Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Unicórnios de blockchain sobem para 26 no mundo; só 2TM é brasileiro

O número de empresas de blockchain que se tornaram unicórnios subiu de 14 no final de 2019 para 26 no final do primeiro semestre de 2021 e inclui o grupo brasileiro 2TM. Assim, superou a estimativa da Blockchain Coinvestors, que investe no setor e em projetos de criptomoedas. A expectativa era de mais de dez unicórnios até o final deste ano, disse Matthew Le Merle, co-fundador da empresa.

De acordo com o levantamento de unicórnios da Blockchain Coinvestors, além das 26 empresas baseadas em blockchain, há 76 projetos de criptomoedas que valem a partir de US$ 1 bilhão, que é o conceito de unicórnio. Portanto, dos cerca de 600 unicórnios no mundo, perto de 102 são de blockchain.

O executivo afirmou que o levantamento considera as informações que são divulgadas. Por isso, alguns valores podem ser até maiores do que a lista da Blockchain Coinvest mostra.

Esse crescimento aconteceu em paralelo a um salto do investimento de risco (venture) em empresas e projetos de blockchain e criptomoedas. No segundo trimestre de 2021, houve 497 investimentos de risco, segundo o The Block Research. O valor total atingiu US$ 9,7 bilhões (cerca de R$ 53,35 bilhões).

No entanto, US$ 3,5 bilhões se referem apenas ao investimento do fundo Block.One na Bullish, projeto de uma bolsa de criptomoedas. Tirando esse valor, que responde por quase 30% do total, sobram ainda US$ 6,2 bilhões. Isso representa cerca de 90% de aumento em relação ao primeiro trimestre.

“Cem unicórnios de blockchain é número muito grande”

“Cem é um número muito grande. E cresceu num ritmo mais rápido do que todo o grupo de unicórnios. Isso mostra o enorme valor que essa tecnologia está desbloqueando”, afirmou Le Merle na divulgação dos resultados. Segundo ele, a Blockchain Coinvestors aporta recursos em 65% das empresas e em 45% dos projetos de criptomoedas.

O grupo 2TM, dono de empresas como Mercado Bitcoin e Blockchain Academy, e sua concorrente Bitso, bolsa de criptomoedas mexicana, são os únicos unicórnios da América Latina na lista. Porém, o grupo 2TM aparece com o valor de US$ 2,1 bilhões, como recentemente divulgado. Enquanto a Bitso, com US$ 1 bilhão.

Os Estados Unidos (EUA) respondem por 11 das empresas de blockchain ue são unicórnios e por 8 das 12 blockchain públicas que também superaram US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões). No final de 2020, havia 5 projetos de blockchain públicas.

Segundo a Coinvestors, enquanto o valor de mercado de empresas de blockchain e de aplicativos de criptomoedas como Dapper subiu, o dos projetos de criptomoedas caiu. E isso tem relação com a queda do valor das moedas, já que é assim que os projetos são avaliados.

Empresas prontas para listarem ações

“No primeiro trimestre houve uma maturação das empresas de blockchain e algumas agora estão prontas para listarem suas ações por meio de ofertas iniciais de ação (IPO) ou por meio de Spacs”, disse Alison Davis co-fundadora e diretora-geral da Blockchain Coinvestors. Inclusive, acrescentou, SPACs estão sendo vistos como opção aos IPOs, processos muito mais complicados e mais longos.

Na semana passada, a Circle anunciou que vai para a Bolsa de Nova York (Nyse) por meio de um Spac. Os Spacs são empresas-fundos que levantam dinheiro lançando suas ações em bolsa, mesmo sem não terem nenhuma operação. Com o dinheiro, compram empresas que por tabela irão para a bolsa. Como quem investe nos Spacs não sabe bem onde os recursos serão alocados, esses são também conhecidos como empresas de cheque em branco.

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