Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Agenda: Evento em SP vai discutir blockchain e criptoativos

A BRQ Digital Solutions, especializada em transformação digital de empresas, e a Redpoint eventures, fundo que investe em empresas digitais, vão realizar na próxima terça-feira (18), em São Paulo, o evento “Década Nova, Novos Mercados – Blockchain, State of the Market & Foresights, 2020”. O evento vai discutir as perspectivas sobre blockchain, DLT e criptoativos.

Entre os palestrantes estão Courtney Guimarães, da BRQ e especialista em blockchain e criptoativos, Anderson Thees, sócio diretor da Redpoint, Marcelo Sampaio, co-fundador da HashDex, Taynaah Reis, fundadora do Banco Moeda Seeds e Maria Alice Frontini, do MIT e investidora.

As inscrições podem ser feitas pelo http://bit.ly/38lbUN4

JP Morgan negocia fusão da Quorum com a Consensys, do co-fundador da Ethereum

O JPMorgan Chase, maior banco dos Estados Unidos, está negociando a fusão de sua unidade de blockchain Quorum com a Consensys, startup para aplicativos e outras atividades criada por um dos fundadores da Ethereum, Joseph Lubin. A informação foi divulgada pela agência de notícias Reuters nesta manhã (11).

A Consensys desenvolve aplicações e ferramentas para desenvolvedores, investe em outras startups e promove cursos sobre blockchain. A sua reestruturação, anunciada na semana passada, pode ser o sinal de que a empresa se prepara para um novo sócio ou parceiro e a fusão com a Quorum poderia dar maior força ao seu braço de desenvolvimento de softwares.

A startup anunciou que demitiria 14% de seus funcionários devido a uma reestruturação para separar seu braço de desenvolvimento de softwares de suas atividades de investimentos (venture).

A Quorum, assim como a Consensys, também opera com Ethereum, usada na sua Rede de Informações Interbancárias (Interbank Information Network, IIN), que inclui cerca de 320 bancos. A Quorum também tem feito outros testes, como o de empréstimos para carros usando blockchain. O banco já demonstrava querer um spin off da Quorum.

A informação chama a atenção por significar uma operação entre um dos bancos mais tradicionais do mercado financeiro global com uma startup de uma tecnologia que a princípio foi criada para acabar com a intermediação bancária.

Mas o CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, há muito tempo se mostra interessado na tecnologia e investiu nela, com a Quorum. Do que ele parece não gosta mesmo é de criptomoedas como bitcoin, que chamou de fraude, em 2017. Há um ano, o banco anunciou que iniciaria testes de sua própria moeda para pagamentos instantâneos. Dimon disse que que a JPM Coin não tem nada a ver com bitcoin.

Austrália, um dos líderes em pedidos de patentes em blockchain, lança guia

O governo da Austrália, um dos países que mais se destacam no uso de blockchain e que está em 6º lugar no ranking global de pedidos de patentes relacionadas a essa tecnologia, divulgou um guia para o desenvolvimento do uso da solução.

O “The National Blockchain Roadmap: Progressing towards a blockchain-empowered future” estabelece metas para o período de 2020 a 2025 e foi feito em conjunto pelo governo, empresas e universidades, num trabalho iniciado em 2019.

O governo da Australia tem financiado projetos tanto estatais quanto privados em blockchain, de olho na estimativa de que a tecnologia gere um valor anual de negócios de mais de US$ 175 bilhões até 2025, o que pode ultrapassar US$ 3 trilhões até 2030.

Dentre as 12 medidas estabelecidas no guia, estão a de o governo criar um modelo de cooperação com o setor privado e as universidades, criar um grupo de usuários de blockchain dentro do governo para troca de experiências, estudar casos de uso por outros governos e permitir que indústrias e universidades desenvolvam frameworks comuns e cursos de qualificação em blockchain.  

Recentemente, o Blocknews noticiou sobre a startup brasileira Fohat , que está desenvolvendo um projeto em blockchain em energia solar para o mercado municipal de Melbourne, com transações peer-to-peer (P2P), uma vez que lá o mercado é livre para consumidores também.

Outros países estão se movendo para desenvolverem o uso de blockchain. Recentemente, o Instituto Nacional para a Transformação da Índia (NITI Aayog), um think tank do governo que desenvolve políticas de desenvolvimento, divulgou a primeira parte de um estudo para que se estabeleça uma estratégia de uso de blockchain pelo país, como também mostrou reportagem do Blocknews em http://bit.ly/31FequM.

