Claudia Mancini
é jornalista e cientista política, especializada em negócios, blockchain e economia digital

Tesouro britânico abre consulta pública sobre regulação de criptoativos e stablecoins

Ontem (7), o tesouro do Reino Unido abriu uma consulta pública sobre regulação para criptoativos e stablecoins (moedas estáveis). “Vamos adotar uma abordagem ágil, guiada pelo risco, sob o princípio de “mesmo risco, mesmo resultado regulatório”, diz o secretário de economia do Tesouro, John Glen, no documento.

Essa é a segunda consulta que o governo britânico faz sobre regulação de criptoativos. Na primeira, o assunto foi a promoção de criptos na regulação financeira. O processo terminou em outubro passado. Mas, o Tesouro ainda não divulgou os resultados. O governo decidiu fazer essas chamadas em março de 2020.

Quem quiser participar desta segunda consulta, devem enviar suas opiniões até o próximo dia 21 de março. Ela está começando na mesma semana em que o tesouro dos Estados Unidos (EUA) confirmou que os bancos do país podem ser nós em redes blockchain e operarem pagamentos com moedas estáveis.

Regulação para proteção

Embora o principio da tecnologia e das criptomoedas seja o de evitar intermediários e regulações, elas estão pipocando pelo mundo. Isso porque receio é sempre de que tesouro e bancos centrais percam o controle do valor de moedas fiat e do sistema financeiro. Dessa forma, colocariam ambos em risco e, por tabela, os consumidores e as economias.

Segundo o tesouro britânico, seu objetivo é proteger o sistema, mas também promover os benefícios de novas tecnologias. Além disso, quer entender o uso de criptoativos em investimentos e no atacado financeiro e o uso de blockchain no mercado de capitais.

Cenário mudando rápido

O documento cita o lançamento da força-tarefa, em 2018, para estudar o rápido desenvolvimento do mercado de criptoativos, assim como o uso de tecnologias de registro distribuído (DLT) em diferentes setores.

“Dois anos se passaram e o cenário está mudando rapidamente. As chamadas stablecoins podem pavimentar o caminho para pagamentos mais rápidos e baratos, tornando mais fácil para as pessoas fazer pagamentos ou guardar o dinheiro”, completa o secretário.

Ele afirma ainda haver evidência crescente de que DLT poderia ter benefícios significativos para mercados de capitais, gerando uma mudança potencial fundamental da maneira como operam”, completa o secretário.

CEO da Ripple usa Twitter para defender XRP em processo aberto pela SEC

O CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, publicou em seu Twitter, nesta quinta-feira (7), seus argumentos para defender a XRP como criptomoeda. Ele afirmou que não estava usando a rede social para discutir com a Securities Exchange Comission (SEC), que abriu um processo contra a empresa.

Dessa forma, Garlinghouse rebateu a alegação da SEC para defender a XRP como uma criptomoeda. Ele publicou sua visão em formato de pergunta e resposta – ele mesmo pergunta e responde. Replicamos abaixo o conteúdo:

Por que a Ripple não fez um acordo com a SEC? Não posso entrar em detalhes, mas saibam que tentamos e continuaremos a tentar com a nova administração a resolver isso, de forma que a comunidade XRP continue inovando, consumidores estejam protegidos e a ordem dos mercados seja preservada.

Ripple não controla XRP

Você pagou bolsas para listar a XRP? Quando voltará a ser listada? A XRP é um dos ativos digitais mais líquidos do mundo (top 3 a 5) e 95% é negociado fora dos Estados Unidos (EUA). A Ripple não tem controle sobre onde a XRP é listada, quem tem a moeda etc. É open-source e descentralizada.

Deixar de listar e parar de listar são duas coisas distintas. A maioria parou as negociações. Com oito agências de governo, cada uma com a sua – e muitas vezes oposta – visão sobre cripto, os participantes do mercado nos EUA enfrentam políticas conflitantes. E o que não surpreende, muitos atuam de forma conservadora.

Saímos de uma falta de clareza regulatória para o caos regulatório nos EUA. É por isso que a regulação à força é uma política pública ruim. Com a nova administração, esperamos que a Digital Commodity Exchange ACT (DCEA) seja retomada, uma legislação de senso comum que dá clareza ao setor.

Agitação nos bastidores

Quando vocês responderão à SEC? Por que vocês estão em silêncio? O processo legal pode ser lento! As coisas parecem quietas, mas há muito acontecendo nos bastidores. Vamos dar entrada em nossa resposta inicial em algumas semanas.

