Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Amazon posta vaga e sinaliza avanço em projeto de sua moeda digital

A Amazon dá mais um sinal de que está pondo em marcha seu plano de ter uma moeda digital. A empresa está procurando um profissional para trabalhar com criptomoedas, inclusive a sua, e blockchain. A empresa acaba de anunciar uma vaga para “Digital Currency and Blockchain Product Lead” em seu site nos Estados Unidos (EUA). O escolhido vai trabalhar com os sistemas de pagamentos e financeiros da empresa.

Em fevereiro passado, a Amazon já procurou uma pessoa para trabalhar num projeto que permitirá aos clientes converter dinheiro em moeda digital. O projeto, a princípio, seria lançado no México.

A empresa, que já pediu patenteamento de uso de blockchain, diz que a pessoa escolhida vai trabalhar com blockchain, registro distribuído, moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) e criptomoedas. Com a Amazon AWS, o candidato vai desenvolver o caminho, “incluindo experiência do consumidor, estratégia técnica e capacidades, assim como a estratégia de lançamento”.

Dentre os requisitos, a Amazon pede mais de 10 anos de experiencia em gerenciamento de produtos ou projetos, marketing de produtos. Assim como profundo conhecimento do ecossistema de moedas criptografadas e tecnologias relacionadas a isso. Vai ter preferência quem tiver MBA ou uma experiência equivalente.

A vaga é em Seattle.

Agência de relações públicas Motim lança moeda para projetos sociais

A agência de relações públicas Motim lançou, nesta terça-feira (20), uma criptomoeda para reputação de empresas. A agência vai enviar unidades da RepCoin (RPTC) a seus 46 clientes e poderão ser revertidas em ações de comunicação para projetos sociais. Trata-se, portanto, de uma estratégia de marketing da agência combinada com ação social.

Depois de 12 meses de contrato com a Motim, os clientes poderão reverter a moeda, emitida em Ethereum, em serviços de assessoria de imprensa ou de conteúdo para organizações não-governamentais (ONGs) e projetos sociais. Esses projetos poderão, então, adquirir serviços da Motim com a cripto. Um exemplo dessa troca seria a de 1 mil RPTCs por uma assessoria de imprensa, por três meses.

Já há o uso de blockchain e tokens em diferentes áreas da comunicação. Um exemplo é, na publicidade, aplicação de blockchain para monitoramento de instalação de propaganda de rua. Isso garante que a publicidade foi alocada na quantidade e locais que a agência prometeu ao cliente.

Na imprensa, veículos como o The New York Times começaram a testar blockhain contra informações falsas. Por exemplo, para registro e checagem de veracidade de imagens.

Editora do Blocknews falará sobre jornalismo e blockchain em encontro da Hyperledger Brasil

Como é o trabalho de jornalismo focado de tecnologias inovadoras como blockchain e criptoativos? Nesta quinta-feira (22), às 19h00, a fundadora e editora-chefe do Blocknews, Claudia Mancini, irá apresentar o mundo das notícias relacionadas ao impacto dessa inovação na sociedade e nos negócios.

A conversa será no Meetup do Capítulo Brasil da comunidade Hyperledger. Renato Teixeira, chair do capítulo, e Marcos Sarres, co-chair da comunidade, serão os panelistas.

Vamos falar da minha história no jornalista, meu processo de trabalho, o dia-a-dia e como a cobertura está mudando rapidamente, junto o ecosssistema.

Imperdível para todos os amantes da tecnologia Blockchain e entusiastas do jornalismo.

As inscrições são feitas pelo Meetup, no link https://bit.ly/36RHYsI.

DeFis, NFTs e criptos aceleram blockchain mais do que empresas, diz Gartner

As aplicações de blockchains públicas estão prosperando, mas os projetos em blockchain permissionada são escassos. A conclusão é de estudo da Gartner. Para a consultoria, até 2023, 35% das blockchains corporativas se integrarão com aplicações e serviços descentralizados. “Os benefícios são simplesmente muito grandes para se ignorar e muito maiores que os custos”.

O mercado há algum tempo vem indicando que projetos em redes públicas poderão tomar mais espaço, mesmo em empresas, do que as permissionadas.

De acordo com a Gartner, a inovação em blockchain continua seguindo em frente de modo firme. Um exemplo disso é o movimento de estudos ou adoção da solução em redes de pagamentos e bancárias para questões como as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).

