Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Brasil terá um dos únicos bunkers de criptomoedas da Prosegur no mundo

Com bunker para criptomoedas, Prosegur vai crescer nessa área no Brasil. Foto: Prosegur.

O Brasil será um dos primeiros países em que a Prosegur Crypto instalará seu novo bunker para criptomoedas nos próximos seis meses. A empresa vai priorizar seus principais mercados. Portanto, além da Espanha, onde o serviço começou, e aqui, terá bunkers na Argentina e na Alemanha. Isso significa ter aqui uma equipe preparada para atuar no segmento de gestão e custódia de moedas digitais que a empresa lançou em novembro de 2020.

A informação foi dada com exclusividade ao Blocknews por Adolfo Contreras, diretor de desenvolvimento de negócios institucionais da Prosegur Crypto. O executivo entrou em blockchain e criptomoedas ao tentar resolver um problema de entregas (última milha) num projeto de comércio eletrônico. Daí para frente diz que percebeu a importância de bitcoin e já participou de livros sobre a tecnologia e a moeda.

A empresa dos carros-fortes amarelos, que vão para cima e para baixo com dinheiro físico, diz que foi um passo natural entrar em moedas digitais. “Foi uma evolução natural, não tanto de medo. À medida que os ativos digitais ganham valor e status institucional, decidimos dar um passo no que é já o nosso negócio”, afirma Contreras.

A Prosegur Crypto não revela números desse braço de criptomoedas, mas conta com o crescimento de demanda de diferentes formatos de moedas digitais. “Ainda somos uma startup”, diz Contreras. Hoje, são uma dezena de clientes, incluindo, por exemplo, fundos de investimentos, empresas não listadas em bolsa de alto faturamento e em geral de tecnologia, uma bolsa de criptomoedas e empresas de protocolos.

Estão na Espanha, Argentina, Colômbia, Israel e Estados Unidos (EUA). ‘Trabalhamos a partir de 500 mil euros, mas há quem queira pagar o custo mínimo do serviço mesmo para valores menores”. O valor varia conforme a quantia custodiada.

Prosegur olha para vários tipos de criptomoedas

A Prosegur Crypto olha, além das criptomoedas do tipo “raiz”, as estáveis (stablecoins). Essas têm lastro em algum ativo, muitas ao dólar. “Tenho a sensação de que o mercado corporativo pode começar (comprando) stablecoins. E as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) também são um mercado para nós, porque temos essas instituições como clientes. Já tivemos contatos preliminares com países como El Salvador (que adotou bitcoin como uma das moedas nacionais)”, completou Contreras.

Como a regulação espanhola para criptomoedas ainda não está madura, muitas empresas do país estão indo para outros mercados, como a Alemanha, “que vai ser referência da regulação europeia”, avalia o executivo da Prosegur. “Por isso, nossos movimentos são mais para fora. Vamos para os mercados fortes da Prosegur e crescer comercialmente com nossas equipes”.

Segundo ele, há ritmos distintos de adoção das criptomoedas e, portanto, de adoção de serviços como o bunker da Prosegur. E faz um paralelo com corridas: o de criptomoedas é “sprint”. “Encontramos nele mais tração, mais retorno para o esforço comercial. Muitas empresas usam auto-custódia, mas outras temem pela segurança, e aí nos posicionamos”. À parte o fato de que o segmento já entende de moedas digitais.

“Uma coisa que estamos vendo é que muitos negócios de criptomoedas nasceram nos últimos 4 a 5 anos, com jovens, e fizeram a custódia em hardware wallets. Isso continua. Mas, os volumes são muito maiores agora e essas empresas começam a sentir medo de custodiar algo tão valioso”. diz o diretor da Prosegur Crypto.

Já a maioria do setor financeiro e corporativo avalia a proposta de valor das criptomoedas. “Aí é uma maratona, vai correr a médio prazo”. Há muita cautela nesses segmentos e é preciso explicar o básico sobre moedas digitais. Uma das confusões continua sendo, por exemplo, entre risco e volatilidade.

Bunker físico e digital com maleta militar

O bunker de custódia de ativos digitais é uma sala dentro de um cofre da Prosegur. A empresa fez uma parceria com a GK8, de sistemas de segurança cibernética de ativos digitais. Segundo as empresas, são 100 medidas de proteção em seis camadas integradas de segurança. O sistema inclui, dentre outros dispositivos, controle biométrico, vigilância armada e isolamento de comunicação digital externa por meio de firewalls. “O custo de atacar uma solução assim é astronômica”, afirma Contreras.

O dispositivo que gera, armazena e protege as chaves criptográficas fica numa maleta com proteção militar no cofre. O acesso a informações pelos funcionários tem limitações. Se alguém sem autorização tentar acessá-las, o sistema apaga o conteúdo para sempre. Aí é necessário ativar o plano de reconfiguração das chaves privadas com senhas que estão em outros cofres. A empresa usa uma computação multipartidária que faz transações em blockchain sem conexão à internet.

A Prosegur Crypto começou os trabalhos na Espanha, onde tem sua sede, e a partir do que está aprendendo deve replicar o serviço em outros mercados. O Brasil tem hoje cerca de 50 pessoas na equipe comercial da Prosegur Cash e que, ao menos em parte, devem receber treinamento para apresentar o serviço de criptomoedas a clientes. Poderá haver também profissional específico para esse serviço.

Nos quatro países em que a Prosegur Crypto planeja instalar o bunker primeiro, são 220 pessoas que já têm contato com potenciais clientes que podem se interessar por criptomoedas. E, assim, vão tentar abrir caminho no segmento de moedas digitais.

Questionado se a Prosegur pretende abandonar o dinheiro físico, Contreras diz que não. “Acho (os dois negócios) perfeitamente compatíveis. Bitcoin é um dinheiro para liquidação. São ativos intercambiáveis. E não vale a pena, por exemplo, trocar bitcoin para comprar um café”.

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