Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Na corretora NovaDAX, o importante é querer aprender; mulheres são 40% do time

Estar aberto a aprender algo novo é uma das habilidades que quem quer trabalhar com blockchain precisa ter. Quem diz isso é Beibei Liu, CEO da corretora NovaDAX. Conhecer criptomoedas e blockchainn é apenas um diferencial, afirma ela na entrevista a seguir dada ao Blocknews.

Atributos para trabalhar numa corretora de criptos
O conhecimento prévio de criptos e blockchain não é mandatório para a maior parte de nossas vagas, sendo mais relevantes as competências, habilidades e comportamentos desenvolvidos ao longo da trajetória profissional do candidato e que posteriormente poderão ser adaptadas ao nosso cenário.

Assim, até mesmo para as funções técnicas, o conhecimento prévio em cripto e blockchain é apenas um diferencial.  O mindset expansivo, aberto à aprendizagem e desenvolvimento rápido e constante, senso crítico de realizar conexões de conhecimentos e disciplina para a execução, são os principais atributos buscados no mercado. A NovaDAX tem a missão de oferecer desde o processo seletivo uma imersão didática e eficiente, de forma que o futuro colaborador possa trazer insights desde os primeiros contatos.

Mulheres na NovaDAX
Temos cerca de 20 funcionários de Tecnologia e Produto, dos quais 40% são mulheres. A política de diversidade vem sendo aprimorada e adaptada da holding asiática ao Brasil principalmente em 2020, quando alcançamos dois anos de operação aqui. Essa adaptação se deve principalmente pelas particularidades da população de cada região e diferença no abismo de inclusão enfrentada.

Candidatas mulheres
Nosso time de Tecnologia e Produto tem um turn over muito baixo desde o início das nossas operações em 2018, porém, nas oportunidades que tivemos até então, a candidatura das mulheres é menos expressiva e girou em torno de 30%.

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Mulheres em tecnologia ainda são minoria e quando se fala em blockchain, o quadro pode ser até pior. Um estudo feito há dois anos pela LongHash mostrou que apenas 14,5% dos profissionais em startups ligadas a blockchain eram mulheres, considerando todas as posições nas empresas. E 85% das startups de blolckchain fundadas entre 2012 e 2018 tinham apenas profissionais do sexo masculino, segundo a Quartz .

“A falta de um ambiente acolhedor do ponto de vista de diversidade desencoraja a aproximação das pessoas em qualquer ambiente, não só o de tecnologia, mas o problema é sistêmico e se boa parte  da população não está representada dentro das empresas, então temos que ter ações afirmativas para diminuir essas injustiças”, diz Liliane Tie, líder da comunidade Women in Blockchain (WIB) Brasil.

Apesar da diferença de números entre os gêneros nas empresas, as mulheres têm feito conquistas importantes em blockchain. E as características femininas podem contribuir para isso.

“Experiências profissionais anteriores somadas a algum processo de desenvolvimento pessoal impulsionam empreendedoras a querer  ‘mudar o mundo’ dentro de setores que elas já conhecem bem os problemas. Temos exemplos corajosos dessas mulheres no Brasil, que foram além do apelo revolucionário da tecnologia e criaram principalmente negócios de impacto social e ambiental. Também advogadas costumam se interessar bastante por blockchain e smart contracts (contratos inteligentes), além de outras profissionais de setores diversos.  Talvez pelo mesmo motivo: trabalhar com algo onde a gente se sinta parte de uma transformação maior em curso”, diz Liliane.

Meninas em STEM

Mas é preciso trabalhar a conscientização desde cedo, afirma. “A partir de uma certa idade, meninas não se interessam muito por matérias na escola que são base para atividades ligadas a tecnologia. E, assim como nos projetos open-source e comunidades gamers, meninas são minoria e costumam usar codinomes neutros ou masculinos. Essa é uma fase da vida importante e que pode determinar se jovens seguirão profissionalmente dentro de carreiras de tecnologia”, completou.

