Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Minasul poderá ter primeira criptomoeda do mundo lastreada em café e negociada em bolsa

A Minasul, cooperativa de produtores de café de Minas Gerais, deve ter ainda neste semestre sua criptomoeda. E essa cripto poderá ser a primeira do mundo lastreada nesse produto. A Coffee Coin é, hoje, uma moeda digital para compras na loja da cooperativa. O próximo passo é, então, ser uma cripto e negociada em bolsa. Na sequência, virá o rastreamento do café em blockchain.

“Vamos rastrear o café do campo até a moeda”, disse ao Blocknews o diretor de novos negócios da Minasul, Luís Henrique Albinati. A primeira fase do projeto começou em setembro passado e para teste. A cooperativa estipulou que cada quilo de café verde vale um Coffee Coin.

Portanto, o valor dessa moeda é ajustado diariamente, conforme a cotação na Bolsa de Nova York e a padronização dos tipos de café. Ontem (20), o contrato futuro de café para março de 2021 fechou ontem em R$ 881 a saca de 60 quilos.

O processo de conversão da saca de café para Coffee Coin foi implantado pela iNove, com tecnologia Dynamics da Microsoft.

Cripto de café em bolsa

A Stonoex, antiga Bolsa de Moedas Virtuais Empresariais (Bomesp), está trabalhando na transformação da Coffee Coin em criptomoeda. A ideia da cooperativa, portanto, é abrir a cripto para quem quiser investir em café.

De acordo com Ricardo Azevedo, CEO da bolsa, será uma utility coin, baseando-se no parecer da Comissão de Valores Mobiliários para a Niobium Coin. A Stonoex usa plataforma Ethereum.

Quando ainda era Bomesp, em 2017, a empresa lançou a Niobium. A CVM considerou que é uma utility coin, ou seja, não um ativo financeiro. Isso porque não paga dividendos e nem juros e quem tem a moeda não participa de sua gestão.

Nesse processo, a Minasul entra com sua expertise do mercado de café, com as sacas e seu conhecimento para desenvolver o produto. Enquanto a Stonoex cuida da parte tecnológica, criação e negociação da utility. “A ideia e registro são nossos”, diz Albenati.

Rastreamento desde a plantação

A Minasul, que tem 8,5 mil cooperados, deve começar a discutir a implantação do rastreamento do café no segundo semestre. “Nossa prioridade é estabilizar a Coffee Coin e depois entrar na rastreabilidade”. Para isso, a cooperativa, que engloba 200 municípios, ainda não tem um parceiro.

Embora já tenha implantando diversas novas tecnologias, Albinati afirma que por ser cooperativa, há limitação para tocar vários projetos ao mesmo tempo. “Somos uma cooperativa agro que tem um viés muito tecnológico”, completou.

Moeda para substituir cartão e permuta

De acordo com o diretor, hoje o cooperado pode usar o café que deposita na cooperativa para trocar pela Coffee Coin. Depois, isso é abatido de seu estoque. Com a moeda digital pode comprar o que quiser na loja, dos produtos mais baratos aos mais caros.

Os cooperados fizeram poucas trocas, afirmou Albinati, que não revelou o valor ou número de sacas trocadas. Mas, como o objetivo dessa fase é testar, a quantidade não é uma questão. A Minasul teve uma safra de R$ 1,8 milhão de sacas no ano passado. “Queríamos testar quem era o concorrente, que foi o cartão de crédito, e como o cooperado se comportaria.”

Além disso, a cooperativa já usa o método barter, comum no agronegócio para financiar safras, ou seja, usa a permuta de café por produtos. “Só que o barter é travado. Nem todos os produtos estão dentro, em especial os mais baratos. Agora, entra tudo. Além disso, é um processo burocrático, com contrato. Com a Coffee Coin, digitalizamos isso”, completou Albinati.

Mitsubishi e Tokyo Tech criam plataforma blockchain de venda P2P de energia renovável

A Mitsubishi Electric Corporation e o Instituto de Tecnologia de Tóquio (Tokyo Tech) vão desenvolver uma blockchain para otimizar o comércio de energia peer-to-peer (P2P). O objetivo é permitir um uso mais efetivo da sobra de eletricidade gerada por energia renovável.

Isso será possível, segundo as empresas, porque vão criar plataformas de comercialização sem intermediários. Assim, os prosumidores, ou seja, produtores que também são consumidores, podem vender seus excedentes com o máximo de lucro.