O estudo não citou, mas o Banco Central Europeu (BCE) disse ontem (14) que não encontrou obstáculos técnicos para emitir o euro digital. E que a tecnologia de registro distribuído (DLT) é uma opção para o projeto.

Os retornos que os aplicativos de finanças descentralizadas oferecem são maiores do que os do mercado tradicional, o que é mais um ponto a favor de blockchain, diz a Gartner. Aliás, fundos de hedge que operam de forma centralizada já estão olhando para isso, completa.

NFTs e DeFis ajudam blockchain a crescer

Tem havido também a explosão de tokens não-fungíveis (NFTs), que viraram uma “mania” global, abrindo novas frentes de receita para artistas, por exemplo. Além de surgirem opções mais baratas do redes do que a Ethereum, como as blockchains da Binance, Cardano e Solana.

Os DeFis também já usam a interoperabilidade, um ponto que é visto por alguns analistas como crucial para o avanço do uso de blockchain. E há um movimento para usos mais conscientes de energia, ao se trocar o proof-of-work (PoW) do bitcoin pelo proof-of-stake (PoS). E isso é liderado pelas melhorias que a rede Ethereum está buscando implantar.

Para o Gartner, a adoção de bitcoin no mainstream também é uma boa notícia para blockchain. Mas, a empresa aponta como um exemplo a adoação de bitcoin como moeda legal. No entanto, esse assunto, do ponto de vista macroeconômico e financeiro, levanta hoje mais dúvidas e indicações de riscos do que de benefícios. Isso porque o país, que não está bem economicamente, fará a adoção em 7 de setembro sem nenhum estudo prévio.

Apesar de avanços, há uma série de desafios pela frente, completa a consultoria. Um deles é a adoção lenta de blockchains permissionadas. O uso tem sido em especial em cadeias de suprimentos e rastreamento de origem. Porém, no restante dos casos, as empresas ainda tentam se alinhar aos benefícios da tecnologia distribuída.

Um outro, que se refere às criptomoedas, é que sua adoção pelas empresas ainda precisa de mais clareza regulatória e padrões de contabilidade. à pate o fato de que a China, onde ficava boa parte dos mineradores, está barrando a atividade, possivelmente por conta do lançamento do iuan digital.

Unicórnios de blockchain sobem para 26 no mundo; só 2TM é brasileiro

O número de empresas de blockchain que se tornaram unicórnios subiu de 14 no final de 2019 para 26 no final do primeiro semestre de 2021 e inclui o grupo brasileiro 2TM. Assim, superou a estimativa da Blockchain Coinvestors, que investe no setor e em projetos de criptomoedas. A expectativa era de mais de dez unicórnios até o final deste ano, disse Matthew Le Merle, co-fundador da empresa.

De acordo com o levantamento de unicórnios da Blockchain Coinvestors, além das 26 empresas baseadas em blockchain, há 76 projetos de criptomoedas que valem a partir de US$ 1 bilhão, que é o conceito de unicórnio. Portanto, dos cerca de 600 unicórnios no mundo, perto de 102 são de blockchain.

O executivo afirmou que o levantamento considera as informações que são divulgadas. Por isso, alguns valores podem ser até maiores do que a lista da Blockchain Coinvest mostra.

Esse crescimento aconteceu em paralelo a um salto do investimento de risco (venture) em empresas e projetos de blockchain e criptomoedas. No segundo trimestre de 2021, houve 497 investimentos de risco, segundo o The Block Research. O valor total atingiu US$ 9,7 bilhões (cerca de R$ 53,35 bilhões).

No entanto, US$ 3,5 bilhões se referem apenas ao investimento do fundo Block.One na Bullish, projeto de uma bolsa de criptomoedas. Tirando esse valor, que responde por quase 30% do total, sobram ainda US$ 6,2 bilhões. Isso representa cerca de 90% de aumento em relação ao primeiro trimestre.

“Cem unicórnios de blockchain é número muito grande”

“Cem é um número muito grande. E cresceu num ritmo mais rápido do que todo o grupo de unicórnios. Isso mostra o enorme valor que essa tecnologia está desbloqueando”, afirmou Le Merle na divulgação dos resultados. Segundo ele, a Blockchain Coinvestors aporta recursos em 65% das empresas e em 45% dos projetos de criptomoedas.

