Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Leitor do Blocknews tem 50% de desconto no ingresso do Blockchain Connect 2020

Os leitores do Blocknews têm 50% de desconto no ingresso de um dos maiores eventos sobre blockchain do país, o Blockchain Connect 2020, que acontece hoje (11) e amanhã (12), em versão online, a partir das 18h15h.

Para isso, o leitor deve acessar a página de inscrição e usar o cupom BLOCKNEWS50. Com ele, o ingresso custará R$ 39,50.

O Blockchain Connect 2020 terá três salas simultâneas com a discussão sobre blockchain em diversos setores e modalidades de uso, como segurança, identidade digital, tokenização, regulamentação e cidades inteligentes.

Novo estudo do BIS sobre fintechs na AL aponta gargalo na regulamentação

As fintechs da América Latina ganharam muito espaço oferecendo serviços de pagamentos e de finanças alternativas, mas, com exceção do México, sofrem com falta de regulamentação apropriada. Essa é a conclusão do estudo The dawn of fintech in Latin America: landscape, prospects and challenges, do Banco de Compensações Internacionais (o banco central dos bancos centrais, BIS, na sigla em inglês).

A reportagem completa sobre o estudo está no Fintechsbrasil.com.br, site parceiro do Blocknews.

Live da Monnos com Blocknews discutirá baixa participação de mulheres na criptoeconomia

“Por que somente 15% é a fatia do público feminino na criptoeconomia?” é o tema da live promovida pela corretora Monnos nesta terça-feira (10), às 20 horas, pelo Instagram da empresa (@Monnos_Global), com a participação desta editora do Blocknews.

A reduzida participação de mulheres no mundo cripto vai desde a área de programação, como mostrou um estudo independente, passando pelo mercado de trabalho em empresas de diferentes segmentos de criptoativos e blockchain, até o de investimentos.

Redes públicas e privadas se alimentarão umas das outras, porque negócios transitam entre ambas, diz especialista

Os estudos sobre padronização e interoperabilidade de redes blockchain avançam na União Internacional de Telecomunicações (ITU, na sigla em inglês), com o envolvimento de centenas de participantes de todo o mundo e do Brasil que trabalham para facilitar e aumentar o uso da tecnologia. Na questão da interoperabilidade, “em grandes linhas, o modelo prevê subredes em qualquer protocolo, por exemplo, Hyperledger Fabric, Ethereum e Corda, que se comunicam por um protocolo comum”, diz Suzana Maranhão Moreno, vice-coordenadora do grupo de DLT/Blockchain no ITU, em entrevista exclusiva ao Blocknews.

Para a especialista, governos têm um papel importante como habilitadores de novos modelos de negócios usando a tecnologia tanto no setor público, quanto no privado. E para o futuro, a cientista de dados e economista visualiza uma alimentação mútua entre redes públicas e permissionadas, “visto que as aplicações e modelos de negócios muitas vezes são transportados entre os dois mundos.

A entrevista é a última da série sobre os 12 anos do lançamento do white paper de Satoshi Nakamoto sobre o bitcoin, em 31 de outubro de 2008. A seguir, a conversa com Suzana:

O ITU investiu fortemente para criar estudos sobre a tecnologia, antes de propor padronizações. A partir de 2017, os esforços foram ampliados com iniciativas específicas como o ITU FG DLT, que envolveu centenas de pessoas e do qual acabei me tornando vice-líder mundial. Produzimos documentos como termos e descrições, casos de uso e barreiras de implantação, componentes de arquitetura técnica, descrição de plataformas segundo essa arquitetura, levantamento de critérios para comparação de plataformas e discussão de desafios regulatórios.

Essas linhas se alimentam, visto que as aplicações e modelos de negócios muitas vezes são transportados entre os dois mundos.

BN: Os governos começam a descobrir os benefícios de blockchain. Quais serão os maiores casos de uso da tecnologia no setor público nos próximos anos? Por quê?

SM: Existem vários estudos interessantes sobre o potencial de blockchain no setor público, como o relatório do Observatory and Forum e o documento de casos de uso do grupo sobre tecnologia de registro distribuído da União Internacional de Telecomunicações (ITU FG DLT). No Brasil, destacam-se o recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) e o resultado da ação 8 da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), que deve ser lançado em breve. Alguns exemplos são rastreio de gasto público, casos de uso que aumentem a confiança da sociedade nas ações do governo, registro de imóveis, identidade, redução de burocracia com compartilhamento de informações entre diferentes instituições e mesmo com outros países.