A líder do WIB Brasil lembra um levantamento independente (feito pelo jornalista Corin Faife) que indica que dos cerca de 1 milhão de commits de código dos 100 maiores projetos por market cap envolvendo criptoativos, apenas 4,64% foram realizados por desenvolvedoras com nomes identificáveis como femininos no GitHub.

“Identidade de gênero vai muito além do nome, mas essa pesquisa contribuiu para também resgatar um debate acerca da diversidade em projetos open-source, onde a presença masculina é esmagadora e, em blockchain, esses projetos são até mais frequentes do que em outras tecnologias. Para evitar assédio e outras situações inconvenientes como racismo e homofobia, as pessoas preferem usar codinomes neutros ou identificáveis como masculinos”, completou.

Problema sistêmico

O alerta que Liliane faz é que sendo esse um problema sistêmico e na velocidade com que as transformações estão ocorrendo, ações afirmativas de empresas sozinhas talvez não deem conta de resolver o atual cenário.

“Políticas públicas também são urgentes para trabalhar em cima dos desafios que pesquisas sobre diversidade em áreas STEM têm mostrado. E, diante de tantas crises que estamos vivendo atualmente, já não dá mais para ignorar que a falta de diversidade na tecnologia ameaça agravar as desigualdades no futuro se os mesmos vieses forem transferidos aos algoritmos”, completa.

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Para cobrir sua demanda de profissionais habilitados a trabalhar com blockchain, a IBM faz treinamentos internos, além de olhar para talentos fora da empresa, diz Carlos Rischioto, líder técnico da empresa e especialista na tecnologia. Nesta entrevista ao Blocknews, ele conta como a IBM trata o assunto e outros questões, como as oportunidades do mercado e a diversificação do time.

Treinamentos internos e busca externa de talentos.
Acreditamos nos dois caminhos: ajudar no desenvolvimento dos nossos próprios profissionais, e para isso a IBM tem um programa interno de educação focada em cada área tecnológica na qual atua, sendo uma delas blockchain, e também olhar para o mercado para descobrir novos talentos. Além disso também disponibilizamos treinamentos externos para ajudar no desenvolvimento dos profissionais no Brasil.

Tipos de treinamento
Os treinamentos são ajustados conforme o nível de experiência e conhecimento do profissional, além do seu papel na equipe. Por isso, a duração dos treinamentos pode variar muito. A gente tem um programa de badges, tanto para o treinamento interno como externo, no qual os profissionais e estudantes podem adquirir novas habilidades à medida do avanço que eles tenham. 

Blockchain também faz parte de programas de treinamento dentro de atividades de Cidadania Corporativa, como P-TECH e Open P-TECH, e ainda em iniciativas que trabalhamos junto com universidades do país, como Skills Academy.

Hard e soft skills para trabalhar em blockchain
Os hard skills basicamente são os relacionados a desenvolvimento, ou seja, linguagens de programação que são mais utilizadas hoje. Para a plataforma de Blockchain da IBM, usamos Java Script e GO Lang. Isso, além das ferramentas de DevOps, como Git, Slack, Jira, Trello, entre outras.
 
Com relação aos soft skills, acredito que sejam os mesmos requeridos em qualquer outra tecnologia, por exemplo: boa comunicação, gestão do tempo e proatividade. Esses aspectos são importantes para operar de forma ágil e que demanda rapidez e adaptabilidade para avaliar e testar cenários buscando melhores soluções.

Carreira promissora como diz o LinkedIn
Acredito que sim, pois continuamos a ver no mercado uma alta demanda para profissionais com habilidades em blockchain. Os projetos estão em expansão e no Brasil, por exemplo anunciamos importantes projetos na indústria financeira com a Tecban e outras instituições (ver matéria sobre mercado de trabalho).

