Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Novas tecnologias pressionam por mudança na regulação de energia

A regulamentação do setor energético brasileiro é considerada um cipoal por especialistas, com os atores, inclusive o governo, encontrando dificuldades para certas tomadas de decisão. Com isso, as novas tecnologias, como blockchain, são mais um fator de pressão para ajustes que gerem mais eficiência nessa indústria.

Hoje, o modelo energético é centralizado, com baixa conexão ao sistema de distribuição e baixa flexibilidade, disse Hélio Moraes, sócio de direito digital e inovação do PK Advogados.  O futuro tem como desafio mudanças no marco regulatório para permitir transações descentralizadas, com conexão entre distribuidoras e micro e mini geradores, disse ele no painel “Cibersegurança, smart contracts e questões legais” do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético.

O evento é promovido pelo Blocknews e pela Mentors Energy Consulting, de 6 de junho a 14 de julho, sempre às terças-feiras, pela plataforma Sympla.

De acordo com Moraes, uma consulta pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no ano passado sinalizou que o regulador quer que o sistema evolua para uma modelo distribuído. “Às vezes, falta pouco na legislação para a inovação”, completou.

Regtec em energia

O setor de energia é um dos mais apropriados para a regtech, que significa a tecnologia a serviços da regulação e vice-versa, afirmou André Guskow Cardoso, sócio do Justen, Pereira, Oliveira & Talamini e especializado em blockchain e regulação.

A automação dos processos regulatórios criaria mais eficiência e startups poderiam fazer parte desse processo. E exemplificou: startups podem criar soluções de compliance regulatório, gerenciamento de riscos e usarem inteligência artificial e smart contracts.

“Um dos possíveis usos de regtech no setor elétrico é para o registro de contratos de comercialização de energia nos ambientes regulado e livre”, completou.

Cardoso lembrou que o decreto 10332/20, que instituiu a Estratégia de Governo Digital para o período 2020-2022, inclui a criação de ao menos nove conjuntos de dados na administração pública federal por meio de blockchain, até 2022. Além disso, ficou estabelecida a criação de uma rede blockchain interoperável do governo.

Início do século

Gabriel Laender, advogado do FCM Law e membro da Silicon Valley Blockchain Society (SVBS), que foi da Aneel no início dos anos 2000, contou que desde aquela época a ideia de geração distribuída e de mecanismos novos de governança já estava presente no segmento de energia elétrica.

“Pensar numa ferramenta descentralizada de registro de bens públicos, como os potenciais hidráulicos, e de coordenação de agentes públicos, como no despacho do sistema de carga e demanda feito pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), são muito interessantes de se fazer no registro distribuído”, completou.

Smart contracts poderiam fazer a regulação da propriedade e indicar como pode ser melhor usada, disse Laender. Por exemplo: se um potencial hidráulico não for utilizado de forma eficiente, pode-se revogar o contrato e passar a outro operador. Já nos royalties de petróleo, o registro distribuído daria mais transparência aos pagamento.

O advogado e colunista do Blocknews considera o cipoal da regulação do setor energético brasileiro interessante do ponto de visto global e citou como exemplo as competências bem definidas dos reguladores. Mas há espaço para a regulação de dados.

Para ele, esse cenário regulatório no Brasil não se compara ao cipoal da regulação de blockchain nos Estados Unidos. Lá, a federalização das regras torna o ambiente mais complexo para as empresas. “É uma confusão absurda.”

Segurança de dados

“Em algum momento, a questão regulatória terá de discutir pontos ligados a blockchain e Web 3.0, que foram feitos para serem descentralizados”, afirmou Tatiana Revoredo, fundadora da consultoria The Global Strategy e especialista em segurança cibernética e blockchain. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), por exemplo, foi baseada em tecnologias centralizadas e aí há um conflito, completou.

O setor energético brasileiro, como acontece em outros locais do mundo, também sofre ataques cibernéticos. “Precisamos começar a pensar em métodos mais avançados de gerenciamento de risco. A diversificação da nossa matriz energética seria uma saída e o Brasil precisa pensar num plano de implantação de microredes, com bilhões de dispositivos conectados. Mas não temos segurança cibernética para isso”, completou.

