Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Consultoria Mercer cria serviço de planejamento mais rápido e mais em conta para as startups

Joaquim Patto, da Mercer, criou metodologia para startups. Foto: Mercer.

Tudo começou com a demanda de uma startup que precisava de uma estratégia entregue no dia seguinte e a um custo que coubesse no seu bolso. E então, a consultoria Mercer Brasil, especializada em carreira, saúde, previdência e investimentos, transformou esse caso numa nova frente de serviço que agora está oferecendo para todo o segmento de startups.

O objetivo é ajudá-las a acelerar o crescimento, organizar essa expansão internamente e até deixá-las mais preparadas para a eventual entrada de investidores.

O serviço é uma estruturação de cargos e salários, além de estratégias de incentivo de curto e longo prazo que acabam fazendo parte da remuneração dos funcionários.

A demanda pela consultoria ágil e mais em conta veio da Semantix em julho de 2019, quando estava para receber um investimento e queria se preparar para isso – hoje, a empresa é investida do Bradesco. Quem recebeu o pedido foi Joaquim Patto, diretor da Mercer responsável pela área de serviços financeiros e, há um ano e meio, pela de startups.

“Quase nem dormi, mas adorei a provocação. Pensei: estou falando com um cidadão que tem o poder da decisão. Então, desenhei um roda que tinha tudo o que ele queria. Assim, num workshop de duas a três horas e meia se desenha um programa”, disse Patto ao Blocknews.

Consultoria em quatro slides

A apresentação toda para a Semantix tinha quatro slides com suas ideias. Definido o plano, já pode ser impantado. A roda da Mercer inclui de 10 a 12 eixos com pontos como metas, participação dos funcionários nas empresas e qual o modelo dela, por exemplo, se stock options, matching ou sociedade.

Além disso, inclui definições usadas no mundo tradicional. “Boas práticas de mercado nasceram dentro da consultoria tradicional. Agora, foram adaptados para um mundo de pessoas com agilidade e relação custo x benefício na veia.”

“Quando o fundador me fez a provocação, senti que ele poderia estar se sentindo como eu me senti lá atrás, quando empreendi. E por não ter tido apoio, isso me fez, de certa forma, buscar a solução para esse mundo (de startups)”. Patto criou uma consultoria há mais de vinte anos, que a Mercer comprou.

Nesse novo formato, a empresa não precisa cobrar o mesmo que para empresas tradicionais. Essas envolvem conversas de até quatro meses com conselheiros, acionais e diretores. Nas startups, a conversa é com duas a três pessoas – fundadores e sócios. Portanto, o número de horas da consultoria cai de 60% a 70%.

“E na consultoria ágil, cobramos pelo projeto, que é um workshop. Numa mesa estão quem tem o poder de decisão e o desenho sai pronto”, completou.

Propósito pode ser insuficiente

De acordo com ele, os salários fixos de startups até estão em linha com as médias de mercado. As startups perdem quando se comparam os benefícios, que são escassos ou inexistentes.

O que ajuda é que muitas vezes o profissional de startup considera parte do salário trabalhar em algo alinhado a seu propósito social. Mas, ter um plano de participação para o funcionário pode incentivá-lo a trabalhar mais e melhor e a ficar na startup.

A plataforma Gooders, que recompensa que faz boas ações, se diz satisfeita com a experiência de ter uma consultoria. No início de 2020, contratou a F5 Gestão para ajudá-la a calcular seu valor, porque chamou a atenção de investidores, e para melhorar processos internos, afirmou Fábio Procópio, CEO da empresa.

“Além de nos ajudar a perceber pontos críticos do negócio e a corrigi-los rapidamente, contribuiu muito no redesenho de processos que facilitam a gestão no dia a dia.”

De acordo com Procópio, a maioria das startups é muito boa na entrega do produto fim do negócio. “Porém, peca muito na gestão tática do negócio. A consultoria contribui para o crescimento do negócio”.

Consultoria que dá credibilidade

A IntellectEU, empresa de soluções em registro distribuído (DLT) baseada na Bélgica, trabalha com a KPMG na aplicação ClaimShare.”Para as startups no estágio pré-financiamento, não é fácil trabalhar com consultoria. Mas, a vontade delas de trabalharem com startups é grande se acreditam no produto. Achar uma boa parceria pode ser um ganho para os dois lados.”

Quem disse isso ao Blocknews foi Chaim Finizola, líder para mercados emergentes da IntellectEU. A KPMG entrou na fase de análise de mercado e deu credibilidade ao projeto, completou, Além disso, contribui na questão de combate a fraudes e precificação.

A demanda pelo serviço da Mercer cresceu em 2020 com o aumento de startups que se transformaram em unicórnios, ou seja, avaliadas a partir de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 6,6 bilhões). Isso animou as menores a correrem atrás desse sonho e, em alguns casos, a querer uma consultoria.

Mentalidade de fundador não muda

Cerca de 35 startups receberam atendimento da Mercer e responderam por perto de 30% da receita no segmento de remuneração em 2020. Já neste ano, espera-se que respondam por 50%. A área de remuneração, por sua vez, responde por 50% do faturamento do segmento de carreiras. A empresa não abre valores.

“Para nós, é muito bom, porque com a mesma equipe é possível desenvolver até oito projetos ao mesmo tempo. Isso nos dá escalabilidade”, completou. “O analógico não é escalável. A consultoria fica com grande número de consultores em um ou dois projetos longos.”

De acordo com Patto, mesmo depois que uma startup recebe investimentos e até quando está à beira de um abrir capital, a mentalidade do empreendedor não muda. “Isso quer dizer que quer agilidade e preço.”

0 Comentários

Deixe um comentário

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>