Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Investimento no ETF da Hashdex pode ficar em cerca de R$ 600 milhões; institucionais aderiram

As reservas de cotas do ETF da Hashdex, o Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice, o primeiro de criptomoedas do Brasil, devem atingir cerca de R$ 600 milhões. O fechamento deverá ser finalizado nesta noite.

Dessa forma, ficou dentro da expectativa do mercado e superou o piso inicial indicado pelos coordenadores da operação, de R$ 250 milhões. As reservas se encerraram hoje (20).

Como o Blocknews antecipou ontem (19) com exclusividade, até sexta-feira (16) o valor arrecado pelo ETF da Hashdex era de R$ 450 milhões. Mas o número ainda não considerava o que os clientes do Banco do Brasil poderiam aportar.

Nasdaq Crypto Index Performance
Aumento do preço do bitcoin puxou índice para cima.

Cerca de 90% dos investidores apurados são do varejo, com 30 mil CPFs cadastrados. Já o ticket médio foi de em torno R$ 20 mil. No entanto, investidores institucionais também entraram na oferta.

Aliás, alguns ainda definiam, no início desta noite, se investiriam no ETF da Hashdex, que tem o código de HASH 11. Esses investidores institucionais são fundos locais.

A negociação do ETF HASH 11 começa na próxima segunda-feira (26). O índice que o fundo segue foi desenvolvido pela Nasdaq e pela Hashdex e será rebalanceado a cada três meses. Atualmente, a composição é:

Bitcoin (BTC)78.61%
Ethereum (ETH)16.86%
Litecoin (LTC)1.58%
Bitcoin Cash (BCH)1.03%
Chainlink (LINK)1.27%
Stellar Lumens (XLM)0.65%
Composição do índice de criptomoedas que o ETF da Hashdex segue.

Desde sua criação, o índice cresce, acompanhando o mercado de criptomoedas e, principalmente, o valor do bitcoin.

Brian Brooks, ex-regulador dos EUA, será CEO da Binance.US

Ninguém menos do que Brian Brooks será presidente da Binance.US. Até 14 de janeiro passado, Brooks era um dos reguladores dos Estados Unidos (EUA). Isso porque era o responsável pelo Escritório do Controlador da Moeda (OCC, na sigla em inglês). Nessa posição, deu espaço bancos atuarem com criptomoedas.

Durante sua gestão na OCC, Brooks emitiu comunicados em que permitiu, por exemplo, que bancos dos EUA custodiem ativos digitais, tenham reservas em moedas estáveis e participem de redes blockchain dessas moedas como nós. Assim, permitiu aos bancos atenderem à demanda crescente de seus clientes por criptomoedas.

Porém, Brooks não é um novato no mundo corporativo das criptomoedas. Por 19 meses, até maio de 2020, foi o responsável pela área jurídica da Coinbase, maior corretoras de criptos dos EUA.

No entanto, teve de abrir mão de usas opções de ações quando chegou deixou a Binance para se mudar para o COO. Na venda, ganhou algo em torno de U$ 4,6 milhões. Mas, seu sucessor teria ganho US$ 300 milhões na oferta de ações da empresa na semana passada.

A Binance, que diz ser a maior corretora de criptomoedas do mundo, com volume diário de US$ 48 bilhões, enfrenta problemas com reguladores nos EUA. No mês passado, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) abriu uma investigação sobre a possível venda de derivativos a americanos.

A CFTC diz que bitcoin e ether são commodities, portanto, quer regulá-los. Já a Binance afirma que não permite a residentes nos EUA acessarem seu site e evita que façam depósitos ou saques.

No Brasil, a associação que reúne corretoras de criptomoedas, a ABCripto, entrou com denúncia semelhante contra a Binance.

ETF da Hashdex teve R$ 450 milhões de reservas de investidores

Até a última sexta-feira (16), as reservas de investidores interessados no ETF da Hashdex, fundo Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice (ETF) somaram cerca de R$ 450 milhões. Desse valor, BTG, Genial e Itaú, coordenadores da oferta, responderam, cada um, com em torno de R$ 100 milhões.

