Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Metade das multinacionais usa blockchain para negócios e bancos estão desalinhados a essa demanda

Multinacionais veem valor em blockchain para contratos inteligentes. Foto: Nasa, Unsplash.

Mais da metade das multinacionais (56%) já usa blockchain, em especial para contratos inteligentes. E usa ou planeja utilizar criptoativos para facilitar seus pagamentos internacionais. Enquanto isso, 28% tem criptos como investimento ou com propósitos de gestão de ativos em seus balanços financeiros. Portanto, hoje o que interessa às empresas globais é a utilidade das moedas digitais e não o que Elon Musk e a MicroStrategy gostam de alardear.

A conclusão é do estudo “Criptomoeda, blockchain e negócios globais: avaliando o potencial para empresas multinacionais instituições financeiras”. O levantamento é da Pymnts, que estuda pagamentos, e da Circle, responsável pela moeda estável USDC.

Para fazer o estudo, Pymnts e Circle entrevistaram executivos de 250 multinacionais e de 250 instituições financeiras (IFs) que trabalham para essas empresas. O foco em multinacionais se deve ao poder delas de criar padrões mundiais e de facilitar a troca de recursos entre os países.

De acordo com o estudo, 77% das multinacionais que estão em pelo menos seis economias usam no mínimo um tipo de criptomoeda. Das que estão em dois mercados, um terço usa criptos. Bitcoin é a criptomoeda mais usada (31%) e na sequência, bem perto, vêm as moedas estáveis (29%) e depois a ether (24%).

Além disso, 42% das multinacionais usa blockchain para contratos inteligentes, para definir ou confirmar termos de acordos. Depois vem o uso em transferências internacionais (37%), já que blockchain permite envios praticamente em tempo real, com transparência e menor custo, diferente do que é hoje. Porém, um ponto interessante é que 23% das empresas tem interesse em aplicar blockchain para outros tipos de pagamentos.

Multinacionais e bancos ainda não entendem bem sobre blockchain

Como as instituições financeiras (FIs) tradicionais perceberam que a demanda por criptomoedas vai crescer, 75% prevê oferecer serviços relacionados a essas moedas e a blockchain nos próximos 12 meses, ante os 10% de hoje.

Mas, há um problema: as IFs ainda não perceberam que para as múltis, o maior valor desses ativos está na utilidade para transações e não em investimentos ou questões de balanços. Assim, o risco é as FIs não estarem totalmente alinhadas ao que as empresas precisam.

Aliás, a PYMNTS e a Circle mostram que as instituições financeiras dão uma série de motivos para expandirem seus serviços de blockchain e de criptomoedas. Isso mostra que “suas estratégias para lançá-los é incerta e sem foco”.

Apesar de a maioria tanto das IFs, quanto das multinacionais terem times que se dedicam a blockchain, a grande parte dos tomadores de decisões dos dois lados admite que conhece no máximo “moderadamente bem” a tecnologia. E um terço sabe pouco ou nada. Dessa forma, há a necessidade de educação nas empresas e IFs sobre a blockchain.

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