Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Corrente de Mulheres é o novo podcast do Women in Blockchain Brasil

O Women in Blockchain (WIB) Brasil, comunidade voltada ao apoio e inclusão das mulheres na nova economia, tem agora o podcast Corrente de Mulheres.

A apresentação e produtora do podcast é Liliane Tie, líder também do WIB Brasil.

Lançado em 21 de outubro, o podcast está no terceiro episódio e o último, disponível desde o último dia 1, inclui comentários sobre as reportagens do Blocknews sobre o mercado de trabalho em blockchain e a baixa participação das mulheres nesse segmento.

O programa está em que está nas plataformas Anchor, Spotify, Radio Public, Pocket Casts, Overcast e Breaker.

Banco central da Austrália forma grupo para testar moeda digital em financiamentos

O Reserve Bank of Australia, o banco central do país, anunciou, hoje (2), uma parceria com o Commonwealth Bank, o National Australia Bank, o Perpetual (grupo de investimentos australiano) e a desenvolvedora de soluções em blockchain ConsenSys para testarem, até o final deste ano, o potencial do uso e das implicações de uma moeda digital de banco central (CBDC) para operações de atacado. Essa parceria é parte de uma pesquisa já em curso pelo banco central do país.

A Austrália é um dos países que lideram o uso de blockchain no mundo, segundo o Blockchain Council. Tanto que o governo australiano inseriu o uso da tecnologia em programas relacionados a inovação e eficiência.

No projeto entre os bancos e a Consensys, será feita uma prova de conceito (PoC) para a emissão de unidades tokenizadas que possam ser usadas no mercado de atacado como fonte de financiamento, liquidação e pagamento de empréstimos sindicalizados.

As operações serão feitas em plataforma baseada na rede Ethereum, especialidade da Consensys, e um relatório deverá ser publicado no primeiro trimestre de 2021.

Banco vai tokenizar cbdc e usará moeda em financiamentos.

Segundo comunicado do banco, a POC deverá comparar as implicações entre o que o Reserve Bank chama de “entregas atômicas” e de liquidação de pagamentos na plataforma de registro distribuído (DLT), assim como outras possíveis formas de programação e automação de CBDC tokenizada e de ativos financeiros.

“Queremos explorar as implicações da CBDC em eficiência, gerenciamento de risco e inovação nas transações no atacado do mercado financeiro, disse a diretora assistente para o sistema financeiro do banco, Michele Bullock.

Segundo ela, ainda há muitas questões sobre o uso de CBDC nessas áreas, mas a ideia é verificar se há algum papel para essas moedas no sistema de pagamentos australiano.

R3 premia grupos que desenvolveram soluções no Innovation Challenge da FIAP

Um plataforma para emissão, escrituração e comercialização de CBIO (Crédito de Descarbonização, cujo uso passará a ser obrigatório a partir de 2021), outra otimização dos processos de doação de órgãos, interligando hospitais parceiros, empresas de logísticas, bancos de doadores e o operador do BNO (Banco Nacional de Órgãos) e uma solução unificadora dos registros dos votos em formato de Livro-Razão e integrada ao órgão regulador. Esses foram os projetos que vencerem em primeiro, segundo e terceiro lugar do desafio proposto pela R3 no Innovation Challenge FIAP 2020.

Para os vencedores, a R3 ofereceu o suporte de sua área de Venture Development, liderada por Ivar Wiersma, para quem quiserem prosseguir com o desenvolvimento das aplicações.

O desafio reúne empresas de diferentes setores a propor desafios reais de negócios para que os alunos a desenvolverem soluções.

O desafio da R3 para os alunos de MBA em Engenharia de Software e Arquitetura de Soluções foi identificar uma oportunidade ou dor do mercado que pudesse ser resolvida com blockchain. O desafio era ainda formatar o modelo de negócio, desenvolver o protótipo da solução e demonstrá-lo.

Mas não era só isso. Era preciso sair do zero em conhecimento da plataforma Corda para, em três meses, entregar um CorDapp (Corda Distributed Application). “Nem todos os grupos conseguiram terminá-lo. Além disso, analisamos o fator inovador do projeto, a aplicabilidade no mercado local e comparamos com as demandas que temos recebido de nossos clientes”, diz o diretor de alianças estratégicas da R3, Nayam Hanashiro.

