Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Moss, do token MCO2, compra desenvolvedora OnePercent para se tornar uma “climate tech”

Moss compra One Percent para ser climate tech. Foto: Pixabay.

A Moss, que criou e negocia o token lastreado em crédito de carbono MCO2, comprou a OnePercent. A startup é uma das mais conhecidas desenvolvedores de soluções blockchain do país, inclusive tokenização. Além disso, fez o MCO2.*

A aquisição faz parte do objetivo da Moss de ser uma “climate tech”. Isso significa lançar uma série de produtos ligados a meio-ambiente. Mas não só isso. A empresa também está criando produtos para esportes e outras áreas, como a de luxo, disse ao Blocknews seu CEO, Luis Felipe Adaime.

Adaime não revelou o valor da transação. Mas disse que parte foi pago aos sócios da OnePercent e parte em participação na Moss.

Os fundadores da OnePercent Renan Kruger, Fabio Junges, André Meirelles, Fausto Vanin e Juliano Lazzarotto serão executivos da Moss. Renan Kruger, por exemplo, será o CTO da Moss e a One Percent será uma unidade de negócio da companhia. 

De acordo com Adaime, por conta do MCO2, as duas empresas eram próximas. E uma das razões para a união é também a sobreposição de clientes.

Juntas, podem oferecer uma gama maior de produtos. As duas já trabalham num token de serviço de luxo de restaurante e hotelaria que deverá entrará num programa de fidelidade de uma empresa.

No entanto, Adaime diz que não deve parar por aí e fazer outras compras. “Nosso principal serviço é vender crédito de carbono. Estou analisando uma empresa que tem dados florestais da Amazônia”. Assim, poderia gerar certificação digital, um processo hoje feito a mão”. Isso incluiria usar também inteligência artificial para medir desmatamento.

De olho em NFTs para de onças e times a serviços de luxo

A Moss está com um interesse especial em tokens não-fungíveis (NFTs). Já está colocando em teste, na plataforma OpenSea, vídeos raros de onças. São animais da reserva de ecoturismo Refúgio Ecológico Caiman, em área de Roberto Klabin, Fundador da SOS Mata Atlântica e da SOS Pantanal e do conselho da Moss.

“A venda de NFTs deve se tornar uma grande fonte de recursos para a Moss e para os projetos ambientais”, disse Kruger. Isso porque o Brasil tem um grande potencial de conservação e ecoturismo. Assim, “a criação de NFTs da flora e da fauna é um caminho criativo e eficiente para levantar recursos”, completou.

A empresa espera criar, por exemplo, NFTs de vídeos e fotos de locais como o pantanal e a Amazônia. Além da fauna e flora. E o produto pode ser híbrido, ou seja, compra o token e ganha algo físico ou uma experiência.

O mesmo valor para NFTs de esportes. A empresa está preprando um NFT com o piloto Cacá Bueno. O token pode ser, por exmeplo, um vídeo ou foto do carro do piloto e de quebra o comprador ganha uma volta no carro com Bueno, no mundo real.

Moss fez acordo com iFood, C6 e Flamengo para uso de MCO2

A Moss fechou parceria como empresas como iFood, C6 Bank e Flamengo para compensação de carbono com o MCO2. Além disso, tem acordo com a One River Asset Management, um dos maiores fundos de hedge de criptomoedas dos Estados Unidos. 

A startup foi criada em 2020 e afirma que já levantou R$ 70 milhões para projetos de preservação na Amazônia. O valor vai para compra de áreas de preservação da floresta, mas as que emitam créditos de carbono.

A Moss compra o crédito, que é o lastro do MCO2. Cada token equivale a 1 tonelada de CO2. Os tokens está à venda pela plataforma e em corretoras de criptomoedas.

OnePercent tem uma série de serviços relacionados a blockchain, de treinamento a desenvolvimento de tokens, inclusive de arquivos multimídia raros que se tornam tokens não-fungíveis (NFTs).

Segundo Adaime, a Moss deve faturar cerca de US$ 20 milhões (em torno de 120 milhões) em 2021. Até agora, faturou US$ 6 milhões (em torno de R$ 36 milhões).

*Reportagem atualizada em 18.05.21 com entrevista exclusiva com o CEO da Moss, Luis Felipe Adaime.

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