NITI Aayog chama a estratégia de Blockchain: The India Strategy –Towards Enabling Ease of Business, Ease of Living and Ease of Governance. A Uniao Europeia tem o European Blockchain Observatory and Forum.

A versão completa do guia australiano está em http://bit.ly/31LyXOn e a versão resumida, com as ações do período 2020-2025, está em http://bit.ly/37hWeIW.

Parece que caminhamos para a maturidade em blockchain, diz Rischioto, da IBM

O mercado brasileiro para blockchain parece estar mudando desde meados do ano passado, com projetos mais sólidos, maior número de participantes e mais focados nas atividades centrais das empresas. “Parece que caminhamos para uma maturidade”, disse ao Blocknews Carlos Rischioto, líder técnico de blockchain da IBM.

A empresa é um dos nomes de maior destaque no ecossistema blockchain. É uma das fundadores da plataforma Hyperledger, usa a versão Fabric, à qual acrescenta uma camada de gestão, o que a empresa chama de IBM Blockchain Platform. Suas soluções incluem de projetos de rastreamento de alimentos, como a IBM Food Trust usada pelo Carrefour, à TradeLens, feita com a Maersk para transporte de contêineres, e projetos com a CIP (Câmara Interbancária de Pagamentos). Na entrevista a seguir, Rischioto fala das outras possibilidades de blockchain no Brasil.

BN: O que mudou no cenário brasileiro de blockchain nos últimos anos?

CR: Agora, começamos a ter projetos com testes de produção maiores. Até metade de 2019, ainda era muita experimentação, com testes, provas de conceito (PoC), mas pouca coisa para valer. Da metade do ano para cá, vemos os primeiros projetos indo para produção, um uso mais intensivo, com mais participates. O Brasil está mais ou menos um ano atrasado em relação ao exterior, mas há uma evolução do cenário. Se vê um momento até meio paradoxal. Parece ter havido uma diminuição do número de projetos, com a diminuição do hype sobre a tecnologia. Mas agora há projetos mais sólidos, com mais sentido, o que reflete a diminuição da curva do hype e o caminho para a estabilização. Parece que caminhamos par uma maturidade.

BN: Quais são os números de projetos na IBM?

CR: Divulgamos os números mundiais. Participamos de mais de 600 projetos em 2018 e 2019. Desses, a maioria ainda funciona em testes, PoCs ou evoluíram. No nosso ambiente de nuvem, onde hospedamos blockchain, temos um pouco mais de 1.100 redes ativas, que têm mais de dois participantes transacionando com certa frequência. Dessas, cerca de 50% foram projetos que a IBM desenvolveu e a outra metade foi desenvolvida por nossos parceiros ou pelo próprio cliente. No Brasil, dentre os projetos temos o da CIP, que deve se expandir, o da Tecban e os da GrowthTech, que faz soluções para serviços cartorários. Temos projetos para serem lançados, mas só podemos divulgar com a autorização dos clientes.

BN: Qual a representatividade do Brasil em blockchain na IBM?

CR:   O Brasil é expressivo em número de iniciativas. Apesar do timing do mercado, estamos evoluindo com o interesse dos clientes. É um mercado visto pela IBM como um foco, porque é referência em diversas áreas, como a financeira e em outras em que blockchain fazem sentido.

BN: Com que cenário vocês trabalham para 2020?

CR: Vamos ter projetos de maior volume, com maior impacto nos clientes. TEu brinco que todo mundo faz uma prova de conceito para reservar uma sala de reunião, que não tem impacto na empresa. Mas vamos ver protótipos em processos core das empresa, atrelados a atividades fim, com maior impacto, mais participantes, 10, 15 membros. Vai ter uma velocidade um pouco menor do que os últimos dois anos em compra de projetos, mas projetos com mais impactos e mais maduros. blockchain vai encontrar seu espaço e trazendo resultado para as empresas.

BN: Energia é um mercado promissor para a IBM no Brasil?

