Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Mastercard procura profissional para diretoria de moedas digitais de bancos centrais

A Mastercard está procurando diretor ou diretora para cuidar de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) em Nova York. Esse é um tema que a empresa está explorando porque sabe que em algum momento, se tornará realidade em ao menos parte dos mercado. Portanto, precisa se preparar para poder aceitar essas criptomoedas em sua rede.

A Mastercard participou do lançamento da primeira CBDC do mundo a entrar em operação, a de Bahamas, que usa sua infraestrutura. E também conversa com o BC brasileiro, assim como acontece com outras empresas do setor. A empresa criou uma plataforma para que os BCs pudessem testar seus projetos. Além disso, estuda como conectar sua rede de lojistas e parceiros às CBDCs.

Além de anunciar a vaga, a Mastercard também anunciou, hoje (5), o lançamento de cartões de pagamentos ligados a criptomoedas na região da Ásia-Pacífico. A empresa se juntou a três provedores de serviços: Amber Group e Bitkub, ambos da Tailândia, e a australiana CoinJar. Com isso, os clientes podem converter criptos em moedas legais.

Hás algumas semanas, um executivo da Mastercard afirmou que a empresa não quer trabalhar com criptos “raiz” diretamente. Isso porque há riscos, por exemplo, na conversão das cotações para lojistas.

Mastercard tem grupo com foco em blockchain e moedas digitais

De acordo com o anúncio, a Mastercard busca um diretor ou diretora para desenvolvimento de projeto para o grupo de blockchain e criptomoedas. Portanto, a pessoa terá de usar seus conhecimentos em pagamentos e criptomoedas para dar suporte a iniciativas de novos produtos.

A empresa diz que o grupo “lidera a estratégia de uso de tecnologias de ponta para tornar realidade o futuro das tecnologias de pagamentos”. Inclusive usando o que “blockchain tem de melhor”. Quem ocupar a vaga vai trabalhar com pessoas de diferentes áreas, como produto e engenharia, franquias, compliance, regulação e com equipes regionais.

Terá, ainda de liderar o processo da fase de ideação e protótipo à validação de mercado. Vai também monitorar, para a Mastercard, as tendências do ecossistema de moedas digitais, desenvolvimento tecnológico, ameaças e gerenciamento de riscos. E vai precisar propor soluções. Além de acompanhar os concorrentes.

Em relação aso concorrentes, a Visa também está trabalhando forte no tema de CBDCs. Tanto que o BC do Brasil anunciou que gosta de uma solução offline da empresa e poderá testá-la com o real digital.

Mastercard supera 100 patentes em blockchain e vê barreira para uso direto de criptomoedas na rede

A Mastercard, que superou a marca de 100 patentes de blockchain aprovadas e tem “outras centenas pendentes”, adotou a estratégia de uso indireto de criptomoedas em sua rede por motivos como tempo de transações e volatilidade. Uso direto s´ó por meio de stablecoins como a USDC, que a empresa já está habilitando em alguns países.

Foi o que disse hoje (30) Walter Pimenta, Vice-Presidente Sênior de Produtos e Inovação da empresa. O executivo afirmou ainda que a Mastercard participa da discussão de mais de 60 moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) no mundo. O Brasil é um dos países que estudam o assunto. Na América Latina são 9. “É o momento de pesquisa e de trabalhar junto para que desenho (das moedas) seja eficaz”.

De acordo com Pimenta, a estratégia da Mastercard não é atuar diretamente com criptomoedas “raiz“, de redes descentralizadas como bitcoin e ethereum. Dessa forma, o que faz é licenciar seus parceiros, como bancos e bolsas de criptomoedas, para emitirem um cartão para uso das moedas digitais.

Essas instituições, por sua vez, fazem a conversão das moedas e então, na rede da Mastercard, só transitam as moedas fiduciárias (fiats). O executivo afirmou que a empresa não sabe quanto é convertido de criptomoedas para fiat para uso na sua rede.

Mastercard diz que volatilidade e tempo pesam nas criptomoedas

Um dos motivos para essa estratégia da Mastercard é a volatilidade. Em compras com moeda fiat, esse problema é minimizado em economias com alta inflação, como a Venezuela, porque as transações são praticamente instantâneas. A questão de pagar com bitcoin, por exemplo, é a transação levar horas para ser fechada. Nesse meio tempo, o valor da cripto pode mudar muito, trazendo até prejuízos para quem recebe, em especial se a compra for de alto valor.

“Por isso, enxergamos criptomoedas mais como ativo de investimento de especulação do que um veículo de compra e venda. Não sabemos como será o futuro, mas nosso papel é habilitar conversão e transação. A relevância disso (das criptomoedas) é muito clara”, afirmou Pimenta, que fica em Miami.