BN: O que os governos, no Brasil e fora, precisam considerar antes de se decidirem por blockchain? Há diferenças, nesse sentido, entre governos e empresas?

SM: Empresas possuem diferentes aptidões ao risco e à inovação. Algumas investem pesadamente, com grande tolerância a falhas, que ocorrem tantas vezes no processo de inovação. Em relação ao governo, acredito que está cada vez mais claro para a sociedade que precisamos lidar com a economia digital com mais tecnologia e inovação.  Governo e empresas precisam considerar o resultado possível de ser alcançado com a tecnologia, sempre considerando os riscos envolvidos. Por outro lado, o governo também precisa se posicionar como habilitador de novos modelos de negócios usando a tecnologia para o setor público e privado, considerando aspectos regulatórios, tecnológicos e de promoção de ecossistema.

BN: Será possível ter resultados como transparência e eficiência para benefício dos cidadãos, mesmo sendo fechadas as redes de governo?

SM: Sim, só precisamos escolher quem são as entidades que achamos confiáveis para formar redes que executem os casos de uso de governo. Aliás, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) está executando um projeto chamado Rede Blockchain Brasil (RBB), que objetiva criar uma rede de blockchain para o Brasil, dentro de um ecossistema de redes públicas, em linha com a Estratégia de Governo Digital . A proposta é que os nós da rede possam ser divididos entre instituições de diferentes poderes do governo, o executivo, o legislativo e o judiciário, e em diferentes níveis, o federal e estadual. Sendo assim, a confiança fica compartilhada entre as representações que já estão definidas para a nossa república. Além disso, o BNDES vislumbra que, no futuro, qualquer um possa ser um nó leitor, de forma a conferir as computações realizadas dentro da rede blockchain, com “seus próprios olhos digitais”. Alguém poderia argumentar que academia e algumas instituições privadas deveriam participar dessas redes de transparência e eficiência. Certamente, é um tópico bastante relevante e que merece ser amadurecido.

BN: Falta de padronização e interoperabilidade ainda são grandes obstáculos para o uso de blockchain?

SM: Sim e não. As iniciativas mais inovadoras não esperam padrões e são muito importantes para trazer avanço de tecnologia e modelos de negócios necessários para criar maturidade de mercado. Projetos que envolvem um grupo restrito também definem conjuntamente requisitos, conseguindo evoluir sem padrões.

Padrões chegam num segundo momento, documentando os ensinamentos dessas experiências e pavimentando um caminho para o investimento de outras organizações, abrindo novos mercados e novos produtos. Padrões promovem concorrência de mercado, aumentam a clareza ao compatibilizar linguagens e provocam a institucionalização da indústria ao aumentar a confiança de leigos nas novas possibilidades tecnológicas.

BN: Como estão as discussões sobre padronização no ITU? Em que ponto estão e onde se pretende chegar?

SM: O ITU investiu fortemente para criar estudos sobre a tecnologia, antes de propor padronizações. A partir de 2017, os esforços foram ampliados com iniciativas específicas como o ITU FG DLT, que envolveu centenas de pessoas e do qual acabei me tornando vice-líder mundial. Produzimos documentos como termos e descrições, casos de uso e barreiras de implantação, componentes de arquitetura técnica, descrição de plataformas segundo essa arquitetura, levantamento de critérios para comparação de plataformas e discussão de desafios regulatórios. Todos estão públicos no site do ITU. O grupo agora ganhou status de padronização e está trabalhando, por exemplo, em interoperabilidade e no uso da tecnologia em determinados domínios, como o financeiro. Em especial, o ITU está agora, junto com a Universidade de Stanford, com um grupo focado em moedas digitais, incluindo as de banco central, CBDC.

BN: E como estão as discussões sobre interoperabilidade?

SM: Estamos num trabalho específico de interoperabilidade no ITU, que envolve de requisitos a definições técnicas, assim como governança. A Multiledgers, startup brasileira de gestão de infraestrutura blockchain, é uma das líderes desses estudos no ITU. Outras instituições estão fazendo trabalhos fantásticos sobre o tema, como um recente relatório do World Economic Forum e o Internet Engineering Task Force (IEFT).

