digiais. Agora, as 30 startups passarão por análise de documentos, elaboração dos planos de trabalho e modelos de negócio.

A VR Monkey, que venceu um dos desafios do primeiro edital e que trabalha com realidade virtual, já está desenvolvendo uma plataforma de treinamento para quem atua em espaços confinados. “Com os recursos do projeto, criamos uma experiência bastante realista e com mecânicas inovadoras para interação do usuário com personagens na plataforma”, afirmou o diretor comercial da startup, Rafael de Camargo. A previsão é implantar o piloto em outubro e ter tudo pronto no primeiro semestre de 2022. A startup nunca tinha trabalhado no setor.
 
As 30 startups pré-selecionadas no edital 2021 são as seguintes:

Há ainda uma lista das 3 empresas no cadastro de reserva, que são:

Jornada iCoLab: um evento sobre negócios, pessoas e blockchain

Não há dúvidas de que blockchain é um dos principais assuntos em inovação tecnológica da atualidade. Basta acompanhar a quantidade de novos projetos e pesquisas que movimentam os mais variados setores da economia. Do bitcoin aos tokens não-fungíveis (NFTs), são infinitas as possibilidades de aplicações baseadas nessa tecnologia, cujo principal valor está na camada de confiança que confere às transações digitais.

Os desafios de atuar num ambiente de ampla circulação de dados, como é a internet, exigem investimentos em protocolos que garantam segurança e transparência de registros. Assim como de trocas de informações realizadas em rede. E é nisso que reside a relevância da blockchain: a de redefinir as transações de valor, possibilitando que aconteçam de forma segura, descentralizada e distribuída. 

Para que a sociedade compreenda o quanto blockchain é transformadora, o iCoLab tem investido na colaboração e construção de conhecimento. Faz isso integrando pesquisa e mercado na construção dos nossos projetos. O iCoLab é um hub de inovação que conecta e desenvolve pessoas e empresas interessadas em blockchain. Dessa forma, fomenta e difunde ações que impactem a sociedade e contribuam com a sua evolução dos negócios.

Em 2021, o iCoLab completa dois anos de jornada. A comemoração inclui dois eventos, nos dias 14 e 21 de setembro. Neles, serão apresentados e debatidos temas que afetam não só as organizações, mas também as pessoas que interagem com esses sistemas. O propósito é falar de tecnologia tendo o ser humano no centro desse processo, pois não há inovação sem humanização. 

iCoLab discutirá blockchain para segurança de dados em saúde

A partir da pandemia da Covid-19, das necessidades e dos desafios gerados à indústria, tendências tecnológicas como a internet das coisas (IoT), a inteligência artificial (IA) e o blockchain chegaram para transformar e aperfeiçoar as soluções. Assim, tornaram a experiência do cidadão, do paciente e do profissional de saúde fundamental na utilização e na prestação de serviços.

Conhecer as perspectivas da interoperabilidade entre os serviços públicos e privados, como garantir a privacidade e a segurança de dados sensíveis são alguns dos temas do webinar “Saúde Digital: um compromisso com o ser humano”, no próximo dia 14.

O painel principal será sobre “Aplicação da tecnologia de dados na gestão de informação em saúde: big data, analytics, IA, blockchain e interoperabilidade”. Participará do webinar Guilherme Rabello, especialista no desenvolvimento de soluções em telemedicina e inovação médica de produtos e serviços.

Webinar discutirá novos modelos de negócios na indústria 4.0

Nos últimos anos, a tecnologia blockchain vem preparando o caminho para unir empresas, setores e economias. Dessa forma, está ampliando as tendências de adoção e o desenvolvimento de novas aplicações. Na indústria 4.0, novos modelos de negócio surgem e esse é apenas o início de uma revolução de ideias.