De acordo com um comunicado das empresas, a blockchain vai verificar a efetivação das transações peer-to-peer. A partir de abril, as empresas vão avaliar o desempenho do sistema de energia para uma otimização do algoritmo, se necessário, para que as vendas comecem logo.

Peer-to-peer otimizado

A Mitsubishi Electric faz o design do sistema de comercialização P2P e das funções de clearing. Enquanto que o instituto desenvolveu a tecnologia blockchain e o design do algoritmo de clearing.

Segundo a Mitsubishi e o Tokyo Tech, o algoritmo permite que os computadores dos consumidores compartilhem suas demandas para achar os vendedores. Isso é feito com o mínimo de operação de computadores, afirmam. Além disso, “o no método de mineração é feito num servidor de micro-computação”.

As empresas estão criando a blockchain porque o sistema criado pelo governo do Japão para combater o aquecimento global está acabando. O sistema é o de feed-in tariff (FIT), ou contrato de oferta padrão. Governos usam o FIT para aumentar o uso de energia renovável.

Para isso, os contratos com quem produz energia renovável são de longo prazo. Com o fim do FIT, os prosumidores precisam encontrar quem compre sua energia para revender no varejo. A lei japonesa só permite que distribuidoras de energia vendam para o varejo.

Embrapa implanta rastreamento de cana-de-açúcar em SP; milho e soja também têm interesse

A Embrapa Informática Agropecuária começou a implantar no campo, neste ano, um projeto de rastreamento da cadeia produtiva de cana-de-açúcar com blockchain. O empresa está conduzindo o projeto com a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), a Safe Trace e usinas do interior do estado de São Paulo. O objetivo é ter maior confiança nos dados da cadeia.

Além da cadeia da cana, empresas de outros segmentos, como do etanol de milho e biodiesel de soja, formalizaram interesse em ir pelo mesmo caminho.

A iniciativa faz parte de pesquisas tecnologias baseadas em inteligência artificial, rastreabilidade e sensoriamento remoto. E para isso, envolveu também a Usina Granelli, em Charqueada, e outros dois produtores em Piracicaba e Tambaú. O projeto será executado por dois anos e o investimento é de R$ 466 mil.

Com o uso de blockchain, as embalagens dos produtos da usina vão receber o selo “Tecnologia Embrapa” e um código QR. O código contém informação da produção no campo, moagem, extração na usina, distribuição e venda ao consumidor.

Primeira pesquisa da Coplacana

“É um novo modelo de trabalho com esses cooperados, que traz segurança e promove maior integração, já que estão participando das pesquisas”, afirma Francisco Severino, gerente técnico da Coplacana. “É o primeiro investimento da história da cooperativa em pesquisa.”.

“Há uma demanda recorrente na agricultura pela rastreabilidade dos produtos e processos”, diz Stanley Oliveira, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Informática Agropecuária em comunicado da Embrapa. “Entre as principais vantagens está a invariabilidade das informações, criandoum caminho confiável de procedência ”, completa Alexandre de Castro, também pesquisador da Embrapa.

De fato, os consumidores estão cada vez mais exigentes em relação ao local onde está a produção, ou seja, se está área ambiental preservada. Além disso, querem saber o que é usado na produção e se há trabalho escravo ou subempregos envolvidos no processo.

Por isso, as empresas que adotam blockchain esperam também se diferenciar no mercado e até mesmo poder cobrar mais por seus produtos. A Usina Granelli, por exemplo, espera vender seu açúcar mascavo a um preço melhor, diz Mariana Abdalla Granelli, sua diretora jurídica.

Cadeia de biocombustível de soja e milho também querem rastreamento. Foto: Pixabay

Imagens para análises

De acordo com o comunicado da Embrapa, a parceria com a Coplacana inclui a geração de processos agropecuários, softwares, modelos, banco de dados e metodologia técnico-científica. A empresa também vai criar uma tecnologia baseada em sensoriamento remoto para organizar, processar e disponibilizar em nuvem imagens de satélite.

Portanto, com as imagem haverá análises das lavouras da cana-de-açúcar, o que permite um planejamento melhor da produção. E será possível também detectar doenças, deficiências nutricionais, estresse hídrico e estimativas de produção de biomassa.

