Neste ano de 2026 em que companhias abertas, securitizadoras e fundos de investimento no Brasil terão de reportar informações financeiras relacionadas a sustentabilidade, entra em operação, na próxima terça-feira (20), o protocolo MOVA. O app captura, valida e tokenizará dados de mobilidade que poderá vender a quem precisa compensar pegada de carbono ou que servirão para seguradoras e governos, por exemplo, para traçarem estratégias.
O app é uma camada de dados descentralizada que conecta pessoas, veículos e energia. O uso é gratuito e o modelo do negócio é transformar quilômetros rodados em criptoativos verificáveis em blockchain. Assim, vai gerar valor para práticas ESG (Ambiental, Social e de Governança), planejamento urbano e membros da rede. Para isso, utiliza carros, celulares e pontos de abastecimento como nós.
Na prática, basta se cadastrar no app nas lojas Google Play e Apple Store. No futuro, o usuário poderá seus tokens MOVA por criptomoedas como, por exemplo, Bitcoin, USDT e Solana.
“O mercado ESG exige transparência, mas opera no escuro. A descarbonização global não é um problema de intenção, mas um problema de dados, afirma Antônio Farias, Diretor de Produtos da MOVA e que atua em blockchain desde 2018.
De acordo com o executivo, “as empresas isolam essa inteligência em silos em plataformas Web2, obrigando o mercado a depender de estimativas imprecisas. Os dados são opacos, fragmentados e o ecossistema é mal preparado para um futuro orientado por dados”.
MOVA quebra silos
O que levou à criação da MOVA é uma série de mudanças nos últimos tempos. Uma delas é que na Resolução 193/2023, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu as diretrizes de como devem ser os relatórios de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade.
O envio de dados é voluntário desde janeiro de 2024. As regras estão baseadas no padrão internacional do International Sustainability Standards Board – ISSB. Uma das outras mudanças é o crescimento dos carros elétricos e digitais – mas, nesse caso, os dados estão em silos. E tudo isso acontece em meio à crise climática e a pressão por descarbonização do planeta.
Para quebrar os silos, o protocolo usará carros, celulares e pontos de abastecimento de carros elétricos para capturar dados de mobilidade. Dessa forma, as informações serão registradas em blockchain e poderão gerar as recompensas.
Ação na Stock Car 2026
O app chega ao mercado com cerca de 1,2 mil usuários que participaram do teste beta e mais de um milhão de quilômetros percorridos (ver números abaixo). Uma das ações para tornar o app conhecido no país acontecerá na série de corridas da Stock Car 2026.
A captura de dados de carros e celulares é por meio de um sensor de telemetria. As informações passam por uma Prova de Mobilidade (Proof of Mobility) que confirma se o dado é legítimo. Depois, o dado é enriquecido com uma camada de análise qualitativa. E a partir daí são gerados os tokens de crédito de carbono e de dados de inteligência.
“Transformamos cada quilômetro em inteligência auditável. A infraestrutura onde pessoas, veículos e energia se conectam com transparência total. A MOVA está criando o primeiro ecossistema de dados verdadeiramente verificável para a mobilidade”, complementa um dos Fundadores e Diretor de Crescimento, Augusto Letsch.
Tokens MOVA
A partir dos produtos que a MOVA cria – créditos de carbono auditados e inteligência de dados -, gera também o que chama de ciclo de valor. Esse ciclo inclui, por exemplo, venda dos RWAs para mercados externos, governos e empresas.
Isso deverá gerar uma receita que vai para o tesouro do protocolo. O MOVA utiliza esses fundos para recomprar os tokens MOVA e queimá-los. Portanto, cria pressão deflacionária. Além disso, financia o próximo ciclo de recompras.
A alocação dos tokens é dividida em 5 segmentos:
- Recompensas da Comunidade: 25%
- Crescimento, Vendas e Acesso ao Mercado: 35%
- Equipe e Colaboradores Principais: 15%
- Ecossistema, Parcerias e RWA: 15%
- Tesouro e Governança: 10%
“Diferente de tokens especulativos, a economia do Mova é baseada em receita real; nossa infraestrutura física gera dados auditáveis que empresas compram, criando um fluxo contínuo de demanda e escassez”, afirma Farias.
Números da fase Beta
- Usuários ativos: 1.189 testadores beta
- Viagens concluídas: 10.867 trajetos
- Distância validada: 1.257.879 km
- Telemetria registrada: 11 mil horas
- Retenção de usuários: 67%