Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

PayPal aceitará compra, venda e financiamento em criptomoedas

O PayPal, que no ano passado lançou, e logo depois desistiu de fazer parte do projeto da moeda Libra, com o Facebook, anunciou hoje (21) um serviço para que seus clientes nos Estados Unidos (EUA) possam comprar, vender e guardar criptomoedas em suas contas na plataforma da empresa. Além disso planeja oferecer financiamento em criptos a partir do primeiro semestre de 2021 para compras em seus 26 milhões de lojistas credenciados. As criptos serão convertidas em moedas fiat para esses financiamentos.

“A mudança para moedas digitais (no mundo) é inevitável, disse o presidente e CEO do PayPal, Dan Schulman. “Queremos trabalhar com bancos centrais e reguladores para oferecer apoio e contribuir na definição do papel que as moedas digitais terão no futuro das finanças e do comércio globais.” Para um relatório da União Europeia, a empresa já havia dito que estava trabalhando em projetos com criptomoedas

O projeto começa com o uso de Bitcoin, Ethereum, Bitcoin Cash e Litecoin nos EUA, numa parceria com a Paxos Trust Company. O serviço será gratuito para compra e venda de moedas até o final do ano. A ideia é estender o serviço para o aplicativo Venmo, da PayPal, e para outros países no primeiro semestre de 2021.

Para evitar a barreira ligada a desconhecimento e medo, a PayPal vai entregar conteúdo educacional a seus clientes sobre o ecossistema de criptomoedas, riscos e oportunidades e informação sobre a tecnologia blockchain. Com isso, também deixa claro que avisou de antemão os clientes sobre benefícios e problemas.

Bitlicense temporária

A empresa disse ainda que recebeu uma Bitlicense temporária do New York State Department of Financial Services (NYDFS). Linda A. Lacewell, superintendente da NYDFS, afirmou que o departamento continuará a encorajar provedores de serviços financeiros a operar, crescer e se manterem em Nova York e vai trabalhar com inovadores para permitir que criem e testem ideas.

Muitos analistas dizem que sem utilidade em compras de produtos e serviços, as criptomoedas ficarão isoladas num grupo de usuários. Ao adotar a moeda, o PayPal pode ajudar a frear o medo do desconhecido e outros limitações para o uso, como a alta volatilidade dessa moedas. O movimento da empresa, assim como da Visa e Mastercard, para uso de criptos, podem começar a mudar esse cenário.

No comunicado de lançamento do serviço, o PayPal cita o crescimento do uso de moedas criptografadas e o fato de que 1 em cada dez bancos centrais do mundo estudar ter uma moeda digital e podem lançar suas moedas em até três anos.

Em 2019, a PayPal Ventures injetou recursos na TRM Labs, focada em combate a fraudes com criptomoedas, e na Cambridge Blockchain, que trabalha com gerenciamento de identidade.

Cordite Society, nascida do Royal Bank of Scotland, lança primeira moeda digital em Corda

A Cordite Society, uma cooperativa criada a partir de um projeto de pesquisa do Royal Bank of Scotland, lançou ontem sua moeda digital XDC, a primeira moeda digital na plataforma de registro distribuído (DLT) Corda da R3.

A Cordite é um projeto open source DeFi. Segundo seu white-paper, a XDC é a primeira moeda digital “amigável do ponto de vista regulatório e ambiental”, de valor financeiro e empresarial. O regulador do sistema financiero do Reino Unido, o Financial Conduct Authority (FCA) disse que a XDC é um meio de troca e uma ferramenta descentralizada para comprar e vender produtos e serviços sem os tradicionais intermediários”.

Cada nó representa representa uma instituição, identificada por uma identidadde certifica (X.500). Dessa forma, a moeda está de acordo com os padrões com a FATF, aa força-tarefa do G20 para o combate a crimes como lavagem de dinheiro e terrorismo e que podem after a estabilidade do sistema financiero global.

Segundo o grupo, diferentemente de outras moedas digitais, as transferência de moedas são privadas e sem custos. A exceção é quando se usa o Corda Network Notary5 para manter a integridade do fornecimento de XCD e evitar o problema de gasto duplo dos sistemas clássicos de moedas digitais.

O responsável pela projeto é Richard Crook, que foi responsável por tecnologias emergentes do RBS e hoje é diretor da LAB577, empresa de software.

Agenda: CordaCon, inovação e Blockchain Revolution Global

CordaCon – O CordaCon, evento anual da R3, continua hoje (21) e amanhã (22). Neste ano, é online e gratuito. Os painéis abordarão o uso de DLT em setores como seguros, comércio exterior (a plataforma Marco Polo), tokens para pagamentos, moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), aplicação no mercado de carbono, títulos de governo e identidade digital. Informações em Cordacon.com.