Embrapa e RenovaBio

O sistema na Usina Granelli vai armazenar, ainda, dados primários de custódia da Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio. Isso porque, a partir deste ano, começa a compensação de emissão de CO2 na venda de combustíveis. Assim, quem produz biocombustível pode se qualificar para emitir os Créditos de Descarbonização (Cbios). Quem precisa fazer compensação pode comprar os créditos.

Um dos objetivos do projeto da Embrapa é criar um mecanismo para rastrear também os Cbios, o que pode evitar fraudes.

A Embrapa Informática Agropecuária e a Embrapa Meio Ambiente também estão desenvolvendo também outras soluções tecnológicas digitais para aprimorar o processo de certificação do RenovaBio.

Preks, plataforma de precatórios, passa no teste e está em busca de clientes institucionais

Testado seu software com a primeira homologação digital de venda de precatórios em blockchain, em dezembro passado, a startup Preks busca agora atrair participantes desse mercado para sua plataforma. Neste primeiro momento, isso inclui, por exemplo, os institucionais, como grandes fundos que compram boa parte desses títulos. Mais tarde, a ideia é ser um marketplace, fazendo a ponte entre detentores dos títulos e compradores.

Dessa forma, a startup foca num mercado secundário estimado em R$ 200 bilhões que é fragmentado e tem pouca liquidez, disse ao Blocknews Hélio Moraes, Chief Legal Officer da lawtech e sócio de direito digital e inovação do PK Advogados. Desse valor, a maior parte está congelada na mão dos detentores de direito.

Guilherme Nasser, também co-fundador da Juros Baixos, plataforma de empréstimos, e João Carlos Garcia fundaram a Preks. A startup foi uma das selecionadas do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas – o Lift Lab 2020. Há dois anos, o PK Advogados é apoiador e parceiro do negócio. Além disso, a lawtech tem um anjo investidor.

Também de olho nesse mercado bilionário, em 2019 o Mercado Bitcoin lançou tokens de precatórios.

Precatórios digitais

Primeiro, a startup quer prestar serviços para o público institucional, sendo originador das transações. Porém, na medida em que se tornar plataforma de referência, pretende atrair as pessoas físicas e as jurídicas que queiram descontar seus títulos. Esse segmento das físicas está muito pulverizado.

Os precatórios são dívidas dos governos com credores, que demoram anos para receber o dinheiro. No mercado secundário, os detentores dos papéis cedem o de direito de receber o valor em troca de um pagamento com desconto sobre a face, ou seja, com deságio. É um processo que pode demorar e ter fraudes.

A inovação da Preks está centrada em três elementos, afirma Moraes. A primeira é a sessão de direito na plataforma por meio de assinatura digital. “Eu, em São Paulo, posso comprar um precatório no Nordeste, por exemplo.” Com o instrumento de seção em mãos, é possível fazer o registro na plataforma blockhain para se ter o carimbo do tempo.

E o terceiro elemento é a conta escrow, como se fosse de custódia, na qual o comprador deposita o valor. Uma vez que a Justiça defere a transação, o dinheiro é liberado. Hoje, uma fraude possível é o o vendedor passar a cessão e o comprador não pagar. Ou o contrário. A conta no banco custodiante, cujo nome a Preks não revela, é no nome do comprador e o dinheiro fica reservado. O banco libera o valor para o comprador, e com rapidez, assim que sai a autorização da cessão de direito.

Custos em definição

Dessa forma, o software, que está em Ethereum, tira o cartório do processo na hora do reconhecimento de firma da assinatura e no registro em blockchain. Isso porque “deixa de ser registro de títulos e documentos, que hoje é pulverizada e que não se consegue verificar em todos os cartórios”, completou Moraes.

Com o marketplace, a Preks pretende criar uma rede de compradores e vendedores, dar suporte aos clientes institucionais e reduzir o custo para as pessoas. “isso permite uma inclusão e transações diretas pela plataforma”, afirmou o CLO da Preks.

De acordo com Moraes, no registro em cartório há uma taxa atrelada à transação. Enquanto isso, na plataforma haverá uma comissão de intermediação, “balizada pelo mercado, pelo deságio que os grandes players pagam”, diz o advogado. Porém, o custo de transacionar em blockchain elimina a taxa de cartório. A lawtech ainda está precificando o uso da plataforma.

Parceria para não afundar

O PK Advogados, segundo Moraes, tem parcerias com startups para identificar aquelas com potencial. “É o momento em que mais precisam de advogado e menos têm dinheiro para isso. Se estruturarem mal o negócio, vai por agua abaixo.” O trabalho com startups de blockchain começou nos últimos anos.