Mulheres nesse segmento         
Acredito que a dificuldade em ter mulheres nesse segmento é a mesma das demais tecnologias, mas a IBM tem trabalhado muito para reduzir essas lacunas e aumentar o percentual feminino em TI como um todo (ver matéria com Women in Blockchain)

Um dos exemplos que posso citar é a parceria regional entre a IBM e a Laboratória, startup que capacita mulheres para a era da economia digital, que começou no ano passado. Essa iniciativa teve como objetivo beneficiar mais de 550 graduadas no Brasil, Chile, México e Peru no período de um ano, desenvolvendo workshops e eventos sobre tecnologias como Blockchain, IA, IoT, entre outras. Essa parceria também inclui um planejamento estratégico para aumentar a competitividade na colocação no mercado de trabalho das graduadas da Laboratória.

Variedade de atividades

Como em todas as tecnologias, vemos diferentes perfis no mercado: temos as atividades associadas a vendas, como vendedor, profissional de pré-vendas, de demonstrações. E as atividades técnicas onde podemos destacar: infraestrutura (profissionais responsáveis pela criação e configurações das redes de Blockchain); desenvolvimento de SmartContracts (profissional para criação e manutenção dos contratos); desenvolvimento de aplicações (profissional que trabalha com aplicações que irão se conectar ao Blockchain); arquitetura (profissional responsável pelas definições técnicas do projeto e normalmente pela liderança técnica); e governança (profissional responsável por criar e operar o modelo de governança e gestão da rede).

Funcionários em blockchain na IBM do Brasil       
Não conseguimos divulgar números locais. 

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Quando e por onde iniciar a carreira em blockchain? A qualquer momento e por qualquer profissão

Qual é a melhor hora para iniciar uma carreira em blockchain? Ainda dá tempo de pivotar uma carreira sólida e entrar no mundo dos blocos, que já é uma área de crescimento de empregos e falta de mão-de-obra? Precisa ser alguém já formado em tecnologia para trabalhar com uma habilidade considerada pelo LinkedIn como a mais exigida em 2020?

“A partir dos 14, 15 anos, quando a pessoa passa a ter noção de como as coisas acontecem, já está preparada para ser introduzida nessa área”, diz Rosine Kadamani, fundadora da Blockchain Academy. Mas, ela completa, pode ser a qualquer momento a partir daí, com essa entrada se dando em graus distintos de profundidade e de segmentos – e não só em bitcoin, que foi onde tudo começou há 12 anos.

Pode ser na fase de profissionalização, ou mesmo num momento estável de carreira, como é caso de Rosine e de tantos outros dessa área, que passaram pelo portal do blockchain. No caso dela, deixou o direito e um emprego no Pinheiro Neto Advogados para se lançar em blockchain em 2014.

Mesmo sem números precisos sobre quantos empregos são gerados nessa área, as empresas afirmam que a demanda por profissionais é crescente. Depois do lançamento do bitcoin, aos poucos, surgiram oportunidades não apenas no mundo ligado a criptomoedas (ver matéria com a NovaDAX).

Rede privadas ajudam a puxar os empregos

Empresas de diferentes segmentos começaram a perceber que blockchain tem uso muito diversificado e pode trazer mais eficiência, transparência, segurança e confiança a seus negócios. Com isso, criaram suas redes, demandando serviços que geram empregos (ver matéria com a IBM). Governos fizeram o mesmo movimento. E foi aí que emergiram muitas e oportunidades de trabalho – a maioria delas ainda ocupadas por homens (ver matéria sobre mulheres em blockchain).

Com as oportunidades de trabalho, surgiram as de educação. Há hoje diversas opções no Brasil, como a Blockchain Academy, e fora do país. Os cursos vão do básico ao mais complexo, como o de especialização em universidade como o MIT ou mesmo pós-graduação só em blockchain e criptomoedas ou que combinam esses temas com outros, como finanças e direito.

No mês passado, o CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola – anunciou parceria com a Blockchain Academy, dadas as oportunidades que estão surgindo no setor. E fizeram o webinar “Onde estão as principais oportunidades para trabalhar com Blockchain?” .

