Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Moedas de bancos centrais aumentam impactos externos de choques econômicos

As moedas digitais de banco central (CBDC) podem aumentar o impacto de choques econômicos de um país no restante do mundo. “A magnitude desse efeito depende de forma crucial do design da moeda”, afirma o Banco Central Europeu (BCE) no relatório “Moeda digital de banco central numa economia aberta”.

Esses efeitos podem ser muito reduzidos se a moeda tiver características técnicas como fortes restrições às transações de CBDCs por estrangeiros ou se a moeda estiver disponível num cenário de taxa de juros flexivel.

Além disso, a emissão de CBDC aumenta as assimetrias no sistema monetário internacional ao reduzir a autonomoia de política monetária em economias estrangeiras.

De acordo com o BCE, “se a moeda digital estiver disponível para não residentes, pode-se reduzir a volatilidade de fluxo de capital, câmbio e taxas de juros estabelecendo limites de quantidades ou transações que os estrangeiros podem fazer ou adotando uma taxa de remuneração limitada da moeda.”

“Nas nossas simulações, os bancos centrais estrangeiros precisam ser até duas vezes mais reativos à inflação e à produção quando houver uma CBDC, dependendo de suas características.”, diz o relatório.

O banco chama a atenção, no entanto, para o fato de que as conclusões partem da modelagem DSGE estilizada, que ignora a emissão de moeda em outras economias. O modelo inclui apenas duas economias e não faz a modelagem explícita do restante do mundo. Além disso, não aborda as compras de CBDC pelo público. Mas dá uma boa visão de uma perspectiva de economia aberta e um forte grau de realismo ao incorporar características típicas de uma CBDC, afirma o banco.

Mais sobre CBDCs em:

Importância global do dólar pesa na decisão sobre CBDC, diz presidente do Fed

Banco Central nomeia membros do grupo que vai estudar CBDC brasileira

China começa teste aberto de moeda digital com população e comerciantes de Shenzhen

De recorde em recorde, cotação do bitcoin superou R$ 100 mil

De recorde em recorde nos últimos dias, o bitcoin superou os R$ 100 mil nesta sexta-feira (20). O preço subiu com a alta em dólar, de US$ 18,2 mil para US$ 18.750. O maior valor em dólar que a moeda já atingiu foi o de US$ 20 mil.

“O movimento de alta resulta do aumento da demanda, diante do atual contexto econômico global provocado pela desaceleração da atividade e da massiva injeção de liquidez promovida pelos principais bancos centrais, levando os investidores a buscarem ativos escassos, que funcionem como reserva de valor”, disse o diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), Safiri Félix.  

Segundo ele, a alta também é resultado da entrada de investidores profissionais com grandes aportes, das tensões eleitorais nos Estados Unidos e da adesão recente de empresas como Square e PayPal ao mundo cripto, além da mudança de postura de gestoras como a BlackRock, reconhecendo o bitcoin como uma alternativa potencialmente melhor que o ouro.  Segundo a Receita Federal, entre janeiro e setembro deste ano, as transacionados R$ 86,361 bilhões.   

Mais sobre bitcoin em:

Zug, terra do Crypto Valley, aceitará bitcoin e ether para pagamento de impostos

iFood e Evino vão aceitar bitcoin em parceria com Bitfy

Ministério da Agricultura estuda digitalização do setor, incluindo blockchain

O Ministério da Agricultura está olhando para diversas tecnologias, inclusive blockchain, em seus estudos sobre a transformação que o mundo digital poderá levar ao campo. A afirmação está num artigo publicado no site do ministério.

“O MAPA vem desenvolvendo várias iniciativas em cinco eixos estratégicos para alavancar o nosso agronegócio como apoio para políticas públicas, diretrizes, programas e planos que auxiliaram na construção de novos horizontes do setor”.

Essas iniciativas são agricultura digital, sustentabilidade, bioeconomia, inovação aberta e foodtech. No caso da agricultura digital, o ministério tem estudado o ensino online, blockchain, conectividade, uso de Bots, agricultura de precisão, inteligência artificial e outras plataformas, como a Plataforma Nacional de Registro e Gestão de Tratores. “Da mesma forma precisamos antecipar o futuro e trazer aplicações de computação holográfica e gêmeos digitais para o agro”, diz o artigo.

Relógios Hublot passam a ter garantia e autenticidade registradas na blockchain AURA

A fabricante suíça de relógios Hublot vai usar blockchain na garantia de seus relógios, a e-warranty. A empresa já equipava os relógios com garantia eletrônica, mas desta vez, tudo será registrada na blockchain AURA, desenvolvida pela Microsoft e Consensys rastreamento da autenticidade dos produtos de luxo do grupo LVMH, do qual a Hublot faz parte..

A garantia e verificação de autenticidade são ativadas com uma foto de um celular. “a perfeita fusão entre complexidade tecnológica e simplicidade de utilização.” Ricardo Guadalupe, CEO da Hublot. A empresa trabalhou por mais na tecnologia, desenvolvendo algoritmos com a empresa KerQuest. É o primeiro reconhecimento visual de um relógio.

