Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Brasil tem 181 startups com serviços em blockchain; maioria foca em finanças e B2B

Sudeste, em especial São Paulo, concentra as startups. Fonte: Distrito Blockchain Report.

O Brasil tem 181 startups focadas em serviços baseados em blockchain, que desde 2013 receberam apenas US$ 6,6 milhões (cerca de R$ 37,7 milhões) em investimentos. As informações fazem parte do Distrito Blockchain e Criptomoedas Report, divulgado hoje (24).

O relatório mostra ainda que 90 das 181 startups estão concentradas em serviços financeiros, em especial naqueles ligados a criptomoedas, o que difere do mercado internacional, onde finanças inclui mais segmentos de uso da tecnologia. Outras 42 startups se concentram em Blockchain-as-a-Service (BaaS). A categoria de menor representatividade é a de soluções para marketing e mídias.

E muito poucas, apenas 1,1% das starturps, estão ao mesmo tempo na categoria B2B e B2G. Enquanto as de B2B são a maioria, sendo 38% do total, o percentual das duas categorias combinadas mostra que muito poucas estão focadas em soluções para governos.

O estudo confirma uma percepção que se tem quando se transita pelo mundo blockchain: a de que estão concentradas na região Sudeste, que é a casa de 67,4% delas. Só no estado de São Paulo estão 47%. Em seguida vem o Sul, com 19,9%, em especial Santa Catarina e Paraná.

Maioria das startups está focada em finanças. Foto: Distrito Blockchain Report.

Quando o assunto são os investimentos e US$ 6,6 milhões, foram 34 rodadas, a maioria nas fases seed ou pré-seed. Os fundos de venture capital Bossanova e Gear Venture e as aceleradoras WOW e Darwin foram os que mais aplicaram esses recursos. O ano de 2016 foi destaque com a captação de US$ 1,94 milhão pela Intelipost, de logística, numa rodada série A. Bart Digital (US$ 700 mil) e Fohat (US$ 500 mil) também foram destaques no período.

Os números caíram nos anos seguintes e em 2020 se recuperaram em volume e negócios, com US$ 1,6 milhão, quase três vezes o do ano passado, de US$ 639 mil. Neste ano, quem se destacou na captação foram a bolsa de commodities Gavea (US$ 413 mil) e Growth Tech (US$ 350 mil), com captação em rodada pré-seed.

Na era dos ataques cibernéticos, startups focadas em segurança digital levaram 43% do total investido no setor e apresentam uma estimativa de valor maior do que as de serviços financeiros, que embora sejam a maioria, ficaram com 33% dos recursos.

Quando o assunto é mercado de trabalho, as startups demonstram um cenário ainda mais dominado por homens do que em outros segmentos do tecnologia. Apenas 12,2% dos sócios das empresas do relatório são mulheres, com as de segurança digital com o melhor percentual, de 17,8%. Em marketing e mídia não consta nenhuma sócia mulher.

Número de sócias mulheres é baixíssimo nessas startups. Fonte: Distrito Blockchain Report.

A perfil médio dos sócios das startups são homens de 38 anos, de São Paulo e que tem mais um sócio. É uma idade média inferior ao de outros segmentos de startups, como as insurtechs (45 anos) e healthtechs (40 anos).

No total, as 181 startups contabilizam 2,5 mil funcionários, sendo que a maioria desses negócios, 46,2%, tem até 5 funcionários e 39,3% tem de 6 a 20 profissionais.

O Blocknews participou do relatório com um artigo sobre a necessidade de informações confiáveis sobre o ecossistema blockchain no Brasil.

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