Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Capítulo Hyperledger Brasil quer ter mais engajamento com startups, empresas e academia

Blockchain está na arte com obras como a de Beeple. Foto: Shuttersnap Foto: Pixabay

O Capítulo Hyperledger Brasil começa o ano com novos líderes. Renato Teixeira é agora o líder (chairman), com um mandato que a princípio será de um ano, podendo ser prorrogado por mais um. Ele tem mente duas metas principais: aumentar o engajamento da comunidade com o público, como empresas, startups e academia, e integrar o capítulo com outros, em especial com o latino-americano.

O Hyperledger é um projeto open source da Linux Foundation. Portanto, qualquer um pode usar. O governo brasileiro, por exemplo, tem optado por essa plataforma. Diversas empresas também participam da comunidade global, como Accenture, IBM e Oracle.

Além disso, há membros que desenvolvem suas próprias soluções, como a R3, que tem a Corda, e a Consensys, que trabalha com Ethereum. Acontece que no futuro, seguindo o princípio de blockchain, o ideal é que todas possam se integrar e criar enormes redes. E assim, também facilitar a adoção de blockchain.

Capítulo mais conhecido

Marcos Sarres, novo vice-líder do Capítulo Hyperledger Brasil. Foto: GoLedger

Com Teixeira, especialista em novas tecnologias da Oracle, assume Marcos Sarres, diretor executivo da GoLedeger, como co-líder. Teixeira substitui Paulo Simões, também da Oracle e que criou o capítulo no início de 2019. Nessa tarefa de criação da comunidade, Simões teve o apoio de Carlos Rischioto, Fernando Galdino, Fernando Marino e Bernardo Madeira.

Segundo o novo líder, a integração com o público busca tornar a comunidade mais conhecida e, portanto, aumentar a troca de conhecimento. “Muitas startups que usam hyperledger não estão na comunidade. Queremos trabalhar de forma estruturada para trazê-las para dentro. Mas, de uma forma que eles mesmos nos encontrem”, disse ele ao Blocknews. Para isso, a comunicação será peça-chave nos próximos meses.

De acordo com Sarres, uma das ideias que surgiram é a de se fazer webinários para públicos selecionados. Já na academia, uma intenção é atrair estudantes que queiram aprender a tecnologia. E nas startups, o capítulo pretende incentivar o uso de tecnologias de registro distribuído (DLT).

Engajamento no capítulo

De acordo com Paulo Simões, a comunidade brasileira fechou 2020 com 2.292 membros, encontros semanais, alguns encontros técnicos e dois grupos de trabalho. Um deles cuida da criação da documentação em português e outro de identidade digital soberana. Há ainda um terceiro em gestação, sobre energia. Nem a pandemia atrapalhou, porque o grupo fez tudo virtualmente, completou. Para abrir o capítulo, ele teve de correr atrás da autorização da Hyperledger.

Esse número de membros, no entanto, refere-se a seguidores de canais da comunidade ou gente que participou de encontros. Portanto, a maioria não está engajada de forma permanente. A ideia é aumentar o número de pessoas realmente engajadas.

A meta de integrar o capítulo brasileiro com o latino-americano se deve ao conteúdo grande que é compartilhado naquele grupo. “Esse capítulo tem países como Argentina, México, Colômbia e Chile. Eles fazem muitas ações em comum. Quando o Banco do Chile vai falar sobre a implantação do hyperledger, faz isso pelo capítulo da América Latina”, afirmou Teixeira. “Seria interessante eles exporem (para nós) os cases deles. E nós, os nossos casos para eles.”

Comunidade diversificada

De acordo com Rischioto, que passou o bastão para Sarres, a comunidade hoje é bastante diversificada em termos de conhecimento dos participantes. “Vai dos iniciantes aos mais experientes e inclui perfis de desenvolvimento, infraestrutura e negócios.”

Além disso, é uma comunidade nacional. “Contamos com participantes de diferentes estados. Apesar de se concentrarem em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Curitiba, Porto Alegre e Brasília”, completou.

Hyperledger completou cinco anos em dezembro passado. A fundação global terminou o ano com mais de 200 membros corporativos e universidades que ajudam a desenvolver a solução. Também contou 16 projetos nomeados, 20 em laboratório, cinco capítulos regionais, incluindo o Brasil, e 20 provedores de certificados de serviços hyperledger. “Para uma pessoa como eu, ligada à fundação, isso é algo para se celebrar”, disse Simões.

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