Nexo demanda US$ 3 bilhões da Bulgária por impactos de investigação que não encontrou crime

Antoni Trenchev, cofundador da Nexo.

A plataforma de criptos Nexo e suas subsidiárias entraram com uma ação de arbitragem de mais de US$ 3 bilhões contra a República da Bulgária. A Nexo alega que teve “danos e oportunidades perdidas causadas pelas ações injustas e politicamente motivadas do país contra a empresa e seus executivos posteriormente descartadas por falta de mérito”. O país abriu uma investigação em janeiro de 2023 e encerrou em dezembro passado porque não achou evidências de crimes.

A investigação foi do Escritório do Procurador da Cidade de Sofia, que encerrou os processos criminais e contra a administração da Nexo. Isso incluiu os executivos Kosta Kantchev, Antoni Trenchev, Kalin Metodiev e Trayan Nikolov. Na arbitragem, as partes tentam resolver o conflito com a intermediação de um terceiro que não é a Justiça. Assim, a resolução pode ser mais rápida. A Nexo acionou o Centro Internacional para Resolução de Controvérsias sobre Investimentos (ICSID, em inglês), que permite disputas entre investidores e países. O Brasil não é membro da instituição, que é do Banco Mundial.

A Nexo afirma que o motivo da investigação foi política. E, num comunicado, listou onde houve perdas:

Nexo perdeu operações

  • A Nexo estava trabalhando com três importantes bancos de investimento dos Estados Unidos (EUA) em uma rodada de financiamento e em uma oferta pública inicial em uma importante bolsa de valores dos EUA. A avaliação indicativa de valor estava entre US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões.
  • A Nexo estava a dias de assinar uma aliança estratégica plurianual com um grande clube de futebol europeu. Isso lhe daria exposição a mais de 330 milhões de apoiadores no mundo inteiro. A plataforma alega que a parceria teria feito da Nexo a carteira digital oficial e o principal parceiro do clube.
  • O lançamento de um inovador cartão de pagamento com a marca do clube estava em andamento, o que seria um ponto de virada para a Nexo e para o setor de blockchain. Isso porque “teria oferecido um gateway instantâneo para milhões de usuários para a classe de ativos digitais em rápida expansão”.
  • “A reputação e a marca da Nexo foram manchadas, resultando em uma infinidade de oportunidades e receitas perdidas, e destruição do valor da empresa”.

Quando a investigação começou, sua cripto estava na faixa de US$ 0,7 e quando terminou, estava na faixa de US$ 0,85.

Operações de criptos da Nexo continuaram

“Apesar de os ataques injustificados das autoridades búlgaras em janeiro de 2023 terem afetado significativamente todo o grupo Nexo, conseguimos continuar as operações comerciais. contudo, nosso caminho de crescimento foi desacelerado e as oportunidades foram perdidas ou significativamente atrasadas. Prometi pessoalmente, há 10 meses, que exploraríamos todos os meios legais disponíveis para garantir uma compensação financeira para a Nexo”, disse Antoni Trenchev, cofundador da Nexo.

Trenchev nasceu na Alemanha, mas foi eleito para a Assembleia Nacional da Bulgária em 2014, onde ficou até 2017. Se associou ao partido Bloco Reformista, de centro-direita e pró-União Europeia. Em 2018 criou a Nexo com Kosta Kantchev, seu amigo de faculdade.

De acordo com Trenchev, sua expectativa é a de mostrar “aos detentores do poder que as ações têm consequências e, com sorte, evitar essa destruição desnecessária de valor no futuro. Acreditamos que isso será uma reivindicação para a Nexo, mas também para todos os bons atores na área de blockchain que se viram sob ataque de várias frentes nos últimos dois anos.”

O escritório de advocacia da Nexo é o norte-americano Pillsbury Winthrop Shaw Pittman LLP. “Após examinar o caso em profundidade, acreditamos na força da reivindicação da Nexo”, disse Matthew Oresman, sócio-gerente do escritório de Londres do Pillsbury.

Além da plataforma de negociação de criptomoedas, desde 2022 a Nexo tem um braço de investimento. O Nexo Ventures tem mais de 60 empresas em seu portfólio.

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