“Definimos quatro verticais: setor financeiro, seguros, energia e saúde”, completa Hanashiro. Diversas áreas da R3 apoiaram os alunos, que participaram também de uma sessão técnica.

Quem venceu

O primeiro grupo premiado, da plataforma para CBIO, foi formado por Albo Borges Vieira, Guilherme Augusto do Amaral, Marcelo Umberto Ferreira da Silva e Rainer Henrichsen. O segundo lugar, da solução para doação de órgãos, ficou com Jorge Rodrigues, Paulo Troyano e Rodrigo Nakamura de Brito. E Delcio Torres, Thiago Gonçalves, William Arsenio e William Medrades levaram o terceiro lugar com a plataforma para a melhoria nos processos de votação das empresas.

O que as plataformas fazem

O protótipo para CBIO tem um aplicativo que consome APIs de microsserviços e permite solicitar a emissão, a comercialização de créditos e conferir o extrato das transações.

A solução de banco de órgãos interliga hospitais, empresas de logísticas, bancos de doadores e o operador do BNO (Banco Nacional de Órgãos) e pode ser acessada via internet. Com Corda, cada membro participante da plataforma tem seu ledger atualizado a cada transplante realizado, com acesso apenas aos seus contratos.

A plataforma de votação em empresas permite a integração de portais de votação, garantindo a validade e a privacidade dos votos. A solução permite redução de custos e apuração imediata das votações.

“À medida que aumentamos o ecossistema global de startups com base na plataforma Corda, o Brasil continua a brilhar como um importante centro de inovação – estamos muito felizes por ter a oportunidade de trabalhar com organizações como a FIAP e startups no Brasil construindo a próxima geração de empresas”, líder de Venture Development da R3 para a América Latina e Costa Oeste dos Estados Unidos.

Parceria entre empresas e governo fez da Suíça um hub em criptos e blockchain

Uma bem sucedida parceria entre empresas e governos e ações do ecossistema para evitar a atuação de golpistas, logo no início do mundo cripto, foram alguns dos fatores que tornaram a Suíça um dos principais centros das finanças tradicionais do mundo, também em um dos principals hubs de negócios ligados a criptoativos e blockchain.

Essa é uma das mudanças no mundo dos negócios causadas pelo whitepaper de Satoshi Nakamoto sobre a bitcoin, divulgado há 12 anos. E quem conta essa história ao Blocknews é Toni Caradonna, membro fundador da Federação Suíça de Blockchain (SBF em inglês), por meio da Fundação Porini, ONG que usa tecnologia em projetos de impacto social, e que lidera o grupo de trabalho de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU na federação.

Esta entrevista é parte de uma série que o Blocknews publicará em celebração à divulgação do whitepaper, em 31 de outubro de 2008.

BN: Quais foram os maiores fatores que levaram a Suíça a se tornar um dos maiores promotores de blockchain e criptoativos?

TC: Na minha percepção, foi um exemplo perfeito de uma parceria público-privada. Houve uma adoção empreendedora muito cedo em meio a uma incerteza jurídica. Então, os stakeholders se juntaram a tomadores de decisão do governo, que viam o potencial que a tecnologia oferece. Pessoalmente, também acho que o fato de a Fundação Ethereum estar em Zug e ter tido a consultoria de um time de advogados muito competente e com excelente reputação, acelerou a credibilidade do setor. Além disso, acho que o aspecto autoregulatório dos stakeholders que queriam uma separação clara entre os atores complacentes e os golpistas, foi um grande motivador para a adoção.


BN: Esse movimento significa que a Suíça acredita que o setor financeiro tradicional será substituído, no futuro, pelos criptoativos?

TC: Não acredito que vivemos num mundo binário, nem em relação à sociedade e nem em relação aos negócios. Porém, eu realmente acredito que muitos participantes do setor vejam um potential massivo, o potencial de disrupção. A Suíça não tem recursos naturais e é altamente dependente de inovação. Por isso é que existe um grande interesse e apoio dos tomares de decisão em todos os níveis.