Inovação – A Movements realiza hoje (21) o Webinar #02 – Inovação pra que? O tema é Porque falamos tanto sobre inovação? Isso é realmente importante? Dê onde vem a inovação? Hoje, entre 19h e 20, serão discutidos conceitos e esclarecimento de dúvidas sobre o programa de aprendizagem Inovação, Metadesign e Complexidade. Inscrição pela plataforma Sympla.

Blockchain Revolution Global – O maior evento do Blockchain Research Institute, e um dos maiores do mundo sobre blockchain, acontece entre 26 e 30 de outubro e desta vez terá painéis brasileiros. Serão 12 trilhas sobre temas como serviços financeiros, cidades inteligentes, plataformas e transporte e comércio. Informações e inscrições em Blockchainrevolution.com.


Importância global do dólar pesa na decisão sobre CBDC, diz presidente do Fed

Dada a importância do dólar na economia global, os Estados Unidos (EUA) têm a obrigação de estar na vanguarda de políticas e tecnologias inovadoras, quando se fala em pagamentos internacionais e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Mas nesse caso, “é mais importante fazer direito do que ser o primeiro”.

“O dólar é a principal moeda de reserva e continuará a haver grande demanda por cédulas do Fed. Há cerca de 2 trilhões de notas em circulação e estimamos que quase metade desse valor está fora dos EUA.”

É assim que o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, coloca a posição do país sobre pagamentos transfronteiriços e CBDC, temas que a cada dia ganham mais corpo no cenário global, inclusive no Brasil. As afirmações foram feitas durante um painel sobre pagamentos internacionais no encontro anual do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Ser o primeiro ou o melhor?

Fazer o certo não é so olhar em benefícios e riscos, disse ele. O Fed tem de olhar o impacto no exterior. Há perguntas difíceis operacionais que precisam ser respondidas, como a proteção da moeda digital de ataques cibernéticos e o impacto sobre a política financeira.

Segundo ele, o Fed está comprometido em avaliar a CBDC. Não há decisão sobre o assunto e há muito trabalho ainda para se fazer, inclusive uma consulta pública, antes de se tomar uma decisão. O Banco Central da União Europeia (BCE) lançou uma consulta pública no último dia 12.

Há benefícios de uma CDBC e incluem um sistema de pagamentos mais rápido e mais barato, fora outros macroeconômicos. Mas há também assuntos complexos, como o declino de dinheiro físico e a necessidade de atender pessoas não ou pouco bancarizadas.

Libra agitou os BCs

Como outros BCs, incluindo o Brasil, o Fed defende que a CBDC deve ser um complemento e não substituta do papel moeda e de outras formas digitais de dinheiro privado.

“A Libra mostrou a necessidade de melhorar os pagamentos transfronteiriços. É muito cedo para dizer como vai ter moldar o sistema de pagamentos. mas levou os reguladores a pensar nos riscos de inovações”, completou. E ele não disse, mas a Libra, moeda do Facebook e outras empresas, junto com a decisão da China de ter CBDC, fez os BCs a pensarem nessas moedas digitais.

Mais sobre CBDCs em:

Banco Central nomeia membros do grupo que vai estudar CBDC brasileira

União Europeia lança dia 12 de outubro consulta pública sobre emissão de sua moeda digital

R3 e Mphasis fazem parceria para serviços de pagamentos e cadeias de suprimentos

A R3 e a Mphasis, provedora de soluções em cloud e serviços cognitivos, anunciaram, hoje (20), uma parceria focada em soluções de pagamento usando a tecnologia de registro distribuído (DLT).

O objetivo da parceria é acelerar a operação da ALTATM, um ecossistema de pagamentos digitais e cadeia de suprimentos criada pela Mphasis para conectar empresas globais, suas cadeias, serviços financeiros, como câmbio, e provedores de infraestrutura numa rede global de comércio exterior.

A solução usará a plataforma Corda da R3. Em seu site, a Mphasis afirma que trabalha com blockchain desde 2016 por meio de parcerias para oferecer design, desenvolvimento e operação de plataformas e aplicações.