MIT (Massachusetts Institute of Technology), IETF e ITU estão todos com estudos que se baseiam no desenvolvimento da internet para inspirar como criar a interoperabilidade de redes blockchain. Em grandes linhas, o modelo prevê subredes em qualquer protocolo, por exemplo, Hyperledger Fabric, Ethereum e Corda, que se comunicam por um protocolo comum.

O ITU tem promovido meetups mensais e focamos em interoperabilidade em muitos deles. Já chamamos MIT, CAICT, Consensys, Hyperledger Cactus, SiaChain, BSN e vários outros. Todos os vídeos e apresentações estão disponíveis no site do ITU.  

BN: O que atraiu você para o mundo blockchain? Qual sua história nesse mundo dos blocos?

SM: Sou formada em ciência da computação e economia, trabalho em banco, gosto de matemática e novos modelos de negócios. Em 2016, já estudava o assunto e já tinha realizado transações com bitcoin. Em 2017, o BNDES realizou um concurso de inovação chamado ideiaLab e meu grupo foi um dos vencedores com o projeto do BNDESToken, que é o projeto de representar os desembolsos financeiros do BNDES em um token, de forma a aumentar a confiança da sociedade no uso gasto dos recursos do banco.  Em 2018, resolvi começar a contribuir com grupo de DLT da ITU/ONU e aprendo muito até hoje por lá, acabei virando a vice-coodernadora do grupo (na linguagem do ITU, Associate Rapporteur). Hoje, também estou envolvida no PhD sobre o tema na Universidade de Genebra.

BN: Como você imagina o uso de blockchain nos próximos anos?

SM: É provável seguirmos com duas grandes linhas de evolução. De um lado, o mundo das blockchains públicas e não permissionadas, com inovação aberta e repleta de projetos como DeFi, criptomoedas, jogos e apostas. De outro lado, temos as redes permissionadas e reguladas, atualmente de pequenas a médias. Essas redes estão implantando cada vez mais projetos, como a rede de bancos do JPMorgan, soluções para cadeia de suprimentos, como MarcoPolo, e algumas iniciativas que buscam criar redes públicas, ou seja, que qualquer pessoa pode enviar e ler transações, como LACChain, Alastria, EBSI (European Blockchain Services Infrastructure) e a própria RBB.

Essas linhas se alimentam, visto que as aplicações e modelos de negócios muitas vezes são transportados entre os dois mundos. Como foi o caso da Libra, proposto a partir das ideias do mundo das criptomoedas. A tendência é que com maior capacitação das pessoas, melhoria de ambiente regulatório, maior maturidade de modelos de governança, padronização, interoperabilidade, melhoria tecnológica e efeito de rede, seja cada vez mais atraente para determinados casos de uso fazer algum uso desse ecossistema de soluções descentralizadas. ]

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Wirex divulga lista das 10 mulheres de maior destaque no mercado global de cripto

A empresa de pagamentos digitais Wirex e o hub de notícias The Fintech Times anunciaram as 10 principais mulheres em ascensão no mercado global de cripto, escolhidas dentre 367 inscritas. São mulheres em papéis relevantes e de destaque em diferentes áreas, como consultoria, pesquisa e implantação de projetos, e que atuam na Europa, Ásia, Estados Unidos e Israel.

Mulheres no mundo cripto são minoria tanto no mercado de trabalho, quanto como investidoras, o que faz empresas do setor buscarem atraí-las para seus portfolios, carteiras digitais e corretoras.

A escolha das 10 mulheres se baseou em suas conquistas, potencial, capacidade de liderança, ambição, influência e inovação, segundo a Wirex. São elas, em ordem aleatória:

  • Noelle Acheson, Diretora de Pesquisa da CoinDesk
  • Tonya M. Evans, Professora da Penn State Dickinson Law
  • Lucy Gazmararian, Diretora Associada da PWC Crypto & Fintech Advisory
  • Susan Crew, Criadora de Conteúdo da Crypto Granny
  • Simone Maini, CEO da Elliptic, empresa de análise de dados com foco em compliance
  • Inbal Polak, Diretora do Fundo para Ativos Digitais da YRD Capital
  • Elizabeth Kukka, Diretora Executiva da empresa de soluções Ethereum Classic Labs
  • Sofie Blakstad, CEO da hiveonline, que desenvolve soluções para comunidades, com foco em finanças sustentáveis
  • Christina Lomazzo, Líder de Blockchain Lead da UNICEF
  • Lenka Hudáková, Gerente de Eventos da Maker Foundation

O “Rising Women in Crypto Power List de 2020” é parte da campanha “Women in Crypto”. O site da campanha traz diversos conteúdos sobre mulhers que trabalham a Wirex e influenciadoras no segmento cripto e fintech e fica no ar até domingo (8).

