Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

B3 e IRB Brasil Resseguros lançarão plataforma blockchain em 2021

A B3 e o IRB-Brasil Resseguros vão lançar, em 2021, uma plataforma blockchain para conectar corretores, seguradoras e resseguradoras, para realização digital de contratos de seguros e resseguros. Será a primeira em blockchain no setor, segundo a B3. A rede usará a Corda, da R3, e tem potencial para ser uma das maiores do mundo com essa solução.

A parceria vai permitir operações em tempo real de um mercado bilionário – em 2019, só as seguradoras arrecadaram R$ 270 bilhões, excluindo os segmentos de saúde e o DPVAT.

A BBChain, que desenvolve soluções blockchain, também foi escolhida para participar do projeto.

A adoção de DLT em seguros poderá ser quase uma revolução na maneira como o setor operada. Com frequência é apontado como um dos que mais tem potencial para uso de blockchain, porque é pouco digitalizado, as operações envolvem muito papel, idas e vindas de elaboração e aprovação de documentos – ou seja, confirmações de confiança – , diversos participantes no processo e muito dinheiro nos contratos.

Precisa de aprovação

Segundo o comunicado assinado pelo Vice-Presidente Executivo Financeiro e de Relações com Investidores do IRB, Werner Romera Süffer, o projeto poderá estar sujeito à apreciação dos órgãos reguladores, “a depender do desenvolvimento a ser realizado”.

“Trabalhamos isso há mais de um ano, disse ao Blocknews Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da BBChain. A rede, segundo ele, permitirá transações em tempo real, indo de ponta a ponta nas transações, da cotação à gestão de risco de seguro.

A B3, recentemente, iniciou a operação de uma plataforma de tecnologia de registro distribuído (DLT) para registro de duplicatas, com outras três registradoras. A tecnologia também é a Corda, da R3, e a BBChain também participou do projeto.

Um dos pontos mais interessantes do comunicado da B3 é que a bolsa, que se auto-intitula uma empresa de infraestrutura do mercado financeiro, afirma que a parceria faz parte da estratégia de diversificação dos seus negócios e “visa ampliar e fortalecer a oferta de soluções da B3 no mercado de seguros e resseguros”, diz Daniel Sonder Vice-Presidente Financeiro, Corporativo e de Relações com Investidores da bolsa no comunicado.

O IRB foi a primeira empresa da América Latina a fazer parte da B3i, um consórcio global de seguradoras e resseguradoras que desenvolve soluções DLT para o setor.

Mais sobre a B3 e blockchain em:

B3, Cerc, CIP e CRDC colocam em operação plataforma blockchain de registro de duplicatas

Digitalização levará 50% dos profissionais a passar por requalificação até 2025

Profissionais com algum tipo de dificuldade em auto-gerenciamento, aprendizado ativo, tolerância ao estresse e flexibilidade devem ficar muito atentos. Essas são algumas das habilidades que empregadores indicaram dentre as principais na terceira edição do relatório Futuro dos Empregos (Future of Jobs Report), do World Economic Forum (WEF).

Além disso, o relatório aponta que metade dos profissionais terão de passar por algum tipo de requalificação até 2025 por conta da aceleração tecnológica provocada pela pandemia do Covid-19.

A estimativa é de até 2025, 85 milhões de empregos sejam perdidos por conta da substituição de pessoas por máquinas, mas 97 milhões de empregos podem ser criados ou adaptados para uma nova divisão de trabalho que inclui pessoas, máquinas e algoritmos.

These are the top 10 skills for 2025.Image: World Economic Forum

“Temos as ferramentas a nossa disposição. Os retornos da inovação tecnológica que definem esta era podem ser impulsionados para desencadear o potencial humano”, diz Klaus Schwab, fundador e chairman executivo do WEF.

Segundo o Futuro dos Empregos (Future of Jobs Report), quem não tem essas habilidades pode consegui-las com treinamentos de no máximo seis meses.

Pensamento crítico e capacidade de resolver problemas continuam na lista desde a primeira edição, em 2016.

Empresas de blockchain demonstrarão ao TSE suas soluções para eleições

Criptonomia, GoLedger, Instituto Nacional de Excelência em Políticas Públicas (Inepp), OriginalMy e Waves Enterprise, que desenvolvem soluções em blockchain, estão entre as 26 empresas escolhidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para demonstrarem suas soluções de votação online no próximo dia 15 de novembro, quando acontece o primeiro turno das eleições municipais.

Os testes serão em Curitiba, Valparaíso de Goiás, e em dois locais da cidade de São Paulo. Para realizarem os testes, eleitores serão convidados a votar em candidatos fictícios, com monitoramento da Justiça Eleitoral.