As stablecoins, ou moedas estáveis, porém, têm tratamento diferente das criptomoedas pela Mastercard. “São a representação digital da moeda de um país. Vão trafegar na rede. Já estamos habilitando o processamento de USDC em alguns países”. Esses incluem os Estados Unidos (EUA) e europeus como o Reino Unido. E poderia incluir o Brasil. “Para todos os países o plano é o mesmo: desde que haja regulação, estamos abertos a trabalhar nos três modelos (criptomoedas, stablecoins e CBDCs).

No entanto, para essa habilitação ou de qualquer outra moeda, além da demanda pelo serviço, é preciso que a cripto atenda a três princípios da Mastercard. Assim, deve oferecer proteção de dados dos consumidores e atender as legislações locais de segurança. Também devem atender as regulações dos países e serem estáveis. Boa parte das stablecoins, inclusive a USDC que a Mastercard usa, é atrelada a dólar dos EUA.

Empresa está nas discussões de mais de 60 moedas de bancos centrais

Em relação às CBDCs, para a Mastercard, o modelo ideal é o chamado de dois níveis. Portanto, similar ao que é hoje, em que o BC emite e gerencia a moeda digital no país. Mas a distribuição é do setor privado, ou seja, dos bancos e fintechs.

“Isso é interessante porque o papel do BC é, na maioria dos casos, gerir, dar estabilidade e regular a moeda. E quando habilita o setor privado a competir na distribuição, fomenta a competitividade, a inovação e uma melhor experiência de uso”. Um outro ponto da Mastercard é que esse modelo ajudaria no aumento de uso da moeda pelos cidadãos, já acostumados ao sistema atual.

Uma alternativa seria o BC distribuir a moeda, o que tiraria um dos papeis principais que as instituições financeiras têm hoje. Bahamas tem já uma CBDC e é um caso a ser acompanhado para verificar o que acontecerá, afirmou Pimenta. A empresa já emitiu cartão para uso da CBDC no país.

A Mastercard e suas rivais Visa e PayPal estão ativamente participando de discussões e iniciativas relacionadas tanto à tecnologia blockchain, como a criptomoedas. Isso porque as criptos podem ter impacto direto em seus negócios, o de pagamentos digitais.

Uma das ações mais recentes da Mastercard foi comprar a CipherTrace, que detecta fraudes em redes abertas de criptomoedas. E investir na ConsenSys, que desenvolve soluções em Ethereum, incluindo finanças descentralizadas.

*Reportagem em atualização.

Mastercard compra CipherTrace, de segurança em criptoativos

A Mastercard anunciou nesta quinta-feira (9) a compra da CipherTrace, empresa de inteligência sobre transações com criptoativos. É mais um passo da empresa de pagamentos no mundo dos ativos digitais, assim como outras de seu segmento, incluindo Visa e PayPal. Essas empresas se preparam para atender a um mercado de criptoativos que tende a crescer e mudar o mundo do comércio.

A CipherTrace já recebeu recursos do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (EUA), o que levantou dúvidas no mercado sobre sua independência. A empresa afirma ter condições de monitorar 900 criptomoedas. Seu grupo de clientes inclui por exemplo, grandes bancos, bolsas em todo o mundo.

A Mastercard está atuando em diferentes frentes de criptoativos. Dentre elas, estão as parcerias com Uphold, Gemini e BitPay para criar cartões de criptomoedas. Tem, ainda, uma plataforma para testes de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), que colou à disposição dos governos.

Mastercard compra CipherTrace para garantir maior uso de cripto

Além disso, criou um cartão pré-pago para a CBDC de Bahamas. Fora isso, tem programas de inovação que envolvem o uso de blockchain em processos de pagamentos, tokens não-fungíveis e criptomoedas estáveis.

De acordo com a Mastercard, desta vez, a compra da CipherTrace tem relação com o aumento do uso de criptos e NFTs, portanto, com a garantia de segurança. “Confiança e segurança são críticos para permitir maior uso e escala (dos criptoativos)”, afirmou a empresa. Isso porque quanto mais se desenvolvem novas soluções tecnológicas, mais necessário é ter segurança.

“Os ativos digitais têm o potencial de ressignificar o comércio. Das atividades cotidianas de pagamentos à transformação da economia”, afirmou Ajay Bhalla, presidente de segurança cibernética e inteligência da Mastercard”.

Mastercard testa CBDC em plataforma própria e convida bancos a participar

Numa corrida com cada vez mais participantes, a Mastercard anunciou nesta semana que criou um ambiente proprietário virtual de testes de moedas digitais de bancos centrais (CBDC). O objetivo é avaliar casos de uso. A plataforma simula emissão, distribuição e troca dessas moedas entre bancos, provedores de soluções e consumidores.