O grupo 2TM, dono de empresas como Mercado Bitcoin e Blockchain Academy, e sua concorrente Bitso, bolsa de criptomoedas mexicana, são os únicos unicórnios da América Latina na lista. Porém, o grupo 2TM aparece com o valor de US$ 2,1 bilhões, como recentemente divulgado. Enquanto a Bitso, com US$ 1 bilhão.

Os Estados Unidos (EUA) respondem por 11 das empresas de blockchain ue são unicórnios e por 8 das 12 blockchain públicas que também superaram US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões). No final de 2020, havia 5 projetos de blockchain públicas.

Segundo a Coinvestors, enquanto o valor de mercado de empresas de blockchain e de aplicativos de criptomoedas como Dapper subiu, o dos projetos de criptomoedas caiu. E isso tem relação com a queda do valor das moedas, já que é assim que os projetos são avaliados.

Empresas prontas para listarem ações

“No primeiro trimestre houve uma maturação das empresas de blockchain e algumas agora estão prontas para listarem suas ações por meio de ofertas iniciais de ação (IPO) ou por meio de Spacs”, disse Alison Davis co-fundadora e diretora-geral da Blockchain Coinvestors. Inclusive, acrescentou, SPACs estão sendo vistos como opção aos IPOs, processos muito mais complicados e mais longos.

Na semana passada, a Circle anunciou que vai para a Bolsa de Nova York (Nyse) por meio de um Spac. Os Spacs são empresas-fundos que levantam dinheiro lançando suas ações em bolsa, mesmo sem não terem nenhuma operação. Com o dinheiro, compram empresas que por tabela irão para a bolsa. Como quem investe nos Spacs não sabe bem onde os recursos serão alocados, esses são também conhecidos como empresas de cheque em branco.

Acordo entre Alipay e UEFA com blockchain vai de troféus a campos de futebol

O jogador português de futebol Cristiano Ronaldo recebeu ontem (11) o Troféu de Ouro do Alipay no Prêmio dos Maiores Artilheiros na UEFA Euro 2020. Esses troféus são os primeiros do tipo registrados em blockchain. A Ali Pay afirmou que vai continuar a trabalhar com a UEFA para “explorar soluções digitais inovadoras que melhorem as experiências dos fãs”, disse Eric Jing, Chairman e CEO do chinês Ant Group.

O design dos troféus da Alipay inclui blockchain, incorporando um código hash em sua base. Por meio dele, registros dos gols dos três maiores artilheiros na Eurocopa podem inseridos e mantidos na blockchain da AntChain, empresa da Alipay.

No último dia 10 de junho, a UEFA e a AntChain anunciaram uma parceria de cinco anos para explorar o uso de blockchain na indústria do futebol e em ações ligadas aos fãs do esporte. Portanto, o acordo colocou a empresa chinesa como parceiro global da UEFA EURO 2020.

Portanto, o acordo permite ao Ant Group fazer marketing de seus serviços, que vão de pagamentos a rede blockchain. E a UEFA promove o gosto dos chineses por futebol, o que, por tabela, deverá dar em mais fãs para os times europeus. Por trás de tudo isso, a palavra chave é negócios.

Os troféus se seguem a outras ações envolvendo a UEFA e a Alipay. Em junho, lançaram um programa de engajamento para torcedores chineses. Assim, podiam acompanhar a Eurocopa e diversas outras informações, além de entrevistas. Em um mês, tinha 12 milhões de usuários.

A empresa de pagamentos chinesa também lançou um Dream Tour digital, em que usuários do programa ganhavam pontos ao se engajarem em atividades. A tecnologia é da AntChaine o prêmios para os ganhadores também ficarão registrados em blockchain.

E para completar, teve o “Top Scorers on Campus,” programa para apoiar o desenvolvimento de campos de futebol na China. Os melhores adolescentes em partidas pela China ganharão troféus como os que os jogadores da Eurocopa ganharam. E tudo vai ter registro na blockchain da AntChain.

usastrong.io usa blockchain para garantir que produtos são feitos nos EUA

Em outubro de 2020, quando a pandemia já tinha deixado muita gente sem trabalho, Krissy Mashinsky, que foi executiva da Urban Outfitters, lançou a plataforma usastrong.io para promover produtos totalmente feitos nos Estados Unidos (EUA). E incluiu blockchain no projeto para rastrear e registrar a procedência dos artigos, que na maioria são de empreendedoras.