As demonstrações fazem parte do projeto “Eleições do Futuro”. O chamamento público para participar do teste aconteceu em setembro, 29 empresa se inscreveram e foram convidadas para uma discussão técnica e a lista das que participarão dos testes tem 26 delas.

Blockchain já foi usada em eleições locais nos Estados Unidos e é vista como uma solução capaz de evitar fraudes nas votações.

Guap Friday vai incentivar uso de criptomoeda Guapcoin em comunidade negra

No mesmo dia da tradicional Black Friday, que neste ano acontece no dia 27 de novembro, lojistas da comunidade negra dos Estados Unidos poderão participar do Guap Friday, aceitando as criptomoedas Guapcoin ($GUAP), criadas em 2017.

A cripto foi criada para atender a essa comunidade e a manter o dinheiro dentro dela, com isso, a experiência será uma forma de fazer lojistas negros conhecerem a Guapcoin. Segundo a empresa, a Black Friday envolve, em geral, os grandes lojistas, enquanto o Small Business Saturday busca promover as vendas em comércios locais. Mas é raro um esforço voltado à comunidade negra, que foi uma das que mais tem sofrido com a pandemia do Covid-19.

A plataforma de análise TrustB, vai levantar os dado sobre as compras com a moeda, além de formas de mensurar o impacto da cripto.

Para participar do Guap Friday, os lojistas devem se cadastrar e os compradores devem adquirir moedas Guapcoin, que são vendidas na Probit.com Exchange. A cotação era de 0,00000123 às 0:04 de hoje (26). Os consumidores também poderão ganhar a cripto ajudando a divulgá-la. Uma bolsa peer-to-peer também lançará a moeda em novembro, com compra e venda sem intermediários.

Todas as instituições de pagamentos emissoras de moedas digitais precisarão de autorização do BC

O Banco Central do Brasil aprovou ontem à noite (22) uma resolução que determina que a partir de março de 2021, as instituições de pagamento emissoras de moeda eletrônica passem a ser previamente autorizadas pelo Banco Central para poderem funcionar. 

Até então, pela circular 3885 de 2018, que estabelecia as regras para autorização para prestação de serviços de pagamento por instituições financeiras, estavam incluídas apenas as emissoras de moeda eletrônica com transações de pagamentos a partir de R$ 500 milhões ou valores a partir de R$50 milhões em recursos em conta de pagamento pré-paga.

É uma regra que contradiz a filosofia purista das criptomoedas, criadas para que não haja controles de autoridades. Mas, protege o sistema financeiro de eventuais instabilidades causadas pelos negócios de criptos.

“Ainda não vejo essa resolução como um impeditivo para a inovação. Entretanto, estranho o Banco Central querer regular algo que não é dinheiro, no sentido conceitual de moeda. Lembremos que a criptomoedas são “tokens” que não representam dinheiro mas que ganham valor em razão do seu uso e aceitação. Creio que seja uma questão de competência para regular algo que não seria de sua responsabilidade”, disse ao Blocknews Paulo Perrotti, sócio-fundador da LGPDSolution e presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá.

Na mesma resolução nº 24, o BC criou uma nova modalidade de instituição de pagamento, o iniciador de transação de um pagamento ordenada pelo usuário final, mas que não participa do fluxo financeiro, não detentor, portanto, a conta do cliente. O objetivo é ampliar a abrangência do open banking, que começa a ser implantado em novembro.

Pedidos serão em fases

Em relação a moedas digitais, a instituição de pagamento que em 1º de março de 2021 já estiver emitindo moeda eletrônica, terá de pedir autorização do BC.

Depois, serão dadas autorizações para quem tiver alcançado, até 31 de dezembro de 2021, movimentações superiores a R$500 milhões em transações de pagamento ou R$50 milhões em conta de pagamento pré-paga.

Em seguida, para quem fizer, em 2022, pelo menos R$ 300 milhões em transações de pagamento ou tiver R$30 milhões em recursos mantidos em conta de pagamento pré-paga. E depois, de 1º de janeiro a 30 de junho de 2023, para quem não tiver alcançados esses valores.

De 400 instituições financeiras tradicionais da Europa, 86% avaliam ou já usam DeFi

Serviços financeiros descentralizados, os DeFi, não são mais coisa do mundo blockchain e das moedas criptografadas. Boa parte das seguradoras, bancos e tradings das finanças tradicionais da Europa está implementando ou avaliando esses aplicativos de forma significativa.

Mais precisamente, estão nesse grupo 86% de 400 instituições financeiras tradicionais europeias entrevistadas no estudo “The Sudden Rise of Defi” da BCG Platinion (braço do Boston Consulting Group) e da corretora Crypto.com.