Para ele, o investidor de risco no Brasil já começou a entender que startups não dão retorno de CDI. Ou seja, é algo de risco e isso o escritório se deu conta há muito tempo, completa. De acordo com o advogado, esse trabalho com startups é muito pontual no faturamento do escritório de cerca de 100 profissionais. “É a parcela que a gente pode postegar o recebimento para quando houver receita ou houver um round de investimento”.

Covalent, marca de acessórios, usa blockchain para rastrear emissão de carbono

A Newlight Technologies, uma biotech do setor da moda, está usando blockchain para rastrear a emissão de carbono e a cadeia de suprimentos da sua marca Covalent. A empresa produz acessórios com um material regenerativo feito a partir de microrganismos achados no oceano. Assim, substitui plástico e fibras.

A biotech, fundada Califórnia, diz que isso ajuda a reduzir o despejo de gás carbônico e de plástico sintético no meio ambiente. Portanto, o produto, o AirCarbon, tem também um certificado de emissão negativa de carbono. De acordo com IBM, uma pesquisa mostrou que 57% dos consumidores trocariam de hábito de consumo para comprar produtos mais sustentáveis.

A Newlight usa a plataforma LinuxONE da IBM, portanto, a solução Hyperledger. Segundo a empresa, os acessórios têm um número que mostra o rastreamento do processo de produção, além do impacto de emissão de carbono.

Consumers can trace the carbon impact of their Covalent products with IBM blockchain. Credit: Newlight Technologies
Empresa usa blockchain para rastrear emissão de carbono de seus produtos. Foto Newlight.

A sequência de 12 dígitos, a “Data do Carbono”, representa a hora de criação da peça com o AirCarbon. A verificação das informações é feita pelo site da Covalent.

“Nosso objetivo é dar às pessoas informações para que decidam que tipo de impacto querem gerar”, disse o CEO da Newlight, Mark Herrema. Isso ajuda, por exemplo, a tangibilizar o caminho que levou à criação do produto, completou.  

A Newlight foi fundada em 2003 e levou 10 anos para desenvolver e começar a vender seus produtos, de vão de óculos e carteiras a bolsas.

Sócios da Rodopoulos CCV e Ineep criam hub de inovação em Brasília focado em criptotechs

Sócios da Rodopoulos CCV, que atua no setor imobiliário em Brasília, e o Instituto Nacional de Excelência em Políticas Públicas (Ineep) estão criando um hub de inovação na capital federal. O Zung Hub terá foco especial em criptotechs. De acordo com os sócios, esse é o primeiro polo digital privado no setor comercial da Asa Sul da capital.

O hub funcionará como aceleradora. A gestão será do Ineep, que desenvolve soluções em blockchain. Os parceiros criaram uma empresa, a Zung Tech, para comercializar as soluções das startups. A ideia é ter outros braços, como por exemplo, um campus online. O investimento no negócio é de R$ 15 milhões.

“Há cinco anos, começamos a pensar em atrair empresas de tecnologia para os prédios. Começamos a fazer retrofit para as que são ilhas de tecnologia”, disse ao Blocknews Lígia Meirelles, vice-presidente da Rodopoulos. A executiva é ainda idealizadora e uma das sócias no hub. Christiano Rodopoulos, presidente da empresa, é o outro sócio e CTO do hub de inovação.

Hub para pequeno empresário

O hub deve começar com cerca de oito fintechs interessadas em usar o espaço, além da 5XBank, banco digital criado pelo Ineep. Além de Brasília, o plano é ter um braço em João Pessoal.

Segundo Marcus Lisboa, presidente do instituto, “o 5XBank está estruturada para pagamentos, mas queremos ‘plugar’ na blockchain para ser uma criptotech. Assim, vai registrar transações na blockchain”. Estimular a criação de bancos digitais com essa tecnologia é um dos objetivos do hub.

De acordo com Lígia, o Zung (Deus em mandarim) vai atender em especial o mercado corporativo. A iniciativa está relacionada também à baixa participação do Centro-Oeste no faturamento do setor de TIC do Brasil. Ela afirma que o percentual gira em torno de 12,5%. No entanto, São Paulo sozinho fica com 77%.