“Serão cursos de diversos níveis, do inicial ao avançado, para quem quiser se integrar com o assunto e desenvolver competências valorizadas pelo mercado de trabalho”, afirmou Marcelo Gallo, superintendente do CIEE.

Blockchain para todos os gostos

O motivo pelo qual profissionais de diferentes áreas encontram lugar em blockchain se deve ao fato de que a tecnologia faz cada vez mais parte da vida das pessoas e das empresas de diferentes formas.

No caso dessa solução, pode ser uma alternativa para quem gosta do mundo financeiro, já que tudo começou com bitcoin e boa parte das operações são com moedas criptografadas. Mas passa também por tantos outros assuntos como contratos, relações econômicas, esquemas de fraudes – e como evitá-las -, controle de exposição de propagandas, de diplomas e por aí vai.

“A tecnologia era distante da nossa realidade de advogado e agora é possível viver com as duas. As soluções não são só mais uma boa intepretação jurídica Estamos saindo dos escritórios e buscando novas habilidades”, afirmou Tiago Neves Furtado, coordenador da equipe de Proteção de Dados do Opice Blum Advogados durante o webinar.

“A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) é uma grande oportunidade para quem quer trabalhar com blockchain. Quando falamos de direito, falamos de confiança, de um pacto social, as leis demandam que confiemos uns nos outros. Eu confio que você vai cumprir sua promessa de privacidade. Mas como garanto que vai acontecer o que está prometendo?”, diz o advogado.

E nisso blockchain pode ajudar, já que permite registro e armazenamento mais confiáveis de dados. Por essas características, blockchain também tem sido aplicada em segurança cibernética, lembrou Furtado.

Ethereum, Hyperledger ou os dois?

Fausto Vanin, sócio da OnePercent, desenvolvedora de soluções em blockchain no Brasil e no exterior, afirma que sua necessidade de contratação de funcionários é um indicativo do quanto “esse mercado cresce de forma consistente”. Vanin também deixou uma carreira no mercado financeiro quando conheceu blockchain.

Questionado no webinar do CIEE se o melhor é estudar a solução Hyperledger ou Ethereum, sua resposta foi: “dois pontos importantes: se familiarize com as arquiteturas e mergulhe para poder comparar. Mas se alguém quer algo mais objetivo, então se o interesse é mais para startup, correr mais riscos e algo que pode te abrir pontas internacionais, vá para Ethereum. Mas se quiser algo mais corporativo, grandes empresas, Hyperledger tem grande demanda.”

Ele também dá uma outra dica para quem se interessa em entrar em blockchain: “está muito bacana do lado de cá.”

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Evento usará ID em blockchain para participantes comprovarem treinamentos

A nova edição do eWorld Marketing Summit, evento global sobre marketing estratégico, criado por Philip Kotler, e que acontece de 5 a 7 de novembro, será o primeiro online do mundo que  usará blockchain para certificar a participação do público e os aprendizados durante o evento.

A Kotler Impact, realizadora do eWMS, vai criar para cada participante uma identidade digital baseada na tecnologia. na qual todas as atividades de aprendizagem serão reportadas e registradas.

Certificados falsos é uma das maiores preocupações de instituições de ensino e de empresas na hora de contratar funcionários.

Yulenka Ventriglia, diretora da Kotler Impact Latam Brazil, afirma que a ID em blockchain permitirá aos participantes do eWMS demonstrar, com dados confiáveis, o treinamento de marketing que seguiram e as habilidades que adquiriram com a participação no evento.

Identidade Digital em alta

Novos hábitos digitais, inclusive os acelerados pela pandemia do Covid-19, e a necessidade de maior segurança cibernética vão impulsionar o mercado de identidade do consumidor e gerenciamento de acessos, segundo a TMR (Transparency Market Research).

A empresa calcula que esse segmento vai de passar de US$ 10,9 bilhões em 2020 para US$ 32,9 bilhões em 2030, um aumento anual composto de 12%. Blockchain e inteligência artificial têm sido vistas como tecnologias que vão ganhar terreno nesse setor.