Para ela, blockchain aborda privacidade e integridade de dados por design. Como a questão não é se uma empresa ou pessoa será atacada, mas quando, ao escolher uma solução blockchain é preciso avaliar quais os pontos mais necessários de se considerar no projeto: por exemplo, a priorização será de integridade dos dados ou de flexibilidade de gerenciamento de crises?

Tatiana não vê a descentralização como algo ruim, já que a integridade em blockchain está muito ligada a mecanismos de consenso. Da mesma forma, os contratos inteligentes, “ao mesmo tempo que oferecem imutabilidade, dificultam eventuais necessidades de correção. Mas uma questão crítica é sempre o mesmo em segurança cibernética, inclusive quando há blockchain envolvida: os pontos de acesso digital. “É preciso conscientizar bastante os usuários e estabelecer certas responsabilidade se houver mal uso da rede.”

Nesta terça, simpósio discute uso de blockchain com IoT e IA e em smart cities

“Inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e cidades inteligentes (smart cities)” é o tema do 4º painel do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, que acontece amanhã (30). O simpósio é organizado pelo Blocknews e pela consultoria Mentors Energy.

A associação de blockchain a outros tecnologias 4.0, como AI e IoT, potencializa os benefícios que essas soluções podem trazer às empresas e governos em termos de segurança, redução de custos e mais eficiência.

As inscrições são feitas em https://bit.ly/382Sw7S. O evento será das 14h às 15h30.

O simpósio acontece todas as terças-feiras, no mesmo horário, de 9 de junho a 14 de julho, com panelistas que trabalham com blockchain em suas áreas de atuação. O painel seguinte mostrou soluções oferecidas ao mercado. E na terça-feira passada (23), o tema foi segurança cibernética, smart contracts e questões legais.

Blockcheck, a plataforma que confirma se você fala a verdade sobre seu currículo

Plataforma de histórico profissional e acadêmico do tipo LinkedIn já existia. Mas agora, existe também a Blockcheck, em que o histórico de uma pessoa é autenticado e validado por meio de blockchain. A plataforma cobre 12 pontos, do nome do usuário ao histórico profissional e criminais.

Adilson Santos, gerente de projetos e processos da PeopleCheck, sediada em Londres, diz que a empresa existe há 17 anos, mas que essa é a solução que está criando maior impacto. A PeopleCheck é líder na autenticação de histórico profissional e antecedentes.

De acordo com Santos, a PeopleCheck sempre trabalhou com validação de dados, mas agora faz isso com blockchain e para o usuário final. A informação ser do usuário é a grande mudança no formato do produto. E tecnologia blockchain facilita a checagem, num mundo em que essa necessidade cresce muito a cada dia.

Mais detalhes de como funciona o Blockcheck está no programa BlockTalks, de Maurício Magaldi, em https://podcasts.google.com/feed/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy8xMTY2OTFlYy9wb2RjYXN0L3Jzcw/episode/NTg0NTk2OWItYWU4MC00NWYyLThkZDctYmRlM2EwN2JmNGZl?ep=14

Aberta inscrição do painel “AI, IOT e smart cities” do simpósio sobre blockchain em energia

“Inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT) e cidades inteligentes (smart cities)” é o tema do 4º painel do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, que acontece na próxima terça-feira (30). O simpósio é organizado pelo Blocknews e pela consultoria Mentors Energy.

A associação de blockchain a outros tecnologias 4.0, como AI e IoT, potencializa os benefícios que essas soluções podem trazer às empresas e governos em termos de segurança, redução de custos e mais eficiência.

Os panelistas serão Regina Noppe, sócia e Chief Business Officer (CBO) do Institute of Applied Artificial Intelligence, sediado em Toronto, Ricardo Baraldi, Diretor Técnico Sênior da AuroraStarChain, especializada em arquitetura para transformação digital; Marcelo Creimer, gerente de inovação tecnológica da eZLy Tecnologia, que fornece soluções com tecnologias como blockchain e IoT para empresas.