Não é à toa que esse segmento chame a atenção do setor tradicional. Há US$ 12 bilhões alocados nesses DeFis, segundo estimativa do DeFi Pulse, que diz que eram US$ 3,7 bilhões em 25 de julho de 2020.

Das empresas entrevistadas, 67% acham que com DeFis, abrirão canais de receita. E 70%, está de olho no segmento apesar de temer riscos de segurança, já que precisam confiar nos contratos inteligentes, ao invés de custodiantes e servidores centralizados. Tanto que 60% se preocupa com a falta de regulação e mecanismos de recuperação de seus recursos.

O estudo mostrou ainda que proporcionalmente, as empresas de maior porte são as que mais entram em DeFis. Daquelas com receita acima de 10 bilhões de libras esterlinas (cerca de R$ 73 bilhões), 71% avaliaram ou implementaram esses serviços. E 58% acham que perderão vantagem competitiva se ignorarem as soluções DeFi.

O motivo é que esses projetos precisam de um nível adequado de investimentos para garantir benefícios para quem está entre os primeiros a desbravar essa área. As maiores empresas podem bancar o projeto e conviver melhor com o risco do que as de menor porte.

Em 42% dos casos, as empresas estão trocando suas soluções para DeFi em serviços de gerenciamento de ativos e 38% para tornar os serviços de pagamento mais rápidos e seguros. Há quem espera reduzir seus custos. Isso apesar de operadores do segmento de criptomoedas apontaram os custos altos de uso da rede Ethereum, onde as operações de DeFi acontecem, como barreira para a expansão dos aplicativos.

Boa parte desse movimento deve vir do medo: 58% das empresas disseram temer perder vantagem competitiva se ignorarem esses aplicativos.

Daqueles implementando serviços financeiros descentralizados, 35% fazem parte de um consórcio, plataforma, aplicação ou serviço existentes, 24% estão desenvolvendo suas soluções e 22% vão se juntar a competidores porque o ecossistema atual não é compatível com suas demandas.

Mais sobre DeFis em:

Custo e falta de regras são gargalos para expansão de produtos financeiros em blockchain

Prêmio Digitalks | Profissional do Mercado Digital tem categoria blockchain; votação é até dia 28

A 7ª edição do Prêmio Digitalks | Profissional do Mercado Digital está aberto até o próximo dia 28 para a indicação de profissionais. São 13 categorias e uma delas é blockchain.

Para indicar um profissional, basta acessar o link Prêmio Digitalks 2020

Serão eleitos 3 finalistas de acordo com os mais indicados e com a avaliação do júri, com base nos projetos desenvolvidos pelos indicados. A segunda fase será a de votação popular para escolha de um vencedor em cada categoria. A premiação irá acontecer no Digitalks Global Summit, no dia 15 de dezembro, em evento online.

Não é necessário preencher todas as categorias, mas é importante responder todos os itens do profissional da categoria indicada.

BBChain é primeira brasileira em novo grupo de parceiros criado pela R3

A R3 criou um programa global de parceiros para treinar e educar essa rede em sua solução Corda e promover o desenvolvimento de soluções e serviços da plataforma Corda para o mercado. A startup brasileira BBChain, que desenvolve soluções usando Corda, é a única brasileira no lançamento do grupo.

A iniciativa, chamada de Partner Connect, dará apoio a vendors independentes de software (ISV), integradores de sistemas e operadores de redes de negócios que desenvolvem aplicados em Corda.

Também estão neste grupo inicial empresas como Accenture, Capgemini, Cognizant, Deon Digital e Nasdaq e novos membros entrarão em 2021.

“A R3 tem um grande número de parceiros estratégicos globalmente e vários no Brasil. A BBChain é um dos nossos parceiros de destaque e foi responsável pela implementação do Corda Enterprise no projeto de interoperabilidade das registradoras de duplicadas com a B3, CERC, CIP e CRDC, lançado em agosto”, disse ao Blocknews Keiji Sakai, diretor-geral da R3 no Brasil. 

O objetivo com essas alianças estratégicas é expandir a adoção do Corda Enterprise nas mais distintas indústrias onde acreditamos que atransformação digital será impulsionada com a tecnologia blockchain, completou Keiji.

“Fazer parte desse seleto grupo consolida o posicionamento do Brasil, representado pela BBChain, como referência no desenvolvimento de soluções de alcance global baseadas na tecnologia Corda”, disse ao Blocknews Felipe Chobanian, co-fundador da empresa.