Biometria também crescendo

Na mesma linha e pelos mesmos motivos do estudo da TMR, a Grand View Research prevê que o mercado de biometria comportamental terá crescimento anual composto de 24,5%, passando a USD 4.62 billion em 2027.

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Serpro desenvolve ID autossoberana e cria solução que chama atenção de comunidade internacional

Exame realiza maior evento online da Am. Latina sobre futuro do dinheiro

A partir desta quinta-feira (15), a Exame realiza o Future of Money, maior evento online sobre o futuro do dinheiro da América Latina, que também marca o lançamento de editoria do mesmo nome na plataforma Exame.

Os painéis acontecerão semanalmente até 30 de novembro, com os temas fintechs, open banking, PIX e LGPD, criptoativos, blockchain, moedas privadas e CBDCs, sandbox regulatório CVM e BC e segurança cibernética.

O painel desta quinta-feira será às 19h e a abertura será feita por Gavin Littlejohn, presidente da Associação Britânica de Dados Financeiros (FDATA) e um dos responsáveis pela implantação do open banking no Reino Unido. Também participará o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco.

Claudia Mancini, fundadora e editora do Blocknews, será articulista sobre blockchain na nova editora.

GoLedger vence desafio de segurança com solução de identificação de pessoas

A GoLedger, que desenvolve soluções em blockchain, venceu o DESAFIO SINTSP – InTeSeg (Inovação, Tecnologia e Segurança),  realizado pela Associação Nacional dos Delegados da Policia Federal (ADPF) para a apresentação de proposta de combate ao crime.

Com isso, a empresa vai apresentar sua solução GoBio de identificação de pessoas em blockchain na III Edição do Simpósio Internacional de Segurança (SINTSP), que acontecerá entre 19 e 21 de outubro. O evento será online.

Essa visibilidade é importante porque há vários governos querendo criar um ID Único, mas há receios de contratação por ser algo novo, diz Otávio Soares, sócio-diretor da empresa. Por isso, vencer concursos chancelam a GoBio, uma vez que a proposta é avaliada por especialistas, completou.

China começa teste aberto de moeda digital com população e comerciantes de Shenzhen

A China começou a distribuir, hoje (às 18h do dia 12 na China), 50 mil dos chamados envelopes vermelhos, que são digitais e com 200 iuans em cada um – num total de 10 milhões de iuans. É um teste aberto da moeda digital do banco central, que já fez outros testes em ambientes fechados.

Os envelopes poderão ser usado em 3.389 comerciantes que concluírem a transformação do sistema RMB digital até o dia 18 de outubro, no distrito de Luohu.

No total, a previsão é de o país emitirá 10 milhões de envelopes vermelhos para testes abertos.

Com isso, a China, que levou a uma corrida de outros países para avaliarem a emissão de moedas digitais de bancos centrais (CBDC), continua como o que deverá ser o primeiro a fazer esse lançamento no grupo das maiores economias do mundo.

Acesso por app e conta

A distribuição está sendo feita a quem se inscreveu desde a última sexta-feira (9). Segundo o governo, 1,9 milhão de pessoas se inscreveram e a escolha foi por uma espécie de loteria.

Quem for escolhido receberá uma mensagem, deverá instalar o aplicativo “RMB Digital” e abrir conta em um dos quatro bancos parceiros da iniciativa, segundo o Finance Sina. O acesso ao dinheiro será por uma carteira digital.

No total, a previsão é de que serão emitidos 10 milhões de envelopes vermelhos.

De acordo com a imprensa chinesa, já houve pilotos em ambientes fechados, em Shenzhen, Suzhou, Xiongan, Chengdu e no local onde serão os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que acontecerá em Pequim e na província de Heibei. 

A China começou a distribuir, ontem (12), 50 mil dos chamados envelopes vermelhos, que são digitais e com 200 iuans em cada um – num total de 10 milhões de iuans. É um teste aberto da moeda digital do banco central, que já fez outros testes em ambientes fechados.