CR: Temos vários projetos em energia na Europa, em especial na Holanda em energia limpa, renovável, e que estamos tentando trazer para o Brasil. Temos projetos avançados nessa área e no ano passado houve o 1º Fórum Brasileiro Blockchain em Energia (em novembro, em São Paulo), porque o mercado começa a mudar. Há uma ligação muito forte com energia renovável, sustentável. Temos iniciativas no Brasil, alguns fazendo pilotos, criando laboratórios par testes. Mas a velocidade nessa área depende de regulação. É difícil criar coisas novas porque depende da área regulatória e há uma certa instabilidade regulatória, com uma série de projetos de tramitando no Congresso, em especial ligados às energias renováveis e aos micro geradores, como a pessoa gerar em casa e compartilhar na rede. Ainda tem coisas acontecendo. É uma área que tem uma interação muito grande com blockchain, onde há possibilidade de muitos microgeradores, com uma rede grande de geradores. Mas isso ainda não foi muito explorada no Brasil.  Hoje o mercado livre é apenas para grandes consumidores. 

BN: Para serviços financeiros, área em que vocês atuam, há fornecedores exclusivos para esse setor. Como vocês tentam se diferenciar?

CR: Há plataformas feitas com foco no mercado financeiro. A IBM é fundadora do Hyperledger, que tem uma visão de ser uma solução para as várias indústrias. Foi concebida para ser customizada para qualquer indústria e por isso consegue ser bem utilizada na área financeira e outras como a de rastreamento, serviços médicos, energia. Nasceu para ser uma plataforma agnóstica de indústria. Nosso principal foco é customizar e resolver qualquer tipo de problema, entregando privacidade, performance e uma plataforma de fato aberta, tanto no código quanto na governança. A IBM não é dona da Hyperpleder, mas dá palpite no desenvolvimento. Não podemos mudar algo da noite para o dia. E está tudo disponível na Fundação Linux. Temos uma série de diferenciais na nossa plataforma,  facilidades, sistema mais simples, mais rápidos, a camada de suporte, o cliente pode montar a estrutura como precisar. Quando se fala de blockchain, é preciso uma governança aberta e de acesso aberto, isso é muito importante.

BN: ROI ainda é um problema?

CR: Sim, esse ainda é o maior desafio, provar o retorno, porque muitas vezes vocês não se tem as métricas do projeto bem determinadas porque não se capturava dados antes. Mas está melhorando. A IBM tem uma metodologia que ajuda a calcular o retorno. Mas um grande desafio ainda para as redes é também o modelo de governança, se definindo quem vai fazer o que, quem vai coordenar, que entra, quem sai, modelo de custeio e de incentivos econômicos, que vou ganhar com isso…

BN: Existe um número mágico para ROI em blockchain?

CR: Não tem. Tem projetos em que o ROI (retorno sobre investimento) não é o financeiro, como o Walmart, que rastreia com a preocupação com segurança alimentar, que lá na frente pode evitar processos. Isso é muito complexo. A Tecban, por exemplo, reduziu o custo de gestão de numerário. Às vezes o ganho é de imagem. Por exemplo, um banco reduziu o tempo de revisão de dados de clientes, o que muda a satisfação de clientes, além do giro de negócios. Não está exatamente sempre em reduzir custo e aumentar receita.

BN: Blockchain vai superar o desafio das transações por minuto, que impede o seu uso por diversas indústrias?

CR: Esse é um desafio para redes públicas (não-permissionadas), em que a performance de velocidade e capacidade são um desafio, como transações por segundo na rede bitcoin. Nesse caso, a capacidade de validação das operações (por segundo) é baixa. Numa rede permissionada (fechada), criamos a rede conforme a capacidade do negócio. Para rastreamento de alimento, por exemplo, com empresas sendo um nó, esse problema não existe, porque a rede permissionada tem outros mecanismos de validação, em que se consegue uma resposta melhor. Temos projetos com blockchain permissionado com cerca de 6 mil transações por segundo. Isso é o mesmo nível de validações para grandes volumes de cartões de crédito. E temos outras projetos em piloto de laboratório, controlado, com mais de 20 mil, um projeto da Universidade de Waterloo. Para o mundo do blockchain permissionado, numa rede com menos participantes, a performance não é um problema hoje, porque seus algoritmos são mais eficientes.

Visa lança programa de aceleração; soluções em blockchain estão incluídas

Startups que atuam em blockchain estão na lista de interesse do Programa de Aceleração Visa 2020. O programa vai escolher as que estão em fase de crescimento ou escala, têm uma base de clientes e geram receita.

A Visa vai dar recursos não-financeiros, como local de aceleração, consultoria digital, mentoria e duas semanas no Vale do Silício para que as startups façam contatos com investidores, interessados em seus produtos e serviços e validem seus modelos de negócios.