Os investidores têm confiança na Ripple? Sim, temos verdadeiros acionistas. É assim que você tem uma ação da Ripple, comprando nossa ação e não a XRP. Estamos desapontados que a Tetragon, que tem 1,5% da Ripple, busque uma vantagem injusta através das alegações da SEC (a empresa quer que a Ripple recompre suas ações).

Vocês pagaram para os clientes usarem XRP? Demos a alguns clientes, em especial os primeiros usuários, incentivos para usar o serviço on-demanda liquidity (ODL). Isso está construindo uma rede de pagamentos totalmente dentro da lei. Todas as redes de pagamentos (PayPal, Visa, MC etc) teve ou ainda têm incentivos.

Construímos um produto que é o primerio do tipo. Integrar nova infraestrutura gera custos. ODL com XRP resolve problemas reais de custo, velocidade e liquidação e isso é provado pelos bilhões de dólares.

PayPal investe em startup que calcula impostos sobre criptomoedas

A PayPal fez um investimento na startup Taxbit, que desenvolveu um software para o cálculo de impostos sobre criptomoedas. A Coinbase, maior bolsa de criptos dos Estados Unidos, também fez um aporte.

Esse é mais um dos diversos investimentos que a PayPal tem feito no mundo de criptomoedas. A fintech está se posicionando para receber e enviar pagamentos e assim, criar um diferencial em relação a seus concorrentes.

A TaxBit fica em Salt Lake City, no estado de Utah. A empresa foi fundada por profissionais do mercado financeiro, advogados e desenvolvedores de software. Segundo a startup, pessoas que têm criptos, bolsas e lojistas usam a solução.

De acordo com a empresa, a solução automatiza todo o processo de cálculo dos impostos sobre criptomoedas e ajuda os usuários a cumprirem regras de compliance.

Além do PayPal e da Coinbase, que fizeram os investimentos por meio de seus braços de venture capital, a Winklevoss Capital, que já investe na TaxBit, aportou novos recursos. A Winklevoss é dos irmãos Tyler e Cameron, que processaram Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, alegando que ajudaram a criar a plataforma de mídia social.

Rastrear vacinas contra Covid pode ser um dos usos de blockchain em 2021, diz IBM

Os efeitos da pandemia do Covid-19 continuarão a influenciar o desenvolvimento e uso de blockchain em 2021. Inclusive no retorno a uma vida mais normal, o que é esperado com a vacinação em diferentes países. Essa é a expectativa da IBM.

Num artigo, a empresa lista cinco áreas em que blockchain poderá ser usada para esse retorno. A primeira delas é o uso de credenciais digitais de saúde. Essa é uma área que claramente se acelerou durante a pandemia. Em Singapura, empresas desenvolveram o AOKpass, um passaporte de saúde que atesta se a pessoa está sem Covid. Essa credencial pode ser usada em outras situações, como no trabalho, na prática de esportes e para atividades de lazer, diz a IBM.

Desde que a pandemia começou, empresas e governos desenvolveram soluções blockchain para controlar a distribuição de produtos, como máscaras. Isso pode se estender agora às vacinas.

Nesta semana, a Bureau Veritas, que faz inspeção e certificação, anunciou que está lançando uma solução para rastreamento de cadeias logísticas de vacinas da Covid-19. A solução foi desenvolvida com a OPTEL, que já tem plataformas de rastreabilidade para a indústria farmacêutica.

Rastreamento de cargas

Uma outra área de uso poderá ser o rastreamento e monitoramento de produtos. Durante a pandemia, a falta de informações sobre onde e com quem estavam cargas internacionais, e até nacionais, mostrou a necessidade de maior controle nessa área. Em muitos casos, esse rastreamento é feito associando blockchain com internet das coisas (IoT).

Uma vez associada a inteligência artificial e automação, blockchain pode também ajudar no controle de estoques e de qualidades de produtos, diz a IBM.

A empresa diz ainda que essa rastreabilidade pode resolver o problema de falsificação de medicamentos, que são de 10% a 30% dos remédios vendidos nos países em desenvolvimento. A empresa tem uma solução chamada de âncora cripto. Com isso, coloca um identificador digital único num produto, com uma série de dados, inclusive sinais óticos. Dessa forma, fica mais difícil a clonagem.

Por último, a IBM menciona a tokenização. Com a perspectiva de redução de custos, as empresas e governos podem usar tokens para reduzir intermediários, papeis e para encurtar processos. Seria mais um passo no movimento “tokenizar tudo”, tão esperado pelo ecossistema blockchain.