As reservas continuaram durante o final de semana e esse valor ainda não inclui o que o Banco do Brasil poderá registrar de interesse de seus clientes. Isso porque começou a ofertar o fundo na sexta-feira. Tanto que os coordenadores da operação mudaram o lançamento do ETF na B3 desta quinta-feira ( 22) para a próxima segunda-feira (26).

O valor mínimo de investimento é de R$ 50. As reservas acontecem até amanhã (20). Analistas de mercado estimam que a captação poderia ficar entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões, numa estimativa otimista.

Os R$ 450 milhões incluem a reserva feitas por 30 mil CPFs. Uma série de bancos e corretoras estão oferecendo o produto, como, por exemplo, o banco Inter e o Safra.

Fundos de índice acompanham, como o nome diz, índices. Pode ser, por exemplo, o Ibovespa da B3. O que eles tentam dar ao investidor é um norte de onde vão aplicar o dinheiro e o que ele poderá seguir em termos de desempenho.

Nasdaq é quem calcula cotas do ETF da Hashdex

No caso do fundo da Hashdex, quem calcula o valor das cotas é a Nasdaq. O índice foi criado em conjunto pelas empresas. O que esse ETF faz é seguir o índice da Nasdaq, que é composto por uma cesta de criptomoedas, incluindo bitcoin.

Além disso, o índice é rebalanceado a cada três meses, para buscar representar melhor o mercado. Isso significa, portanto que o fundo não promete nem muito mais, nem muito menos do que do desempenho desse conjunto de criptos.

A Hashdex fez o primeiro lançamento de um ETF em Bermudas, neste ano, onde testou a criação do produto. O ETF brasileiro estaria sendo gestado há cerca de dois anos.

Os investidores brasileiros não são grandes conhecedores de ETFs, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos (EUA), por exemplo. Só a americana BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, tem mais de 900 deles espalhados pelo planeta, com US$ 2,67 trilhões. É mais de 25% dos US$ 8,67 trilhões do total de recursos que a empresa administra.

Porém, a decisão de colocar um ETF na B3 veio para tentar dar uma alternativa aos investidores interessados em criptomoedas, mas ainda inseguros. Como não é possível ofertar bitcoin na bolsa, o ETF se mostrou uma saída viável.

Fundo envolve CVM e B3

O fundo tem autorização da Comissao de Valores Mobiliários (CVM) e é negociado em plataforma conhecida, a da bolsa brasileira. Isso pode ajudar a reduzir temores. Além disso, nem todo brasileiro entende e tem vontade de operar numa corretora de criptomoedas.

O ETF tem como vantagens, por exemplo, o fato de ao sair do fundo, o investidor fechar a venda já sabendo o valor que vendeu sua cota. No Hashdax, o pagamento é em dois dias úteis. Nos fundos, a liquidação pode acontecer em prazos bem mais longos e num preço, portanto, incerto.

O lançamento do ETF na B3 é mais um marco do mercado de criptoativos no Brasil. E vem num momento em que o bitcoin não para de subir e atrair investidores, inclusive os institucionais. Porém, bancos como o Itaú sugerem que seus clientes coloquem mais do que 2% de seus investimentos no ETF. Alegam a questão do risco, dada a volatilidade das criptos.

Bancos nos EUA que estão oferecendo fundos em criptomoedas também estão adotando a estratégia de limitar o investimento dos clientes nesses produtos. Além disso, oferecem os produtos a clientes de alta renda. No Itaú, a oferta é similar, divulgada para clientes do Personnalité.

Morgan Stanley confirma que já oferece fundos em bitcoin para clientes

O Morgan Stanley confirmou que já está oferecendo dois fundos com exposição a bitcoin para seus clientes. A confirmação aconteceu na divulgação de seu resultado no primeiro trimestre de 2021.

A oferta acontece por meio de seu braço de gestão de fortunas, afirmou seu CFO, Jonathan Pruzan, segundo o CoinDesk. São, de acordo com ele, dois fundos passivos. “À medida que virmos mais interesse, vamos trabalhar com os reguladores para fornecer serviços que considerarmos apropriados”, completou.