Além de blockchain, a Visa vai escolher empresas que tenham soluções para pagamentos, transações, gestão financeira, big data, machine learning, inteligência artificial, automação comercial, gestão de vendas, melhorias de processos, CRM e mobilidade urbana.

As inscrições vão até o próximo dia 13 de março e são feitas pela plataforma da StartSe.

FMI avalia que moeda digital do Caribe pode ajudar a reduzir pobreza na região

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que a moeda digital em teste pelo Banco Central do Caribe Oriental (BCCO) pode ajudar a reduzir a pobreza da região, diminuir  o uso excessivo de dinheiro em papel e moeda e de cheques, além de aumentar a eficiência do sistema de pagamentos do comércio. Porém, o piloto da moeda digital deve ser mantido com cuidado.

O piloto da chamada DXCD, foi lançado há um ano. O projeto é feito com a Bitt, uma fintech de Barbados que usa blockchain e a tecnologia distribuída de livro razão (DLT) em sistemas de pagamentos de transações peer-to-peer (P2P).  O banco central do Caribe é uma das instituições da União Monetária do Caribe Oriental, que reúne oito ilhas da região que usam o Dólar do Caribe Oriental. Os países são AnguillaAntígua and BarbudaDominicaGranadaMontserratSão Cristóvão e NévisSanta LúciaSão Vicente e Granadinas.

O projeto piloto prevê que a moeda será distribuída por bancos licenciados e instituição financeiras não-bancárias da união monetária. O uso da moeda será restrito a transações P2P entre consumidores e o comércio utilizando-se todos os tipos de equipamentos, inclusive celulares.

Além de ajudar a manter a estabilidade financeira na região, o objetivo do projeto é parte de um plano estratégico para cortar em 50% o uso de dinheiro até 2021 na região.

De acordo com o documento do FMI elaborado após uma missão de avaliação do BCCO, o projeto inclui salvaguardas importantes e não há transações cambiais incluídas. Mas há riscos para o sistema financeiro da região relacionados a intermediação financeira e segurança cibernética.

Primeira bolsa de commodities em blockchain deve entrar em operação comercial neste ano

Está prevista para entrar em operação no segundo semestre deste ano a primeira plataforma digital do país para negociações de commodities com o uso de blockchain. A Gavea Marketplace vai realizar transações entre os participantes da rede e rastrear commodities negociadas desde a operação comercial até o pós-venda.

Segundo Vítor Uchôa Nunes, fundador da Gavea, a plaforma permite redução de custos e burocracia e, com negociações diretas, sem intermediários, pode aumentar a margem dos participantes,

A Gavea foi um dos 20 projetos selecionados pelo LIFT (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas) do Banco Central e está sendo desenvolvida há um ano.

A bolsa vai usar a plataforma Corda, da R3, especializada em instituições financeiras. Segundo Uchoa, a Corda foi escolhida por questões como interoperabilidade.

A plataforma começa a ser apresentada em março para parceiros e o piloto começa em julho em algumas regiões do país, com soja e milho. Primeiro será no sul. A expectativa é entrar em operação comercial em setembro.

LGPD pode ajudar a melhorar gestão de dados de redes blockchain

A seis meses da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em agosto, o que dá para se concluir até agora, é que a LGPD pode melhorar a qualidade dos dados colocados nas redes e que o direito de uma pessoa de pedir exclusão de informações não é absoluto.  

Por isso, não se pode dizer que a convivência entre elas seja impossível. “Dizer que blockchain é contra a LGPD não é correto”, disse ao Blocknews Caio César Carvalho Lima, advogado especialista em proteção de dados do escritório do Ópice Blum, Bruno, Abrusio e Vainzof Advogados. A lei foca na gestão de dados e isso ajuda muito tanto no que está em papel, quanto em blockchain, completou.

Por isso, é preciso ter bom senso e cuidado. “As redes blockchain abertas não são lugares para se colocar dados pessoais sensíveis”, disse Renata Souto Maior Baião, juíza do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Essas redes são também conhecidas como não permissionadas, como a do Bitcoin, onde a entrada é livre. São diferentes das chamadas permissionadas, feitas em boa parte por um grupo de empresas de uma cadeia de produção e onde só entra quem tem autorização.

De acordo com Lima, a lei não dá direito absoluto a uma pessoa sobre seus dados. A LGPD tem 12 princípios, se uma empresa cumprir os básicos e tiver base legal para manter as informações, pode mantê-las, afirmou.