Fintechs receberam R$ 9,65 bilhões em aportes no ano passado

As fintechs brasileiras receberam aportes de R$ 9,65 bilhões em 2020. Os investidores fizeram os investimentos em 101 transações, sendo 23 delas aquisições. O Fintechs Brasil, parceiro do Blocknews, obteve os dados com exclusividade na plataforma Sling Hub.

O segmento continua a ser um dos líderes em aportes de investidores. Tanto é que o valor total equivale a metade do que foi investido nos outros 36 setores mapeados pela Sling, mostra a reportagem completa do Fintechs Brasil.

Um outro levantamento, o Inside Venture Capital Brasil, do Distrito, mostrou ainda que as startups receberam uma quantia superior a US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 17,5 bilhões) no ano passado. Portanto, isso representou um aumento de 17% sobre os US$ 2,97 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) em 2019. 

Mais sobre startups em:

Investidores em startups colocam blockchain e cripto no topo das tecnologias mais promissoras

Investidores em startups colocam blockchain e cripto no topo das tecnologias mais promissoras

Investidores em startups nos Estados Unidos (EUA) colocaram blockchain e criptoativos como o segmento de tecnologia mais promissor em 2021. Já os fundadores de startups, será o quinto principal. Esse é o resultado de um levantamento do venture capital Nfx com 526 entrevistados, no final de 2020. A resposta positiva foi dada por 30,25% dos investidores.

Além dessa previsão, a maioria dos fundadores (71,56%) e dos investidores (64,18%) acreditam que nos próximos três anos, blockchain será uma tecnologia comum. O restante nesses dois grupos acredita que o uso de blockchain não vai progredir.

Um exemplo desse interesse é o da PayPal Ventures, que hoje (7) anunciou investimento na startup TaxBit. A empresa tem um software que calcula os imposts sobre criptos para usuários e lojistas.

Quando a pesquisa foi feitas, os entrevistados nem sabiam ainda do anúncio de IPO da Coinbase, o que poderia ter influenciado ainda mais as respostas.

Investidores estão mais animados do que fundadores de startups. Imgem: NFX

A pesquisa não mostra porque os investidores em startups veem blockchain com tão bons olhos. É possível que o rally de preços do bitcoin desde o final de 2020, o boom de finanças descentralizadas no semestre ano passado e o maior conhecimento sobre a tecnologia contribuam para essa percepção. Uma vez que venture capitals olham para negócios escaláveis, os de criptos podem estar chamando a atenção deles.

Depois de passar pelo período de hype, em que muita gente achou que podia resolver qualquer problema com blockchain, a tecnologia caiu num limbo. Isso é normal, conforme mostra levantamento do Gartner. Mas agora, parece que volta a ser a bola da vez ou algo assim. Porém, volta de uma forma, aparentemente, mais madura. Há mais pessoas entendendo do que se trata blockhain e quando é recomendável usá-la.

Investidores em startups de criptos

Se o interesse dos investidores é em criptoativos, houve movimentos em 2020 que indicaram potencial de maior uso. Dentre estão a aceitação de criptos pelo PayPal e Visa. Assim como também houve confirmações do regulador bancário dos EUA de que as instituições podem realizar determinados operações e serviços que envolvem empresas do setor ou moedas estáveis.

Agora, se o movimento se deve ao frenesi causado pelo rally do preço do bitcoin, que anda batendo recorde sobre recorde, a visão também deve ser muito positiva, apesar da volatilidade da cripto.

Disputa com ouro

Segundo uma análise do J.P. Morgan, que faz comparações com o ouro, o preço do bitcoin teria de chegar a US$ 146 mil para ter um market cap equivalente ao do metal nas mãos de investidores. Esse market cap é US$ 2,7 trilhões. O do bitcoin está agora (18h11) em US$ 1,04 trilhão quase um terço do valor em ouro.

Só que a sua alta volatilidade afugenta investidores institucionais que gostam de ouro. Portanto, o banco diz isso essa redução de volatilidade, aumento de demanda e de preço só poderá acontecer no longo prazo. O JP lembra também que as novas gerações preferem ativos digitais, como o “ouro digital”, no caso bitcoin e isso pode ajudar a aumentar seu market cap no futuro.

Investidores e fundadores acham que em três anos, blockchain será tecnologia comum. Imagem: Nfx

Em sua análise desta semana, o Mercado Bitcoin indica que os preços estão esticados e pode haver uma correção, assim como diz o J.P.