“Modelos de negócio em rede blockchain: confiança e transparência na Indústria 4.0” será o tema do encontro do dia 21 de setembro. No painel “Logística de NFT”, Christian Aranha, doutor em Inteligência Computacional e autor do livro ‘Bitcoin, Blockchain e muito dinheiro’, falará sobre os tokens não fungíveis. Esses são uma espécie de título de propriedade digital que têm despertado o interesse de diversos setores para a comercialização de produtos virtuais. Mas que também gera dúvidas sobre sua logística e casos de uso.

É com o debate sobre temas de impacto na nossa relação com o mundo que o iCoLab segue conectando pessoas, empresas e projetos. Também compartilha iniciativas, co-cria soluções e colabora para a evolução da sociedade. O instituto promove um ambiente de trocas e de experiências entre associados, pesquisadores e empreendedores. Com isso, atua num espaço de pesquisa, de mercado, de aprendizagem e de acolhimento. 

*Daniela Seibt, relações Públicas, doutoranda em Comunicação Social pela PUCRS. Líder de comunicação e relacionamento do iCoLab, pesquisadora, empreendedora, especialista em memória, conteúdo e divulgação. Entusiasta de blockchain, da economia colaborativa e da co-criação como instrumentos para a construção do futuro da sociedade

Metade das multinacionais usa blockchain para negócios e bancos estão desalinhados a essa demanda

Mais da metade das multinacionais (56%) já usa blockchain, em especial para contratos inteligentes. E usa ou planeja utilizar criptoativos para facilitar seus pagamentos internacionais. Enquanto isso, 28% tem criptos como investimento ou com propósitos de gestão de ativos em seus balanços financeiros. Portanto, hoje o que interessa às empresas globais é a utilidade das moedas digitais e não o que Elon Musk e a MicroStrategy gostam de alardear.

A conclusão é do estudo “Criptomoeda, blockchain e negócios globais: avaliando o potencial para empresas multinacionais instituições financeiras”. O levantamento é da Pymnts, que estuda pagamentos, e da Circle, responsável pela moeda estável USDC.

Para fazer o estudo, Pymnts e Circle entrevistaram executivos de 250 multinacionais e de 250 instituições financeiras (IFs) que trabalham para essas empresas. O foco em multinacionais se deve ao poder delas de criar padrões mundiais e de facilitar a troca de recursos entre os países.

De acordo com o estudo, 77% das multinacionais que estão em pelo menos seis economias usam no mínimo um tipo de criptomoeda. Das que estão em dois mercados, um terço usa criptos. Bitcoin é a criptomoeda mais usada (31%) e na sequência, bem perto, vêm as moedas estáveis (29%) e depois a ether (24%).

Além disso, 42% das multinacionais usa blockchain para contratos inteligentes, para definir ou confirmar termos de acordos. Depois vem o uso em transferências internacionais (37%), já que blockchain permite envios praticamente em tempo real, com transparência e menor custo, diferente do que é hoje. Porém, um ponto interessante é que 23% das empresas tem interesse em aplicar blockchain para outros tipos de pagamentos.

Multinacionais e bancos ainda não entendem bem sobre blockchain

Como as instituições financeiras (FIs) tradicionais perceberam que a demanda por criptomoedas vai crescer, 75% prevê oferecer serviços relacionados a essas moedas e a blockchain nos próximos 12 meses, ante os 10% de hoje.

Mas, há um problema: as IFs ainda não perceberam que para as múltis, o maior valor desses ativos está na utilidade para transações e não em investimentos ou questões de balanços. Assim, o risco é as FIs não estarem totalmente alinhadas ao que as empresas precisam.

Aliás, a PYMNTS e a Circle mostram que as instituições financeiras dão uma série de motivos para expandirem seus serviços de blockchain e de criptomoedas. Isso mostra que “suas estratégias para lançá-los é incerta e sem foco”.

Apesar de a maioria tanto das IFs, quanto das multinacionais terem times que se dedicam a blockchain, a grande parte dos tomadores de decisões dos dois lados admite que conhece no máximo “moderadamente bem” a tecnologia. E um terço sabe pouco ou nada. Dessa forma, há a necessidade de educação nas empresas e IFs sobre a blockchain.