Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

InfinitePay anuncia oficialmente a BRLC, moeda estável pareada ao real

InfinitePay lança stablecoin pareada em real que pode dar mais garantia a lojista. Foto: Pixabay.

A InfinitePay, solução de pagamentos da fintech unicórnio CloudWalk, anunciou oficialmente hoje (22) o lançamento da sua moeda estável (stablecoin) Brazilian Digital Real (BRLC). Como a moeda é pareada ao real, 1 BRLC equivale a R$1. A empresa citou o lançamento na semana passada, quando anunciou um novo aporte de US$ 150 milhões (cerca de R$ 825 milhões).

Serão cunhados 1 milhão de BRLCs ao mês e por tempo indeterminado. “Nosso objetivo para o futuro é alcançar uma distribuição perene de capital, o cashback é só o começo dessa jornada”, afirmou o CEO da empresa. Luis Silva, ao Blocknews.

“Com uma stablecoin podemos dar inteligência ao dinheiro. O cashback é o produto que inaugura nosso projeto de fusão da adquirência com o mundo descentralizado. Diversos outros produtos envolvendo a criptomoeda já estão em planejamento e produção”, completou.

Toda a emissão está lastreada em moeda fiduciária em conta bancária apartada da operação. O plano inclui a listagem da criptomoeda em exchange, o que ainda está sem prazo determinado. E “as informações sobre as exchanges ainda são confidenciais”, disse Silva. “Pretendemos disseminar nossa stablecoin e estimular sua aceitação pela maioria dos estabelecimentos brasileiros.”

“O BRLC e o Cashback InfinitePay inauguram as soluções baseadas em blockchain da CloudWalk. Estamos desenvolvendo estruturas que tornarão viáveis pagamentos de lojistas da rede e transferências em tempo real sem custo para as partes envolvidas”, afirmou Paulo Perez, Chief Design Officer (CDO) da empresa. A empresa não deu maiores detalhes sobre a moeda estável.

Segundo o CEO, desde a fundação da CloudWalk se pensava em blockchain, que permite envio de dinheiro e pagamentos mais rápidos e mais baratos do que os convencionais. “Nossa missão agora é educar os lojistas e seus clientes, para que eles se familiarizem com a nossa stablecoin e entendam o funcionamento dos criptoativos em geral”, explicou.

Por enquanto, o foco é distribuir BRLCs no cashback em tempo real para o consumidor, como um benefício dos lojistas aos clientes. Isso porque funcionará para fidelização do consumidor e diferenciação em relação aos concorrentes. Portanto, pode fidelizar também o lojista à InfinitePay. A empresa está desenvolvendo também ferramentas para que os lojistas recebam recompensas em BRLC.

Já há outras moedas estáveis pareadas ao real. A Transfero emite o Brazilian Digital Token (BRZ), que foi a primeira stablecoin brasileira em circulação e é a maior não pareada ao dólar. Há duas semanas, a empres anunciou a compra da também stablecoin CryptoBRL (CBRL), O cBRL foi criado no início de 2020 por um grupo de empresas e exchanges. Com isso, a empresa diz querer fortalecer a BRZ.

O cBRL foi criado no início de 2020 por um grupo de empresas e exchanges. O BRZ está no mercado desde 2019. Além de ser a primeira stablecoin brasileira em circulaçã, é a maior não pareada ao dólar. 

Com isso, a empresa, que tem maquininha de pagamento e está em cerca de 150 mil lojas em 4,3 mil cidades do país, oferece uma moeda que para o lojista e usuário não passa pela volatilidade das moedas raiz como bitcoin. Essa volatilidade pode ser um grande problema ao fazer a liquidação dos valores, em especial para o lojista, porque uma moeda pode desvalorizar muito entre o pagamento pelo cliente e pelo vendedor. E vice-versa, gerando perda para o cliente.

“Acreditamos que a utilidade do bitcoin e ethereum (criptomoedas raiz), por exemplo, não são para pagamentos de rotina como uma stablecoin,que tem seu valor fixado e não sofre com a volatilidade além da economia local”, afirmou Luis Silva. Portanto, os pagamentos com cripto podem ser apenas com a BRLC. Para converter a stablecoin, a InfinitePay afirma usar protocolos descentralizados, sem acordo com algum exchange ou corretora.

De acordo com a credenciadora, as operações realizadas via cartão de crédito custam em média 4% do valor total e o tempo de recebimento é de 30 dias no modelo convencional. No modelo antecipado, o lojista recebe o valor da venda toda de uma vez, ao invés de recebê-la de forma fracionada. Mas pode haver desconto do valor por conta da antecipação.

“Essa estratégia de remunerar a comunidade subverte a lógica dos investimentos concentrados em grandes companhias de mídia. E principalmente, introduz pessoas das mais variadas classes sociais à descentralização da Web 3.0”, diz o CDO.

“Quando falamos da agilidade desse modelo, é preciso expressar o quão real é a velocidade que estamos propondo: as transações em BRLC acontecem a custo zero e levam em torno de quatro segundos para acontecer”, completa Perez.

A distribuição vai ser em tempo real, após o pagamento, em valores que não têm relação com o da operação. O usuário pode transferir o dinheiro do cashback para outras contas InfinitePay ou para uma carteira de criptomoedas na rede Polygon. E então recebe a BRLC

A troca por outros tokens dentro do aplicativo, como bitcoin, doge coin e USDC, já está prevista na seção de saldo do BRLC, onde o usuário pode visualizar ativos que em breve estarão disponíveis. Além disso, será possível fazer um PIX com o saldo para a conta bancária desejada, afirma a empresa.

*Reportagem atualizada às 13h de 23/11/21 com informações adicionais que a CloudWalk forneceu ao Blocknews.

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