Até agora concorrentes, IBM e R3 fecham parceria para oferta de Corda no IBM LinuxONE

A IBM e a R3, duas das principais concorrentes em soluções blockchain no mercado global e que trabalham com plataformas distintas, fecharam um acordo para que a “Gigante Azul” forneça a rede Corda Enterprise da R3 a seus clientes no IBM LinuxONE, em nuvem híbrida – em premissas e IBM Cloud.

A R3 gerou um programa beta aberto para a Corda estar no IBM LinuxONE. Isso começa a funcionar no próximo dia 2 de novembro. A previsão é que a disponibilidade-geral comece no primeiro trimestre de 2021. O serviço se dará por meio do IBM Cloud Hyper Protect Services.

“As conversas sobre uma parceria estavam acontecendo já há um bom tempo, inclusive aqui no Brasil”, disse ao Blocknews Keiji Sakai, diretor-geral da R3 no país.

Centro de excelência R3 na IBM

Até então, a IBM trabalhava basicamente com a Hyperledger, iniciativa open source ligada à Fundação Linux. A R3, que de consórcio de bancos se tornou uma empresa, criou a solução de tecnologia de registro distribuído (DLT) Corda. Essa última, é muito associada a clientes financeiros – embora já tenha se expandido para outros setores -, que buscam mais privacidade em suas operações.

O acordo inclui ainda um centro de excelência R3 da IBM Services, devido ao aumento das oportunidades no mercado de nuvem híbrida, disse o comunicado das empresas. O objetivo será prover serviços como treinamento e consultoria de design para clientes que pretendem ou planejam usar soluções Corda.

“É um centro para inovar e incubar ideias de clientes e casos de uso”, disse Jason Kelley, gerente geral do IBM Blockchain Services. O centro de excelência dará maior poder aos clientes para subir o nível de suas transformações digitais, afirmou David Rutter, CEO da R3.

Acordo já era negociado há algum tempo também no Brasil, diz Sakai, da R3.

“A parceria com a IBM na região aumenta o leque de opções de utilização da nossa plataforma Corda Enterprise, com alguns diferenciais super relevantes – o IBM Hyper Protect Service, além da IBM Cloud e o LINUX-ONE, que já são amplamente utilizados no mundo corporativo”, afirmou Sakai.

  Além disto, a IBM vem capacitando e certificando sua equipe de arquitetos e engenheiros de software em CORDA.  Estes profissionais serão de extrema importância para direcionar e implementar soluções CORDA na base de clientes que a IBM tem na América Latina.

Por enquanto, nenhum dos dois lados fala em aquisição de uma pela outra no futuro. E também não se deu informações sobre como funcionará o marketing.

Interoperabilidade

A IBM já tem outros acordos nessa área e participa de diferentes iniciativas que estudam soluções blockchain. O acordo com a R3 pode ser um novo passo em direção à interoperabilidade entre infraestruturas.

Blockchain, por princípio, deve ser utilizada pelo maior número de stakeholders de um negócio, com a conversa de participantes de uma ou várias cadeias de fornecedores de produtos e serviços. Esse é um formato ainda distante no mundo dos blocos.

Para a Gigante Azul, o acordo adiciona uma solução que atrai setores como o financeiro, no qual já perdeu concorrências para a R3. A R3, por sua vez, se alia a um dos maiores provedores do segmento no mundo e que conta com outras soluções que podem interessar às empresas.

Nova York de olho

O setor financeiro pode parecer lento na adoção de DLT, mas é fato que está aumentando seu uso e Nova York, por exemplo, está cada vez mais convencida de que tecnologias como essa são o futuro do setor. Se NY abraçar a causa, pode arrastar o restante do planeta para o mesmo caminho.

A IBM LinuxONE e IBM Cloud Hyper Protect Services já oferecem um serviço de interesse de quem tem dados muito sensíveis para proteger, o Confidential Computing . Isso também pode interessar à R3.  

Bitcoin bate recorde em reais, chegando a R$ 73 mil, alta supera 7% em 24 horas

O bitcoin bateu recorde de preço ao longo desta quarta-feira (21), superando a barreira de R$ 70 mil – às 20h20, a cotação estava em R$ 73.158, voltando em seguida para a faixa de R$ 72 mil, um aumento superior a 9% em 24 horas. Em dólar, a moeda ainda está longe de sua cotação máxima sendo cotada a cerca de US$ 12 mil.

A oscilação do real-dólar tem sido um dos fatores a impulsionar a valorização da moeda. Analistas apontam também a compra institucionais de criptoativos. E para completar, hoje de manhã PayPal anunciou que vai permitir compra, venda e financiamento de compras com moedas criptografadas. O plano é começar nos EUA e expandir os serviços para outros países em 2021.