“Caso queira entrar a qualquer custo (no mercado de criptos), comece com um aporte menor durante esta alta. Espere uma correção para aumentar mais intensamente as posições. Evite ser vítima do Fomo (sigla em inglês para medo de perder uma chance).

E aí vem uma informação importante de mercado: “historicamente, as correções do BTC costumam durar cerca de 25% a 40%, mas agora com a entrada em massa dos institucionais, podemos estar iniciando um novo padrão de correções menores.”

A pesquisa da Nfx também trouxe outros dados interessantes, como o de que a maioria dos investidores estão interessados em diversificar seus investimentos geograficamente. Eles dizem que querem colocar dinheiro em startups fora de hubs como Bay Area, em São Francisco, Nova York, Los Angeles e Seattle. Alguns fundadores e investidores até dizem que vão sair de Bay Area.

Blocknews faz um ano e especialistas falam o que esperam em blockchain e criptos neste ano de 2021

O Blocknews completa hoje (6) um ano no ar. Nesses doze meses, reportamos uma série de avanços e mudanças no mundo dos blocos, tanto no uso em empresas e governos, como nas criptomoedas. Cobrir o setor foi no mínimo muito corrido, mas também foi surpreendente e animado. A revolução que acontecia mais no subsolo está emergindo e ficando cada vez mais perto de quem pouco ou nunca tinha escutado sobre o assunto.

Chegamos a 1 ano com muito para comemorar. Temos um público fiel e que busca informações para seus negócios e investimentos. Assim, atingimos nosso objetivo de ser uma ferramenta de negócios e investimentos para os leitores. E melhor ainda: são praticamente em igual número de homens (54%) e mulheres (46%).

E o que será de 2021? Convidamos especialistas em diferentes áreas para responderem a seguinte pergunta: qual será o fato mais marcante em blockchain e criptomoedas neste ano? As respostas estão abaixo e indicam um ano provavelmente mais agitado do que 2020.

Vamos só lembrar de onde estamos partindo: ano passado, empresas que antes tinham medo de blockchain, porque a associavam a criptomoedas e fraudes, passaram a olhar a tecnologia da forma correta, ou seja, como transformadora de negócios. O governo brasileiro anunciou testes e usos da tecnologia. Além disso, as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), que pareciam algo ainda distante, tornaram-se assunto corrente. Tanto alguns dos maiores bancos incumbentes nos Estados Unidos (EUA), como JP Morgan e Goldman Sachs, quanto a BlackRock, maior gestora do ativos do mundo, mostraram que estão apostando em blockchain e em clientes e empresas do setor. No segundo semestre, houve o desabrochar das finanças descentralizadas (DeFi) seguida da sequência de recordes no preço do bitcoin.

Agora, vamos ao que os especialistas dizem sobre 2021:

Blockchain no agronegócio

Rafael Martins, CEO do Blockmeet MT – Seguindo a ascensão da tecnologia blockchain no Brasil, o agronegócio e a logística não ficam para trás. A rastreabilidade da produção do agronegócio brasileiro e mundial será um dos grandes feitos da tecnologia nos próximos anos. Acredito que passamos a fase hype, onde tínhamos várias provas de conceitos (Pocs). Agora estamos entrando na era da implantação e com uma crescente demanda pela necessidade da segurança da informação. Empresas de tecnologia e startups estão se integrando e entregando soluções do início ao fim da cadeia de valor para seus clientes. A rastreabilidade da produção do agronegócio brasileiro e mundial será um dos grandes feitos da tecnologia blockchain para os próximos tempos

Rafael Martins, CEO do Blockmeet Mato Grosso, diz que tecnologia avança no agronegócio.

CBDCs

Gustavo Cunha, economista especialista em CBDC e host do programa Fintechs e novos investimentos no Youtube – Para mim, é um movimento que começou e que tem muito ainda para continuar em 2021. Vamos ter alguns fatos importantes. A China já fez experimentos mais localizados, mas durante 2021 vamos ter muita novidade sobre como vai ser o desenrolar dessa moeda. Na Europa, as experimentos da Suécia devem se intensificar neste ano, onde há vários estudos bastante avançados com a solução da R3. A União Europeia (UE) tem até julho para definir o que fará. Há vários estudos em bancos centrais de países e com o banco central do bloco (ECB). Também vão decidir se vão usar blockchain. Esses três lugares serão bastante importantes para olharmos, em especial no primeiro trimestre.