BN: Tem havido várias ações para promover os criptoativos, como a criação do Cryto Valley em Zug e o uso de criptomoedas para pagamento de impostos. Há também um movimento para promover o uso de blockchian em empresas e no governo? 

TC: Eu vejo isso como um desafio de percepção. A Suíça é uma federação, portanto há vários níveis de governo, com muita independência e que podem atuar e comunicar de forma rápida e efetiva. O apoio a tecnologias usadas pelas empresas, em geral, acontece nas diretorias daquelas de grande porte, que precisam prestar contas a reguladores e comitês de padronização. Isso leva tampo e o foco é no negócio e não no marketing, em especial quando se pensa na indústria de infraestrutura. A maior provedora de energia do país, a Axpo, por exemplo, trabalha há dois anos numa missão federal crítica em blockchain, com seu braço Axpo WZ Systems e a solução SwissDLT (rede suíça criada pela rede BCTS, da qual a Axpo faz parte), sem soltar comunicados. Por isso, acho que as empresas vão adotar a solução sem fazer grande barulho.


BN: Qual tem sido o maior apoio que os governos locais e o federal tem dado para promover criptoativos e blockchain?

TC: Claramente, o esclarecimento feito pelas autoridades do mercado financeiro, logo no início, foi extremamente útil. Além disso, a rápida e drástica intervenção sobre os golpistas e atores de má fé ajudou a evitar danos de reputação. O fato também de que o conselho federal oficialmente disse que a Suíça deveria ser uma Nação Cripto foi importante, apesar de muito debatida dentro da comunidade. E por último, mas não menos importante, as duas câmaras do parlamento aceitaram a nova lei que entra em vigor em agosto de 2021 (trata-se de um conjunto de emendas a leis financeiras e corporativas) . O conselho federal explicitamente convida a indústria a comentar os detalhes dessa implementação (há uma consulta publica que acaba de começar e segue até 2 de fevereiro). Basicamente, o Blockchain Act pretende dar mais segurança jurídica e fazer com que haja menos obstáculos para as aplicações blockchain, além de buscar minimizar abusos. Em outras palavras, pretende levar as criptomoedas e a tecnologia blockchain para uso o convencional. A lei cobre o comércio de ativos digitais e estabelece padrões para as bolsas de criptos.


BN: Qual é a importância de Zug nesse contexto?

TC: Zug é o lar da Fundação Ethereum e um hub para muitas companhias globais por vários motivos (inclusive brasileiras, como a Sppyns, e uma delas são os impostos. Mas as autoridades de Zug aceitaram muito cedo os pagamentos em bitcoin, o que, se você pensar sobre isso, foi uma ação muito radical. E havia ainda uma associação do setor desde o início, bem sucedida e influente, que promoveu o Blockchain Valley, o que foi um investimento efetivo e uma ferramenta de marca e marketing que possibilitou uma série de ações em todo o mundo.


BN: Como você descreveria o estágio atual de uso de criptomoedas e de blockchain em empresas no país?

TC: Eu acredito que há muito tempo nós passamos do estágio de criptomoedas e estamos olhamos para uma gama maior de aplicações. Há vários atores globais que trabalham num ou mais projetos. Os pequenos e médios ainda não estão implementando soluções. Há pioneiros interessantes como o Crowdlitoken, que granulou propriedades no mercado imobiliário europeu para 100 euros (cerca de R$ 675) e que resolveu um grande problema. A divisão europeia de riqueza é baseada no topo da pirâmide quando se fala em acesso a esse mercado. Outro caso interessante é o do setor de energia. A liberalização desse mercado exige novas ferramentas. A Thurgie AG, que usa blockchain para tokenizar painéis solares, com isso gera a adesão de clientes, independência de bancos e um potencial para terceirização de risco e colaterizaçao de ativos.

BN: Como você vê esse cenário em 5 anos?

TC: Eu não faço previsões. Acho que a maior bifurcação que acontecerá será o efeito do Covid-19 e o resultado disso é realmente difícil de se prever, porque será muito radical.