Pequenas e médias empresas

A plataforma poderá ser usada também por empresas de médio e pequeno porte, o que dever facilitar o acesso a instituições financeiras, por exemplo. “A parceria vai permitir acelerar o co-desenvolvimento e a busca de mercado na plataforma Corda”, disse Srikumar Ramanathan, vice-presidente sênior da Mphasis

A R3 começou como um consórcio dos bancos que buscavam entender, e depois aplicar, DLT de forma segura para transações. AS solução da R3 busca garantir não apenas segurança às operações, mas privacidade dos dados, com cada membro decidindo quem verá cada informação.

JBS lança programa que inclui blockchain para rastrear gado da Amazônia

Acusada em 2017 de vender carne de gado criado em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia, a JBS anunciou hoje o lançamento do ‘Juntos pela Amazônia’, um programa que usará blockchain para a verificação da origem da carne e com um fundo para incentivar a conservação e o desenvolvimento do bioma da Amazônia.

Por conta de produção na Amazônia, clientes em outros países deram o recado e seus governos afirmaram que não comprariam carne vinda ilegalmente da floresta. Investidores estão cada vez mais atentos a esses movimentos, que ao final podem ter impacto no balanço financeiro das empresas.

O uso de blockchain tem sido citado por ambientalistas como uma forma de garantir que produtos sejam rastreados para que não venham de áreas de desmatamento ilegal.

Blockchain é a parte crucial

O programa do frigorífico tem quatro pilares: desenvolvimento da cadeia de valor, conservação e reflorestamento da floresta, apoio às comunidades e desenvolvimento científico e tecnológico.

No primeiro pilar – o mais crucial em relação ao negócio da JBS – , será usada blockchain para registro e checagem de informações sobre o gado em etapas anteriores à dos fornecedores diretos. Será feita uma campanha para que os fornecedores entrem na sua Plataforma Verde.

A empresa diz que analisa mais de 50 mil propriedades de fornecedores de gado para sua produção na região amazônica, uma área maior do que a Alemanha.

Os outros três pilares serão operacionalizados com o Fundo JBS para a Amazônia. Serão investidos R$ 250 milhões nos próximos 5 anos e espera-se conseguir contrições de terceiros, elevando o valor para US$ 1 bilhão em 2030.

O fundo será dirigido por Joanita Maestri Karoleski, ex-CEO do também frigorífico Seara. O conselho consultivo terá profissionais como Carlos Nobre, cientista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Caio Magri, CEO do Instituto Ethos, Marcelo Britto, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e o presidente do Carrefour, Noël Prioux.

Indústria brasileira prevê mais de 3 anos para adotar tecnologias 4.0

Deve levar mais de 3 anos para que a indústria brasileira adote de forma disseminada tecnologias que a farão entrar no mundo 4.0. Mas no agronegócio, as tecnologias da informação e inteligência artificial já são uma realidade. Essas são duas das várias conclusões do estudo Radar Conecte-se ao Novo | 2020, que o CPQD acaba de lançar.

O centro de inovação conversou com executivos, acadêmicos e analistas de diversos setores e em diversas posições corporativas para fechar um diagnóstico sobre a maturidade, o potencial de impacto e a perspectiva de adoção de 28 tecnologias no país no pós-pandemia. As tecnologias são as consideradas relevantes hoje e no futuro.

De acordo com o relatório, o setor de telecomunicações prevê usar inteligência artificial (IA) em até dois anos, se estiverem maduras nesse prazo. E os governos indicaram que vão usar mais ferramentas tecnológicas, algo que já tem sido visto.

As tecnologias foram divididas conforme seus setores de atuação: rede e conectividade; Ia; confiança, privacidade e segurança – na qual está blockchain – , computação avançada; mobilidade e veículos autônomo; e IoT e dispositivos Inteligentes.

Prazo de adoção para a maioria é de até 5 anos. Fonte: Radar

Segundo os entrevistados, em confiança, privacidade e segurança: “há setores que não perceberam a necessidade da proteção de suas transações ou da possibilidade de ampliarem seus negócios com a adoção de tecnologias nesta área”, diz o estudo.

Essa tem sido uma percepção clara tanto de quem trabalha com blockchain, quanto de especialistas em segurança cibernética. As empresas – e seus funcionários – ainda não se deram conta da importância de proteção de dados em níveis elevados.

Em relação a blockchain, é vista por 33% como uma tecnologia nascente e por 29% como inicial. Além disso, 37% dos entrevistados avalia que é uma tecnologia de alto impacto, enquanto 21% a considera disruptiva e 28% avalia como médio impacto. Para 33%, o prazo de adoção no país está em até 2 anos e para 41% em de 3 a 5 anos.

