Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Minasul poderá ter primeira criptomoeda do mundo lastreada em café e negociada em bolsa

Cooperativa quer rastrear café do campo à criptomoeda.

A Minasul, cooperativa de produtores de café de Minas Gerais, deve ter ainda neste semestre sua criptomoeda. E essa cripto poderá ser a primeira do mundo lastreada nesse produto. A Coffee Coin é, hoje, uma moeda digital para compras na loja da cooperativa. O próximo passo é, então, ser uma cripto e negociada em bolsa. Na sequência, virá o rastreamento do café em blockchain.

“Vamos rastrear o café do campo até a moeda”, disse ao Blocknews o diretor de novos negócios da Minasul, Luís Henrique Albinati. A primeira fase do projeto começou em setembro passado e para teste. A cooperativa estipulou que cada quilo de café verde vale um Coffee Coin.

Portanto, o valor dessa moeda é ajustado diariamente, conforme a cotação na Bolsa de Nova York e a padronização dos tipos de café. Ontem (20), o contrato futuro de café para março de 2021 fechou ontem em R$ 881 a saca de 60 quilos.

O processo de conversão da saca de café para Coffee Coin foi implantado pela iNove, com tecnologia Dynamics da Microsoft.

Cripto de café em bolsa

A Stonoex, antiga Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais (Bomesp), está trabalhando na transformação da Coffee Coin em criptomoeda. A ideia da cooperativa, portanto, é abrir a cripto para quem quiser investir em café.

De acordo com Ricardo Azevedo, CEO da bolsa, será uma utility coin, baseando-se no parecer da Comissão de Valores Mobiliários para a Niobium Coin. A Stonoex usa plataforma Ethereum.

Quando ainda era Bomesp, em 2017, a empresa lançou a Niobium. A CVM considerou que é uma utility coin, ou seja, não um ativo financeiro. Isso porque não paga dividendos e nem juros e quem tem a moeda não participa de sua gestão.

Nesse processo, a Minasul entra com sua expertise do mercado de café, com as sacas e seu conhecimento para desenvolver o produto. Enquanto a Stonoex cuida da parte tecnológica, criação e negociação da utility. “A ideia e registro são nossos”, diz Albenati.

Rastreamento desde a plantação

A Minasul, que tem 8,5 mil cooperados, deve começar a discutir a implantação do rastreamento do café no segundo semestre. “Nossa prioridade é estabilizar a Coffee Coin e depois entrar na rastreabilidade”. Para isso, a cooperativa, que engloba 200 municípios, ainda não tem um parceiro.

Embora já tenha implantando diversas novas tecnologias, Albinati afirma que por ser cooperativa, há limitação para tocar vários projetos ao mesmo tempo. “Somos uma cooperativa agro que tem um viés muito tecnológico”, completou.

Moeda para substituir cartão e permuta

De acordo com o diretor, hoje o cooperado pode usar o café que deposita na cooperativa para trocar pela Coffee Coin. Depois, isso é abatido de seu estoque. Com a moeda digital pode comprar o que quiser na loja, dos produtos mais baratos aos mais caros.

Os cooperados fizeram poucas trocas, afirmou Albinati, que não revelou o valor ou número de sacas trocadas. Mas, como o objetivo dessa fase é testar, a quantidade não é uma questão. A Minasul teve uma safra de R$ 1,8 milhão de sacas no ano passado. “Queríamos testar quem era o concorrente, que foi o cartão de crédito, e como o cooperado se comportaria.”

Além disso, a cooperativa já usa o método barter, comum no agronegócio para financiar safras, ou seja, usa a permuta de café por produtos. “Só que o barter é travado. Nem todos os produtos estão dentro, em especial os mais baratos. Agora, entra tudo. Além disso, é um processo burocrático, com contrato. Com a Coffee Coin, digitalizamos isso”, completou Albinati.

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