A intenção é que, sempre que possível, os empreendimentos do Rodopoulos usem as soluções das startups. O grupo quer usar uma solução de gestão empresarial, ERP, integrada com um marketplace para os lojistas do Alameda Shopping. São cerca de 100 lojistas. Além disso, o plano é o 5XBank oferecer soluções financeiras para esses empresários.

Demandas de municípios

Segundo os sócios do Zung, o hub tem foco em atrair pequenos empreendedores. Mas, esses podem acabar oferecendo soluções a governos. Há uma expectativa de que os prefeitos eleitos, por exemplo, gerem demanda por soluções digitais. Ou seja, podem surgir demandas por soluções para questões como as que aumentam a eficiência e transparência de processos e as que tratem da segurança cibernética e da adequação.

Além disso, como o hub está Brasília, poderá também gerar uma provocação de maior demanda pelo governo federal , afirma Lisboa, ex-funcionário do governo e do Distrito Federal (DF).

O Ineep nasceu focado em soluções para governos. Uma delas é para voto eletrônico, testada durante as eleições municipais de 2020. Em 2009. quando morava nos Estados Unidos, Lisboa começou a lidar com blockchain. Isso foi um ano depois do white paper de Satoshi Nakamato. “Não havia cursos, descobri tudo na marra, analisando prova de consenso do bitcon e mineração”, diz ele.

Oportunidade em meio-ambiente

Ineep ajudou a criar a Amazon Coin, para projetos ambientais.

O Ineep está constituído como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Com isso, não pode paga impostos e não pode participar de licitações. Mas pode participar dos chamamentos públicos, como o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o teste na eleição. Ou seja, não entra em grandes concorrência e na disputa com grandes atores. No entanto, pode ser a única ou uma das únicas com solução blockchain a participar de chamamentos. Neles, só entram as organizações da sociedade civil (OSCs).

Um exemplo é o potencial criado pela lei federal 14.119 deste ano, que criou a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. De acordo com a lei, há agora o reconhecimento do setor privado, das Oscip e de outras ONGs “como organizadores, financiadores e gestores de projetos de pagamento por serviços ambientais, paralelamente ao setor público, e como indutores de mercados voluntários.” O instituto, diz Lisboa, poderia atuar em tokenização em projetos ambientais.

A instituição já participou do desenvolvimento da Amazonas Coin. A moeda tem o objetivo de levantar recursos para o desenvolvimento de áreas desmatadas. A AMZ foi colateralizada numa área de 20 mil hectares de floresta da Gleba Santana, em Barcelos (AM) e está à venda na VinDAX.

Solução com interoperabilidade

A associação ao Rodopoulos e seus sócios faz parte da estratégia de entrar no setor privado. Para isso, a Oscip tem a blockchain PoP (Prova de Participação).

De acordo com Christiano Rodopoulos, a PoP usa o Ethereum Virtual Machine (EVM), software que permite a criação de aplicativos descentralizados. Com isso, a blockchain tem interoperabilidade com qualquer contrato inteligente da Ethereum ou da Hyperledger Besu. É na Ethereum que praticamente todos os smart contracts estão hoje.

A lógica da PoP é incentivar a participação de validação na rede permissionada por meio de utility tokens, ou seja, tokens de conveniência. Dessa forma, busca que os nós fiquem o máximo de tempo possível disponíveis. Em geral, diz ele, nós de permissionadas só ficam disponíveis quando precisam validar suas operações, por causa do custo de se manter online.

Só blockchain não é interessante

O PoP tem soluções para uso em casos como o de identidade digital, criação e documentos digitais, seguros para criação de apólices, por exemplo, e banco digital. O usuário pode também desenvolver seu próprio token. Há ainda a carteira digital, que não é custodial.

“Oferecer blockchain já não é mais tão interessante. O que fazemos é desenvolver também aplicações”, diz Lisboa. A rede pode até chegar a cerca de 15 mil transações por segundo, mas o Ineep lembra que isso depende, em boa parte, da infraestrutura.

O Ineep se tornou membro da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), porque um de seus interesses é oferecer soluções para o setor.

GoLedger, govtech de blockchain, quer entrar no setor privado e chama startups para testes

A GoLedger, até agora uma govtech de soluções blockchain, passará a concorrer também no mercado privado. Por isso, vai lançar um marketplace e escolher cinco startups que testarão a plataforma GoFabric por seis meses. As inscrições desse programa de early adopters começa nesta sexta-feira (15).