Nessa empreitada, Krissy conta com seu marido, Alex Mashinsky, que atua no mundo das criptomoedas. Isso porque Mashinsky fundou a Celsius, uma plataforma descentralizada de empréstimos, além de ter criado e investido em diversas empresas de tecnologia.

Para que os produtos sejam rastreados por blockchain, devem ter um número limitado de componentes. Afinal, os insumos também devem ser dos EUA. Alex Mashinksy diz que em breve vai licenciar sua blockchain Strong Blockchain ™️ para outras empresas.

A usastrong.IO é a primeira plataforma que faz a curadoria, a venda e a verificação de produtos, além de usar blockchain. Começou como comércio eletrônico de vestuário casual, mas se expandiu para outros produtos, como por exemplo, de decoração, beleza e acessórios. Nas próximas semanas, a lista vai incluir vinhos.

Blockchain é tecnologia que fundadores conhecem bem

Do total dos vendedores, 70% são mulheres. O percentual é um reflexo do fato de que 40% dos novos negócios no país serem de mulheres, segundo a Forbes. Em janeiro passado, a plataforma tinha 20 negócios e espera fechar o ano com 12 mil. Esses pagam de 5% a 6% de comissão sobre suas vendas para a usastrong.io, portanto, praticamente metade dos 13% que a Amazon cobra.

O site atingiu 45 mil usuários, diz Krissy. No entanto, a expectativa dos Mashinsky é que o hábito dos consumidores de comprar mais de fornecedores perto de suas residências seja um dos impulsionadores do site no longo prazo. Essa tendência começou com a pandemia.

“A ênfase em empreendedorismo, em produtos comprados no comércio local e com a verificação de que são feitos nos Estados Unidos apela para os atuais valores das mulheres”, diz Krissy. Para essa verificação, portanto, blockchain é uma ferramenta ideal.

TradeLens já processou 42 milhões de contêineres e 20 milhões de documentos

A plaforma TradeLens, que partiu de uma iniciativa de IBM e da Maersk para o comércio exterior, já processou 42 milhões de contêineres e cerca de 20 milhões de documentos desde 2018. Foram quase 2,2 bilhões de ações desde que começaram os testes de uso, em agosto de 2018.

A iniciativa já tem 300 empresas e busca aumentar o acesso a informação e aumentar a eficiência do comércio exterior. Ontem (24), a alemã Hapag-Lloyd e a japonesa Ocean Network Express (ONE) completaram sua integração à TradeLens. As empresas são a quinta e sexta maiores transportadoras marítimas do mundo, respectivamente.

O foco da plataforma são os armadores e despachantes de carga. A rede é permissionada (fechada). Esses, por sua, podem conectar sua rede seus parceiros na rede.

Outras empresas do grupo incluem, por exemplo, CMA CGM e MSC. O grupo usa o IBM Blockchain, que é Hyperledger. No total, são 10 armadores, dentre eles os maiores do mundo, e mais de 600 portos e terminais.

TradeLens têm portos e operadores do Brasil

Do Brasil, participam os portos de Santos e Cabedelo (PB), APT Terminals em Itajaí (SC) e Pecém (CE), Maersk IS em Paranaguá (PR) e Sepetiba Tecon (RJ). Além da transportadora Aliança. Essa última tem sede em São Paulo mas hoje é da Maersk. No total, são 10 armadores e mais de 600 portos e terminais.

“A tecnologia da TradeLens tem grande potencial para a digitização da cadeia de suprimento e da documentação da carga. Haverá mais transparência, precisão, velocidade e eficiência em suas cadeias de suprimentos, portanto, redução de custos.”, disse Rolf Habben Jansen, CEO da Hapag-Lloyd.

Pela rede blockchain as empresas compartilham dados de forma digital, o que reduz o uso de papel – ainda um clássico do comércio internacional – e em tempo real. Isso facilita, por exemplo, a logística no embarque e desembarque e a liberação das cargas.

“Uma grande barreira do comércio global é a dificuldade dos clientes de ter informações sobre o status de suas cargas e de forma transparente”, disse said Mike White, CEO da GTD Solutions e líder da TradeLens.