Nos EUA, a discussão está mais lenta. Eles ainda vão implementar o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos, apenas em 2023 ou 2024. Eles ainda estão muito atrasados em sistemas de pagamentos.

Para Gustavo Cunha, Suécia, China e UE são focos de atenção, em especial no começo do ano.

Mauricio Magaldi, host do podcast BlockDrops e mentor de startups – Impulsionado pela velocidade impressa pela China com sua CBDC, outros países, como o Japão, encerraram 2020 prometendo se movimentar mais rápido no desenvolvimento e testes das suas moedas. Esse movimento reativo corre o risco de ser overhyped, já que existem problemas além das questões digitais que precisam ser endereçadas e que diferem em cada país. Inclusão digital, população bancarizada e educação financeira são alguns desses aspectos.

Além disso, questões técnicas de escopo internacional, como padrões de protocolo e interoperabilidade, ainda são virtualmente desconhecidas em função dos esforços isolados de cada país. E mais: nem toda CDBC vai ser emitida em blockchain, o que apresenta outros tipos de desafios. O ponto é que não dá pra deixar de estudar e testar profundamente esse caso de uso na realidade individual de cada país. Então, é quase certo que veremos muito movimento nesse front.

A advogada italiana Rosa Barresi lembra que a consulta pública do euro digital vai até dia 12.

Rosa Giovanna Barresi, advogada italiana, research fellow da Digital Euro Association Um fator importantes em 2021 sobre o euro digital e ativos de criptos na UE é a decisão do Eurosistema sobre a adoção da CBDC. Isso está em consulta pública até 12 de janeiro. Essa moeda será um complemento do dinheiro físico e de outras formas digitais de pagamento, para aumentar a inclusão financeira e reduzir custos. Como prova de um abordagem realista, o protótipo de uma carteira digital para fazer pagamentos em CBDC se tornou um ponto importante nos estudos.

Outro fato importante é a repercussão da licença de custódia de criptomoedas na Alemanha, em 2020. Isso permite aos bancos oferecer serviços de custódia a seus clientes. Os criptoativos são descritos como representações digitais de um ativo. Assim, cobrem uma ampla gama de instrumentos financeiros. A licença também se aplica a provedores de serviços fora da Alemanha caso ofereçam serviços regulados a clientes no país. Os custodiantes já oferecem serviços a bancos.

Identidade Digital

Mauricio Magaldi – Pegando carona no momento criado por algumas das soluções criadas em resposta à pandemia da Covid-19, uma tendência proeminente para o primeiro semestre do ano devem ser as redes de SSI/DID (Self Sovereign Identity / Digital Identity). As principais soluções estão cobrindo o rastreamento dos vacinados, mas abrem caminho para muitos outros casos de uso associados aos dados privados de pessoas físicas, empresas e até mesmo dispositivos IoT (internet das coisas). Os potenciais de uso vão além da rastreabilidade, incluindo processos de KYC (Conheça seu cliente, na sigla em inglês) dos bancos, acesso a serviços públicos, e gestão de acesso (IAM, na sigla em inglês) para que dispositivos IoT possam interagir com redes físicas e smart contracts aos quais têm permissão. Sendo um caso de uso fundamental, é certo que desenvolvimentos concretos nesse espaço.

Mauricio Magaldi acredita que a identidade digital será assunto corrente em 2021 .

Governo

Carlos Fortner, diretor presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) – Blockchain já está sendo usada em diversas aplicações de governo, como B+CPF/Cadastro Base do Cidadão (CBC), na saúde e da Dataprev. E uma das metas da Estratégia de Governo Digital 2020-2022 é crescer o uso da tecnologia em diversas aplicações.

O uso de blockchain no governo deve crescer, diz Carlos Fortner, diretor-presidente do ITI.

Regulação

Tatiana Revoredo, CSO na the Global Strategy, membro fundadora da Oxford Blockchain Foundation – Em 2020, houve crescente interesse no uso de criptomoedas, não apenas como meio de troca, empréstimo ou investimento. Houve também uma substituição literal para dinheiro e crédito em atividades financeiras diárias. Por isso, espera-se o reaquecimento do debate sobre a regulamentação de criptoativos no Brasil, assim como maior atenção das autoridades nos demais países quanto a áreas nebulosas.