Mercado Bitcoin e Vasco vão emitir primeiro token de mecanismo de solidariedade de jogador do mundo

O Mercado Bitcoin, maior plataforma de criptomoedas e ativos digitais da América Latina, fechou parceria com o Club de Regatas Vasco da Gama para fazer a primeira tokenização do mundo de direitos de mecanismo de solidariedade de jogadores de futebol.

Serão criados 500 mil tokens de 12 atletas formados nas divisões de base do clube e o lançamento está previsto para dezembro. O valor inicial é de R$ 10 milhões, ou seja, R$ 20 por token, mas segundo os parceiros, poderá superar R$ 50 milhões. A compra pode ser feita por brasileiros e estrangeiros na plataforma do Mercado Bitcoin.

O mecanismo de solidariedade é uma regra da Fifa e prevê que a cada transferência de um jogador, 5% do valor negociado vá para o clube que contribuiu para formar o atleta. O valor é proporcional ao tempo que o jogador ficou no time.

Como o Vasco não tem mais ingerência nas negociações desses jogadores, porque já estão em outros clubes, quem tiver o token receberá sua parte pelo mecanismo de solidariedade se e quando as operações acontecerem.

Os jogadores tokenizados do Vasco já estão em outros clubes, inclusive fora do país. Cada token corresponderá a uma parte dos direitos de mecanismo de solidariedade de atletas como Philippe Coutinho, Douglas Luiz, Alex Teixeira e Allan, que atuam na Europa e Ásia e já foram convocados para a seleção brasileira.

Jogador / Atleta Clube Atual
Josef de Souza Dias Beşiktaş, Turquia
Douglas Luiz Soares de Paulo Manchester City F.C, Inglaterra
Philippe Coutinho Futbol Club Barcelona, Espanha
Alex Teixeira Santos Jiangsu Suning, China
Paulo Henrique Sampaio Filho
(Paulinho)
Bayer 04 Leverkusen, Alemanha
Allan Marques Loureiro Everton, Inglaterra
Evander da Silva Ferreira FC Midtjylland, Noruega
Luan Garcia Teixeira Sociedade Esportiva Palmeiras, Brasil
Mateus da Silva Vital Assumpção Sport Club Corinthians Paulista, Brasil
Alan Kardec de Souza Pereira Jr. Chongqing Lifan FC, China
Marrony da Silva Liberato Silveira Clube Atlético Mineiro, Brasil
Nathan Santos de Araújo Boavista Futebol Club, Portugal

A tokenização será feita pelo Mercado Bitcoin Digital Assets (MBDA). Os tokens estão na plataforma do MB, que já fez uma pré-compra de 20% das 500 mil unidades. O acordo também prevê que o MB tenha sua marca na camisa do Vasco por até 8 jogos. O MBDA vai receber 5% dos tokens pela prestação dos serviços de operacionalização. O Vasco ficará com os 75% restantes dos tokens.

“Esse é um token que deve mudar a maneira como o futebol trata o mecanismo de solidariedade. O Vasco é o primeiro clube do mundo a contar com esse token, mas queremos que outros clubes possam ter acesso a ele. Confiamos que estamos criando uma nova fonte de receita para os clubes”, afirma Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin.

Segundo o presidente do Vasco, Alexandre Campello, “desde 2018, o clube vem buscando possibilidades de utilização de criptoativos para gerar novas receitas e recursos financeiros”.

Para implantarem o projeto, os parceiros buscaram pareceres jurídicos de advogados especialistas em futebol, moedas digitais e regulamentação de valores mobiliários, além de consultarem a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para confirmar o entendimento de que o token não se caracteriza como valor mobiliário.

Rabelo, CEO do MB, diz que empresa fará pré-compra de 20% dos tokens. Foto: MB

Para calcular o valor dos tokens, a MBDA e o Vasco da Gama usaram o valor dos jogadores estimados no Transfermarket, site especializado no assunto, e o potencial de valorização ou desvalorização estimado para os jogadores, considerando-se avanço da idade e possíveis transações futuras. Assim é que se chegou ao valor atual de R$ 50 milhões.