Reconhecimento por microcomponentes

Os relógios terão um passaporte e uma garantia eletrônica que se assemelham ao reconhecimento facial e que são baseados nos materiais de cada peça. Segundo a Hublot, os relógios podem parecer iguais, mas cada um tem algum microcomponentes diferente dos restantes, por isso é possível rastrear a autenticidade.

A rede começou com o registro de dados das marcas Louis Vuitton e dos perfumes Christian Dior. Outras marcas do LVMH deverão entrar na rede, que está aberta a produtos de luxo de outros grupos também.

Produtos falsificados com as marcas de luxos são artigos fáceis de serem encontrados. São um sinal dos bilhões em dólares de importações de falsificações e de piratarias. Em 2016, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estimou esse valor em US$ 500 bilhões, 2,5% das importações globais. Mas na Europa, o percentual seria ainda maior, aparentemente o dobro.

Mais sobre blockchain em artigos de luxo:

Após criptos, Louis Vuitton pede registro de blockchain para e-commerce no Brasil

UE abre consulta legal para operação de sua infraestrutura de blockchain

A Comissão Europeia vai lançar uma concorrência para a contratação de uma consultoria jurídica para implantação de seu projeto de infraestrutura de blockchain que, espera-se, comece a funcionar em 2021. O contrato poderá chegar a 60 mil euros (cerca de R$ 420 mil).

A União Europeia (UE) criou a “European Blockchain Services Infrastructure” (EBSI), que deverá ser a espinha dorsal da infraestrutura blockchain para o setor publico, com cada país do bloco sendo um nó na rede permissionada (fechada). A ideia é de que depois haja interoperabilidade também com o setor privado.

Quem tiver interesse em participar, deverá cobrir todas as questões legais e desafios referentes à operação da infraestrutura da EBSI, diz a CE, tanto do ponto de vista do nível da rede, quanto das aplicações.

Também deverá indicar quem seria legalmente autorizado a operar a infraestrutura depois que a Comissão Europeia colocá-la em atividade, considerando a possibilidade de uma parceria publico-privada para uso da EBSI.

Empreendedoras: três perguntas para quem quer mudar o mundo com as próprias ideias

Mulheres jovens, empreendedoras e que não se abateram com as dificuldades do mundo dos negócios, que inclui falta de acesso a capital e machismo estrutural.

Em entrevistas sobre suas histórias, falam do amor pelo que fazem, de como querem mudar o mundo e da solidão que é empreender. É isso o que FintechsBrasil, site parceiro do Blocknews, mostra em reportagem sobre o empreendedorismo feminino e que podem ser lidas em https://bit.ly/398zNKY

VMware, empresa da Dell, lança comercialmente plataforma blockchain para finanças

A VMware, empresa de cloud da Dell, anunciou o lançamento comercial da VMware Blockchain, plataforma para empresas, em especial as do setor financeiro. A soluçou começou a ser desenvolvida há dois anos no projeto chamado Concord. Com isso, se junta a um mercado onde já concorrerem fornecedores como IBM e R3 – que também têm uma parceria.

“Temos focado na construção de uma plataforma que entregue as aplicações que a indústria financeira demanda e outros serviços críticos distribuídos que necessitam de segurança e alta performance”, disse Brendon Howe, vice-presidente e gerente geral da VMware,

A plataforma usa o mecanismo de consenso próprio Scalable Byzantine Fault Tolerance (SBFT). Segundo a VMware, o mecanismo permite continuar uma operação – e de forma segura – para se chegar a um consenso caso não haja acordo entre os participantes ou haja algum tipo de fraude no momento de se validar uma transação. Para isso, uma das saídas foi criar um protocolo de consenso com comunicação linear, enquanto outras BFT usam a comunicação quadrática.

A VMware disse ainda que a solução tem uma arquitetura em camadas que descola o registro do “livro-razão” da linguagem do contrato inteligente. A linguagem do contrato é a DAML, criada pela Digital Asset e que dá privacidade entre os participantes. Mas, segundo a empresa, é possível o uso de outras linguagens. Uma outra parceira do projeto é a Accenture.

A plataforma já foi testada em instituições financeiras. Um dos clientes é a Bolsa de Valores da Austrália (ASX), uma das 10 maiores do mundo. Outro cliente é a Broadridge Financial Solutions, que usa a plataforma para acordos de recompra de ativos.

A VMWare foi criada em 1998 e é bilionária, com receita anual de US$ 10,6 bilhões. Com sua plataforma, reforça que quer fincar pé em blockchain para negócios, já que seu CEO, Pat Gelsinger, fez declarações criticando a bitcoin.  

Plataforma Fim dos Resíduos Plásticos, que conecta startups e empresas, chega ao Brasil

A Plataforma de Inovação Fim dos Resíduos Plásticos, que conecta startups e empresas, vai ter um um hub também em São Paulo. A Aliança para o Fim dos Resíduos Plásticos e a aceleradora Plug and Play, que já acelerou empresas como Rappi e PayPal, anunciaram que a plataforma, lançada em outubro de 2019 no Vale do Silício, Paris e Singapura, terá três novos endereços. Além do Brasil, estão na lista as cidades de Xangai (China) e Johannesburgo (África do Sul).

