MicroStrategy passou a controlar quase 1% dos bitcoins no mercado

Bitcoin em alta. Imagem: Michael Wuensch.

A MicroStrategy passou a controlar 0.9659% do estoque de bitcoins no mercado, o que fortalece sua posição como uma “baleia”. E faz isso numa rede que Satoshi Nakamoto criou para ser descentralizada e com operações peer-to-peer. A nova participação aconteceu ao comprar mais 14.620 BTC, pelos quais pagou US$ 615,7 milhões. Assim, até ontem (26), tinha 189.160 BTCs, que pagou US$ 5,9 bilhões (média de US$ 31.168 por unidade), de acordo com Michael Saylor, entusiasta da cripto e fundador da empresa.

À medida que bitcoin foi ficando mais famoso e relevante como reserva de valor, também cresceu o número de baleias. Em 2012, 1.814 carteiras tinham mais de 50% dos bitcoins circulantes, que variaram de 8,5 milhões a 10,5 milhões de unidades no ano. Mas, em 2020, quando a oferta de bitcoins estava na faixa de 18,5 milhões, eram 4.652 carteiras, com 3.977 bitcoins em cada uma.

Há diferentes levantamentos sobre quantas baleias existem e quanto têm na carteira. Um levantamento da BitInfoCharts indicou que quatro carteiras tinham 2,81% dos cerca de 19,5 milhões de BTC no mercado em junho passado, ou seja, algo como 137 mil BTC cada uma. Considerando as outras 96 maiores carteiras, cada uma tinha em média 24,8 mil BTC.

A Glassonode, por sua vez, disse que considerando os endereços de carteiras com pelo menos 1 mil BTC, o número de baleias chegou a 2.027 em fevereiro deste ano, o menor desde agosto de 2019.

Cálculo de bitcoins com baleias do mercado

Apesar de haver uma indicação de concentração, calcular o número de baleias e os valores que possuem tem lá suas dificuldades. Entre elas, o fato de que uma mesma pessoa ou instituição pode usar vários endereços e a rede não conseguir detectar isso.

Do lado de quantos bitcoins estão circulando, entre as dificuldades está a de saber quantos foram perdidos ou queimados e que, portanto, não fazem diferença na movimentação do mercado. A Glassnode estima que algo como 10% da oferta de bitcoin pode estar inacessível. Um dos casos mais conhecidos é o de James Howells, que literalmente jogou no lixo 8 mil BTC (a bagatela de em torno de R$ 1,7 bilhão), quando se desfez de seu computador. Está procurando a máquina até hoje.

Tem ainda a questão se os cerca de 1 milhão de BTC nas 22 mil carteiras de Satoshi Nakamoto ainda estão ativos ou se foram queimados. Como a figura nunca apareceu para contar, fica a dúvida.

No caso da MicroStrategy, em novembro passado, a empresa também comprou 16.130 bitcoins a uma média de US$ 36.785. Além disso, entre setembro e outubro foram outros 6.067 BTC e em junho, 12.333 BTC. Saylor acredita que a aprovação de um ETF bitcoin à vista (spot) nos Estados Unidos poderá ser o “maior desenvolvimento em Wall Street em 30 anos”, abrindo portas para investidores de varejo e institucionais.

Os maximalistas de bitcoin, por sua vez, temem que o ETF vai evitar que pessoas façam operações usando carteiras próprias – a auto-custódia – e peer to peer. Assim, vão priorizar fazer transações por meio de instituições centralizadas. De acordo com fontes do mercado, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) irá decidir se aprova um ETF de bitcoin spot até o dia 10 de janeiro de 2024.

Investidores institucionais em bitcoin

Investidores institucionais e outros grandes investidores do mercado estão comprando bitcoin em antecipação à aprovação do ETF de bitcoin à vista. É o que mostra o índice do MacroMicro que mede o movimento por meio do spread entre posições longas e curtas na Bolsa de Chicago. O índice atingiu um pico de 13.711 na semana passada, passando o pico da semana anterior, de 13.603. Os dados se baseiam em relatórios da Comissão de Negociações de Contratos Futuros e Commodities (CFTC) dos EUA.

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