A startup foi contratada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, pela Empresa de Tecnologia do Estado do Ceará (Etice) e pela Superintendência de Obras Públicas do Ceará (SOP). Além disso, venceu o Primeiro Concurso Nacional de tecnologias policiais (Startpol). De acordo com a GoLedger, a empresa foi vencedora dos dois primeiros editais que demandaram a tecnologia no país. E foi uma das escolhidas para o teste de plataformas de voto digital na última eleição.

Otávio Soares, COO da empresa, disse ao Blocknews que a prospecção no setor privado é um movimento natural. “Queremos atingir o mercado internacional. Para isso, identificamos que essa é a melhor maneira”, completou. Ainda nesse semestre, será lançado o marketplace em inglês com soluções blockchain.

Burocracia e fraudes

“Enxergamos dois grandes problemas tanto no governo, quanto em empresas privadas. Em primeiro lugar, está o excesso de burocracia que existe nos processos atuais. O mesmo documento físico passa por diversas entidades para ser validado, por exemplo. Em segundo lugar, está o excesso de fraudes que acontecem no país.”

Isso se deve, segundo ele, à distribuição das informações em diferentes bases de diversas instituições. “Blockchain vem para resolver exatamente isso”. A empresa tem soluções como a de identificação de pessoas, gestão de processos, rastreabilidade de produtos e alinhamento à LGPD. Esses são módulos da plataforma GoFabric.

No entanto, GoLedger, que está baseada em Brasília, já tem um dedo no setor privado. A Spezi, empresa de software, usou GoFabric para gravação das transações. Agora, vai testar no monitoramento e registro de documentos.

GoLedger no governo

A ida para o setor privado não se deve à falta de interesse dos governos em blockchain, segundo Soares. Os governos, principalmente em 2020, se deram conta que a tecnologia tem potencial para impulsionar a transformação digital, com a criação de novos modelos de operação, afirmou.

Porém, governo é governo e tudo pode mudar rápido e assim, trazer problemas enormes para quem só investe no setor público.

Soares afirma que a demanda por provas de conceito (PoCs) foi grande. Isso inclui órgãos como o Tribunal Superior Eleitora, o Ministério das Minas e Energia (MME) e o Conselho de Justiça Federal (CJF). “Todos já haviam ouvido falar da tecnologia, mas nunca haviam vista um sistema baseado nela”.

Por isso, sempre que a GoLedger tinha de repetir algum desenvolvimento automatizava o processo para ter mais agilidade. “Com o passar do tempo, passamos a entregar PoCs ao invés de 3 meses, para uma semana”, completou Soares. E então, a partir daí que se criou a GoFabric.

Solução GoFabric

Dashboard da plataforma GoFabric. Foto: GoLedger

A empresa diz que a GoFabric, que é baseada em Hyperledger, pode ser usada mesmo por quem não tem nenhuma experiência em blockchain. A troca de informações pode ocorrer por uma interface (wizard) de templates, por um template pré-configurado ou pelo contrato inteligente (smart contract) através de um arquivo.

Mas um dos diferenciais da plataforma, afirma Soares, é permitir a criação de contratos inteligentes automaticamente. Um outro é o gerenciamento nativo de middleware. “No futuro, queremos deixar o módulo de gerenciamento de infraestrutura como opcional. O padrão GoLedger poderá ser substituído por outros como IBP e Oracle Autonomous Blockchain Service.”

Escolha das startups

A GoLedger poderá receber indicações de startups também de centros de inovação. Dentre eles estão BrazilLAB, Innovation LATAM, Hub de Inovação do Banco do Nordeste, Usina Pernambucana de Inovação, Adesampa. Além disso, conversou com o Open & Agile Smart Cities (OASC) no Brasil e a Startup Chile. A divulgação das startups escolhidas será no dia 5 de fevereiro e o programa começa dia 9. As inscrições são feitas pelo site do programa Ealy Adopters GoFabric.

Segundo Soares, as startups poderão usar a plataforma GoFabric “para criar, expandir e trabalhar na governança de suas redes blockchains escaláveis”. O uso não terá custo e terá o apoio da GoLedger. Além disso, poderão usar de graça, por um mês, os recursos de nuvem da AWS, parceiro da GoLedger.

“Elas terão a oportunidade única de criar barramentos distribuídos por meio de REST APIs gerenciados por uma rede blockchain permissionada. Assim, poderão utilizar isso em seus projetos, sistemas e MVPs”, completou.

