Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Frigol já rastreia todo gado que chega dos fornecedores diretos e inicia processo com os de indiretos

Carlos Correa, diretor da Frigol. Foto: Frigol.

O Frigol, um dos maiores frigoríficos do país, concluiu a primeira etapa de seu programa de controle de origem do gado com blockchain. Assim, todo o gado que vem dos fornecedores diretos, ou seja, de quem entrega os animais à empresa para abate, têm seus dados rastreados e registrados com a tecnologia. O projeto começou nas plantas da empresa em 2019 e vai se expandir para fornecedores indiretos.

A rastreabilidade com blockchain dos fornecedores indiretos, portanto, dos que fornecem gado para os diretos, “já está em fase de implantação. A conclusão está prevista para os próximos anos”, disse a empresa ao Blocknews.

O frigorífico abateu 492 mil cabeças de gado em 2020. O gado vem praticamente todo de terceiros, informou ao Blocknews Carlos Eduardo Simões Correa, diretor administrativo e CFO do Frigol. A empresa tem uma planta em Lençóis Paulistas (SP) e em São Félix do Xingu e Água Azul do Norte, ambas no Pará.

“Há uma pequena participação de gado próprio ou de parcerias nas propriedades administradas pela Frigol”, completou. A empresa não informou as proporções de gados próprios e dos que se originam nos fornecedores diretos e indiretos.

Frigol registra dados em blockchain e insere em QR Code de embalagem

Consumidores pressionam empresas por origem de animais. Foto: Helena Lopes, Unsplash.

Os dados que vão para uma rede Hyperledger são, por exemplo, os da Guia de Transporte Animal (GTA) e da nota fiscal. Os dois documentos passam pela avaliação do Serviço de Inspeção Federal (S.I.F).

Depois, na desossa gera-se o QR Code com essas informações para o rastreamento. Nesse QR Code estão ainda informações de lote, unidade de produção, localização e da propriedade que originou o produto. Além de informações socioambientais para mostrar que o produto não foi produzido em área de desmatamento ou de sobreposição com terras indígenas. E que não houve outros problemas como, por exemplo, trabalho escravo e embargos do Ibama.

Correa afirmou, ainda, que todas as propriedades habilitadas para venderem à Frigol são monitoradas pelo software SMgeo. Assim, há monitoramento socioambiental e análise de cartografias. Esses dados são compartilhados com a Ecotrace para registro em blockchain.

De acordo com o diretor, blockchain resolve um problema de segurança da informação, “pois os registros são a prova de violação. Por isso, oferecem transparência e confiabilidade em todo o processo”.

Ecotrace fornece solução para Frigol e usa solução da GoLedger

Flavio Redi, CEO da Ecotrace, usa Hyperledger para Frigol e empresas como Renner e JBS.

Os frigoríficos brasileiros passaram a adotar o rastreamento com a pressão de consumidores, importadores e do Ministério Público Federal (MPF). Em 2009, houve um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do órgão com as empresas para contenção do desmatamento da Amazônia, que identificou irregularidades mesmo depois do TAC. Por isso, os frigoríficos trabalham também no registro de dados em blockchain de fornecedores indiretos.

O Frigol foi o primeiro frigorífico a implantar blockchain. Segundo Correa, esse ineditismo foi um obstáculo a ser superado. “Todo o desenvolvimento do software e adequações técnicas foram bastante desafiadores.” No entanto, “houve uma ótima aderência da Ecotrace com a equipe interna de implantação da empresa”.

Na Hyperledger que a Ecotrace usa, a plataforma de orquestração é o GoFabric, da GoLedger. E a biblioteca de desenvolvimento de contratos inteligentes é o GoLedger CC-Tools. “Foi uma decisão assertiva usar Hyperledger. Estão entrando 100 gigas de dados ao dia na plataforma de todos os nossos clientes”. Isso inclui, além da Frigol, empresas como JBS, Minerva e Renner. Portanto, 40 plantas e 12 centros de distribuição.

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