Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Mercado Livre comprou bitcoins num valor de US$ 7,8 bi em estratégia de tesouraria similar à da Tesla

Mercado Livre comprou bitcoins mas não disse quantas unidades. Foto: 3D Animation, Pixabay.

O Mercado Livre comprou bitcoins no primeiro trimestre de 2021, num valor equivalente a US$ 7,8 bilhões Foi uma estratégia de tesouraria, de acordo com seu balanço. Assim, a maior plataforma de e-commerce da América Latina se tornou também a primeira empresa da região, de que se tem conhecimento, a adotar essa estratégia.

A plataforma, que há tempos corteja as criptomoedas, não precisou a quantos bitcoins o valor se refere. No entanto, afirmou que colocou o valor das criptomoedas como ativos intangíveis de vida indefinida em seu balanço.

A empresa ainda opera no negativo. Conforme mostrou o balanço, no primeiro trimestre houve prejuízo de US$ 34 milhões. Antes dos impostos, o lucro foi de US$ 9,5 milhões.

Essa categoria de ativos intangíveis inclui, por exemplo, marcas, licenças, capital intelectual e direitos autorais. Portanto, a empresa quer dizer que não há previsão para esse ativo não palpável gerar fluxo de caixa líquido positivo.

O Mercado Livre está agora no grupo de empresas como MicroStrategy e Tesla, que também compraram bitcoins. E que, pela legislação dos Estados Unidos (EUA), poderão ter benefícios tributários com isso.

Mercado Livre comprou bitcoins como os argentinos têm feito

O Mercado Livre tem sede na Argentina e ao comprar bitcoin segue o que muitos argentinos estão fazendo devido à forte desvalorização do peso. Tanto que, segundo as estimativas, é um dos países da região que mais compra a moeda.

No seu cortejo das criptomoedas, em 2019 o Mercado Livre se juntou ao Facebook e outras empresas para lançar a moeda libra, hoje diem. Mas, com a pressão dos reguladores, em especial dos EUA, fez o mesmo que outros membros do grupo e deixou o projeto.

Já em abril passado, anunciou que passou a aceitar bitcoins na compra de imóveis na Argentina. Foi um acordo com sete das imobiliárias que estão na plataforma local do Mercado Livre.

Tudo isso pode vir do interesse de Marcos Galperín, fundador e ex-CEO da empresa. O executivo afirmou que tem bitcoin desde 2013. Outra afirmação sua é a de que bitcoin é uma reserva de valor melhor que o ouro, embora gaste muita energia, o que limita seu uso como meio de pagamento.

Receita da plataforma mais do que dobrou no trimestre

A receita líquida do Mercado Livre cresceu 114% em dólares no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior, para U$ 1,4 bilhão. Já as vendas do comércio saltaram 139,2% para US$ 910 milhões, enquanto as da fintech subiram 72,4% pra 467,8 milhões.

O aumento de usuários únicos ativos também subiu de forma significativa ao atingir 61,6%. Com isso, cresceu para 69,8 milhões.

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