Faz sentido a plataforma vir para o Brasil, uma vez que, segundo o Banco Mundial, o país é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas. Perde apenas para Estados Unidos (EUA), China e Índia. Desse lixo, mais de 10,3 milhões de toneladas são coletadas, mas apenas 1,28%, ou 145 mil toneladas (1,28%), são recicladas.

O programa da aliança já atraiu mais de 2 mil startups nos 3 hubs, com 32 delas entrando em programas de aceleração, inclusive com o uso de blockchain. Foram investidos mais de US$ 3 milhões nas startups e há 50 pilotos comerciais com as empresas da aliança, que incluem, por exemplo, a brasileira Braskem, Dow Química, Basf, P&G e PepsiCo.

“Com a expansão, as startups desses três novos hubs poderão ter acesso a investidores e a conhecimento técnico através da plataforma”, disse Nicholas Kolesch, vice-presidente de projetos da Aliança.

Um dos casos considerados de sucesso até agora é a da Circularise, startup do hub de Paris, que oferece uma plataforma blockchain open source para dar transparência às cadeias de suprimentos e incentivar a economia circular. A startup está desenvolvendo projeto com a Covestro e a Domo Chemicals.

Moeda Seeds faz BlockFriday; valores das vendas irão para projetos sociais

Moeda Seeds, primeira fintech brasileira para impacto social e que utiliza blockchain no financiamento de pequenos negócios, está fazendo uma “BlockFriday” até o final deste mês de novembro, com descontos em alguns produtos e frete grátis.

Os valores das vendas desses produtos serão totalmente revertidos para projetos sociais. Entre os itens estão os cafés da 5’OCoffee, do Projeto Semente Café Sustentável (R$ 25 o pacote de 250 gramas). A receita das vendas irá para as cafeicultoras do projeto.

Outro item é a camiseta “Purpose Is The New Power” (R$ 49). A receita irá para o projeto Abraço Campeão, que une artes marciais e educação no Complexo do Alemão (RJ) há mais de 5 anos. E há também as máscaras sustentáveis VidaBR (R$ 9,99), feitas de tecido PET reciclado como algodão orgânico. O valor das vendas irá para a Aldeia Lago da Praia, no Pará.

Para ter o frete grátis, é preciso usar o BLOCKFRIDAY.

A Moeda Seeds foi co-fundada por Taynaah Reis, que há muitos anos se dedica a projetos que unem tecnologia e impacto social. Taynaah faz parte da comissão que discute blockchain na União Internacional de Telecomunicação (ITU, na sigla em inglês). Nesta semana, vai acompanhar “A Economia de Francisco”, evento de três dias em que os palestrantes são, principalmente, jovens empreendedores e economistas de até 35 anos. Haverá alguns palestrantes “sêniores”, como o economista Jeffrey Sachs.

O nome do evento, criado pelo Papa Francisco e que será online, remete a São Francisco e o objetivo é discutir uma economia mais justa, totalmente inclusiva e sustentável. Os painéis serão entre 19 e 21 de novembro e no último dia, sábado, às 19h, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, será iluminado com as cores do evento: verde, marrom e amarelo.

RPX lança RAS Bank, que terá serviços tradicionais e operações com ativos digitais

A holding RPX, empresa de soluções para bancos digitais, lançou um banco digital multimoedas e um cartão internacional. O RAS Bank funciona há dois meses e embora ofereça serviços tradicionais, como pagamento de contas, irá atuar principalmente com moedas virtuais e ativos digitais, entre eles sua cripto RAS, lastreada em reais e que já estava em circulação.

As etapas de lançamento dos serviços incluem conta digital com criptomoeda integrada, tokenização de ativos, tokenização de investimentos com empresas de multimercado, cartão de liquidação direto em cripto e máquina de pontos de venda (PoS) com cripto integrada, segundo Rafael Pimenta, CEO da holding.

“Assim como os ativos de empresas serão negociados através de tokens, alguns precatórios e tokens imobiliários também estarão disponíveis. Isso facilitará o dia a dia de todos aqueles que escolherem o que desenvolvemos”, completa Pimenta. A curadoria para elegibilidade dos ativos a serem tokenizados estão sendo feitos por uma empresa de especializada do próprio grupo RPX.

“Trabalhamos com taxas de liquidação para democratizar o acesso ao mercado”, explica Jaime Nascimento, presidente da RAS.CASH e que tem 30% do banco. Os outros 70% são de Pimenta, que têm trabalhado com tecnologia e serviços financeiros.

A moeda RAS já existia antes do banco e para cada uma unidade em circulação, há R$ 1 depositado em banco, segundo Pimenta. Segundo ele, “o valor armazenado da moeda oscila diariamente entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões, depositados no Banco Plural, com acesso público.

O investimento no banco foi de R$ 5 milhões em desenvolvimento e o CAPEX é de US$ 38 milhões em 2020.