As inscrições são feitas em https://bit.ly/382Sw7S. O evento será das 14h às 15h30.

O simpósio acontece todas as terças-feiras, no mesmo horário, de 9 de junho a 14 de julho, com panelistas que trabalham com blockchain em suas áreas de atuação. O primeiro painel tratou de cenários de uso de blockchain no setor energético.

O painel seguinte mostrou soluções oferecidas ao mercado. E na terça-feira passada (23), o tema foi segurança cibernética, smart contracts e questões legais.

Soluções blockchain para o setor energético têm terreno para crescerem no Brasil

O uso de blockchain no setor energético brasileiro é pequeno, ainda mais se comparado ao que existe no exterior. Mas o país conta com fornecedores experientes nessa área, que têm desenvolvido vários desses projetos em outros países. Isso pode ajudar a desenvolver o segmento aqui.

A R3, que nasceu como um consórcio de instituições financeiras interessadas em discutir blockchain, hoje atua em setores como o de energia. Um dos casos de uso de sua plataforma Corda é o da GuildOne, que há dois anos criou o Royalty Ledger, um aplicativo para a liquidação de contratos de royalties em óleo e gás.

Esse processo é normalmente custoso e complexo”, disse Nayam Hanashiro, diretor de alianças estratégicas da empresa para América Latina, durante o painel “Soluções para o Mercado”, o segundo do 1º do Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, organizado pelo Blocknews e Mentors Energy e realizado na semana passada.

Com o aplicativo, é possível evitar disputas relacionadas a alocação de recursos, percentuais de produção, preços de commodities, por exemplo. A GuildOne também criou a EBX (Energy Block Exchange), uma rede completa , com interoperabilidade de todas as redes para atividades como transação de energia e mineração.

Facilitadora para modernização

“Muito no início, blockchain estava em aplicações para inclusão de layers de energia distribuída e comercialização de crédito de carbono. Mas a tecnologia vem se tornando um grande  facilitador de transformação digital do setor de energia. O setor demanda muito essa transformação, principalmente na convergência de tecnologias emergentes como IoT e inteligência artificial”, disse Marcela Gonçalves, Chief Development Officer (CDO) da Multiledgers.

A empresa foi criada no Rio de Janeiro, mas já tem operações no exterior. Sua especialidade é a governança e gestão de infraestrutura de Blockchain as a Service (BaaS) e Infrastructure as a Service (IaaS), sendo um hub que usa as seis principais clouds do mundo e é multiprotocolo em relação a plataformas blockchain – uma das que usa é, por exemplo, a R3.

No ambiente energético, com diferentes tipos de players, novas possibilidades de entradas e consultas de dados, cria-se um ambiente propício para um ecossistema com compliance e segurança, completou.

Redução de custos

A possibilidade de uso de blockchain em energia, de fato, é capaz de reduzir milhões em custos. Bernardo Madeira, fundador da desenvolvedora de soluções Interchains. Ele exemplificou essa redução por meio do uso de blockchain para o controle de reparos de transformadores.

Com uma plataforma blockchain é possível rastrear todo o processo de reparo, desde o momento em que uma área de compras faz essa requisição. Com todos os envolvidos na rede, a reparadora, o centro de distribuição e a transportadora inserem dados de cada transformador na rede, como estado do equipamento, data de recebimento e entrega.

Tudo  fica registrado em blockchain, com chaves únicas, certificados únicos. Isso dá garantia com o hash da transação de que foi gravada de maneira inalterável e segura, afirma Bernardo. Na plataforma é possível não só ver os dados, mas ter um visão mapa geral de como está o processo de reparto de um grupo, por exemplo, de 1000 peças.  

Preocupação ambiental

Um outro exemplo, é no rastreamento de baterias de carros elétricos que levam cobalto. Paulo Simões, especialista em blockchain e cloud da Oracle, mostrou que há empresas que usam a tecnologia para rastrear essas baterias.