O Morgan Stanley está na linha de frente dos bancos e gestores americanos que começaram a oferecer fundos de criptomoedas a seus clientes. Em geral, para os de grandes fortunas e com limitações de percentual de investimentos.

Monnos lança cartão com cashback

A Monnos lançou, na última quinta-feira (15), um cartão para pagamento em criptomoedas. A bandeira é a Elo e há até 5% de cashback, ou seja, dinheiro de volta em compras pagas com o cartão. Até então, a Monnos era uma corretora e uma carteira digital. Também tem uma moeda, a MNS.

Para o CEO da Monnos, Rodrigo Soeiro, a oferta de cashback no Brasil é uma tendência que ganhará força, em especial com o aumento da inflação, “Diversas empresas, tanto do setor financeiro, quanto do varejo, buscarão incentivar movimentos migratórios, oferecendo essa vantagem ao usuário.”

Hoje, a Monnos é a única corretora do país com um token. Segundo a empresa, a MSN tem 15 mil usuários em diferentes países. No total, afirma ter 21 mil usuários, incluindo 38,5% dentro do grupo de brasileiros que nunca tinham investido em criptomoedas. Na manhã desta segunda-feira a moeda está cotada na faixa de US$ 0.005249.

Inglaterra cria força-tarefa sobre “Britcoin”, a moeda digital do país

O banco central e o Tesouro da Inglaterra criaram uma força-tarefa sobre Moeda Digital de Banco Central (CBDC) para estudarem a emissão de uma “Britcoin”. O anúncio aconteceu nesta segunda-feira (19). Assim, o país quer permanecer na linha de frente da inovação, disse o BC no comunicado.

“A CBDC seria uma nova forma de dinheiro digital emitida pelo Banco da Inglaterra e para uso por pessoas e negócios. Existiria junto com o papel moeda e depósitos bancários, ao invés de substituí-los”, afirmou o BC britânico.

Outros países como China, Suécia e o bloco europeu já estão em estágios mais avançados do processo de terem um CBDC. Assim como o Brasil, que está prestes a divulgar os resultados de seu estudo sobre o assunto. Até os Estados Unidos (EUA), sempre cautelosos sobre o tema, decidiram acelerar seus estudos.

De acordo com o Banco de Compensações Internacionais (BIS), o banco central dos bancos centrais, mais de 80% dos bancos centrais estão envolvidos em algum estágio do estudo à adoção de uma moeda digitai.

Essa força-tarefa inclui uma nova divisão dentro do Banco da Inglaterra, a unidade CBDC, além de um fórum de engajamento e um fórum de tecnologia sobre a moeda digital.

De acordo com o comunicado do BC, o governo e a instituição vai consultar quem deverá sofrer algum impacto pela CBDC. As consultas serão sobre pontos como os benefícios, riscos e praticidades de uma eventual moeda digital do país.

A força-tarefa vai coordenar os estudos sobre objetivos, casos de uso, oportunidades e riscos de uma potencial CBDC, que já recebeu o apelido de Britcoin.

Também vai coordenar a formato que a moeda digital precisa ter para atingir seus objetivos. Assim como se comprometeu a fazer um estudo detalhado sobre CBDC e monitorar como andam projetos semelhantes no mundo, para que o Reino Unido não fique para trás.

Em relação aos fóruns sobre CBDC, o de Engajamento vai envolver stakeholders sêniores para colher ideias sobre todos os aspectos, menos os tecnológicos. Isso significa, por exemplo, casos de uso e papel do setor público e do privado nessa iniciativa.

Já o fórum tecnológico vai trabalhar em todos os desafios dessa área sobre a moeda digital. O grupo vai incluir profissionais do setor financeiro, da academia, fintechs, provedores de infraesturuta e empresas de tecnologia.

CVM vai vê falha em cadastros em corretoras e dará novas regras para crowdfunding

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Barbosa, afirmou que a instituição vai divulgar os resultados do estudo sobre os cadastros das corretoras de criptoativos. Isso porque vê problemas nos processos. E também prepara as novas regras de crowdfunding. As duas divulgaões serão em 2021.

