Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Empresas precisam de regras, diz especialista

Iniciativas do governo são necessárias para que a blockchain se desenvolva entre as empresas de um país. A afirmação é do italiano Enrico Camerinelli, que assessora empresas interessadas em usar a tecnologia. “É verdade que a definição inicial de blockchain é a de que não é preciso ter intermediários para realizar operações, uma vez que elas são validadas pelo sistema. Mas são necessárias regulações para se estabelecer as regras, uma vez que estamos falando de transações comerciais e de uso de contratos inteligentes”, afirmou ao Blocknews.

É fato que para um negócio ser sustentável, vale pouco resolver um problema de processo com uma tecnologia nova, por exemplo, e depois ter de prestar contar à justiça ou aos reguladores.

“Nesse sentido, a União Europeia (UE) parece estar indo no caminho certo”, afirma o especialista. Em primeiro lugar, não faz muito sentido ter iniciativas específicas em países, é preciso olhar blockchain por um ângulo internacional, porque a natureza da tecnologia é a de cruzar fronteiras, diz o especialista. Além disso, a falta de regulação deixaria muitas startups e empresas felizes e facilitaria as provas de conceito (POC), mas daí a transformá-las em operacionais, seria uma outra história, completa.

Sobre a UE há ainda um ponto: o bloco está acostumado a criar regras de boa convivência entre seus membros, por isso, a construção das regras para blockchain em empresas na região pode ter mais apoio do que em outros mercados. O interesse do bloco em tentar não ficar para trás na tecnologia está explícito na criação do European Blockchain Observatory and Forum para acelerar o desenvolvimento do ecossistema na região.

Mas assim como em qualquer lugar do mundo, há um obstáculo importante quando se fala em blockchain em empresas na Itália e me touros países europeus em que Camerinelli transita. Muita gente não sabe bem o que é a tecnologia e em quais casos usá-la. “Há ainda muita confusão. Tem quem confunde com Distributed Ledger Technology (DLT, a tecnologia distribuída de livro razão).” E tem quem está fazendo projetos em blockchain, mas pede para não torná-los públicos, porque receia que os menos entendidos achem que a empresa está investindo em criptomoedas, que carregam o estigma de serem algo instável. É por isso que neste momento, educação é fundamental, diz o assessor que também é professor nos cursos da 101 Blockchain, de Israel.

Mas quem adota blockchain, diz ele, se depara com o benefício de pensar fora da caixa, com novos modos de fazer as coisas e de fazer coisas novas com o que a tecnologia pemite além das tradicionais. Há um outro ponto crucial: maior colaboração com seus parceiros de negócios. E o fato de que mesmo adotando a tecnologia, pode-se continuar usando os sistemas tradicionais, há um aumento da sustentabilidade do negócio.

O lado ruim? Muitos protocolos não se falam, o que é comum em novas tecnologias. É preciso também investir em formas de aumentar a eficiência reduzindo o consumo de energia para as provas de conceito. Mas faz uma ressalva em relação à visão habitual sobre esse ponto: “há uma ineficiência no uso de energia, mas não é tão perigosa como se supõe”.

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