Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

GoLedger vence licitação da Celepar para uso de blockchain no Paraná

GoLedger entra para lista restrita de empresas. Foto: Thomas Pehan, Unsplash.

A GoLedger, que fornece soluções em blockchain Hyperledger, venceu licitação da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar). O edital da Celepar é genérico e faz parte do projeto Blockchain PR, de transformação digital do estado, segundo a empresa.*

Mas o estado tem também um projeto, o Harpia, que inclui uso de inteligência artificial (AI) e registro de dados em blockchain em licitações públicas. O objetivo é combater fraudes.

A empresa venceu um contrato de R$ 1,256 milhão no primeiro lote. O resultado saiu na última segunda-feira (26). Há ainda um segundo lote ainda em avaliação. Pela regra, há cinco dias para impugnação do resultado por outros concorrentes. Procurada, a GoLedger não quis comentar o resultado da licitação.

O governo do Paraná anunciou o Harpia em junho de 2020. Mas, na ocasião, afirmou que a Celepar já havia fechado parceria com a IBM para por R$ 25 milhões. Isso incluia IA, principalmente, e blockchain. No entanto, a falta de licitação e uso de um sistema proprietário levantaram questionamentos do ecossistema blockchain, como noticiou com exclusividade o Blocknews naquela ocasião.

O Blockchain Research Institute Brasil (BRB Brasil), por exemplo, enviou carta à a ocasião, ao governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD). Nela, questionou o custo de R$ 25 milhões e a afirmou que haveria limitação do uso da rede pelo setor privado. Assim, um projeto que o governo diz que combaterá 97% das fraudes em compras do estado, levantou dúvidas.

Celepar abriu licitação em abril passado

Em abril deste ano, a Celepar abriu então licitação para compra de serviços de blockchain. Assim, o edital fala em “contratação de empresa e/ou consórcio para serviços na tecnologia de registros distribuídos com anexação e validação de blocos de dados transacionais”. E uso de “redes permissionadas que garantam a integridade das transações de forma irreversível, permanente e a prova de violação, chamada de blockchain”. Não cita o Harpia.

A GoLedger nasceu com foco em projetos em blockchain para governos e recentemente começou a apostar também no mercado privado. A startup já ganhou diversas concorrência. Por exemplo, uma da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) e da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice).

Também criou o primeiro portal do mundo de Consentimento e Indexação de Bases Pessoais nas leis de proteção de dados da Europa e do Brasil. Além disso, participou do teste de novas tecnologias nas eleições de 2020.

*Reportagem corrrigida às 11h12 com a informação de que o edital é genérico e não específico sobre o Harpia.

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