Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

GoLedger, govtech de blockchain, quer entrar no setor privado e chama startups para testes

Otávio Soares (esq.) e Marcos Sarres (dir.), fundadores da GoLedger. Foto: GoLedger.

A GoLedger, até agora uma govtech de soluções blockchain, passará a concorrer também no mercado privado. Por isso, vai lançar um marketplace e escolher cinco startups que testarão a plataforma GoFabric por seis meses. As inscrições desse programa de early adopters começa nesta sexta-feira (15).

A startup foi contratada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, pela Empresa de Tecnologia do Estado do Ceará (Etice) e pela Superintendência de Obras Públicas do Ceará (SOP). Além disso, venceu o Primeiro Concurso Nacional de tecnologias policiais (Startpol). De acordo com a GoLedger, a empresa foi vencedora dos dois primeiros editais que demandaram a tecnologia no país. E foi uma das escolhidas para o teste de plataformas de voto digital na última eleição.

Otávio Soares, COO da empresa, disse ao Blocknews que a prospecção no setor privado é um movimento natural. “Queremos atingir o mercado internacional. Para isso, identificamos que essa é a melhor maneira”, completou. Ainda nesse semestre, será lançado o marketplace em inglês com soluções blockchain.

Burocracia e fraudes

“Enxergamos dois grandes problemas tanto no governo, quanto em empresas privadas. Em primeiro lugar, está o excesso de burocracia que existe nos processos atuais. O mesmo documento físico passa por diversas entidades para ser validado, por exemplo. Em segundo lugar, está o excesso de fraudes que acontecem no país.”

Isso se deve, segundo ele, à distribuição das informações em diferentes bases de diversas instituições. “Blockchain vem para resolver exatamente isso”. A empresa tem soluções como a de identificação de pessoas, gestão de processos, rastreabilidade de produtos e alinhamento à LGPD. Esses são módulos da plataforma GoFabric.

No entanto, GoLedger, que está baseada em Brasília, já tem um dedo no setor privado. A Spezi, empresa de software, usou GoFabric para gravação das transações. Agora, vai testar no monitoramento e registro de documentos.

GoLedger no governo

A ida para o setor privado não se deve à falta de interesse dos governos em blockchain, segundo Soares. Os governos, principalmente em 2020, se deram conta que a tecnologia tem potencial para impulsionar a transformação digital, com a criação de novos modelos de operação, afirmou.

Porém, governo é governo e tudo pode mudar rápido e assim, trazer problemas enormes para quem só investe no setor público.

Soares afirma que a demanda por provas de conceito (PoCs) foi grande. Isso inclui órgãos como o Tribunal Superior Eleitora, o Ministério das Minas e Energia (MME) e o Conselho de Justiça Federal (CJF). “Todos já haviam ouvido falar da tecnologia, mas nunca haviam vista um sistema baseado nela”.

Por isso, sempre que a GoLedger tinha de repetir algum desenvolvimento automatizava o processo para ter mais agilidade. “Com o passar do tempo, passamos a entregar PoCs ao invés de 3 meses, para uma semana”, completou Soares. E então, a partir daí que se criou a GoFabric.

Solução GoFabric

Dashboard da plataforma GoFabric. Foto: GoLedger

A empresa diz que a GoFabric, que é baseada em Hyperledger, pode ser usada mesmo por quem não tem nenhuma experiência em blockchain. A troca de informações pode ocorrer por uma interface (wizard) de templates, por um template pré-configurado ou pelo contrato inteligente (smart contract) através de um arquivo.

Mas um dos diferenciais da plataforma, afirma Soares, é permitir a criação de contratos inteligentes automaticamente. Um outro é o gerenciamento nativo de middleware. “No futuro, queremos deixar o módulo de gerenciamento de infraestrutura como opcional. O padrão GoLedger poderá ser substituído por outros como IBP e Oracle Autonomous Blockchain Service.”

Escolha das startups

A GoLedger poderá receber indicações de startups também de centros de inovação. Dentre eles estão BrazilLAB, Innovation LATAM, Hub de Inovação do Banco do Nordeste, Usina Pernambucana de Inovação, Adesampa. Além disso, conversou com o Open & Agile Smart Cities (OASC) no Brasil e a Startup Chile. A divulgação das startups escolhidas será no dia 5 de fevereiro e o programa começa dia 9. As inscrições são feitas pelo site do programa Ealy Adopters GoFabric.

Segundo Soares, as startups poderão usar a plataforma GoFabric “para criar, expandir e trabalhar na governança de suas redes blockchains escaláveis”. O uso não terá custo e terá o apoio da GoLedger. Além disso, poderão usar de graça, por um mês, os recursos de nuvem da AWS, parceiro da GoLedger.

“Elas terão a oportunidade única de criar barramentos distribuídos por meio de REST APIs gerenciados por uma rede blockchain permissionada. Assim, poderão utilizar isso em seus projetos, sistemas e MVPs”, completou.

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