O MBDA vai receber 5% dos tokens pela prestação dos serviços de operacionalização. O Vasco ficará com 75% (20%, além dos 5%, serão do MBDA, por conta da pré-compra).

Tokenizar ativos de todos os tipos – ou dividir algo em pedaços – é uma das possibilidades que blockchain oferece. Com isso, além de se criar um instrumento financeiro que pode gerar renda, o preço para se ter uma parte do que foi tokenizado é mais acessível, democratizando o investimento.

Future of Money da Exame: Blockchain para combater a corrupção nos governos

corrupção gosta de viver no submundo, para não ser vista. Gosta da falta de transparência, não gosta de deixar rastro e, em geral, tem uma coordenação centralizada. Já que é assim, a tecnologia blockchain tem sido vista como uma ferramenta para ajudar no combate à corrupção nos governos.

Esse é o tema de meu artigo para o Future of Money da revista Exame, para a qual escreverei artigos mensais sobre o uso de blockchain em empresas, governos e projetos sociais.

O artigo está em https://bit.ly/3jZ0q6H

“DeFi vai acontecer além do Ethereum, com interoperabilidade entre blockchains”

Em entrevista ao Blocknews, Solange Gueiros, desenvolvedora e professora sobre plataformas blockchain na Blockchain Academy e Fiap, fala do crescimento, da segurança e da necessidade de educação financeira relacionada das finanças descentralizadas, que surgiram no mundo dos blocos, conhecidas como DeFi.

A entrevista a seguir faz parte da série sobre os 12 anos de publicação do white paper de Satoshi Nakamoto sobre bitcoin, completados no último dia 31 de outubro.

BN: Qual é o cenário de DeFi no mundo? 

SG: No final de 2019, aproximadamente 3 milhões de Ethers (ETH) estavam alocados em DeFi. Em outubro deste ano, este número já passou de 9 milhões, segundo o site Defipulse, Ou seja, DeFi está em crescimento exponencial. Estamos falando de um movimento mundial e não por país. Os usuários fazem operações usando endereços blockchain, que não tem nenhum KYC (sigla de Know your customer, método de identificação de clientes usado no setor financeiro). Logo não é possível saber de onde eles são.

BN: E qual o cenário no Brasil?

SG: A recuperação do ecossistema cripto culminou neste mês de outubro com o bitcoin atingindo suas máximas históricas no Brasil, embora a valorização do BTC em dólar ainda esteja longe do seu valor máximo, demonstrando a desvalorização do real em relação ao Dólar.

BN: Quais os projetos DeFi que você destacaria?

Os principais que aparecem na lista da Defipulse são Uniswap (US$ 2,79 bilhões), Maker (US$ 2,12 bilhões), WBTC (US$ 1,45 bilhão), Aave (US$ 1,11 bilhão) e Compound (US$ 1,09 bilhão).

Uniswap é um protocolo para troca de tokens baseado em provedores de liquidez e market makers automatizados e pode ser utilizado por qualquer um, é open-source. Podemos dizer que Bitcoin é DeFi, mas eu diria que Bitcoin é o ancestral de DeFi, e que a MakerDAO é o projeto origem de DeFi. É uma plataforma de crédito para emissão de DAI, uma moeda estável cujo valor está atrelado ao dólar americano, hoje colateralizado por ETH e outros criptoativos .

BN: Qual a vantagem de DeFi em relação ao sistema financeiro tradicional?

SG: As diferenças entre DeFi e CeFi podem ser colocadas da seguinte forma:

  • Finanças descentralizadas contra finanças centralizadas;
  • Um opera sem censura e o outro pode ser censurado ou controlado;
  • DeFi é econômico e CeFi é caro;
  • E um sistema é baseado em blockchain enquanto o outro está construído sobre fundações arcaicas.

BN: Quais são as barreiras de entrada em DeFi do ponto de vista dos consumidores?

SG: Uma barreira é a educação financeira, principalmente a conscientização e maturidade necessárias para ser completamente responsável pelo seu próprio dinheiro. Em DeFi a custódia dos seus ativos fica com você, e não com uma empresa ou um banco. E se você perder suas chaves privadas, o que seria o equivalente a perder sua senha em um sistema centralizado, não existe o botão “esqueci minha senha”. Já era, perdeu seu dinheiro.