BN: Quais serão os principais movimentos da Federação Suíça de Blockchain nos próximos anos? O Blockchain Nation é um deles?

Um dos maiores focos é promover a inovação. Nos próximos 4 anos, a SBF ser conectará com startups, indústrias globais, governos e investidores num programa muito claro dentro do marco de uma inovação aberta, num esforço chamado Blockchain Nation Switzerland.

Outra entrevistas sobre os 12 anos de blockchain em:

Negócio todo baseado em blockchain está próximo de surgir e trará enxurrada de possibilidades, diz Magaldi

Para Bradesco, blockchain faz sentido em pagamentos internacionais

“No nosso cenário, blockchain faz sentido nos pagamentos internacionais”. É o que disse, ontem (27), o especialista na solução do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco, George Marcel Smetana,  durante a sessão “Challenges to implement blockchain in Brazil”, do Blockchain Revolution Global (BRG) 2020, que acontece nesta semana O evento é realizado pelo Blockchain Research Institute (BRI) e a sessão foi organizada pelo BRI Brasil.

O banco está experimentando a tecnologia para essas transações – já anunciou testes de operações entre Brasil e Japão usando a plataforma Ripple, executando as transferências em segundos -, em trade finance – faz parte da rede global Marco Polo – e está pesquisando o uso em áreas como a de mercado de capitais, seguros e processos de garantias.

Smetana lembra que as transações intrabancárias (entre contas do banco) já são instantâneas e a custo zero, “então não tem porque substituir”. No interbancário, “o Pix resolve de forma sensacional”. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) chegou a sugerir o uso de blockchain ao Banco Central (BC) para o novo sistema de pagamento instantâneo e no início parecia que seria isso mesmo. Mas o BC avaliou que a tecnologia era muito nova e havia dúvidas sobre sua capacidade de realizar, com rapidez, a demanda de transações instantâneas que o sistema exige.

Já os pagamentos internacionais são bastante complexos, afirmou. As transações internacionais envolvem várias partes, podem ser entre bancos diferentes, que não têm histórico de relacionamento e cada um pode ter um KYC (know your customer, métodos para verificar identidade do cliente em operações financeiras), para citar algumas das complexidades.

Informações em planilha e por email

“Temos contratos de grandes valores em que o ser humano ainda é a integração entre dois sistemas. A pessoa pega de um sistema e copia para o outro ou manda uma planilha por email, e aí sai de férias”, exemplificou Smetana sobre a possibilidade de uso de blockchain para registro e compartilhamento de dados de forma mais confiável e eficiente.

Ele lembra que há outras tecnologias que podem ser usadas, como RPA (Automação de Processos Robóticos), mas blockchain tem se mostrado apropriada em diversos desafios. “É uma solução muito interessante e temos que entender a sua complexidade.  Ao mesmo tempo, não é para todos os problemas da humanidade”.

“Muito se fala em API (Interface de Programação de Aplicativos), mas na API você é chamado e muitas vezes eu quero chamar os outros, quero passar uma informação para uma empresa e vice-versa. Blockchain é mais uma ferramenta para essa integração de sistemas heterógenos.”

O Bradesco tem estudado os casos em que blockchain é a melhor solução possível ou que pareça viável e que precisa ser analisada. E faz isso interagindo com empresas de todos os tamanhos, inclusive concorrentes, como é o caso na Febraban. Essa interação exige uma cooperação que é exatamente um dos melhores pontos da tecnologia: colocar os participantes de uma cadeia ou de um setor juntos, para definir regras que atendam a todos.

O painel foi moderado pelo presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Paulo Perrotti, e teve também a participação de Raul Siqueira, controlador-geral do estado do Paraná, Daniel Fisman, analista sênior da Vale, Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da BBChain, de Carl Amorim, executivo do BRI Brasil e desta editora do Blocknews.

