Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Sócios da Rodopoulos CCV e Ineep criam hub de inovação em Brasília focado em criptotechs

Hub quer atrair em especial as startups focadas em criptoativos.

Sócios da Rodopoulos CCV, que atua no setor imobiliário em Brasília, e o Instituto Nacional de Excelência em Políticas Públicas (Ineep) estão criando um hub de inovação na capital federal. O Zung Hub terá foco especial em criptotechs. De acordo com os sócios, esse é o primeiro polo digital privado no setor comercial da Asa Sul da capital.

O hub funcionará como aceleradora. A gestão será do Ineep, que desenvolve soluções em blockchain. Os parceiros criaram uma empresa, a Zung Tech, para comercializar as soluções das startups. A ideia é ter outros braços, como por exemplo, um campus online. O investimento no negócio é de R$ 15 milhões.

“Há cinco anos, começamos a pensar em atrair empresas de tecnologia para os prédios. Começamos a fazer retrofit para as que são ilhas de tecnologia”, disse ao Blocknews Lígia Meirelles, vice-presidente da Rodopoulos. A executiva é ainda idealizadora e uma das sócias no hub. Christiano Rodopoulos, presidente da empresa, é o outro sócio e CTO do hub de inovação.

Hub para pequeno empresário

O hub deve começar com cerca de oito fintechs interessadas em usar o espaço, além da 5XBank, banco digital criado pelo Ineep. Além de Brasília, o plano é ter um braço em João Pessoal.

Segundo Marcus Lisboa, presidente do instituto, “o 5XBank está estruturada para pagamentos, mas queremos ‘plugar’ na blockchain para ser uma criptotech. Assim, vai registrar transações na blockchain”. Estimular a criação de bancos digitais com essa tecnologia é um dos objetivos do hub.

De acordo com Lígia, o Zung (Deus em mandarim) vai atender em especial o mercado corporativo. A iniciativa está relacionada também à baixa participação do Centro-Oeste no faturamento do setor de TIC do Brasil. Ela afirma que o percentual gira em torno de 12,5%. No entanto, São Paulo sozinho fica com 77%.

A intenção é que, sempre que possível, os empreendimentos do Rodopoulos usem as soluções das startups. O grupo quer usar uma solução de gestão empresarial, ERP, integrada com um marketplace para os lojistas do Alameda Shopping. São cerca de 100 lojistas. Além disso, o plano é o 5XBank oferecer soluções financeiras para esses empresários.

Demandas de municípios

Segundo os sócios do Zung, o hub tem foco em atrair pequenos empreendedores. Mas, esses podem acabar oferecendo soluções a governos. Há uma expectativa de que os prefeitos eleitos, por exemplo, gerem demanda por soluções digitais. Ou seja, podem surgir demandas por soluções para questões como as que aumentam a eficiência e transparência de processos e as que tratem da segurança cibernética e da adequação.

Além disso, como o hub está Brasília, poderá também gerar uma provocação de maior demanda pelo governo federal , afirma Lisboa, ex-funcionário do governo e do Distrito Federal (DF).

O Ineep nasceu focado em soluções para governos. Uma delas é para voto eletrônico, testada durante as eleições municipais de 2020. Em 2009. quando morava nos Estados Unidos, Lisboa começou a lidar com blockchain. Isso foi um ano depois do white paper de Satoshi Nakamato. “Não havia cursos, descobri tudo na marra, analisando prova de consenso do bitcon e mineração”, diz ele.

Oportunidade em meio-ambiente

Ineep ajudou a criar a Amazon Coin, para projetos ambientais.

O Ineep está constituído como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Com isso, não pode paga impostos e não pode participar de licitações. Mas pode participar dos chamamentos públicos, como o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o teste na eleição. Ou seja, não entra em grandes concorrência e na disputa com grandes atores. No entanto, pode ser a única ou uma das únicas com solução blockchain a participar de chamamentos. Neles, só entram as organizações da sociedade civil (OSCs).

Um exemplo é o potencial criado pela lei federal 14.119 deste ano, que criou a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. De acordo com a lei, há agora o reconhecimento do setor privado, das Oscip e de outras ONGs “como organizadores, financiadores e gestores de projetos de pagamento por serviços ambientais, paralelamente ao setor público, e como indutores de mercados voluntários.” O instituto, diz Lisboa, poderia atuar em tokenização em projetos ambientais.

A instituição já participou do desenvolvimento da Amazonas Coin. A moeda tem o objetivo de levantar recursos para o desenvolvimento de áreas desmatadas. A AMZ foi colateralizada numa área de 20 mil hectares de floresta da Gleba Santana, em Barcelos (AM) e está à venda na VinDAX.

Solução com interoperabilidade

A associação ao Rodopoulos e seus sócios faz parte da estratégia de entrar no setor privado. Para isso, a Oscip tem a blockchain PoP (Prova de Participação).

De acordo com Christiano Rodopoulos, a PoP usa o Ethereum Virtual Machine (EVM), software que permite a criação de aplicativos descentralizados. Com isso, a blockchain tem interoperabilidade com qualquer contrato inteligente da Ethereum ou da Hyperledger Besu. É na Ethereum que praticamente todos os smart contracts estão hoje.

A lógica da PoP é incentivar a participação de validação na rede permissionada por meio de utility tokens, ou seja, tokens de conveniência. Dessa forma, busca que os nós fiquem o máximo de tempo possível disponíveis. Em geral, diz ele, nós de permissionadas só ficam disponíveis quando precisam validar suas operações, por causa do custo de se manter online.

Só blockchain não é interessante

O PoP tem soluções para uso em casos como o de identidade digital, criação e documentos digitais, seguros para criação de apólices, por exemplo, e banco digital. O usuário pode também desenvolver seu próprio token. Há ainda a carteira digital, que não é custodial.

“Oferecer blockchain já não é mais tão interessante. O que fazemos é desenvolver também aplicações”, diz Lisboa. A rede pode até chegar a cerca de 15 mil transações por segundo, mas o Ineep lembra que isso depende, em boa parte, da infraestrutura.

O Ineep se tornou membro da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), porque um de seus interesses é oferecer soluções para o setor.

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