OEA Cyberwomen Challenge deste ano acontece em fevereiro no formato online

A edição deste ano da OEA Cyberwomen Challenge acontecerá nos próximos dias 10 e 11 de fevereiro. O evento será online. A organização é da Trend Micro, Organização dos Estados Americanos (OEA) e governo do Reino Unido. Além disso, tem apoio da Womcy – Latam Women in Cybersecurity, ONG focada em aumentar a participação de mulheres em segurança cibernética.

De acordo com os organizadores, o evento é focado em mulheres que estudam ou estão iniciando a carreira na área. No primeiro dia, haverá um painel sobre tecnologia com executivas do mercado.

Entre as palestrantes estará Claudia Anania, líder de TI do Instituto Butantan. Adriana Shimabukuro, técnica do Núcleo Técnico de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público Federal (MPF), também falará. Letícia Gammill, líder para Américas da equipe de Canais de Cybersecurity da Cisco e fundadora e presidente da Womcy, será uma das outras panelistas.

Situações reais de cibersegurança

No dia seguinte, as participantes passarão por simulações de situações real cibersegurança. Assim, poderão aprender a resolver problemas como migração de aplicações, apps de orquestração e uso de Security as Code. Haverá premiação para o grupo vencedor.

As participantes deverão ter conhecimento em Windows e Linux, redes, segurança, containers, pipelines e imagens e em processo de DevOps, assim como conhecimento das ferramentas: Github, Jenkins, ECR (da Amazon), Kubernetes, Docker e APIs.

Everis tem nova líder

Andréa Thomé, nova líder de Cibersecurity da Everis. Foto: Arquivo pessoal.

Andréa Thomé, líder do capítulo Brasil da Womcy, é a nova líder de Cybersegurança da everis Brasil. Assim, tem a missão de estruturar a área no Brasil. A executiva tem mais de 26 anos de experiência em soluções de governança, riscos e compliance. Sua ênfase tem sido em segurança da informação em ativos digitais, governança, gestão de riscos de negócios e tecnologia e auditoria interna. Já passou por empresas multinacionais como EY, PwC, ISS/IBM, Baker Tilly e Phillips.

Além disso, a executiva é professora de Segurança da Informação, Gestão de Riscos, Governança de TI e Auditoria Interna em cursos de extensão e pós-graduação em instituições como Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e FIA.

BNDES Garagem escolhe consórcio acelerador e chamará startups no segundo trimestre

O consórcio AWL, formado pela Artemísia, Wayra Brasil e Liga Ventures será a aceleradora que executará a segunda edição do BNDES Garagem. Nesta edição, o foco será em startups que geram negócios com impacto socioambiental.

A chamada das startups do primeiro de três ciclos deve começar no segundo trimestre. Serão 45 em cada ciclo. Cada um deles deve durar de três a quatro meses. Assim, o programa todo vai durar 30 meses. O primeiro deles deve ser semipresencial.

De acordo com o BNDES, o foco principal do primeiro ciclo são soluções para saúde, educação, sustentabilidade, govtech e cidades sustentáveis.

BNDES Garagem tem dois módulos

Os ciclos têm dois módulos. Um deles é o de tração, para startups no Brasil, que faturam menos de R$ 16 milhões ao ano e que já possuam um produto no mercado. O outro é o de criação, para empreendedores baseados aqui ou no exterior. Eles devem apresentar propostas de negócios para criação ou de melhoria de um produto mínimo viável.

No final de cada ciclo, as startups apresentarão seus projetos a investidores no Demo Day. O BNDES não vai exigir participação acionária nos negócios.

Na primeira edição do BNDES Garagem, em 2018 e 2019, mais de 5 mil startups se inscreveram. No total, 79 participaram e 74 foram até o final do ciclo. Dessas, 44 participaram no módulo de criação e 30 no de aceleração.

Rede BNDES Garagem

A AWL vai participar da seleção das startups com o BNDES. Além disso, vai acompanhar o desenvolvimento dos negócios, com aconselhamento técnico, jurídico e mercadológico. O consórcio vai, também, fazer a ponte com das startups com investidores e potenciais clientes.

Como a procura para as vagas ultrapassa, em muito, o que há disponível, o BNDES criou a Rede BNDES Garagem. O objetivo da rede é promover o empreendedorismo com eventos e conteúdos de educação.