Mais sobre blockchain no Bradesco e sobre o Blockchain Revolution Global em:

Bradesco testa blockchain em 5 áreas, de trade finance a seguros

Governança continua um dos maiores desafios de projetos com blockchain

Vale adotou blockchain para evitar perda de informações e de dinheiro

Governança continua um dos maiores desafios de projetos com blockchain

É na governança que está um dos maiores desafios de redes blockchain permissionadas (privadas, fechadas), mas isso ainda é uma parte na qual as empresas em projetos com essa tecnologia prestam pouca atenção, segundo Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da empresa de soluções BBChain.

A governança da rede talvez seja o maior desafio do projeto de blockchain da Vale, disse Daniel Fisman, analista sênior da mineradora que usou a tecnologia para emissão de carta fiança numa exportação.

Chobanian e Fisman participaram, hoje (27), da sessão “Challenges to implement blockchain in Brazil”, do Blockchain Revolution Global (BRG) 2020, que acontece nesta semana afirmou. O evento é realizado pelo Blockchain Research Institute (BRI) e a sessão foi organizada pelo BRI Brasil.

Segundo Fisman, a empresa está usando a metodologia ágil para o desenvolvimento do projeto e é preciso que haja assessorias, no país, que possam dar suporte às empresas para a questão da governança.

Para Chobanian, apesar de o mercado brasileiro estar em processo de amadurecimento para blockchain, mas a elaboração de um proposito único entre os diversos atores da rede precisa de mais cuidado.

Abordagem pelas associações

Isso fez a empresa mudar sua aproximação com o mercado. Agora, a abordagem é com associações, com uma mobilização comum. ” Muito se falava do ganho do pioneiro, mas isso não se demonstrou, de fato, com valor. Há valor quando se começa debaixo do grande guarda-chuva da associação, com padronização, definição de propósito comum, a partir uma governança consensual”, completou.

A questão, afirmou ele, não é mais a solução, mas como o mercado se mobiliza. A empresa participa de dois projetos que serão anunciados no segundo semestre de 2021. Será um no setor financeiro e outro na indústria, “com todos os participando desde o início e não um pioneiro tentando atrair os outros para entrar numa rede com governança escrita pela concorrência direta”.

“Em blockchain, você deixa de precisar de um maestro e passa a ter um coreógrafo. A governança é o que ganha e conquista consenso de uma coreografia única. Esse é o grande desafio. Muitos me perguntam porque ainda não temos redes de padrão de mercado. É porque não tem investimento correto em propósito e governança, para depois se aplicar em tecnologia.”

Vale adotou blockchain para evitar perda de informações e de dinheiro

Foi a partir da constatação de que informações, e até dinheiro, estavam sendo perdidos pela falta de um sistema mais eficiente de registro de dados, que a Vale decidiu olhar blockchain para resolver esse problema. Foi assim que Daniel Fisman, analista sênior da empresa, explicou como uma das maiores mineradoras do mundo e uma das maiores exportadoras do país aderiu à solução.

Uma empresa como a Vale tem uma série de processos e contratos que contam com garantias financeiras, muitas delas fianças e seguros, que são de longo prazo de duração, completou.

“Cheguei a ver garantias de 1990. Em 30 anos acontece muita coisa, mudam equipes, sistemas mudam, um banco adquire outro e a essência da operação pode se perder, porque os controles são em planilhas excel ou sistemas sem confiabilidade grande, o que traz prejuízos para as empresas”, afirmou Fisman, hoje (27), durante a sessão “Challenges to implement blockchain in Brazil”, do Blockchain Revolution Global (BRG) 2020, que acontece nesta semana afirmou. O evento é realizado pelo Blockchain Research Institute (BRI) e a sessão foi organizada pelo BRI Brasil.

No início de setembro, a empresa anunciou que havia emitido, pela primeira vez, uma carta de crédito em blockchain. Foi para uma exportação de minério de ferro da Malásia à China.

Empresas não calculam perdas

Segundo o analista da mineradora, a Vale implementou blockchain para todo o processo de garantia e com isso consegue monitorar seu ciclo de vida e dar à contraparte a mesma visão que tem, “o que a gente considera um ganho de transparência”.

Com isso, a empresa consegue, por exemplo, saber se contratos foram feitos e se cartas de fianças estão em ordem e não corre riscos de perder documentações. “O histórico está todo salvo numa plataforma”, completou.