Espera-se ainda um aumento no interesse de governos ​​em como as transações criptográficas e as atividades financeiras digitais podem afetar impostos, em como mitigar riscos para os investidores em DeFi e em como devem ser as regras para emissão de stablecoins. O mercado de moedas estáveis, dependendo da regulamentação, pode quadruplicar de valor neste ano. Nos EUA, será interessante acompanhar, em primeiro lugar, a legislação prometida pela SEC (Securities Exchange Commission) para “criptoempreendedores”. Em segundo lugar, o caso da CFTC contra a Abra, por vender trocas de títulos a investidores sem listá-los em uma corretora nacional reconhecida). E em terceiro lugar, o caso da CFTC contra a BitMex por oferecer serviços ilícitos a seus usuários).

O maior uso de criptomoedas em 2020 deve aumentar o debate sobre regulamentação do setor no Brasil e no exterior, diz Tatiana Revoredo.
Criptomoedas

Bernardo Quintão, especialista em criptomoedas e advisor do Mercado Bitcoin – Acredito que 2021 será marcado por um crescimento ainda maior do setor de criptoativos e blockchain. O maior interesse pelo bitcoin como ativo traz mais interesse na tecnologia. As demais criptomoedas, criptoativos e empresas trabalhando com blockchain também deverão receber mais atenção de venture capital, investidores de varejo, clientes e da mídia em geral. Com isso, mais discussão a nível regulatório deve acontecer e também reações de empresas incumbentes afetadas. Blockchain será o tema central no universo da tecnologia novamente, como foi em 2017.

Nicholas Sacchi – Head de cryptoassets da Exame – 2021 será um ano excepcional para o mercado cripto brasileiro. Seguindo a tendência global, as fusões e aquisições no setor deverão se intensificar ainda mais, seguindo o movimento de crescimento que se repete há alguns anos.
No âmbito regulatório, o lançamento do sandbox regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) corrobora o avanço do setor em várias frentes. Mas, em especial, no de tokens de valores mobiliários, que devem aparecer com força já nos primeiros meses do ano.
A institucionalização do mercado deve continuar com força e devemos ver instituições financeiras importantes e tradicionais dando passos mais consistentes na direção deste mercado. Não apenas incluindo bitcoin na recomendação de portfólio para os seus clientes, mas emitindo seus próprios criptoativos.

Finanças Descentralizadas

Bernardo Quintão – O que vimos em 2020 em DeFi foi um “boom” nos experimentos de um mercado financeiro aberto, open source. Mas, ainda em ambiente restrito a poucos usuários com capacidades técnicas altíssimas em relação à população como um todo. Acredito que neste ano, fintechs farão uso da infraestrutura montada pelo ecossistema de DeFi, os chamados “money legos”. O objetivo será entregar serviços com melhor experiência para usuários comuns, através de carteiras cripto/apps móveis. Será o início do uso do universo DeFi no mundo real.

Maurício Magaldi – o DeFi teve um verão (do hemisfério Norte) de muita especulação e acabou despontando como impulsionador de vários novos modelos de negócios e também de fraudes e escândalos. Se por ora se inspiram nas finanças tradicionais, também provocaram uma resposta de investidores institucionais e até mesmo de corporações. A exemplo da Microstrategy, que comprou cerca de 30 mil bitcoins em dezembro passado, ainda a título de compor seu balanço (HODL), outras corporações poderão seguir esse movimento.

Mas, além de compor seu balanço, poderão ancorar seus bitcoins a outros tipos de produtos financeiros descentralizados. DeFis combinados com o movimento das CBDCs poderão gerar oportunidades de proteção, investimento, tomada ou gestão de riscos para corporações além do mercado tradicional, numa fronteira cujas consequências ainda não são totalmente conhecidas e com a qual os reguladores terão que passar a se preocupar rapidamente. Aqui é onde enterprise blockchain e cripto tem o potencial de se confundir cada vez mais. 

Criptos & ESG
Liliane Tie espera ver mais políticas de ESG nas empresas do ecossistema blockchain.

Liliane Tie, líder da comunidade Women in Blockchain Brasil (WIB Brasil) – Em 2021, essa ‘bull run’ pelas criptos ainda vai continuar com DeFi. Já o que eu gostaria de ver acontecer é a pauta de ESG – depois da carta de 2020 de Larry Fink da BlackRock aos CEOs – ser mais amplamente debatida no mercado financeiro como um todo. Assim, naturalmente blockchain ganharia a visibilidade que merece como tecnologia para ajudar a resolver questões ambientais, sociais e de governança. E o que eu não gostaria de ver se repetir são relatos como os ocorridos na Coinbase (link), logo após o Black Lives Matter. Houve relatos de duas dezenas de funcionários negros que sofreram racismo.