Capítulo Hyperledger Brasil quer ter mais engajamento com startups, empresas e academia

O Capítulo Hyperledger Brasil começa o ano com novos líderes. Renato Teixeira é agora o líder (chairman), com um mandato que a princípio será de um ano, podendo ser prorrogado por mais um. Ele tem mente duas metas principais: aumentar o engajamento da comunidade com o público, como empresas, startups e academia, e integrar o capítulo com outros, em especial com o latino-americano.

O Hyperledger é um projeto open source da Linux Foundation. Portanto, qualquer um pode usar. O governo brasileiro, por exemplo, tem optado por essa plataforma. Diversas empresas também participam da comunidade global, como Accenture, IBM e Oracle.

Além disso, há membros que desenvolvem suas próprias soluções, como a R3, que tem a Corda, e a Consensys, que trabalha com Ethereum. Acontece que no futuro, seguindo o princípio de blockchain, o ideal é que todas possam se integrar e criar enormes redes. E assim, também facilitar a adoção de blockchain.

Capítulo mais conhecido

Marcos Sarres, novo vice-líder do Capítulo Hyperledger Brasil. Foto: GoLedger

Com Teixeira, especialista em novas tecnologias da Oracle, assume Marcos Sarres, diretor executivo da GoLedeger, como co-líder. Teixeira substitui Paulo Simões, também da Oracle e que criou o capítulo no início de 2019. Nessa tarefa de criação da comunidade, Simões teve o apoio de Carlos Rischioto, Fernando Galdino, Fernando Marino e Bernardo Madeira.

Segundo o novo líder, a integração com o público busca tornar a comunidade mais conhecida e, portanto, aumentar a troca de conhecimento. “Muitas startups que usam hyperledger não estão na comunidade. Queremos trabalhar de forma estruturada para trazê-las para dentro. Mas, de uma forma que eles mesmos nos encontrem”, disse ele ao Blocknews. Para isso, a comunicação será peça-chave nos próximos meses.

De acordo com Sarres, uma das ideias que surgiram é a de se fazer webinários para públicos selecionados. Já na academia, uma intenção é atrair estudantes que queiram aprender a tecnologia. E nas startups, o capítulo pretende incentivar o uso de tecnologias de registro distribuído (DLT).

Engajamento no capítulo

De acordo com Paulo Simões, a comunidade brasileira fechou 2020 com 2.292 membros, encontros semanais, alguns encontros técnicos e dois grupos de trabalho. Um deles cuida da criação da documentação em português e outro de identidade digital soberana. Há ainda um terceiro em gestação, sobre energia. Nem a pandemia atrapalhou, porque o grupo fez tudo virtualmente, completou. Para abrir o capítulo, ele teve de correr atrás da autorização da Hyperledger.

Esse número de membros, no entanto, refere-se a seguidores de canais da comunidade ou gente que participou de encontros. Portanto, a maioria não está engajada de forma permanente. A ideia é aumentar o número de pessoas realmente engajadas.

A meta de integrar o capítulo brasileiro com o latino-americano se deve ao conteúdo grande que é compartilhado naquele grupo. “Esse capítulo tem países como Argentina, México, Colômbia e Chile. Eles fazem muitas ações em comum. Quando o Banco do Chile vai falar sobre a implantação do hyperledger, faz isso pelo capítulo da América Latina”, afirmou Teixeira. “Seria interessante eles exporem (para nós) os cases deles. E nós, os nossos casos para eles.”

Comunidade diversificada

De acordo com Rischioto, que passou o bastão para Sarres, a comunidade hoje é bastante diversificada em termos de conhecimento dos participantes. “Vai dos iniciantes aos mais experientes e inclui perfis de desenvolvimento, infraestrutura e negócios.”

Além disso, é uma comunidade nacional. “Contamos com participantes de diferentes estados. Apesar de se concentrarem em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Curitiba, Porto Alegre e Brasília”, completou.

Hyperledger completou cinco anos em dezembro passado. A fundação global terminou o ano com mais de 200 membros corporativos e universidades que ajudam a desenvolver a solução. Também contou 16 projetos nomeados, 20 em laboratório, cinco capítulos regionais, incluindo o Brasil, e 20 provedores de certificados de serviços hyperledger. “Para uma pessoa como eu, ligada à fundação, isso é algo para se celebrar”, disse Simões.