  

  

  

Participação de blockchain no PIB global vai quadruplicar até 2030

O impacto de blockchain no PIB global pode dobrar entre 2021 e 2030, passando de US$ 66 bilhões em 2021, cerca de 0,45% da economia mundial (em preços correntes), para US$ 1,76 trilhão, o que seria 1,73% do PIB.

O serviço que vai puxar boa parte desse crescimento será o de rastreamento de produtos, que deve passar de um impacto de US$ 34 bilhões em 2021 para US$ 962 bilhões em 2030. Rastreamento é uma necessidade que a pandemia do Covid-19 deixou mais evidente para as empresas que precisam saber melhor onde estão seus produtos ou insumos e de onde vêm.

Os cálculos são da PwC foram divulgados hoje no estudo “Time for trust: How blockchain will transform business and the economy”. E a empresa afirma que o sucesso da tecnologia dependerá de ambientes favoráveis a sua aplicação, ecossistemas de empresas abertas a explorar novas oportunidades e indústrias diversificadas.

O ano de 2025 será o ano de inflexão de blockchain, com as soluções sendo adotadas em larga escala no mundo, diz a PwC.

Além de rastreamento, os outros quatro usos principais de blockchain com base na capacidade de gerar valor econômico serão pagamentos e instrumentos financeiros, identidade digital, contratos e resoluções de disputas (este passará de US$ 3 bilhões em 2021 para US$ 73 bilhões em 2030) e engajamento do cliente.

Os estudo tem dados individuais dos países que mais têm usado a tecnologia. E afirma que a China, com US$ 440 bilhões, deve ser um dos países mais beneficiados, em parte por conta de seu setor industrial e pela emissão de sua moeda digital de banco central.

Os Estados Unidos estão próximos da China, com US$ 407 bilhões, em boa parte por conta de sua vasta cadeia de suprimentos e das demandas de consumidores que querem saber de onde vêm os produtos que consomem.

Alemanha, Japão, Reino Unido, Índia e França deverão ter benefícios de US$ 50 bilhões cada um. O Brasil não é citado isoladamente no estudo.

Maiores beneficiários

A expectativa é de que rastreamento de origem de produtos deve beneficiar muito a China e a Alemanha, enquanto os EUA devem se beneficiar de aplicações financeiras e de identidade digital.

A tecnologia vai ser usada nos diversos setores, de saúde a manufatura e varejo. E os setores público, de educação e de saúde também devem ser os maiores beneficiários, com US$ 574 bilhões em 2030.

Bancos centrais de países desenvolvidos criam princípios básicos para moedas digitais

Coexistência da moeda digital de banco central (CBDC) com papel-moeda e outros tipos de dinheiro num sistema de pagamentos flexível, manutenção da estabilidade financeira e monetária e características inovadoras e eficientes.

Essa são os princípios fundamentais para emissão de CBDCs que os bancos centrais dos Estados Unidos (Federal Reserve), União Europeia (UE), Japão, Inglaterra, Suíça, Suécia e Canadá, junto com o Banco de Compensações Internacionais (BIS), dão aos países que, como o Brasil, estudam a emissão de moeda digital.

Os princípios servem para que os bancos façam seus estados, mas o grupo sabe que cada país terá de adequá-los às suas realidade, disse Benoît Cœuré, co-responsável pelo grupo de trabalho e líder do BIS Innovation Hub.

Na prática, diz o grupo, deve-se garantir:

  • Resiliência e segurança para manter a integridade operacional;
  • Conveniência e disponibilidade a custos muito baixos ou sem custos para os usuários;.
  • Sustentada por padrões apropriados e um framework lega muito claro; e
  • Ter um papel apropriado para o setor privado, mas também promover a competição e a inovação.

O relatório Central bank digital currencies: foundational principles and core features é mais uma indicação da seriedade com que o tema vem sendo tratado nas principais economias do mundo, depois que a China anunciou que teria uma CBDC, há um ano. Como em todos os estudos sobre o tema, os bancos centrais não afirmam que lançarão CBDCs, que estudam o tema.