Segundo o advogado, uma empresa pode manter os dados se tiver uma finalidade clara e transparente para isso, se as informações são compatíveis com a finalidade que se quer atingir e se os dados forem o mínimo necessário para isso.

Um exemplo é a uma rede de varejo ter os dados de um cliente referentes a uma compra, como CPF, porque há uma questão tributária. Isso porque a LGPD não dá direito absoluto a uma pessoa sobre seus dados.

Mas os dados que a rede de varejo captou quando esse cliente navegou pelo site, podem ser apagados se a finalidade for apenas fazer marketing, por exemplo.

Em redes abertas, um outro grande risco é saber a quem recorrer se um dado pessoal está lá sem você querer. Numa rede sem dono como a bitcoin, se alguém não identificado colocar o dado pessoal de outra pessoa sem finalidade concreta, a dificuldade é achar o culpado ou responsável, diz Renata.

Também não é possível dizer que a rede toda é solidária, porque não há um controle sobre ela. O que há é a execução de um protocolo pelos participantes, completou.

Numa rede fechada é mais fácil, porque as regras de governança sempre apontam quem são os responsáveis por cada atividade da rede.

O que pode ser feito em redes abertas, segundo Lima, é, tendo a chave de acesso à rede, tentar entrar nela e apagar os apontamentos para aquela informação. Não é algo simples de se fazer e a informação não vai ser apagada, mas pode-se tentar cortar o acesso. É o que se faz em casos de pornografia infantil na rede, por exemplo.

Com a expansão do uso de blockchain no país, advogados e juízes estão se preparando para disputas que certamente virão quando a LGPD entrar em vigor. Por isso, Escola Paulista de Magistratura, por exemplo, já está incluindo blockchain em seus cursos. Em, haverá o módulo “Blockchain – Fundamentos e interface com o Direito”. Renata será a responsavel pelo módulo.

“O objetivo é permitir que os juízes tenham uma visão atualizada e possam refletir sobre o direito e sua aplicação de uma maneira condizente com as novas relações que vêm sendo travadas”, afirmou a juíza.

Renata foi a responsável por determinar, num julgamento, a devolução de cerca de R$ 1,5 milhão à empresa Mercado Bitcoin, que estavam congelados no Santander. A Mercado Bitcoin é uma bolsa de criptomoedas e tem um braço de ativos digitais tokenizados.

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Indústria de aviação lança plataforma blockchain para rastrear partes

Empresas do setor de aviação lançaram a MRO Blockchain Alliance, a primeira plataforma da indústria para monitorar, rastrear e registrar partes e peças de aeronaves. Com isso, vão digitalizar diversos processos hoje registrados em papel, o que nem combina com um setor que utiliza máquinas cheias de tecnologia.

MRO é a sigla em inglês para manutenção, reparo e revisão. A iniciativa é da SITA, formada por cerca de 400 empresas, como a Latam, e outros membros da cadeia da aviação, como provedores de logística e de contratos inteligentes.

O objetivo é criar um padrão global de uso de blockchain para rastrear partes dos aviões, que podem ter milhares de delas e todas devem ser registradas desde o fornecedor à empresa de aviação.

É preciso lembrar que as peças não passam apenas por uma companhia áerea, porque aviões são vendidos entre elas e peças vão e vêm de manutenção. Se não houver registro confiável de uma parte, é preciso pesquisar todo seu histórico e se isso for impossível, é preciso fazer testes para classificar sua origem e condição.

Por isso, no fim da linha, a adoção de blockchain na indústria pode facilitar o registro e compartilhamento de dados, melhorar o conhecimento das empresas sobre o estado do avião e suas necessidades de manutenção e aumentar a qualidade dessa manutenção em relação ao período correto de fazê-lo, tempo gasto nisso e as reais necessidades de reparos. Com a plataforma global, haverá informações mais confiáveis.

Segundo um estudo da PwC, blockchain pode cortar os custos da indústria aeroespacial com MRO em até 5%, o equivalente a US$ 3.5 bilhões.

A prova de conceito (PoC) vai acontecer nos próximos meses. O rastreamento vai se dar em duas vertentes: na chamada linha digital haverá um status em tempo real, cadeia de custódia e rastreamento da parte. O passaporte digital terá a identidade da parte com dados das certificações que provam quem é o dono dela.