O cálculo de perdas já provisionadas nos balanços e a dinâmica de negociações que já estão em voo de cruzeiro torna difícil, para as empresas, saber o quanto a tecnologia blockchain pode trazer de valor e reduzir perdas, diz Felipe Chobanian, co-fundador e CEO da BBChain, provedora de soluções.

Harpia no Paraná

O painel contou ainda com a participação de Raul Siqueira, controlador-geral do Paraná, que afirmou que para buscar evitar corrupção em licitações, o estado está desenvolvendo o projeto Harpia, que vai registrar em blockchain todos os dados do processo.

De acordo com Siqueira, 97% dos casos de corrupção estão ligados a licitações em diferentes fases, do preço ao direcionamento de vencedores. O projeto inclui também inteligência artificial. Blockchain dá uma camada de certeza de que o registro da informação é imutável, do edital à contratação, disse o controlador-geral.

O painel foi moderado pelo presidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Paulo Perrotti, e teve também a participação de George Marcel Santana, especialista em blockchain do departamento de pesquisa e inovação do Bradesco, Carl Amorim, executivo do BRI Brasil e desta editora do Blocknews.

Moeda do JPMorgan Chase será usada comercialmente e banco cria unidade de blockchain

A JPM Coin, moeda do banco JPMorgan Chase, será usada comercialmente pela primeira vez nesta semana. Além disso, a instituição criou uma nova unidade, a Onyx, para cuidar da moeda e de outras iniciativas em blockchain disse Takis Georgakopoulos, líder global do JP para pagamentos no atacado.

A nova unidade tem mais de 100 profissionais, disse o executivo em entrevista à CNBC.

DBS quer ter bolsa

O DBS, maior banco em ativos do sudeste da Ásia, planeja ter uma bolsa digital, que terá negociações de bitcoin, bitcoin cash, ether e XRP contra os dólares dos Estados Unidos, Singapura, Hong Kong e do ien. A informação é do CoinDesk e, segundo o site, teria sido publicada por engano pelo DBS e depois retirada da internet. Também serão oferecidos serviços de tokenização para empresas.

O banco confirmou o plano da bolsa e informou que ainda não há aprovação regulatória para o negócio, que está sendo montado. Os serviços vão incluir tokenização.

Women in Cybersecurity cria capítulo no Nordeste e terá apoio do Porto Digital

A Latam Women in Cybersecurity (Womcy), organização que trabalha para a educação, desenvolvimento e aumento do número de mulheres no segmento de segurança cibernética, lança amanhã (28) seu capítulo Nordeste. Criada em maio do ano passado por Leticial Gamill, da Cisco, o capítulo brasileiro acaba de completar um ano de atuação com um grande grupo de participantes – mulheres e homens – e de parcerias.

Na entrevista a seguir, Andréa Thomé, líder do capitulo Brasil, fala sobre a expansão do movimento no país e o novo papel que o capítulo São Paulo terá nesse processo.

BN: A Womcy começará a ter capítulos em todo o Brasil?

AT: À medida que identificarmos líderes preparados para gerir capítulos locais, vamos abrindo as células que nos permitirão chegar a públicos que precisam de nosso auxílio e que poderão usufruir de nossos benefícios.
Já temos um capítulo em Minas Gerais, liderado por universitárias da IFSULDEMINAS, e agora chegaremos ao Nordeste.

BN: Qual a importância dessa expansão?

AT: É alcançar toda e qualquer mulher que queira evoluir em sua carreira em cibersegurança, passar por transição para essa área ou iniciar no segmento, independente de sua localização geográfica.
Nossa missão de aumentar a participação de mulheres e de reduzir o gap de conhecimento entre gêneros em cibersegurança não se restringirá aos profissionais de São Paulo. Hoje já temos membros e voluntários registrados na Womcy de diversos estados do país, e por isso, sempre que entendermos que estiver a nosso alcance, unidades locais serão desenhadas e instaladas para melhor atender a todos.

BN: Quais as iniciativas que vocês esperam desenvolver no Nordeste?