Ao testar as CBDCs, a Mastercard, uma das maiores empresas de pagamentos do mundo, ganha enorme conhecimento sobre essas moedas, seu funcionamento e respostas em diferentes mercados. Com isso, consegue opinar melhor sobre o assunto quando chegar a hora de definição de modelos e fazer uma estratégia de negócios mais certeira.

A Mastercard está convidando bancos centrais e comerciais, além de empresas de tecnologia e consultorias a participarem dos testes.

O número de países que estão fazendo testes similares só cresce. A UE anunciou ontem que vai divulgar seus estudos em breve sobre o tema e lançar uma audiência pública. A plataforma, diz a empresa, pode se adequada ao cenário de cada mercado de uma CBDC.

Pesquisa do Banco Internacional de Compensações (BIS), o banco central dos bancos centrais, mostrou que 80% das instituições entrevistadas estão de alguma forma lidando com o assunto e 40% já estão em fase de teste. O Brasil é um deles.

Criptomoedas, o novo ringue de disputas entre Visa e Mastercard

Depois de saírem do projeto da moeda Libra, anunciado pelo Facebook há um ano, Visa e Mastercard, duas das maiores redes de pagamentos do mundo, estão deixando claro que vão disputar com garra o mundo das criptomoedas, que tem potencial para crescer para a casa de muitos milhões de transações ao dia.

Nos últimos dias, as empresas fizeram comunicados para deixar claro que estão reforçando a inserção das moedas digitais em suas operações, o que inclui também compras de empresas ligadas a esse segmento e trabalhos com reguladores para definição de regras para operações desses ativos.

Um dos motivos para isso está na aceitação de criptomoedas. De acordo com um estudo da Statista citado pela Mastercard, em alguns países, 20% da população tem criptomoedas. Fora isso, as moedas digitais estão ganhando espaço em sistemas de pagamentos onde isso é autorizado. A Statista diz que há 8.488 caixas eletrônicos de bitcoins no mundo. Há 5 anos, eram 395.

Corrida de anúncios

A corrida de anúncios das duas empresas começou na segunda-feira da semana passada (20), quando a Mastercard anunciou a expansão de seu programa de criptomoedas. A empresa, que processa no total cerca de 435 milhões de transações por dia, disse que isso, na prática, tornaria mais simples e rápido a emissão de cartões de crédito de criptos.

Parceiros de criptomoedas e cartões de criptos “estão convidados para o programa Accelerate para novas marcas e fintechs, dando acesso a tudo o que precisam para crescer rapidamente”, disse em seu comunicado.

Na esteira desse anúncio está o de que a Wirex se tornou a primeira plataforma de criptomoedas que ganhou o status de membro principal, o que permite emitir cartões de pagamento diretamente para os consumidores. Com isso, eles podem converter criptomoedas em moedas fiduciárias (fiats, emitidas por bancos centrais). Na rede Mastercard, o que roda é a moeda fiat.

Dois dias depois (22), a Visa não deixou por menos e soltou um comunicado dizendo que “se tornou a rede preferida de carteiras digitais, que querem aumentar seu valor para os usuários tornando mais rápido e fácil gastar em criptomoedas no mundo”. A empresa tem 61 milhões de locais que aceitam seus cartões.

Compras e pesquisas

A empresa deu alguns detalhes dos passos que têm dado no universo das criptomoedas. No mundo todo, afirmou, há mais de 25 carteiras digitais conectadas aos seus serviços, o que é feito por meio das exchanges Coinbase e  Fold.

A concorrente da Mastercard também destacou seu programa de aceleração de fintechs, o FastTrack, que inclui startups envolvidas com criptos, e o investimento na Anchorage, que fornece infraestrutura de segurança para moedas digitais.

Disse ainda que as pesquisas de seus times resultou em serviços como o mecanismo de pagamentos Zether  e o sistema de verificação de transações FlyClient. “Hoje, essas pesquisas estão focadas em novos mecanismos para aumentar a escalabilidade e permitir transações offline de moedas digitais”, completou.

E para garantir mercado para suas novas operações em criptos e não levar o pito que tomou com o projeto Libra, a Visa disse ainda que está participando de discussões com reguladores locais, inclusive as que envolvem as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), e outras globais, como as do World Economic Forum (WEF).

Para garantir mercado para suas novas operações em criptos e não levar o pito que levou com o projeto Libra, a aproximação com os reguladores é crucial. Quem não fizer isso, está fadado a dar passos para atrás, como aconteceu com a moeda anunciada Facebook com mais de 20 parceiros, sendo que os maiores deixaram o projeto logo em seguida.