Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Começar pequeno em blockchain também gera valor, afirma Stefanini

A Stefanini, empresa referência em soluções digitais, acredita que o desenvolvimento de projetos pequenos de blockchain podem ser um bom começo para deslanchar o uso dessa tecnologia em empresas.  

“Isso fecha buracos, gera bom retorno, não assusta o usuário e nem o expõe ao risco”, afirmou ao Blocknews o vice-presidente executivo global da empresa, Ailtom Nascimento.

Instituições como o Bradesco começaram a assim, testando a tecnologia para transferências entre o Brasil e o Japão e entre o país e suas filiais em Nova York e Ilhas Cayman.

Nascimento espera que em 2020, o país comece a soltar o freio de mão da transformação digital, que foi principalmente afetada pela crise econômica dos últimos anos e, em alguns casos, por receio de usuários do que é novo. Empresas e governos devem considerar blockchain nessa virada, se querem benefícios como aceleração de processos e redução de custos, completou o executivo, afirmou.

No caso de blockchain, tem ainda os casos de quem confunde a tecnologia com criptomoedas como bitcoin e acha que é isso que vai entrar na empresa.

A Stefanini faz a arquitetura e desenvolvimento dos projetos. Tem iniciativas em áreas como trade finance e transferências internacionais de moedas, com ações de backoffice de gestão de documentos, por exemplo, que podem ser digitalizados e validados com hashses. 

“Mas queremos ir além”, afirmou. Um exemplo é que a Stefanini criou um grupo de trabalho com a bolsa de valores brasileira, a B3, para tratar do uso da blockchain e de projetos para o sandbox da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Fora do financeiro, Nascimento também vê potencial da blockchain em cadeias produtivas longas, como a indústria automotiva, conectando fornecedores e as montadoras. Em casos assim, o uso de tokens – espécie de fichinha da quermesse que representa um valor – poderia também ser aplicado para facilitar as transações.

Isso abriria a possibilidade, por exemplo, de se trocar apenas saldos entre agentes da rede – você paga ou recebe o saldo entre o que comprou o que vendeu.

A criação dos tokens é considerada a fase seguinte à da criação das moedas criptografadas e em 2019 foi vista como o próximo grande passo. O uso em projetos de empresas e sociais têm crescido em todos os cantos do mundo. Em casos como o citado por Nascimento, circula entre os membros de uma rede permissionada especifica de blockchain e, portanto, não é especulativa.  

Para o VP da Stefanini, blockchain deveria também ser considerada em planos de desburocratização. Setores altamente regulados poderiam se tornar mais simples e menos custos. “Há setores em que a regulação não permite a inovação.”

É uma opinião semelhante à de Dante Disparte, Vice-Chairman da Associação Libra, que está estruturando o lançamento da stablecoin (lastreada em títulos de governos) do Facebook. Os governos precisam estar atentos para não impedir que inovações sejam barradas por regulações, diz ele. “Regulem a atividade, não a tecnologia”, diz Disparte.  

No exterior, há iniciativas como a de para registros de imóveis, o que torna o processo mais transparente, mais barato e mais rápido.

A Stefanini é considerada uma das 5 empresas mais internacionalizadas do país pela Fundação Dom Cabral (FDC). Está presente em 41 países, incluindo Estados Unidos, Austrália, Singapura, Reino Unido e Espanha. Em 2019, faturou cerca de US$ 3,3 bilhões.

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