“Há falhas no modelo de cadastro de investidores nas corretoras”, disse Barbosa nesta sexta-feira (16), durante o Fintouch 2021, evento da Associação Brasileira de Fintechs (Abfintechs).

Há quatro falhas principais, disse ele. Uma delas é o baixo grau de autonomia do usuário em relação a dados cadastrais e há retrabalho dos investidores. Além disso, há uma “falta de plataformas abertas ou compartilhadas com registro de informações”. E, completou, há necessidade de integração de sistemas.

Isso tudo pode levar, por exemplo, a uma frequente probabilidade de divergência cadastrais. Assim, há também custos operacionais razoáveis. No entanto, a CVM já avaliou, há dois anos, que blockchain pode ajudar a resolver esse e outros problemas de segurança.

CVM terá regras mais flexíveis para crowdfunding

Em relação ao crowdfunding, os limites que a CVM em vigor já foram testados. Por isso houve a consulta pública em 2020 sobre expansão do valor permitido de captação e possiblidade de divulgação de oferta. Além disso, tratou da proteção do investidor e de questões operacionais na oferta.

“Estamos trabalhando para, em breve, editar a resolução que atualizará o regime do crowdfunding. Temos visto a evolução dele”. Segundo Barbosa, em 2020, o crowdfunding atingiu R84,4 milhões , 43% mais que em 2019. E foi, também, um valor dez vezes superior ao do primeiro ano.

“Temos muita confiança de que (o crowdfunding) ainda tem muito dar. E não quer dizer que a atualização (da resolução) será a última. Será mais um teste que estamos vendo a inovação nos apresentar”, completou.

Barbosa afirmou ainda que a CVM está debruçada sobre as propostas de candidatos para seu sandbox. A autarquia recebeu 34 propostas, “o que superou nossas expectativas mais otimistas”, de acordo com ele.

Houve uma prorrogação do cronograma que prevê o início do sandbox em julho. Mas, mas no evento, Barbosa mencionou a data anterior, que era maio.

Em outro painel no evento, o chefe do departamento de regulação do Banco Central, Antonio Marcos Guimarães, disse que a instituição já validou 21 projetos apresentados para seu sandbox. A avaliação deve ir até 25 de junho e o banco vai escolher de 10 a 15 projetos.

Dynasty Global deve lançar token D¥N, lastreado em imóveis, no início de julho

No início de julho, a Dynasty Global Investments prevê lançar a oferta do token D¥N, atrelado em imóveis de alto padrão. A empresa é de brasileiros e fica em Zug, no Crypto Valley da Suíça.

A expectativa de captação da Dynasty para 2021 é de 300 milhões de francos suíços, cerca de R$ 1,92 bilhão. Cada D¥N vale 60 francos suíços, ou seja, em torno de R$ 385. O token será atrelado a imóveis em locais como Nova York, Londres, Lisboa, Hong Kong e São Paulo.

A Dynasty disse ao Blocknews que a empresa já busca imóveis e “a primeira aquisição está prevista para se concretizar nos próximos 60 dias. Estamos com propostas em análise e em processo de due dilligence dos ativos”.

A renda do D¥N deverá vir dos alugueis dos imóveis. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não permite a venda desse tipo de token no Brasil. Por isso a empresa concentra a operação no exterior, como o BTG Pactual, que tem o token de imóveis recuperados ReitBZ.

Portanto, a Dynasty vai concentrar a oferta pública na Europa e Ásia. Assim, por enquanto os brasileiros estão fora dessa oferta.

Porém, em dezembro passado a Dynasty abriu um escritório em São Paulo e contratou parte de sua equipe aqui. Assim, reduz o custo Suíça. E, segundo disse ao Blocknews Eduardo Carvalho, um dos fundadores, já está posicionada para atuar no país se e quando esse tipo de token puder entrar em negociação aqui.

Além de preparar o lançamento da D¥N, a empresa pretender trabalhar na educação de investidores. Isso porque sabe que o assunto é muito novo e gera dúvidas e receios.

Recentemente, a Dynasty fez uma integralização de capital com criptomoedas, algo ainda pouco feito no país. A empresa enviou recursos da Suíça para o Brasil