Transformação digital

Fábio Nascimento, diretor associado da Accenture Interactive – Os desafios que diversos setores tiveram que superar por conta dos inesperados impactos do Covid-19, em 2020, devem manter protagonismo na pauta tecnológica das empresas e setores públicos em 2021. Quem não foi bem sucedido numa rápida adoção de Cloud Computing, com certeza acelerará seu movimento agora, e quem conseguiu se adaptar melhor, deve aprimorar a sua utilização, para aumentar suas vantagens competitivas.

Setores de bens de consumos, varejo, bancos e telecomunicações devem ser os que priorizarão estes investimentos. Porém, vejo um desafio considerável para o setor de educação, que terá um ano ainda mais desafiador, onde deverá colocar à prova o modelo à distância, em especial não impactando as crianças em início de alfabetização. Vejo que a adoção de Cloud irá para um segundo estágio, buscando mais valor do que apenas alocar workloads na nuvem, utilizando principalmente inteligência artificial, IoT e Ciência de Dados. Quanto ao Blockchain, acredito que ser um ano que teremos mais evolução na sua adoção, porém, acho que ainda precisamos evoluir muito para alavancar sua adoção em massa.

Reportagens exclusivas sobre bolsa de commodities, duplicatas, ID e regulação são as mais lidas

Desde seu lançamento, há exatamente um ano, em 6 de janeiro de 2020, as reportagens sobre blockchain mais lidas do Blocknews são entrevistas exclusivas do site. São matérias que anteciparam detalhes sobre novos projetos ou que esmiuçaram notícias que já estavam circulando sem profundidade.

Os assuntos das reportagens variaram de projetos envolvendo o agronegócio ao uso de blockchain em registro de duplicatas, ID autossoberana e uso de criptomoedas no capital social das empresas.

O que também chama a atenção é a alta leitura da reportagem sobre a Oyx, projeto de token para as comunidades indígenas Surui Paiter e Cintas-Largas. Em menos de dois meses, essa já é a oitava mais lida do Blocknews.

A seguir, a lista das 10 reportagens mais acessadas no site até agora. Se você ainda não leu alguma delas, aproveite para clicar nela agora agora.

Primeiro lugar

A matéria mais lida do Blocknews até hoje é a entrevista exclusiva com a CEO da Covantis, Petya Sechanova, sobre o projeto de blockchain das maiores traders agrícolas. .
A segunda matéria mais lida também é uma entrevista exclusiva ao Blocknews. Nela, o Serpro conta sobre a ID autossoberana que está desenvolvendo para o Brasil.
Mais uma entrevista exclusiva do Blocknews foi a terceira reportagem mais acessada até agora. Adiantamos detalhes sobre o uso de blockchain em registros de duplicatas.
A confirmação de que criptos podem ser usadas no capital social das empresas foi a quarta reportagem mais visualizada. O advogado Rodrigo Borges explicou a regulação.
Essa entrevista exclusiva sobre a bolsa agrícola digital Gavea Marketplace ficou no quinto lugar no ranking das que tiveram maior leitura até hoje no Blocknews.
A informação de que o Brasil deverá ter uma moeda digital até 2022, publicada em setembro continua atraindo os leitores e é a sexta mais lida do site.
O uso de blockchain no registro de duplicatas continuou a chamar a atenção dos leitores com a reportagem sobre o lançamento da plataforma, que é a sétima mais lida.
Lançada há menos de dois meses, a moeda digital Oyx atraiu um número muito expressivo de leitores e está na oitava posição.
Publicamos o cronograma de lançamentos dos serviços do Pix e o assunto chegou à nona posição entre as mais acessada pelos leitores do Blocknews.
A matéria sobre o ranking que apontou que seis startups brasileiras estão entre as mais promissoras do mundo ficou em décimo lugar.

LCX, bolsa de criptoativos de Liechtenstein, anuncia lançamento após obter licenças

A Bolsa de Criptoativos de Liechtenstein Cryptoassets (LCX) anunciou, hoje (5), o lançamento de sua exchange digital regulada e alinhada a regras de compliance. A empresa diz que conseguiu oito licenças que seguem as novas leis de blockchain do país. Dentre as primeiras moedas que vai negociar estão bitcoin, ethereum (ETH), USD Coin e o token LCX Token.

De acordo com a LCX, as licenças incluem a de bolsa de cripto, de custodiante de ativos digitais e criptos e de oráculo que oferece contratos inteligentes. Além disso, a LCX tem autorizações para serviços de tokenização e de distribuição de tokens, assim como para outros projetos, como identidade.