AT: Vamos localizar e registrar voluntários e membros, definir o corpo de líderes para os programas (WOMCY, Talks, WOMCY Mentoring, WOMCY Talent, WOMCY Girls, WOMCY Geek, WOMCY Tech, WOMCY Jobs, WOMCY Give e WOMCY Back) e equipes (WOMCY Marketing, WOMCY Legal, WOMCY Alliance, WOMCY Membership, WOMCY Volunteering e WOMCY He for She) e desenhar o modelo de integração do capítulo Nordeste com o capítulo São Paulo, que passará a atuar como um incubadora de disseminação de conhecimento sobre ações e projetos para o time do Nordeste.

Na entrevista a seguir, Flávia Brito, líder do capítulo Nordeste, fala sobre a falta de mão-de-obra especializada em cibersegurança na região e o apoio do Porto Digital à iniciativa local da Womcy.

Flávia, líder no Nordeste, é CEO da BIDWEB, de soluções no setor Foto: BIDWEB.

BN: Como é o mercado de trabalho em cibersegurança no Nordeste?
FB: Existe uma falta de mão-de-obra muito grande na região e apoio para o desenvolvimento de novos profissionais. Comparado ao Sudeste, por exemplo, acredito que a escassez de especialidades em cibersegurança é maior ainda. Quando falamos de mulheres nesse mercado, a situação é parecida com o restante do Brasil, porque falta estímulo para que elas avancem seus estudos na área. Do ponto de vista de educação, o Nordeste precisa estimular mais a formação dessas meninas. O Porto Digital, em Recife, é uma ótima oportunidade para o empreendedorismo. Eu mesma comecei no Porto Digital há 18 anos e tive vários desafios, mas não desisti.

BN: Como a Womcy pode ajudar a melhorar esse quadro?
FB: A chegada do Capítulo WOMCY Nordeste será amparado com o apoio do Porto Digital e também já temos várias mulheres interessadas em desenvolver os programas da WOMCY na região. Acredito muito nessa comunidade de mulheres em cibersegurança, porque a prática do trabalho da WOMCY Brasil demonstra sua seriedade, amparando e contribuindo para o desenvolvimento das mulheres. Inicialmente, estamos criando no capítulo Nordeste um corpo de voluntariado alinhado com os programas da WOMCY Brasil.

BN: As empresas do Nordeste estão bem preparadas para combater os ataques cibernéticos? Como a Womcy pretende ajudar nessa conscientização?
FB: Em relação ao combate aos ciberataques aqui no Nordeste, acredito que, assim como em todo o Brasil, há diferenças entre grandes empresas, que já investem em segurança da informação, e as médias e pequenas, que precisam de esclarecimento e conscientização sobre como se proteger. Certamente, a WOMCY contribuirá com a conscientização, dado que seus programas contribuem em vários aspectos de proteção de dados, privacidade e segurança da informação, com as melhores práticas do mercado.

CMN e BC aprovam regras de implementação de sandbox regulatório

O Conselho Monetário Nacional e o Banco Central aprovaram a implementação do Sandbox Regulatório, que está regulamentado pelas resoluções CMN nº 4.865 e BCB nº 29. O BC, agora, irá se preparar para o estabelecimento das normas relativas ao primeiro ciclo do projeto, previsto para 2021. 

Com isso, empresas poderão pedir autorização do BC para testar, por um período determinado, projetos considerados inovadores para o setor financeiro ou de pagamento.

Os projetos devem gerar ganhos de eficiência, alcance ou capilaridade, redução de custos ou aumento de segurança.

Os testes são feitos de forma controlada e delimitada. Mas sob requisitos regulatórios e de monitoramento diferenciados.

Se a experiência for bem sucedida, o BC pode permitir o lançamento e uso em larga escala no mercado. Do contrário, se os resultados apontarem riscos para o sistema e os usuários, o processo de uma empresa pode ser limitada ou mesmo proibida.

Em novembro de 2019, o BC abriu consulta pública sobre o sandbox e a previsão era de que o primeiro ciclo acontecesse em agosto passado.

Há duas semanas, a  Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) divulgou as empresas que participarão de seu sandbox. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está testando a plataforma para receber as propostas de quem pretende participar de seu sandbox.