Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Minasul lança Coffee Coin, primeira moeda estável do mundo garantida por café, no dia 1 de julho

Coffee Coin pode abrir novas oportunidades para cooperativas, diz Minasul. Imagem: Minasul

A cooperativa de café Minasul lança, no próximo dia 1 de julho, sua moeda digital Coffee Coin. Garantida por seu café, é a primeira do tipo no mundo. “Será uma fonte de recursos para nós. E com isso também abriremos o mercado para investidores de fora da cadeia de produção”, disse ao Blocknews o diretor de novos negócios da Minasul, Luís Henrique Albinati.

A cooperativa, que pensa em outros projetos com blockchain, colocará à venda 10 mil tokens na bolsa Stonoex. Cada Coffee Coin é uma moeda estável, ao equivaler a um quilo de café verde da Minasul, ou seja, do padrão 6-7. Isso significa 15% de defeitos.

A definição do valor da moeda será no lançamento, conforme a cotação do café. Ontem (23), a saca de 60 quilos do café Minasul fechou a R$ 855, com alta de 0,59%. Portanto, o quilo fechou em R$ 14,25, fora custos operacionais de cerca de 3%. A cotação está em alta por conta de uma safra menor neste ano e previsão de nova safra baixa em 2022.

É possível comprar o minimo de 1 Coffee Coin. Haverá também um mercado secundário. Albinati explica que quem tiver a coffee coin, pode trocar a moeda por café, num volume mínimo de 1,5 quilos. Também poderá pagar insumos. Segundo ele, há fornecedores da cadeia interessados na moeda. A Minasul ainda não falou com processadores de café.

De acordo com Ricardo Azevedo, CEO da Stonoex, a ideia é lançar mais tokens no futuro, conforme a demanda e as análises econômico-financeiras indiquem que vale a pena.

“Essas avaliações precisam ser muito bem pensadas. Se a liquidez estiver garantida, podemos por lenha na fogueira”, afirmou. Além disso, essa leva inicial será um teste do ponto de vista regulatório, completou.

Coffee Coin tem garantia do café produzido pela Minasul

Como o café físico é a garantia, é preciso analisar, por exemplo, seu custo de estocagem. “O projeto é pensado em fases. Há um teto bem alto para o projeto se considerarmos que a cooperativa é uma das maiores do Brasil, que é o maior produtor do mundo. Os 8,5 mil cooperados da Minasul produziram 1,8 milhão de sacas no ano passado.

No início, a venda será apenas no Brasil e em reais. Numa fase posterior, poderão ser aceitos bitcoin e ethereum e a Stonoex pode buscar parceiros no exterior para venda dos tokens. A moeda foi feita em ERC-20, solução da Ethereum que pode rodar em diferentes bolsas.

Segundo Albinati, para lançar novos token é preciso a autorização de dois diretores da Minasul. Além disso, todo o sistema da Coffee Coin é documentado para ser auditado e garantir o negócio. Afinal, a cooperativa está pegando café depositado peos produtores e transofrmando em moeda digital. A venda dos tokens se reverte para a cooperativa.

“Se digo que o café é vendido a um preço, a transação é toda com nota fiscal. Isso é para dar segurança à moeda. Nossa maior preocupação é garantir estabilidade e segurança da moeda.”

O diretor da minasul acredita que a Coffee Coin será uma nova opção de negócios no mercado e de investimentos. E o CEO da Stonoex diz que a maior característica da cripto “é guardar valor e não de valorização. Quem apostar na Coffee Coin não vai fazer isso na perspectiva de busca rentabilidade, mas de reserva de valor”.

Moeda é mais um passo no projeto de inovação da cooperativa

Isso equivaleria, no mercado tradicional, a algo como aplicar em renda fixa. Isso porque o ganho não tende a ser muito alto, mas o risco também é baixo. Seria, então, como uma alternativa a um investimento como criptomoedas como bitcoin.

A moeda estável é mais um passo do projeto de inovação da Minasul. Há dois anos cooperativa implantou a moeda de café para trocas em sua loja, no sistema barter. Assim, o cooperado dá café em troca de produtos. Mas, o cartão de crédito ainda é o maior concorrente do sistema, afirma Albinati.

Porém, a cooperativa já pensa em outras fases de uso de blockchain. Uma delas é o rastreamento da produção. Um dos objetivos é a cooperativa emitir créditos de carbono.

“O café é uma planta, os produtores ocupam o solo, tem gramíneas na área de cultivo, há reservas naturais que precisam ser mantidas e excedentes de reserva nativa. Queremos reverter isso em dinheiro, inclusive por crédito de carbono”, disse o diretor. Para isso, há também um projeto de mapeamento da lavoura imagens aéreas e inteligência artificial, por exemplo.

Esse negócio poderá até ser atrelado a uma moeda de carbono. “Estamos tentando nos alinhar ao Acordo de Paris e às políticas ASG (ambiental, sustentabilidade e governança). Poderemos neutralizar o que gastamos de carbono e vender café neutro em carbono. Além disso, o excedente (de compensação) pode se tornar títulos no mercado. Teremos de usar blockchain para dar garantia a isso.”

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