Na ponta da produção, há casos de trabalho escravo envolvendo o cobalto, e na ponta final, o produto é poluente se descartado de forma incorreta, contaminado solo e água.

A Oracle, segundo Simoes, trabalha com a Hyperledger Fabric, que ajuda a desenvolver. Simões é inclusive um dos coordenadores do Capítulo Hyperledger Brasil da Hyperledger Foundation, que ele pretende expandir no país.

“O Brasil ainda está a passos pequenos no uso de blockchain, IoT e IA em energia. Queremos provocar um ambiente de discussão e o 1º Fórum Brasileiro Blockchain em Energia, realizado em novembro passado pela Mentors Energy, foi um primeiro passo. O simpósio que estamos fazendo é uma maneira de continuarmos essa discussão”, disse João Carvalho, fundador e CEO da consultoria.

O próximo painel do simpósio será hoje (23), sobre “Cibersegurança, Smart Contracts e Questões Legais”. O painéis seguintes serão sobre Blockchain, IoT, IA e Smart Cities, no dia 30; Tokens e Cerfificações, no dia 7 de julho; e Modernização e Regulação do Mercado, no dia 14 de julho. As inscrições são feitas pela plataforma Sympla.

Capítulo Hyperledger Brasil vai discutir identidade digital autossoberana

O próximo meetup virtual do Capítulo Hyperledger Brasil, dia 24 (quarta-feira), vai discutir Identidade Digital Autossoberana. Além de ser uma das possibilidades mais disruptivas no uso de blockchain, está muito associada à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Serão apresentados casos de uso, incluindo o do governo da British Columbia, no Canadá. A apresentação será feita por John Jordan, diretor executivo do BC Digital Trust Service de British Columbia, e Stephen Curran, arquiteto de TI.

Acesso ao evento pelo link https://www.meetup.com/pt-BR/Hyperledger-Sao-Paulo/events/271332575/

Abertas incrições do 3º painel do Simpósio O Potencial da Blockchain no Setor Energético

O terceiro painel do 1º Simpósio – O Potencial da Blockchain no Setor Energético, evento organizado pelo Blocknews e pela consultoria Mentors Energy, será na próxima terça-feira (23), sobre “Cibersegurança, Smart Contracts e Aspectos Legais”.

As inscrições podem ser feitas pelo Sympla, no link https://bit.ly/3ddPK0z. O evento é online e gratuito, das 14h00 às 15h15.

Serão palestrantes do evento Tatiana Revoredo, da Global Strategy, profissional com participação em diversas iniciativas sobre segurança e blockchain no Brasil e no exterior, Hélio Ferreira Moraes, sócio da PK Advogados especializado em tecnologia, e Gabriel Laender, advogado da FCM Law baseado no Vale do Silício.

O Simpósio acontece desde o dia 9 de junho e vai até 14 de julho, sempre às terças-feiras, das 14h00 às 15h15

Pitang Agile IT adquire 30% da desenvolvedora de blockchain BBChain

A Pitang Agile IT, desenvolvedora de softwares, adquiriu 30% da BBChain, desenvolvedora de soluções baseadas em blockchain. As empresas não informaram o valor da transação.

A previsão é de que a associação faça a receita da BBChain crescer cinco vezes nos próximos três anos. O valor não foi revelado.

Para chegar a esse número, “somamos os pipelines e projetos vigentes das duas empresas e comparamos com os dos nossos concorrentes diretos”, disse Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da BBChain, ao Blocknews.

A associação vai fortalecer a oferta de serviços em computação distribuída da Pitang, em especial em blockchain, disse o diretor executivo da empresa em comunicado, Antônio Valença.

A BBChain foi fundada em 2018, em São Paulo. A empresa trabalha com arquitetura e soluções em blockchain, DLT e outras tecnologias, como computação distribuída e inteligência artificial. E é parceira da R3, que fornece a plataforma Corda.

A Pitang foi fundada em 2004, como um spinoff do centro de inovação Cesar, em Recife e tornou-se uma das maiores desenvolvedores de software do Nordeste. Também é parceira da R3.