Seu token LCX Token pode ser usado para pagar os serviços da bolsa.

A LCX saiu de uma ideia num guardanapo, onde Monty Metzger, CEO e fundador da empresa, desenhou seu projeto, em 2017. Um ano depois, ele fundou a empresa.

A partir daí, criou um portfolio de criptos, um terminal para moedas e DeFi e outros produtos. Hoje, a sede da empresa fica em Vaduz (Liechtenstein), mas há duas filiais no Crypto Valley em Zug, na Suíça, e em Nova Delhi, na Índia.

A bolsa quer ser a primeira a oferecer security tokens com licença e que opera sob supervisão dos reguladores. “2021 vai ser o ano da inovação em blockchain e vemos o compliance em cripto como peça-chave para o sucesso”, disse Meztger.

Bancos dos EUA podem usar stablecoins e serem nós em redes blockchain, diz regulador

O regulador bancário dos Estados Unidos (EUA) chancelou, nesta segunda-feira (4), o uso de stablecoins pelas instituições financeiras do país. O Office of the Comptroller of the Currency (OCC) divulgou que os bancos podem usar as criptomoedas estáveis e serem nós em redes blockchain, realizando atividades como armazenar e validar pagamentos. Num pronunciamento histórico, o regulador reconheceu as stablecoins como uma forma de pagamento equivalente a outras existentes no mercado.

As stablecoins são lastradas em outras moedas fiduciárias, como o dólar, em outras criptomoedas, como bitcoin, ou em mercadorias. Por isso, são menos voláteis do que as criptomoedas que não têm lastro. O OCC confirmou a possibilidade de se usar esses ativos numa “carta interpretativa” e disse também que está atendendo a uma demanda crescente dos bancos.

Essa é mais uma das autorizações do OCC que ajudam a promover o uso de criptomoedas no sistema financeiro do país. Agora, o regulador de um dos principais mercados financeiros do mundo pode influenciar decisões semelhantes em outros países.

A interpretação pode gerar ao menos mais dois efeitos. Um deles é animar instituições financeiras dos EUA e de outras economias a entraram no mundo das criptomoedas. Uma outra é dar maior segurança a investidores interessados nesses ativos, em especial os institucionais. Nas últimas semanas, investidores institucionais declararam que investiram nas moedas criptografadas.

Stablecoins ajudam no comércio

O motivo para essa interpretação do OCC é a mesma de todos os tempos: “o objetivo dos bancos é ajudar na operação das leis do comércio, sendo um canal de transferência de dinheiro de um lugar para outro, conforme a alta e a baixa de oferta e demanda, e isso pode ser feito por meio de redesconto de papéis do banco ou de outras formas de empréstimos”.

Portanto, o regulador demonstrou que reconhece as mudanças no mercado. De acordo com ele, os bancos estão usando novas tecnologias e as instituições financeiras demandam o uso de redes blockchain. O mercado, completou, quer formas mais rápidas e eficientes de pagamentos. E isso inclui o uso de tecnologias descentralizadas.

“Participantes do setor reconhecem que o uso de stablecoins facilita os pagamentos e pode combinar eficiente velocidade das moedas digitais com a estabilidade dos moedas existentes. “Há bilhões de dólares em stablecoins em negociação globalmente e a demanda por elas continua a crescer”, diz o documento.

Atenção aos riscos

O OCC alerta para riscos de se usar stablecoins e redes blockchain. Por isso, diz que os bancos devem usar a nova tecnologia de acordo com as regras do setor bancário para dirimir potenciais riscos. Um deles é ter reservas, completa o OCC. “Um forte gerenciamento de reservas inclui uma proporção de 1:1 e recursos financeiros adequados para absorver perdas e atender a necessidades de liquidez”.

O regulador diz ainda que aos bancos devem estudar a legislação, ter expertise tecnológica para lidar com esse segmento e ficarem atentos aos compliance. Precisam, assim, estar de olho em potenciais fraudes, completa o OCC. Isso inclui, por exemplo, lavagem de dinheiro.

A declaração teve um efeito imediato no preço do bitcoin. Apesar de não ser uma stablecoin, o bitcoin é um tipo de lastro. Depois de bater novo recorde de preço em dólar no final de semana passado, o valor do bitcoin caia ontem (4), mas se recuperou em seguida. Às 9h28 de hoje (5) estava em US$ 31.785, alta de 4,79% nas últimas 24 horas.