BN: Uma pesquisa divulgada recentemente mostra que 86% das empresas do setor financeiro tradicional europeu avalia ou planeja ter projetos nessa área. DeFi levará a uma mudança drástica ou ao fim do setor tradicional como conhecemos?

SG: Na minha opinião, DeFi é a mudança! Não acho que seja possível saber se o setor tradicional vai acabar. Mas é fato que DeFi já tem condições de reproduzir praticamente tudo o que existe no setor financeiro tradicional, sem horário bancário e pausas nos finais de semana, ou seja, funcionando 24 horas, 7 dias por semana. Faz total sentido que as empresas de finanças centralizadas pensem em projetos de DeFi, seja pelo custo menor, pela disponibilidade maior ou apenas para não ficarem para trás. 

BN: O que DeFi muda no setor de criptoativos? E isso é bom ou ruim?

SG: As finanças descentralizadas expandem o mundo dos criptoativos, ampliam as possibilidades de utilização, seja como investimentos, empréstimos, seguros, ou ainda a grande variedade em derivativos do sistema tradicional que podem ser reproduzidos em DeFi. É excelente, não há como voltar atrás.

BN: Olhando para os próximos 12 anos (ou até onde vc consegue enxergar), como você imagina o cenário do segmento de DeFi?

SG: Não acho que seja possível falar em um determinado tempo em anos, mas enxergo que DeFi vai acontecer além do Ethereum, com a expansão da interoperabilidade entre blockchains, em um futuro onde redes se complementam e interagem entre si. Acredito no Ethereum e acho fantástico o crescimento de DeFi neste blockchain, mas acredito que haverá mais opções em outros blockchains, principalmente em Bitcoin, como a evolução que já está acontecendo na RSK, por exemplo. 

BN: Há quem diga que DeFi não é seguro porque não se sabe o que está colocado nos smart contracts. Qual sua opinião sobre isso?

SG: Eu penso exatamente o contrário. Em DeFi, praticamente todos os projetos são open source e com smart contracts com o código fonte verificado. Isto significa que o smart contract realmente corresponde ao bytecode (código em linguagem de máquina)  gravado no blockchain.
Ou seja, é possível conferir tudo o que o smart contract faz. Se houve alguma falha, ela está pública e será utilizada para o bem ou para o mal, dependendo de quem encontrá-la. Mas isto é considerado um ponto positivo em segurança. Entidades que não publicam o código fonte de seus smart contracts são menos confiáveis, porque é preciso acreditar no que dizem que ele faz e não conferir no código.

Outros conteúdos da série 12 anos de bitcoin em:

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Inscrição para participar do sandbox da CVM começa em 16 de novembro

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai começar o processo de admissão de participantes para seu sandbox regulatório. Serão escolhidos 7 participantes e o número pode crescer dependendo das propostas recebidas.

Quem estiver interessado deve se inscrever preenchendo um formulário eletrônico de inscrição , que inclui os requisitos que as empresas devem cumprir para fazer parte do sandbox.  A data de inscrição vai de 16 de novembro a 15 de janeiro de 2021.

De 18 de janeiro a 30 de abril, o Comitê de Sandbox vai considerar as respostas no formulário e os documentos apresentados e então, anunciar os participantes. O conteúdo completo exigido também pode ser acessado  acessado no site da CVM.

A estimativa é de que na prática, o exercício do sandobox comece no dia 3 de maio de 2021.

O sandbox está regulamentado pela Instrução CVM 626 e pela Portaria CVM/PTE 75/20. Quem tiver dúvidas sobre o processo, pode acessar a página do sandbox regulatório.

Corrente de Mulheres é o novo podcast do Women in Blockchain Brasil

O Women in Blockchain (WIB) Brasil, comunidade voltada ao apoio e inclusão das mulheres na nova economia, tem agora o podcast Corrente de Mulheres.

A apresentação e produtora do podcast é Liliane Tie, líder também do WIB Brasil.

Lançado em 21 de outubro, o podcast está no terceiro episódio e o último, disponível desde o último dia 1, inclui comentários sobre as reportagens do Blocknews sobre o mercado de trabalho em blockchain e a baixa participação das mulheres nesse segmento.

O programa está em que está nas plataformas Anchor, Spotify, Radio Public, Pocket Casts, Overcast e Breaker.