Contando seus dois escritórios, em São Paulo e Recife, a Pitang tem 350 funcionários. Com a parceria, a BBChain vai contar com 40 profissionais da Pitang.

Brasil é um dos países que mais acreditam em blockchain, diz estudo da Deloitte

O Brasil é um dos países que mais acreditam na escalabilidade de blockchain, junto com Hong Kong, Israel e Emirados Arabes Unidos. Além disso, com os chineses, são os que mais acreditam que as ativos digitais vão substituir as moedas fiduciárias (fiat) em até 10 anos.

Essas são algumas das conclusões do relatório anual da Deloitte sobre blockchain, que a empresa acaba de divulgar. Foram entrevistados 1.488 executivos com algum entendimento sobre blockchain em 14 países. Dos entrevistados, 50 são do Brasil.  E 42% do total estão em cargos de chefia “C”.  

Segundo a pesquisa, 88% dos entrevistados acham que blockchain é escalável e vai atingir o estágio de adoção mais ampla. O Brasil ultrapassou essa média, mas o percentual do país não foi revelado.

Empregos em alta

Um dado positivo sobre emprego e que corrobora outras pesquisas é o de que aumentou de 73% para 82%, de 2019 para 2020, o percentual de empresas que estão contratando ou planejam contratar especialistas em blockchain nos próximos 12 meses.

De acordo com o levantamento, no Brasil, 64% dos entrevistados planejam investir de US$ 1 milhão a US$ 10 milhões em blockchain nos próximos 12 meses. No mundo, a media nessa faixa é de 54%.

Das empresas entrevistadas, 30% tem receita acima de US$ 1 bilhão e 42%, de US$ 100 milhões a menos de US$ 1 bilhão.

Ativos digitais

Em relação às substituição das moedas fiat por ativos digitais, surpreende que o Brasil apareça com o mesmo percentual de resposta da China, com 94%.

Os chineses estão correndo para lançar uma moeda digital de banco central (CBDC) e o país decidiu ser referência em blockchain no mundo. Dois movimentos que não se vê por aqui.

Segundo a Deloitte, os executivos C-level estão investindo mais em blockchain como parte de suas estratégias de inovação. Com isso, estão deixando para trás a visão de que a tecnologia é apenas uma promessa.

Inovação pós-Covid

A pesquisa foi feita entre 6 de fevereiro e 3 de março, portanto nos primeiros meses do impacto do Covid-19 na vida das empresas. A Deloitte diz confiar que a pesquisa reflete o estado atual de blockchain, mas só o futuro dirá se e como a pandemia afetou a adoção de inovações digitais.

Com ou sem vírus, os principais temores que emperram a adoção ou escalada de blockchain nas empresas continuam praticamente os mesmos do ano passado: ter de substituir ou adaptar sistema existentes, a questão da segurança e a sensibilidade de informações competitivas.

Há outros desafios ligados a quem já adotou. Um deles é a questão de governança de consórcios. Muitos falharam porque os participantes não acertaram regras equilibradas para o compartilhamento da rede.

Tecnologia fundamental

O levantamento mostrou ainda que para 55%, blockchain será crucial nas cinco principais estratégias das empresas nos próximos 24 anos, um pouco acima dos 53% de 2019. Em 2018, eram 43%. No entanto, para 14%, será importante, mas não estratégica, o mesmo que no ano passado.

Das empresas entrevistadas, 39% colocou projetos em produção, ante 23% em 2019. E quase metades delas (46%) faturam mais de US$ 1 bilhão.

Para a Deloitte, o crescimento de blockchain será ajudado pela necessidade de prestação de contas a clientes, fornecedores, investidores, reguladores e à sociedade em geral.

Ao mesmo tempo, a variedade geográfica coloca muita complexidade na sua arquitetura, ao ser preciso saber o que vale e onde.

O levantamento conclui também que o mundo ainda está não está pronto para a identidade digital em larga escala, que continua ainda muito na teoria.