Mais sobre tecnologia na indústria em:

Falta de crédito e de sensibilidade das indústrias emperram uso de tecnologia 4.0

Libra contrata CFO para rede de licenciados do sistema de pagamentos; executiva vem do HSBC

A Associação Libra contratou Ian Jenkins, que já passou por bancos como HSBC, Credit Suisse e Santander, como CFO e COO da Libra Networks. A empresa é uma subsidiária da associação e é responsável por gerenciar a rede de licenciados do sistema de pagamentos que está sendo montada.

A associação tem feito uma série de contratações de posições de nível C, entre elas as do CEO, Stuart Levey, do Chief Legal Officer (CLO), Steve Bunnell, além de James Emmett, diretor geral da Libra Networks, e de Sterling Daines, Chief Compliance Officer (CCO).  

Agência de notícias AP usará blockchain no registro de dados das eleições nos EUA

A agência de notícias norte-americana Associated Press, que analisa as votações eleitorais nos Estados Unidos (EUA) para tentar antecipar os resultados, vai registrar essas informações na Everipedia, uma espécie de enciclopédia que registra dados em blockchain. Os dados serão de mais de 7 mil disputas no âmbito nacional e nos estados.

Com a antecipação de dados, será possível, por exemplo, permitir a criação de produtos financeiros em blockchain como previsões de mercado e derivativos, disse a Everipedia em comunicado.

Diferente do Brasil, nos EUA os resultados eleitorais ainda levam dias para serem confirmados. A AP, que é uma agência sem fins lucrativos, faz esse levantamento independente há quase 200 anos, desde a eleição presidencial em 1848.

Como funciona

A parceria inclui ainda a Chainlink, maior rede descentralizada de oráculos do mundo. A empresa vai oferecer a infraestrutura para o registro dos dados da eleição. Por ser um oráculo, a Chainlink conecta dados do mundo real (off-chain) à blockchain, permitindo o registro em diferentes blockchains.

Hoje, os dados são enviados por email. Com a parceria, O nó Everipedia Chainlink vai fornecer contratos inteligentes para acesso à base de dados das eleições. Esses dados terão uma prova criptografada usada para verificar se a informação vem mesmo de um API da AP ao qual a Everipedia tem acesso exclusivo e autenticado. Isso deve conferir mais segurança às informações.

Para declarar a vitória de um candidato, a AP tem um Decision Desk formado de analistas, pesquisadores e pessoas que entrevistam eleitores. Todos contam com seus conhecimentos de eleições, candidatos e eleitores das votações anteriores e a da atual e com os dados do dia para anunciarem uma vitória.

Blockchain na imprensa

Blockchain também está sendo usada em outros veículos importantes, como o The News York Times e a agência italiana de notícias Ansa. O objetivo é checar a veracidade de fatos e de imagens.

Mais sobre o levantamento da AP no site da agência.

Na corretora NovaDAX, o importante é querer aprender; mulheres são 40% do time

Estar aberto a aprender algo novo é uma das habilidades que quem quer trabalhar com blockchain precisa ter. Quem diz isso é Beibei Liu, CEO da corretora NovaDAX. Conhecer criptomoedas e blockchainn é apenas um diferencial, afirma ela na entrevista a seguir dada ao Blocknews.

Atributos para trabalhar numa corretora de criptos
O conhecimento prévio de criptos e blockchain não é mandatório para a maior parte de nossas vagas, sendo mais relevantes as competências, habilidades e comportamentos desenvolvidos ao longo da trajetória profissional do candidato e que posteriormente poderão ser adaptadas ao nosso cenário.

Assim, até mesmo para as funções técnicas, o conhecimento prévio em cripto e blockchain é apenas um diferencial.  O mindset expansivo, aberto à aprendizagem e desenvolvimento rápido e constante, senso crítico de realizar conexões de conhecimentos e disciplina para a execução, são os principais atributos buscados no mercado. A NovaDAX tem a missão de oferecer desde o processo seletivo uma imersão didática e eficiente, de forma que o futuro colaborador possa trazer insights desde os primeiros contatos.

Mulheres na NovaDAX
Temos cerca de 20 funcionários de Tecnologia e Produto, dos quais 40% são mulheres. A política de diversidade vem sendo aprimorada e adaptada da holding asiática ao Brasil principalmente em 2020, quando alcançamos dois anos de operação aqui. Essa adaptação se deve principalmente pelas particularidades da população de cada região e diferença no abismo de inclusão enfrentada.

Candidatas mulheres
Nosso time de Tecnologia e Produto tem um turn over muito baixo desde o início das nossas operações em 2018, porém, nas oportunidades que tivemos até então, a candidatura das mulheres é menos expressiva e girou em torno de 30%.

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