Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Microsoft aposenta Azure Blockchain e recomenda a clientes ConsenSys Quorum e Hyperledger Besu

Microsoft vai tirar do ar seu BaaS a partir de 10 de setembro. Foto: Tawanda Razika, Pixabay.

A Microsoft vai aposentar seu Azure Blockchain Service no próximo dia 10 de setembro. Sem explicar os motivos da decisão, a empresa criou um guia para quem já usa seu serviço de Blockchain as a Service (BaaS). E está recomendando a transferência para o ConsenSys Quorum Blockchain Service ou Hyperledger Besu.*

“Por favor, migre seus dados do Serviço Azure Blockchain Service para uma oferta alternativa com base no estágio do desenvolvimento de sua produção ou avaliação”. A afirmação está na página do guia.

O anúncio aconteceu no dia 10 de maio, embora de maneira muito discreta nos sites das empresas. De acordo com analistas do mercado ouvidos pelo Blocknews, e que preferiram não se identificar, a decisão está relacionada ao ritmo mais lento do que o esperado no uso de blockchains privadas.

Porém, o que empresas como IBM e Microsoft estão largando é o modelo de negócios, ou seja, a parte de infraestrutura, e não a tecnologia, afirmou um analista.

Assim, empresas como a Microsoft preferem criar um nó ou rede na infraestrutura de nuvem. O ritmo das blockchain privadas diferem das públicas, ou seja, embora grandes, são em menor quantidades. Isso ocupa espaço, equipe e foco para uma receita que pode não compensar.

De acordo com um dos entrevistados, a tendência é o uso de redes blockchain públicas testadas, aprovadas e com grande ecossistema, ao invés de se investir em infraestrutura.

Microsoft diz que tudo fica mais fácil agora

Essas têm se mostrado resilientes e os desenvolvimentos têm avançado, deixando espaço limitado para crieação de novas permissionadas. “As permissionadas ficarão para poucos projetos e vamos ver o fortalecimento de redes como Cardano, Ethereum e Solana”, completou.

Agora, a ideia é os clientes implantarem e gerenciarem seus pilotos e produção na nuvem Azure, mas usando a blockchain da Consensys, de preferência, disse Mark Russinovich, CTO da Microsoft Azure, em comunicado da empresa parceira.

O Quorum foi uma criação permissionada do J.P. Morgan sobre a plataforma Ethereum. O banco passou a plataforma para a ConsenSys no ano passado. Já o Hyperledger Besu foi criado pela ConsenSys com base em Ethereum.

De acordo com Russinovich, isso elimina a complexidade de gerenciar a infraestrutura necessária para operar blockchains corporativas. Foi só isso que ele disse sobre a decisão. No entanto, o CEO e fundador da Consensys, Joseph Lubin, comemorou o acordo.

A Microsoft entrou em BaaS em 2015 e em 2019, com uma certa animação, anunciou o Azure Blockchain Service. Mas, nos últimos tempos, não parecia animada com a tecnologia. Além disso, viu a IBM e a R3 se unirem num acordo comercial.

Das grandes empresas, a Oracle também não tem demonstrado muito interesse em blockchain.

Recentemente, o presidente da Microsoft, Brad Smith, disse que não tinha interesse numa emissão de uma criptomoeda pela empresa. “Não somos um banco, não queremos ser um banco e não vamos competir com nossos clientes que são bancos”, afirmou.

Procurada, a comunicação da Microsoft no Brasil afirmou que não há porta-vozes aqui para falar sobre o tema. E recomendou acessar o comunicado da ConsenSys.

*Reportagem atualizada às 12h00 de 17.05.21 com informações sobre a oferta de Hyperledger Besu e às 20h00 com análises do mercado sobre a decisão da Microsoft.

0 Comentários

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>